Wednesday, March 18, 2009

PAI JOEL DE OGUM CONVIDA


ze-malandro-convite

FESTA DE SEU ZÉ MALANDRO

No próximo sábado, Seu Zé Malandro completa 18 anos na cabeça de Pai Joel de Ogum, por isso ele convida babalorixás, filhos de santo, adeptos das religiões afro ou simpatizantes, enfim, a comunidade em geral para participar dessa maravilhosa festa.

Endereço: Rua São Marçal, nº 619 Cidade de Deus (Manaus-AM)

(Por trás da Pousada Laser)

Data: dia 21/03 (próximo sábado), às 20h

Telefones: (92)9155-3632 // 8146-8237

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Tuesday, March 10, 2009

MPF/SP ENTRA COM REPRESENTAÇÃO CONTRA RECORD E GAZETA POR PRECONCEITO A RELIGIÕES AFRO

Como já foi dito aqui neste bloguinho pelo sapiente Pai Gilmar, as igrejas apocalípticas, que não alcançam o evangelho como “boa e nova notícia”, apresentam duas enunciações contraditórias entre si, ao mesmo tempo levando elementos próprios das religiões afro para sua prática (sal grosso, sessão descarrego, rosas, entre outros), principalmente as que usam espetaculares técnicas de tirar “espíritos malignos” até aí tudo bem para todos os pais e filhos de santo, todos são sempre muito abertos e solidários às outras religiões , mas, por outro lado, demonizando todas as entidades da Umbanda, Candomblé, Mina Nagô, Jeju, Umolocô, todas as religiões de matriz africana.

Na sua fantasia mirabolante, a maioria dos disangélicos provavelmente sequer sabia que existem tantas religiões afro, que elas são quase todas milenares, algumas muito mais antigas do que o Cristianismo paulino (não o de Cristo, o filho de Maria, que não carrega preconceitos e violentações), a maioria não sabe a mínima diferença entre Umbanda e Kimbanda, quase todos acreditam que Exu é o Diabo, que tudo é coisa do Diabo — não só os afro-religiosos, mas também os homossexuais, os ateus, as mulheres, não percebendo os incautos que ambos são religiões completamente distintas em sua origem. Os disangélicos não sabem que o próprio Satanás pertencia a uma seita que nada tinha a ver com a ainda seita cristã. E por aí vão desfiando o preconceito e a paranóia totalitários.

Quando as igrejas perceberam que a imagem não podia ficar somente na do Cristo pregado eternamente na cruz, muitos pastores, bispos despontaram na tonitruante tela total da televisão, e muitos passaram a utilizá-la como um  meio, acintosamente, para embrutecer ainda mais o preconceito a outras religiões, como ao próprio Catolicismo e principalmente às diversas religiões afro, denominadas, pejorativamente, de “macumba”. Enquanto a Constituição diz que o Brasil é um país laico, defendendo a pluralidade cultural e liberdade de credo.

Entre outras emissoras de Tv, a Record e a Gazeta, desde seus surgimentos, vêm desfiando esses preconceitos. Por isso, no ano passado, o Ministério das Comunicações aplicou às duas uma multa de R$ 1.012,32.

No entanto, como as discriminações continuaram, o Ministério Público Federal em São Paulo deu entrada na quinta-feira passada (5) numa ação civil pública, com o pedido de uma liminar, “para que as emissoras de televisão Record e Gazeta não exibam mais programas que ofendam às religiões de matriz africana”. A multa pedida, caso as emissoras descumpram a medida, é de R$ 10 mil diários.

Ao final da ação, o MPF pede que a Record e a Gazeta sejam condenadas a pagar, respectivamente, indenização por danos morais coletivos de 13,6 milhões de reais e R$ 2.424.300,00, correspondente a 1% do faturamento das emissoras, a ser revertido para o Fundo de Defesa dos Direitos Difusos.”

Na ação,a procuradora regional dos Direitos do Cidadão, Adriana da Silva Fernandes, autora da ação, destacou que a liberdade de comunicação deve andar em consonância com os direitos dos cidadãos, ficando, inclusive, as emissoras em questão responsabilizadas mesmo no caso de as produtoras serem independentes.

“O abuso praticado pelas rés contraria a dignidade da pessoa humana,(…) bem como os próprios objetivos de construção de uma sociedade livre, justa e solidária, com a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.”

Xangô, o orixá da Justiça, com seu machado de aço, com certeza movimentará os raios e trovões para que seus filhos possam cultuá-lo com livre devoção, e que, com a diminuição da estupidez dos preconceitos, outras pessoas, inclusive os cristãos, possam apreciar toda a musicalidade de uma reza batida no Tambor de Mina, o vigor dos movimentos do Candomblé, a energia positiva na alegria de estar num terreiro de Umbanda…

Veja aqui a íntegra da ACP nº 2009.61.00.005800-6, distribuída à 9ª Vara Federal.

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Thursday, February 19, 2009

CONVITE: GIRA DE EXU NO CEMITÉRIO PARQUE TARUMÃ PELO CARNAVAL

O objetivo é agradar Exu para que você se divirta, brinque em paz o carnaval, com a proteção de Exu.”

Quem convida é Mãe Neura, a todos que querem se divertir, brincar o carnaval com alegria, em paz, com harmonia, protegidos por todas as entidades afro-religiosas, será maravilhoso participar da Gira de Exu no cemitério Parque Tarumã (Manaus-Am).

Onde? No cruzeiro do cemitério Parque Tarumã

Quando? Próximo sábado (21)…. Horário: 9h da manhã

A todos os crentes nas religiões afro, simpatizantes, curiosos, lá nos encontraremos para participar, presenciar toda a beleza e o vigor das entidades que vem ao som do tambor receber suas oferendas e distribuir suas poderosas bênçãos no cruzeiro do cemitério…

Exu, que tem duas cabeças

Ele olha sua banda com fé

Uma, Satanás do inferno

A outra é de Jesus Nazaré

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Wednesday, February 4, 2009

DERRUBADA DO MASTRO DE SÃO SEBASTIÃO NO TERREIRO DE MÃE EMÍLIA


Derrubada do Mastro de São Sebastião 01 por você.

Fechando a tradicional homenagem a São Sebastião, o santo gurreiro, que Mãe Emília realiza há mais de vinte e cinco anos, a derrubada do mastro de São Sebastião ocorreu no dia 20 de janeiro passado. Devido a nossa participação no Fórum Social Mundial, ainda não a havíamos publicado.

Derrubada do Mastro de São Sebastião 02 por você.


Derrubada do Mastro de São Sebastião 06 por você.

O Mastro de São Sebastião, erguido na área do terreiro de Mina Gêge-Nagô Toy Lissá/Agbê Manjá, já estava com as frutas todas maduras, as bebidas, os doces, bolachas e bombons santificados, e por isso quando a procissão chegou era hora de derrubá-lo.

Derrubada do Mastro de São Sebastião 07 por você.

Derrubada do Mastro de São Sebastião 08 por você.

Os presentes pegaram as frutas, bebidas, presentes e o dinheiro da bandeira, e todos os filhos e convidados passaram a acender velas ao tronco do mastro.

Derrubada do Mastro de São Sebastião 09 por você.

Derrubada do Mastro de São Sebastião 12 por você.

Em seguida Mãe Emília puxou a procissão para levar o santo de volta para o interior do terreiro.

Derrubada do Mastro de São Sebastião 14 por você.

Derrubada do Mastro de São Sebastião 13 por você.

Derrubada do Mastro de São Sebastião 15 por você.


Derrubada do Mastro de São Sebastião 18 por você.

Derrubada do Mastro de São Sebastião 19 por você.


E no terreiro não parou. Dinho, que é filho carnal de dona Emília, ergueu sua voz potente e continuaram-se os rituais de louvação a São Sebastião.

Derrubada do Mastro de São Sebastião 22 por você.

Derrubada do Mastro de São Sebastião 21 por você.

Derrubada do Mastro de São Sebastião 26 por você.

Derrubada do Mastro de São Sebastião 23 por você.

Derrubada do Mastro de São Sebastião 29 por você.

Todos os filhos cantavam as rezas e dançavam com alegria, agradecendo as bênçãos a São Sebastião, assim como os convidados admiravam a beleza e autenticidade do tambor-de-mina.

Derrubada do Mastro de São Sebastião 30 por você.


Derrubada do Mastro de São Sebastião 32 por você.


Derrubada do Mastro de São Sebastião 39 por você.

Mãe Emília convidou então Pai Edson de Codoense para puxar as rezas com sua melodiosa serenidade, e também como haviam outros pais e mães de santo no terreiro, permitiu com que cantassem alguns pontos pra caboclo e finalmente seu Ubirajara veio para levar a festa pela madrugada a dentro…

Derrubada do Mastro de São Sebastião 41 por você.



Derrubada do Mastro de São Sebastião 42 por você.


Derrubada do Mastro de São Sebastião 47 por você.

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Saturday, January 17, 2009

LEVANTAMENTO DO MASTRO DE SÃO SEBASTIÃO NO TERREIRO DE MÃE EMÍLIA

São Sebastião, santo padroeiro

Ilumina os filhos e a mãe do terreiro

Mastro de São Sebastião 01 por você.

Todo ano, no terreiro de Mina Gêge-Nagô Toy Lissá/Agbê Manjá, o Mastro de São Sebastião fica carregado de diversas qualidades de frutas, abacaxi, milho, manga, maracujá, banana, laranja, bebidas, cachaça, refrigerante, cerveja, doces, bombons, bolachas e muitos outros frutos e coisas, até dinheiro. Os presentes escreveram também seus pedidos e os colocaram junto.

Então Mãe Emília e seus filhos vieram em procissão, trazendo a imagem de São Sebastião de dentro do terreiro, e enquanto rezavam ao redor do Mastro, Sira de Iansã saiu defumando-o, deixando-o purificado e preparado para ser erguido no amplo descampado.

Mastro de São Sebastião 03 por você.

Mastro de São Sebastião 04 por você.

Mastro de São Sebastião 05 por você.

Mastro de São Sebastião 02 por você.

Enquanto acompanhamos em imagens o levantamento do Mastro na força dos filhos de Mãe Emília em comunhão, conversamos com ela sobre esse ritual feito todos os anos e há tantos anos:

Esse é o levantamento do mastro de São Sebastião. Tá com mais de vinte e cinco anos que eu faço. É uma homenagem ao Rei Sebastião e a São Sebastião. Esse ritual aqui dentro da minha casa já vem passando de geração em geração. Quando Mãe Raimunda fechou o terreiro, a entidade ordenou e eu continuei na minha casa faz vinte e cinco anos, porque ele é um devoto da casa também, por isso nós temos esse ritual pra fazer, do Mastro, desde quando eu me mudei pra cá. Todo ano eu faço, eu ia fazer só sete anos, mas ele ordenou que eu fizesse todo ano até quando ele dissesse que era pra fazer. E eu estou feliz, me sinto feliz fazendo essa homenagem ao grande padroeiro, a São Sebastião, o mártir que ele foi, o grande guerreiro, e também ao Rei Sebastião dos Lençóis.

Mastro de São Sebastião 06 por você.

Mastro de São Sebastião 07 por você.

Mastro de São Sebastião 09 por você.

Mastro de São Sebastião 08 por você.

O Mastro foi erguido. Sira novamente defumou-o, agora de pé, mais frutas e outras coisas foram acrescentadas, enquanto o tambor continuava, e a alegria contagiou a todos.



Mastro de São Sebastião 20 por você.

Baixaram, então, alguns cabocos, que continuaram o ritual ao redor do Mastro, recebendo as saudações e deitando suas bênçãos aos presentes. Como Seu Tapindaré, um turco de Alexandria, como explica Mãe Emília, que é o patrono do Mastro, que desde o início vem e continua até hoje.


Cocheiro seu, sela cavalo preto

Tapindaré não gosta de andar a pé

A sua casa é num morro de areia

Mas não é mar, não é mar, não é maré

E Também Seu Sete Flechas, na cabeça de Mãe Orny da Oxum, veio homenagear São Sebastião.

Mastro de São Sebastião 18 por você.

Aêêêêê, orixá

Êêêê caboclo Sete Flechas no Gongá

Saravá seu Sete Flechas

Ele é o rei das matas

A sua bodoque atira, ô Paranga

A sua flecha mata

Mastro de São Sebastião 14 por você.


Flor e Jéssica, em dois momentos, com São Sebastião.

A noite já tomara de conta do campo quando novamente se fez procissão para levar de volta São Sebastião para seu altar dentro do terreiro.

Mastro de São Sebastião 21 por você.

Mastro de São Sebastião 22 por você.

Mastro de São Sebastião 23 por você.

Mastro de São Sebastião 24 por você.

Agora dentro do terreiro, o tambor-de-mina continuou rufando, até que os cabocos em terra subissem, e então se passou à novena, que já ia pelo seu quarto dia.

Mastro de São Sebastião 27 por você.

Mastro de São Sebastião 25 por você.

Mastro de São Sebastião 28 por você.

Mastro de São Sebastião 30 por você.

Gláucio Gama, do Fopaam, que puxou o terço nesse dia.

CONVITE PARA AS NOVENAS E PARA A DERRUBADA

DO MASTRO DE SÃO SEBASTIÃO

Mastro de São Sebastião 26 por você.

Quem convida é Mãe Emília de Toy Lissá:

Começamos domingo passado (11) as novenas, são nove noites de novena, toda noite, sempre ao final tem aquele lanche. Quem quiser pode vir, que a casa está aberta, é um templo. Pessoas de outras religiões, se quiserem, também podem vir sem se preocupar com nada. As novenas vão continuar até o dia 19; no dia 20 derrubamos o Mastro, aí rufam-se os tambores para o santo que nós cumprimos a missão. Neste dia, às 4 e meia da tarde começamos os rituais, 6h derrubamos o Mastro, depois as meninas vêm, trocam de roupa, e fazemos o ritual no terreiro.

ENDEREÇO: Rua Pintassilgo, nº 100, quadra 2, II Cidade Nova (Manaus-AM)

PONTO DE REFERÊNCIA: Próximo ao Cruzeiro

CONTATOS: (92)3088-1254 // 9995-3894 // 8149-2625

Ô vento tão forte

Que abalou a embarcação de meu pai

Era um vento tão forte

Que vem lá da praia dos Lençóis

Era um vento de São Sebastião

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Wednesday, January 14, 2009

A TRAJETÓRIA DE NOCHÊ HUNJAÍ EMÍLIA DE TOY LISSÁ


Mãe Emilia de Toy e Lissá 30 por você.

No sábado passado (10), Nochê Hunjaí Emília de Toy e Lissá, completou seus 64 anos de idade. Ela, que recebe entidades desde menina, mas que, nos seus percursos, passou por diversas religiões, desde o Catolicismo, passando pelo Kardecismo, até chegar às religiões afro, Umbanda, Candomblé e, finalmente Mina Nagô, fala de sua trajetória na religião, deixa-nos suas reflexões sobre o papel das religiões e, sendo presidente da Fucabeam, fala também do trabalho à frente dessa entidade na luta pela liberdade de culto e pluralidade cultural. Com sua serenidade e afetuosidade, nessa conversa que tivemos com Mãe Emília, é de se observar a linha contínua de preservação e autenticidade do culto e no cuidado com as religiões afro, uma vez que, além das suas responsabilidades particulares do seu terreiro, ela exerce um papel político-religioso na relação entre os terreiros, entre as diversas religiões com os cultos afro e destes com o poder público. Então, publicamos aqui suas sábias palavras, entremeadas com fotografias que ela nos cedeu de seu arquivo pessoal, que retratam sua trajetória…

Com sua primeira mãe de santo, Mãe Nazaré de Iemanjá; em Salvador

Com sua primeira mãe de santo, Mãe Nazaré de Iemanjá; em Salvador.

Sou Mãe Emília de Toy e Lissá. Toy é o grande Pai, dentro da Mina; e Lissá é o mensageiro, o Deus do Sol; Agbê Manjá é aquela mãe divina e maravilhosa, que é mãe dele. Minha mãe era filha de portugueses, o pai dela era português, e meu pai já era descendente de escravos, a bisavó dele e a avó foram escravas. E, outra mistura, minha mãe era cearense e meu pai, maranhense. Mas eu nasci no Amazonas mesmo. A minha vida espiritual começou muito cedo. Minha mãe era espírita e quando eu, com meus sete anos, comecei a receber entidades, minha mãe suspendeu, porque eu era muito pequena, ela dizia que eu não aguentava, desmaiava. A primeira entidade que eu recebi, na minha infância, foi o Rei da Lira, e depois Tapindaré, um turco; trabalhei muito com Dr. Menezes de Bezerra, no espiritismo, e ainda continuo, quando faço mesa astral aqui, eles vêm pra trabalhar, quando é preciso fazer uma mesa branca pra cura.

Uma oferenda no mar, em Salvador.

Uma oferenda no mar, em Salvador.

E a vida continuou. Lutando, batalhando com eles, porque eles queriam vir. Aí, com meus dezessete anos, eu comecei de novo a receber entidades. Não teve mais jeito, só parei quando fui para o convento. Fui professora de catequese no convento da Auxiliadora, no tempo daqueles padres antigos, capuxinhos, Frei Domingos, Frei Felipe. Então, meu destino é que eu queria ser freira, pra me livrar. Eu comecei primeiro na Igreja de Fátima, na Pça 14, a primeira igreja que teve, de palha, pequenininha, com a irmã Maria, a irmã Aurora, e destinei ir pro convento, eu tinha uns dezoito anos, era muito nova. A vida continuou, e quando era pra eu viajar pra Belém pra ir para outro convento, minha mãe achou que não, que meu destino não era aquele, aí não fui.

Recebendo Barão de Goré; em outro terreiro de Mãe Nazaré, no Maranhão

Recebendo Barão de Goré; em outro terreiro de Mãe Nazaré, no Maranhão.

Jorge Itaci de Oliveira, conhecido também como Dom Jorge ou Jorge Babalaô

Jorge Itaci de Oliveira, conhecido também como Dom Jorge ou Jorge Babalaô.

Fiquei só dando aula de catequese, não pude continuar no convento. Mas na igreja, assim mesmo, dando aula de catequese, participando de tudo, eu incorporava dentro da igreja. Então o bispo chamou a minha avó, que era uma franciscana já antiga, e disse: “Emília tem outro destino, não é esse, vai servir a Deus de outro jeito”. Frei Felipe, ave-Maria, fui pra minha casa, fiquei muito triste: “Que religião?” “Pra onde eu vou?” “Porque isso?” Eu achava até que era um absurdo. Aí fui morar com uma madrinha, comecei a me formar de costureira, de um monte de arte. Fiquei com ela um tempão. Foi quando conheci um rapaz com o qual me casei. Gostei dez anos e me afastei do santo um pouco. No dia do casamento, os padres ainda perguntaram na São Sebastião: “Emília, não casa que tu não vai ser feliz.” Mas aí, né? Conheci, gostei, o primeiro namorado foi ele. Me casei.

Primeiras obrigações na casa de Dom Jorge, depois que Mãe Nazaré rufou.

Primeiras obrigações na casa de Dom Jorge, depois que Mãe Nazaré rufou.

Com a madrinha, Antoninha Jansen.

Com a madrinha, Antoninha Jansen.

Mas depois começou a voltar tudo de novo, aí eu prometi a Deus que eu ia voltar, mas que eu queria conhecer a vida espiritual pra saber onde eu tava pisando. Eles começaram a vir, começaram a fazer curas maravilhosas, a Cigana também tornou a vir. Ela dizia que era o anjo da minha guarda, que ela ia me proteger, que eu não temesse. Tive sete filhos, mas nunca eles me abandonaram. Ajudava muito meu marido, ele era fiscal de um banco. A vida continuou, e chegou uma época, já depois dos sete filhos, nós tivemos - o destino da vida - uma separação; ele achou que tinha de caminhar com outra pessoa. Eu disse que tudo bem. Se Deus achou que até aquele tempo que se tinha desenrolado em viver até a metade da minha vida com ele, e tive as sementes que Deus me prometeu, eu vi que dali pra frente ele tinha achado que meu destino era outro.

Obrigação para receber a cuia; sete anos.

Obrigação para receber a cuia; sete anos.

Alagbês rufando na entrega da cuia.

Alagbês rufando na entrega da cuia para Mãe Emília.

Aí eu fui batalhar, fui lutar, e prometi a Deus que se eu conhecesse mais a fundo a religião, eu ia me entregar de corpo e alma. Morreu pra mim amor; só para Deus e os Orixás. Caminhei pra Bahia, dei os primeiros passos, fui me preparar. Mãe Mininha falou pra mim: “Nunca mude, nunca deixe a religião, o fundamento que Deus lhe deu, e essa Cigana jamais você deixará, nunca, nunca…”

Festa para a Cigana; ainda em Mãe Nazaré.

Festa para a Cigana; ainda em Mãe Nazaré.

Eu fui bem preparada no santo: sete anos, quatorze, vinte e um anos. Quando rufou a minha mãe de santo, passei pra Jorge Itaci de Oliveira, Dom Jorge, de São Luís do Maranhão, da Casa da Fé em Deus, pra receber o decá, já era sacerdotiza. Com vinte e cinco anos de santo eu recebi o último grau. “Se é isso que Deus quer, eu vou até o fim.” E, hoje, dou graças a Deus e a estes sacerdotes que se passaram, com quem tive o conhecimento que eu queria. Aí eu acreditei que eu sabia o que eu tava fazendo; eu tinha entrado numa coisa que não era nada demoníaco, era aquilo que Deus me determinou na vida. E até hoje eu estou, tenho sessenta e quatro anos de idade, dentro da religião já vi do pior e do melhor, e continuo tendo mais surpresa na vida. Eu procuro sempre respeitar a Deus acima de tudo, porque sem ele ninguém é nada, por isso essa Cigana que eu carrego, eu digo pra ela: “Quem tu és?” Porque é um anjo da minha guarda, que me protege todos esses anos. Nos momentos mais difíceis da minha vida, quando eu fiquei desesperada, ela sempre tava do meu lado, e me dizia: “Minha filha, não temas; nada vai acontecer contigo nesse mundo.”

Dom Jorge veio assentar a pedra fundamental do terreiro de Mãe Emilia.

Com Dom Jorg, quando ele veio assentar a pedra fundamental do terreiro de Mãe Emília.

Com Dona Mariana, nos tempos da inauguração do terreiro.

Aí fui trabalhar no Estado, na maternidade Balbina Mestrinho. Perdi tudo na vida, até minha casa teve uma época de ir pro leilão, mas reconstruí. Nada disso eu temia, eu dizia: “Se é isso que Deus quer, eu vou chegar lá.” E hoje eu consegui essa área aqui, e da Pça 14 eu vim pra cá. Lá eu já tinha um terreiro. Mas quando eu me casei, meus pais já eram velhinhos, eu precisava ter um pedaço de chão. Eles me ajudaram - Deus lá em cima e eles na Terra. Aí vim pra cá pra Cidade Nova, vinte e cinco anos vai fazer; de inauguração tem menos, porque eu vim batalhar, eu vim lutar, mas nunca deixei de ser o que eu sou hoje.

Mãe Emilia, seu irmão Miguel de Vondoreji, Ivaneide de Iansã e a guia da casa Luiza.

Mãe Emília, seu irmão Miguel de Vondoreji, Ivaneide de Iansã e a guia da casa Luíza.

A tradicional Festa de São Cosme e Damião.

A tradicional Festa de São Cosme e Damião.

Me aposentei pelo hospital, na área de saúde, porque eu adoeci do coração. Fui pra São Paulo, fiz tratamento. O médico me deu três meses de vida, e eu estou até hoje. Faz vinte e quatro anos. Os santos me disseram que não, que aquele lá de cima disse que eu ainda não ia, que eu ainda tinha muita coisa pra fazer aqui. E a vida continuou, eu aqui trabalhando com essa Cigana até hoje, e digo sempre às pessoas, que Deus existe vivo para nós, e estes são os mensageiros que ele determina aqui na terra pra nos proteger. Deus lá em cima e eles aqui pra proteger a gente, porque todo o tempo nós estamos sendo movimentados por uma força da terra, todo o tempo somos movimentados por isso.

O primeiro barco, com oito filhos de santo, que Dom Jorge veio para confirmar com Mãe Emilia.

O primeiro barco, com oito filhos de santo, que Dom Jorge veio para confirmar com Mãe Emília.

Cachoeira da Suframa, onde em tempos passados se faziam santificadas oferendas.

Cachoeira da Suframa, onde em tempos passados se faziam santificadas oferendas.

Barão de Goré, há muitos anos atrás.

Com Barão de Goré, há muitos anos atrás.

Fui desenvolvida no Kardecismo, passei pro Espiritismo, no Centro Tomás de Aquino, com as amigas, que, hoje, são Souza Cruz, Terezinha Tribuzy, aquele povo antigo, e depois eu passei pra Umbanda, da Umbanda pra Umolocô, e terminei aonde Deus queria. Eu tinha que conhecer cada uma religião, pra poder eu ficar nessa. Como que eu poder ajudar o próximo, se eu não tinha conhecimento. E hoje, graças àquele lá de cima e às mãos santas destes sacerdotes que me deram essa oportunidade de eu conhecer. Até hoje eu estou aqui com essa Cigana, ela tem uma história dela que ela conta pras pessoas, desde a minha infância. Ela tem um nome de segredo dela, mas só ela pode me autorizar de dar o nome dela. Hoje, dentro do santo, eu sou uma Gonjaí. O que é uma Gonjaí? É como se fosse um bispo, um papa. Mãe Emília de Toy e Lissá Gonjaí. É um título. Eu preciso dá título pra esse povo antigo, eles precisam ter uma história aqui no Amazonas pra contar, que já vem de muitos anos, gente que veio de fora pra cá, porque no tempo deles era o tempo da pajelança, que ninguém conhecia ninguém, ninguém homenageava ninguém. Por que que eu tive que ir pra fora? Porque na minha terra ninguém preparava ninguém, só era pajelança, eu fui na pajelança.

Festa da Cigana, feita por Mãe Emilia desde moça, muito antes de ir para Salvador. Abaixo, vários momentos da bela Cigana.

Festa da Cigana, feita por Mãe Emília desde moça, muito antes de ir para Salvador. Abaixo, vários momentos da bela Cigana.

Eu pisei em todas as linhas pra chegar onde eu cheguei. Pra mim conhecer e saber como é e como não é. Porque um sacerdote, um bispo, quem for, tem que conhecer as leis sagradas, as leis lá de cima e as de baixo, senão vai falar besteira. Nós temos que ter conhecimento. Nós também temos a nossa faculdade tanto no mundo espiritual quanto no mundo do pecado, temos os sacerdotes, que têm de passar os conhecimentos pra gente. Sacerdote de verdade, preparado; porque um sacerdote, pra se preparar, ele começa com um ano, dá os primeiros passos - é como um ABC -, dois anos, passou mais no ABC, três anos, quando chega aos sete anos, ele já está preparado pra receber uma cuia dentro da Mina. No Candomblé, é decá. Aí é que começam as preparações pra ver se aquele ser humano já está preparado pra desempenhar a função, se realmente é um sacerdote. As entidades vêm ao mundo, hoje já tem entidade que toma uma cervejinha, tomam aquilo que dão, eles gostaram, mas é uma bebida totalmente diferente. Os voduns usam o quê? O vinho, que representa tudo. A cerveja pros cabocos representa o quê pra eles? A espuma do mar. O fumo é a fumaça. Até os cabocos, índio, Oxóssi, eles usam o quê? A caiçuma, que eles extraem da mandioca. A bebida de turco é totalmente diferente; eles gostam muito de fumar o toari, eles mesmos fazem, pra fazer descarrego, pra tirar as forças negativas.

Até hoje eu estou aqui com essa Cigana, ela tem uma história dela que ela conta pras pessoas, desde a minha infância. Ela tem um nome de segredo dela, mas só ela pode me autorizar de dar o nome dela. Ela fala um bocado de línguas, que às vezes as pessoas não entendem, é preciso uma pessoa pra traduzir. Hoje em dia ela já fala assim em português, porque ela falava só em dialeto, como se ela tivesse chegado aquela hora do Egito, como se tivesse vindo da Turquia. Eu tinha uma filha de santo, professora, que traduzia. Depois eu fui pedindo, fazendo obrigação, obrigação, ela foi mudando um pouco. Ela mudou muito, aí já começou a falar em outros idiomas. Que ela transmita paz, amor, e que lave o coração daqueles que estão exaltados ou que estão desesperados por uma perda, que ela dê muita paz e muito amor pra todos.

Mãe Emilia e seu Francisco Borges, e mais cinco dos sete filhos que têm.

Mãe Emília e seu Francisco Borges, e mais cinco dos sete filhos que têm.

Eu me sinto aqui na terra como se eu estivesse mais pra lá do que aqui pisando, porque eu desempenhei a minha missão para eles. E eu quero conhecer cada vez mais, tenho participado de encontros lá fora, com os africanos, e aqui o que eu queria era saber mais sobre o resto das religiões que Deus me determinou aqui na terra, e devagar eu tô chegando lá. Até a data de hoje não me arrependo. Estou feliz, sempre procurando fazer tudo aquilo que Ele me determinou. Não tenho passado sujo na minha vida. Não, tenho só lágrimas e sofrimento, pra chegar onde eu cheguei, lágrimas de sangue, dores, momentos difíceis na minha vida os quais eu não entendia. Hoje, não, eu posso dizer: “Não, não chore suas lágrimas, que não é isso que Ele quer. Hoje, eu peço a paz pros meus amigos, e para aqueles que acham que são meus inimigos, que Deus dê muito conhecimento e sabedoria, que eles possam distribuir a paz.

Da mais recente festa da Cigana.

Da mais recente festa da Cigana (Nov/2008).

Com Dona Pátria, incorporada, que mora com Mãe Emilia e tem cerca de 80 anos de santo.

Com Dona Pátria, incorporada, que mora com Mãe Emília e tem cerca de 80 anos de santo; foi Mãe Pequena da casa de Mãe Raimunda de Tapindaré.

Que bom que Deus botou você na minha porta, pra botar essas histórias verdadeiras. Histórias, mas verdadeiras, para o povo ver como realmente é, e até os da religião, que não é só se vestir de pai de santo; se você não tiver um conhecimento, o que você vai fazer. Eu digo sempre, pra todos que têm uma casinha aberta, que chega uma época que você precisa ter uma preparação. A entidade vem, mas nós temos de estar preparados pra isso. É como um professor, um médico; se eu vou passar um remédio pra Flor que tá com uma dor aqui, eu não posso passar aquela erva, se eu sei que seu problema não é aqui e sim no coração. O que pode acontecer se eu não conhecer a vida espiritual? Eles vêm e me dizem: “Aquilo serve; aquilo não serve.” Eu enxergo, eu vejo com aquilo que Deus me deu para eu enxergar.

Com Flor (à esquerda) e Mãe Orny, filhas inseparáveis.

Com Flor (à esquerda) e Mãe Orny, filhas inseparáveis.

Com a guia-mestra Jéssica Agbê Manjá e Sira de Iansã, que convive com Mãe Emilia há cerca de 30 anos.

Com a guia-mestra Jéssica Agbê Manjá e Sira de Iansã, que convive com Mãe Emília há cerca de 30 anos.

É isso que a gente precisa: a união, a paz dentro da religião, pra poder continuar a ter esperança. Hoje nós somos criticados por falsos irmãos que não têm conhecimento. O que dizem os evangélicos? Que nós somos o diabo. Não, nós não trabalhamos com diabo. Ele foi um anjo maravilhoso, só que quis saber mais do que Deus. Os exus são os pequenos orixás que quiseram muito além daquilo que podiam, foram as vedetes, foram aqueles homens que andavam a noite inteira na farra, nos teatros, que se perderam, e hoje eles voltam com o nome que deram. Quem foi Tranca-Rua? Quem diz? Quem foi Maria Padilha? Não foram nada de diabo, não existe isso aí, o povo que inventa; existem sim trabalhos diabólicos, de magia. Existem pessoas que são mal esclarecidas e fazem isso, porque vem a força contrária, sim, mas só pra quem não tá puro nem preparado. Espiritualmente, você deixou uma força se colocar, se atravessar no seu caminho, pra fazer mil destruições. Mas Deus dá força e poder pra todos, depende de você saber usar. Você já nasceu um médium, porque Deus foi um espírito. Quando alguém sai das entranhas da mãe, aquele vodunço, aquele baculo está ali. Quem lhe pegou? Uma parteira, que o orixá dela era um, o da sua mãe é outro. Está só esperando na porta, pra aparar. Quando o bebê não quer chorar, é porque ele não quer reencarnar pra vir a esse mundo. Aí é preciso dá umas palmadinhas pra despertar pro mundo daqui. Essas coisas todas acontecem na vida espiritual e muitos não enxergam. É bonita a minha religião, linda pra você cultuar com amor, com paz, e pra unir com todas as religiões. Eu comungo, eu confesso, clamo a Deus noite e dia, rezo meus terços todo dia. Nós temos as histórias dos encantados, dos vodunços, dos pretos-velhos… Quem foram eles? Foram gente como a gente. Gente como a gente…

O aniversário de Mãe Emilia, sábado passado.

O aniversário de Mãe Emília, sábado passado.

Mãe Emilia e sua familia.

Mãe Emília e sua família.

Para se atualizar no terreiro de Mãe Emília, acesse alguns trabalhos que lá realizamos recentemente, a partir do final do ano passado:

- 2ª RUNIÃO DA CARTOGRAFIA DOS CULTOS AFRO NO AMAZONAS

- DONA CIGANA NO TERREIRO DE MINA GÊGE-NAGÔ TÓY LISSÁ AGBÊ MANJÁ

- OFERENDA NAS ÁGUAS PARA NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO, OXUM E IEMANJÁ

- SAÍDA DE JÉSSICA DE YEMANJÁ (AGBÊ MANJÁ) NO TERREIRO DE MÃE EMÍLIA

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Monday, January 12, 2009

ABERTURA DO TERREIRO DE PAI MIGUEL NO DIA DE REIS


Abertura do Terreiro 07 por você.

Clique nas fotos para ampliá-las.

Na terça-feira passada, 6 de janeiro, Dia de Reis, fomos até o bairro Francisca Mendes, zona Norte de Manaus, e acompanhamos o início dos rituais de tambor-de-mina na abertura do terreiro de Pai Miguel de Vondoreji.

Rogério de Navê e Taíssa de Navê



No momento em que publicamos essas imagens da abertura de seu terreiro, Pai Miguel ainda se encontra em São Luís do Maranhão, onde foi para participar das festas de comemoração dos 50 anos da histórica Casa da Fé em Deus, sua casa, que se deu ao final do ano passado e, por isso, passou a responsabilidade para seus filhos em Manaus de cuidar do evento.

Abertura do Terreiro 01 por você.

Acima, a esposa de Pai Miguel, dona Vanessa, e o caçula da casa.


Os filhos Rogério de Navê e Taíssa de Navê prepararam, então, o terreiro para iniciar cedo os trabalhos no novo ano. Segundo Taíssa, que é Isá Donquê (correspondente à Mãe Pequena do Candomblé) da casa, várias obrigações da Mina são feitas concomitantemente com datas litúrgicas católicas:

Por ser Dia de Reis, dia em que os reis magos levam os presentes para Jesus, dona Maria Légua, que é uma entidade de Pai Miguel, passou a missão pra mim e para o Rogério de preparar o terreiro para fazer a abertura da casa nessa data.

Abertura do Terreiro 20 por você.

Abertura do Terreiro 24 por você.


Enquanto o melodioso tambor-de-mina soava, vários convidados iam chegando e também as entidades tomavam conta do terreiro, com suas rezas santificadas e suas vigorosas danças, como Dona Herondina, que baixou em Pai Gilmar, vindo saudar o terreiro que inicia seus trabalhos.

Abertura do Terreiro 21 por você.

Abertura do Terreiro 22 por você.


Abertura do Terreiro 13 por você.

Infelizmente não pudemos acompanhar todo o ritual, mas, devido ao axé que preenchia o terreiro, a da Mina no terreiro de Pai Miguel remonta às suas raízes maranhenses, às raízes africanas, e não só ele, mas também as entidades e todo o culto afro ficam felizes com a autenticidade do culto que presenciamos e que compartilhamos neste bloguinho, saudando Pai Miguel e todos de sua casa.

Abertura do Terreiro 18 por você.

Aqui os alagbês; à esquerda, Anderson, o primogênito de seu Miguel.


Abertura do Terreiro 26 por você.

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Friday, January 9, 2009

SAÍDA DE JÉSSICA DE YEMANJÁ (AGBÊ MANJÁ) NO TERREIRO DE MÃE EMÍLIA

Samba Kolé, Missaê ori Yemanjá

Ô dilá Kolê Kolê,

Ô Missa ori Yemanjá!

Jéssica de Iemanjá 01 por você.

Eu estou muito, muito contente pela saída da minha obrigação, graças a minha mãezinha. Estou muito contente com a minha religião. Gosto da Mina, aqui me sinto realizada. A minha responsabilidade, como guia, eu tenho como olhar, observar o terreiro, porque às vezes o babalorixá tá virado e eu estou preparada pra isso, pra levar pro roncó, tirar, puxar reza, tomar conta do terreiro…” (Jéssica de Yemanjá)

Jéssica de Iemanjá 02 por você.


Jéssica de Iemanjá 05 por você.

Em pleno Dia de Reis, terça-feira passada (06), como as palavras de Jéssica acima, todos os que foram ao amplo, magnífico terreiro de Mãe Emília de Toy e Lissá estavam entusiasmados pela amizade e respeito que têm por Jéssica, e também pela importância religiosa dessa obrigação. A partir desse dia, ela, que já vinha muito auxiliando no trabalho do terreiro, agora é oficialmente a guia-mestra da casa.


Jéssica de Iemanjá 08 por você.


Jéssica de Iemanjá 32 por você.

E todos admiravam e queriam compartilhar da companhia da bela Yemanjá, a santa de tantos nomes, rainha das águas, merecendo suas bênçãos, que lava todos os males do corpo e da alma, elevando os homens à vida preenchida de alegria e suavidade.

Jéssica de Iemanjá 11 por você.

Acima, Jéssica com pai e sua mãe, Flor; abaixo, à esquerda, seu irmãozinho, que sonha em tocar tambor.


Jéssica de Iemanjá 15 por você.


Como era Dia de Reis, foram feitos rituais correspondentes no terreiro. Quem explica é mãe Emília: “Era Dia de Reis e nós estávamos fazendo o ritual de queimar as palhinhas, as palhas que eram da lapinha. Estávamos então cantando pra reis. Ritual de Reis, queimar palhinhas.”

Jéssica de Iemanjá 18 por você.



Jéssica de Iemanjá 24 por você.

Então Jéssica, com toda sua beleza e simplicidade, veio dançar pra sua senhora, e com certeza Iemanjá estava ali pra ver e sentir toda energia que tomou conta da sua guia-mestra, assim como de todos no filhos no terreiro.

Jéssica de Iemanjá 23 por você.


Jéssica de Iemanjá 30 por você.

Jéssica de Iemanjá 25 por você.

Jéssica de Iemanjá 26 por você.

E quem também baixou no terreiro foi Dom João Soleira, um caboco muito velho que, segundo Mãe Emília, estava na cabeça de uma “filha de uma mãe de santo muito antiga de Manaus, Benedita de João da Mata, ela tinha três filhas, e como ela já é falecida, as filhas vêm e recebem as mesmas entidade que a mãe recebia.”

Jéssica de Iemanjá 37 por você.


Jéssica de Iemanjá 27 por você.

Enquanto os rituais continuavam ao som do maravilhoso tambor-de-mina, conversamos com Mãe Emília, que nos falou com satisfação do trabalho que Jéssica realiza ao seu lado:

A Jéssica tá dando obrigação de dois anos, a guia-mestra da casa. Ela é filha de Iemanjá e Doçu (Ogum). Ela já estava exercendo o cargo, faltava ela terminar as obrigações. Ela não é rodante, não incorpora. Hoje ela fez a obrigação que tava faltando, vestiu Iemanjá, Oxalá. Dentro da nossa Mina Jêjo Nagô, ela pertence à família gentil. Então Iemanjá exigiu e ela tinha que fazer isso pra poder caminhar dentro do terreiro. Diferente do Candomblé, o nosso ritual é um ritual mais simples, mas mais rigoroso dentro da camarinha. Também o nome do santo, no Candomblé ele dá fora, na Mina ele dá dentro do roncó.

Jéssica de Iemanjá 35 por você.


Jéssica de Iemanjá 38 por você.

Jéssica de Iemanjá 40 por você.

Daqui pra frente vai depender de todo aquele juramento que faz, as normas, o fundamento dentro da religião, dentro do terreiro, aí ela vai desempenhar conforme o grau que ela recebeu, conforme a hierarquia do santo, mas ela já tá sabendo como é, o que pode, o que não pode. Tem que cumprir esse resguardo durante um mês, tem muitas coisas que ela não pode fazer, para não quebrar esse preceito; porque se quebrar o preceito tem que fazer tudo de novo para consertar. Durante esses anos todos que ela está comigo, ela sempre foi uma boa moça, uma boa sacerdotisa, e vai ser.

Jéssica de Iemanjá 41 por você.



Mas quando o caboco Barão de Goré, que há tantas décadas baixa nas festas e nos trabalhos de Mãe Emília, vários outros cabocos desceram e encheram o terreiro com seus vigorosos movimentos.

Jéssica de Iemanjá 44 por você.


Jéssica de Iemanjá 52 por você.


Já ia, então, pela madrugada, e era hora de fechar os tambores, mas até o final do ritual da Mina realizado no terreiro de Mãe Emília em seu vigor e autenticidade parecia não querer chegar ao fim. E é como se fosse apenas um intervalo.

Jéssica de Iemanjá 51 por você.

Jéssica de Iemanjá 54 por você.


Jéssica de Iemanjá 56 por você.

Ao final, todos se reuniram para parabenizar as aniversariantes do dia. Jéssica aniversariou ontem e, por isso, este bloguinho lhe oferece este trabalho. Que seus dias sejam sempre e continuamente de crença e amor aos santos das religiões afro e na vida Mina Jêjo Nagô!

Jéssica de Iemanjá 57 por você.

Jéssica de Iemanjá 34 por você.

As ondas já bateu na areia

A sereia vem nos salvar

Ai, quem manda no mar?

É Yemanjá!

Ai, quem manda no mar?

É Yemanjá!

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Monday, January 5, 2009

PAI JOEL E SEUS CONHECIMENTOS SOBRE A UMBANDA E TODO O AXÉ DE SEU ZÉ MALANDRO

Pai Joel e suas entidades por você.

Oi, leva fé, leva fé nesse homem

Que esse homem é de ajudar

Você pode gritar por seu nome

Toda vez que precisar

.

Oi, salve a sua batucada

Sob a luz da lua

Numa linda madrugada

Nas esquinas, pelas ruas

.

E no seu samba tem muita cerveja

E muita mulher

Mas também tem caridade

Que ele presta a quem quiser

.

Pois é. É, pois é

Bate palma no samba do seu Zé

Canta forte minha gente

Que esse samba é de fé

.

Se no seu caminhar, se no seu caminhar

Encontrar algum perigo

Chama seu Zé, que ele passa contigo

Ele tem muita força, ele tem muito axé

.

Ele vem na Umbanda,

Gingando, cantando, sambando no pé

Todo de branco, vem malandreando

Só ajudando a quem tem fé

.

Saravá, seu Zé. Ê, saravá seu Zé

Seu Zé. Ê, saravá seu Zé

Saravá seu Zé Malandro

Salve a força da fé

SOBRE OS 100 ANOS DE UMBANDA

A Umbanda começou em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, justamente a cidade onde eu fui criado. O caboco Sete Espadas foi o primeiro caboco da Umbanda. Começou, e apareceram outros cabocos, como o caboco Araribóia, que foi o grande fundador de Niterói. Alguns pensam que no Rio não tem índio, mas no Rio tem índios também; as ruas de Niterói são ruas indígenas, as praias, como a Praia das Flexas, a Praia do Ingá, Praia de Itacoatiara, Praia de Itaipu. Araribóia brigava com a tribo dos Tamoios, que era onde é São Gonçalo. Araribóia é um caboco brasileiro. Você chega na Av. Amaral Peixoto, tá lá o Araribóia, de frente pras barcas. A Umbanda é uma coisa muito bonita, muito formosa, é uma coisa humilde, simples, onde prevalecerá sempre a caridade. A Umbanda traz muitas coisas boas.

Eu saí no Candomblé, quando eu cheguei aqui em Manaus, eu passei pra Umbanda, até porque é muito difícil de cultuar aqui o Candomblé, Jêju, Nagô, e por isso eu optei pela Umbanda. Aqui é terra da pajelança, de caboco, de Oxóssi, e da água doce, que é Oxum, que no chamado sincretismo, é Nossa Senhora da Conceição, e Oxóssi é São Sebastião, que, inclusive é o padroeiro do Rio de Janeiro. E daí a Umbanda teve uma difusão muito grande, se espalhou pelo Brasil todo. Umbanda é, como meu velho fala, humildade, caridade e simplicidade. Se uma pessoa bate na sua porta, você tem por obrigação de ajudar ela; prioridade para os doentes, pessoas que estão desempregadas, coisas de amor é luxo. A Umbanda completou 100 anos, é muito bonito. Tá pra dar um grande passo aqui em Manaus também, se todos trabalharmos juntos. Como a Mãe Emília, na Fucabeam, um trabalho muito formoso que ela vem fazendo, se preocupando com os barracões; ela vem pra ajudar.

NA FANGE DOS MALANDROS, SEU ZÉ MALANDRO

Zé Pelintra teve uma história bonita. Não que a história de Seu Zé Malandro não seja bonita, mas a história de Seu Zé Pelintra é muito mais bonita, tem o Zé Pelintra da Lapa, o Zé Pelintra do Morro, assim como tem o Zé Malandro da Lapa, o Zé Malandro do Morro, Zé Malandro da Maloca. Eu recebo Seu Zé Malandro, é o meu paizão. A falange dependeu do Zé Pelintra. Se eles têm um nome, a falange, eles devem ao Zé Pelintra, que realmente existiu; alguns dizem que ele morreu de navalha, outros dizem que foi fuzilado na porta de um cabaré. Zé Pelintra é um mestre, ele fez muitas coisas boas, ele não era só malandro. As pessoas tem que passar a conhecer melhor a falange do Zé Pelintra, eles reinaram no pé do morro, na Lapa, em Santa Tereza, como diz aquele ponto:

O morro de Santa Tereza está de luto

Porque Zé Pelintra morreu…

Então, os malandros reinaram em cada local, por exemplo, a praça Mauá:

Quando venho descendo o morro

Falei pra queza que eu vou trabalhar

Eu boto meu baralho no bolso

Castiçal no pescoço

E vou pra Barão de Mauá…

Fica um porto de frente para a Barão de Mauá. No caso, quando eles vieram de Pernambuco, fugidos, onde eles ficaram? Na Barão de Mauá, praça Mauá. Então, tem um fundamento ali. Cada ponto tem de identificar o fundamento desse mestre, porque ele foi criado naquele ciclo ali. Por exemplo, se ele passou pra linha de caboco:

Lá no pé da juremeira

Zé Malandro assentado

Fazendo seu catimbó

Dando conta do recado

Ele foi um catimbozeiro também, ele foi um feiticeiro. Esse ponto:

Lá na Aruanda tem um mestre na jurema

E na Umbanda Zé Malandro é morador

Se é doutor, se é feiticeiro,

Tenha certeza, Zé Malandro é curador.

Ele pode vir também na linha de preto velho. Em caso de necessidade, a falange pode arriar na linha de preto velho, em caso de necessidade. É por isso que ele vem. Ele vem na linha de exu, só que ele não é exu, mas ele vem. Ele é mestre, ele pode entrar em quatro linhas, como eu expliquei pra você no anterior, em cada linha ele age de um jeito. Na linha de caboco pode beber a cerveja branca, mas na linha de caboco ele bebe mais é vinho, ou como diz a língua de dele, “é o sangue de Cristo”. Então, no caso, na linha de preto velho ele vem fumar o cachimbo; não que na linha de caboco ele não possa fumar o cachimbo, ele pode, mas na linha de preto velho não pode faltar. Ele, como um mestre, já é doutrinado. A falange de malandro respeita muito os pretos velhos, os preto velho tem uma doutrina maior, uma rede. No caso, eles tem muito respeito pelos pretos velhos, com o povo da rua. Como diz o seu Zé Malandro, passando pra linha esquerda:

Tranca Rua e Zé Malandro são dois velhos companheiros

Traca Rua na encruza e Zé Malandro no terreiro.

Cada linha, ele tem que cantar um ponto daquela linha que ele tá. Eu vou contar um, no caso, na linha de exu:

Olha ele aí, olha ele aí, olha ele aí, olha ele aí

Oi, teve uma blitz no morro, a polícia vem aí

Oi, teve uma blitz no morro, a polícia vem aí

Malandro que é malandro se escondeu lá na Figueira.

O que é a figueira? A figueira era lá onde eles faziam os rituais. A figueira era onde eram feitas as gamelas nas quais se faziam as obrigações, embaixo daquela figueira eles faziam rituais de exus. Então, no caso, a figueira tem um significado na linha de exu. Esse ponto da linha de exu ele encontra com a linha de caboco, ele tá numa linha e tem que contar o ponto daquela linha: se ele tá na mata, ele tem de cantar da mata; se ele tá na linha de preto velho, tem que cantar na linha. A falange é assim; não são exus como muitos acham, não, eles são mestres. Tem um ponto assim:

Saravá, saravá, todo filho de umbanda

Pra salvar sua banda, Zé Malandro chegou

Ele vem de Aruanda, ele é mestre nagô

Saravá, minha gente, Zé Malandro chegou.

Assim como Zé Malandro, Zé Pelintra, Zé Pretinho, Zé Brilhantina, Buscapé (que é o mais novo da falange), Francisco Pelintra, no caso eles formam uma falange. Os outros pegaram fama devido ao Zé Pelintra; tem uma prece do Zé Pelintra:

Salve seu Zé Pelintra, salve os malandros, salve a malandragem…

Palavra ditas pelo seu Zé:

Sete caminhos andei, cheguei

Sete perigos passei, passou

Sete demandas venci, conquistei

Sete vezes tentaram me derrubar, mas de pé fiquei.

O seu Zé Malandro fala assim, que ele é igual o bambu, ele enverga, mas não quebra, é gira, como ele fala. Tem umas estórias que eles falam, que o Zé Pelintra tava querendo alguma coisa com a Maria Bonita e o Zé Pelintra, o Zé Malandro, estavam querendo pegar o Lampião na covardia. Tem até um ponto que ele canta:

Mulher, mulher, não tenha medo do seu marido

Mulher, mulher, não tenha medo do seu marido

Se ele é bom na faca, eu no facão

Ele é bom na reza, eu na oração

Eu sou Zé Pelintra, ele é Lampião.

Eles sempre foram inimigos o Lampião com o Zé Pelintra, porque o Zé Pelintra queria ficar com a mulher do Lampião. E ele queria armar pra pegar o Lampião, que era muito perseguido. A história de Lampião é muito bonita. No final é que muito triste, mas ele ficou com a Maria Bonita. Ele morreu, mas ela não ficou pra ninguém, ficou com ele. foi um amor muito bonito esse do Lampião com a Maria Bonita, eles eram muito temidos. No caso a falange naquela época era muito bonita. A idade do seu Zé é de 1843 e a idade do Zé Pelintra é de 1852. José Gomes da Silva ou Zé Pelintra. A história é muito bonita, no sertão de Pernambuco, uma cidade muito sagrada porque foi dali que saiu a falange quase toda dos malandros, e se juntou com os outros malandros que já tinham no rio de janeiro também.

Seu Zé e Axé por você.

Alguns fregueses, alguma festa que eu vou, às vezes alguém fala: “Mas Zé Malandro?! Nunca vi Zé Malandro. Já vi Zé Pelintra.” Eu digo: “Não, Zé Malandro.” Falta eles procurarem se informar mais. Eu nunca tinha mostrado pra vocês esses pontos deles. As pessoas falam: “Esse ponto deve ser copiado.” Não, ele existe, como eu te mostrei. Eles tem que respeitar a entidade como se deve respeitar; a mim não importa se a pessoa cultua esse ou aquele; eu quero ver é que a pessoa tá cultuando o seu caboco, o seu preto velho, tá recebendo seus orixas. Isso é que importante dentro da Umbanda, do Candomblé, que você tá cultuando. Conselho que eu dou: Não desista! Nessa vida, ninguém vive só de vitória. Como diz a prece de Oxalá:

Que a paz de Oxalá renove nossas esperanças

Depois de erros e acertos, tristeza e alegrias,

Derrotas e vitórias, chegarei aos pés de Zambi maior

Êpa babá Oxalá!

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Friday, January 2, 2009

BARQUINHAS PRA IEMANJÁ DE DONA DORA E PAI GEOVANO

Oi, oi, me dê licença mamãe

Vou me deitar na areia

Me banhar no mar

Oi, oi, me dê licença papai

Vou me deitar na areia

Me banhar no mar

Barca Iemanjá 01 por você.

Clique nas imagens para ampliá-las.

Sempre ao final de todo ano, os babalorixás e as yalorixás de Manaus pegam seus filhos e vão para a Ponta Negra para colocar as barquinhas nas águas do Negro para saudar Iemanjá, agradecendo pelos desejos realizados e deitando novos pedidos para o novo ano que vai entrar. Todo ano lá vão Pai Geovano de Ajagunnon e Mãe Dora de Obaluaê para fazer suas obrigações nas águas.

Barca Iemanjá 02 por você.

Rolou, rolou, rolou

Rolou água para o mar

Menino varre o terreiro

Pra caboco trabalhar

Barca Iemanjá 07 por você.

E quem baixou na areia para organizar a oferenda foi o bem-humorado, bom conversador, festeiro, mestre no catimbó, o caboco curandeiro Sibamba, que veio pra puxar ponto, beber sua cachaça e trazer alegria para os filhos à beira da praia. Velho conhecido deste bloguinho, Sibamba nos deixou um pouco de seu conhecimento e seu axé:

Isso aí é coisa boa que todo o povo da humanidade devia fazer pra mãe das águas para sempre ter prosperidade como a abundância desse rio. Muito peixe, muita fartura, muita prosperidade, muita felicidade, muita harmonia, porque o povo precisa. O povo, esse ano que nós vamos entrar — nós, eu digo “nós” porque eu sou uma entidade e vou entrar junto também —, vai padecer um bocado. Sabe por quê? Por falta de criatividade, por falta de discernimento de pessoas, por falta de vergonha do povo que governa esta porra desta terra, um povo burro de uma terra próspera.

Barca Iemanjá 05 por você.

DA CRETINICE DOS “POLÍTICOS”

Os governantes dessa terra são um bando de cretino e ordinário. Neste ano tu vai ver: no primeiro vai ser bom, o segundo ano vai ser ruim, terceiro ano vai ser péssimo, o quarto ano vai ser pior ainda. Esse ano que vem é um ano e um mês de prosperidade pra alguns e infelicidade para outros. Muita gente vai correr atrás dos terreiros pra se limpar, pra ver o que é que está acontecendo na sua vida, não escapa, porque vai ser um ano pesado, porque o dono que vai reger é um homem que não obedece, faz, um homem que não pede, mostra que tem, que pode.


DAS REGÊNCIAS DO ANO DE 2009

Oxóssi e Ossane, meu filho já jogou, já viu. No meio do ano o Oxóssi vai passar para Ossane. Vai ser um ano muito bom pros bocholas, os bocholas vão se sobressair durante esse ano. Oxóssi é orixá da fartura, da prosperidade, da certeza, das coisas boas. Ossane é deus da liturgia, esse ano a medicina vai se sobressair como tudo. Vai ter muita realização, o povo vai tá feliz na medicina. Não vão conseguir a cura pra Aids, mas vão chegar pertinho, pertinho, que até dois mil e poucos instantes vai lá, vão conseguir sim. Mas esse ano vamos ter, seu cabra, muita novidade na medicina. Vamos ter muita fartura logo no começo e vamos ter muita revolta das águas…

Barca Iemanjá 11 por você.

De touro, de cavalo brabo se amansa

Eu não tenho medo

De touro, de cavalo brabo se amansa

Eu não tenho medo

Eu não tenho medo

De sair pra mata de manhã bem cedo


PELO RESPEITO À NATUREZA

Seu menino, o povo tem que ter consciência que fazer obrigação não é fazer sujeira, oferenda é oferenda e, não, sujeira. A natureza, se você agredir a natureza ela se revolta. Se Iemanjá é natureza você vai agredir ela, jogando um monte de desperdício que não lhe serve mais, só porque você já utilizou aquilo, você joga lá na beira das águas? Tá doido, macho. Por causa disso que tá essa calamidade mundial. Por causa disso, porque não tem conscientização Nem de macumbeiro, nem de santo, nem de ogã, nem de ekédi, nem de cambono, de cambona e nem das próprias entidades que dizem vim no couro dos outros. Se fosse mesmo, preservariam muito bem esse rio tão bonito, que caboco se encanta, que caboco é encantado, que caboco tanto usa. Eu sou desse rio, sou um caboco, sou dessas bandas de cá. Tem que preservar pelo teu reino. Se eu venho pelas matas tem que preservar as matas. E é onde esse ano vão bater bastante, esse ano vai ter muita queda de negócio da mata, muita queimada, muito esses negócios que vocês fazem que eu não sei falar, porque eu sou meio destrambelhado da língua, eu não conheço esse negócio.

Barca Iemanjá 13 por você.

Barca Iemanjá 14 por você.

Um conselho que eu dou sabe o que é? É de sentar, meditar, olhar e ver. O que eu faço amanhã, o que eu digo amanhã vão falar pra eu. O melhor seria que o povo dessa terra e de todas as terras é meditar e procurar viver sua vida não agredindo a própria natureza porque senão ela se revolta sobre as pessoas. O que tá acontecendo hoje em dia é a revolta da própria natureza, da própria entidade se revoltando contra quem ofendeu. Qualquer coisa, a minha casa tá lá, você sabe onde é, e o povo deve conhecer.

Barca Iemanjá 15 por você.

Princesa

Ela é rainha daqui

Ela é rainha daqui

Ela mora longe daqui

Ela mora longe daqui

Princesa

Cadê rainha daqui

Cadê rainha daqui

Ela mora longe daqui

Ela mora longe daqui

Barca Iemanjá 17 por você.

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