Wednesday, July 1, 2009

LANÇAMENTO DO CD “ALESSANDRO DE OGUM CANTA AOS ORIXÁS” E OUTROS EVENTOS LIGADOS À CULTURA E RELIGIÕES AFRO


CD Orixás 01 por você.
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Além da importância político-cultural-religiosa do lançamento do CD Alessandro de Ogum Canta aos Orixás por ser a primeira gravação musical dos cultos afro no Amazonas, o evento, organizado numa parceria da Federação Brasileira de Umbanda, Cultos Afro-Brasileiros e Ameríndios (Abucabam) e a Federação de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros do Amazonas (Fucabeam), realizou-se como uma confraternização e fortalecimento dos laços afetivos entre as diversas vertentes dos cultos afro existentes em Manaus.

CD Orixás 12 por você.

Nochê Hunjaí Emília de Toy Lissá/Agbê Manjá (presidente da Fucabeam), Babalorixá Alessandro de Ogum e Pai Lairton da Oxum.

O evento ocorreu na sede da Fucabeam, e quem falou a este bloguinho foi Pai Lairton de Oxum, presidente da Abucabam:


Hoje é um momento importante pra nós, porque estamos lançando, em parceria com a Fucabeam, o primeiro CD da religião, um CD com rezas da nação Ketu. O CD é do babalorixá Alessandro de Ogum. E hoje é especial também porque nós estamos aqui reunidos não somente a nação Ketu, estamos fazendo a reunião de várias nações: Angola, o Tambor de Mina, Mina Jêjo Nagô, babalorixás, yalorixás de várias nações estão se juntando hoje aqui nesse lançamento. Todas as religiões já gravaram CD’s com louvações, com rezas, orações; nós estamos lançando o primeiro hoje no estado do Amazonas. Hoje, no lançamento, a gente aproveita para mostrar um pouco da cultura afro-brasileira. Está sendo apresentada uma exposição do tambor de Mina, uma exposição de livros da coleção da editora Pallas, com livros referentes às religiões afro-brasileiras, e haverá ainda a apresentação do balé afro Mutalembê e de uma roda de capoeira. Tudo isso vai fazer parte desse evento em torno do lançamento do CD.

CD Orixás 14 por você.

Na alegria de ter realizado um feito singular e de fundamental importância para as religiões afro do Amazonas, o jovem babalorixá Alessandro falou-nos que desde pequenino vive na religião afro, cultuando-a sempre com devoção e responsabilidade, e nos disse dos motivos que o levaram a realizar este trabalho:

É o primeiro CD que tá sendo gravado aqui do Amazonas. A gente tá colocando aí para as pessoas ouvir e gostar da música dos orixás. De Exua a Oxalá, e um xirê completo. Foi um trabalho muito grande pra mim e pros meus irmãos que fazem parte do CD, mas graças a Deus, a Ogum e todos os orixás estamos aí de bom axé. O povo vai gostar…

CD Orixás 10 por você.

Para quem desejar ouvir o CD:

Alessandro Canta aos Orixás

Fones: (92)3645-9161 // 8133-7392 (Entrega a domicílio)

Disponível também em diversas cabanas de produtos afro.

alessandro_capa

O povo gosta de tudo que auxilia na afirmação da cultura afro, e não apenas os filhos e pais de santo estão gostando, mas também os simpatizantes e todos que são contrários à intolerância religiosa, a qualquer forma de intolerância.

Com essa espiritualidade, saímos para dar uma olhada nas belas exposições presentes no amplo terreiro.

EXPOSIÇÃO TAMBOR-DE-MINA

CD Orixás 03 por você.
Roupa de Oxalá e Rosários (fios de contas, guias), acima alguns instrumentos musicais, como o gã (ferro) e o xequerê (cabaça)


Roupas das Tobossis (Princesas meninas do Daomé) e bengalas dos Voduns e Nagô Gentil

CD Orixás 06 por você.

E o Boi dos Encantados; aqui o Estrela do Oriente, que você já ouviu mugir aqui neste bloguinho.

CD Orixás 08 por você.

EXPOSIÇÃO DE LIVROS AFRO-RELIGIOSOS

CD Orixás 32 por você.

Havia ainda uma exposição/stand de obras da Pallas Editora, que tem um projeto desde 1980 de publicar livros privilegiando temas ligados às nossas origens étnicas e culturais, inclusive com linha infanto-juvenil, escritos por estudiosos e autoridades religiosas afrodescendentes.

APRESENTAÇÃO DE CAPOEIRA: LEGIÃO BRASILEIRA

CD Orixás 15 por você.

E quando entrou Mestre Cristiano e a moçada da Legião Brasileira o terreiro foi preenchido de toda a musicalidade, movimentos e dança da capoeira. Sentindo o axé, o Mestre passou a envolver todos os presentes e aquilo que seria uma demonstração passou a ser um ritual coletivo.

CD Orixás 18 por você.

É no embalo do meu berimbau

É no embalo do meu berimbau

Eu quero ver você bailar

No meu berimbau

E todo mundo é do embalo

Do meu berimbau

CD Orixás 19 por você.

Essa menina é danada

Do meu berimbau

Eu quero ver você tocar

No meu berimbau

É no embalo do meu berimbau

É no embalo do meu berimbau

CD Orixás 16 por você.

Foi então a hora de mostrar as habilidades com o cacetinho, em uma das mais vigorosas modalidades da capoeira: o Maculelê, que Mestre Cristiano, inicialmente explicou não se confundir com a popular Dança do Cacetinho, e falou de sua origem com o Mestre Popó, na Rua da Linha, há tantos passados lá em Salvador.

CD Orixás 21 por você.

Certo dia na cabana um guerreiro

Certo dia na cabana um guerreiro

Foi atacado por uma tribo pra valer

Pegou dois paus, saiu de salto mortal

E gritou pula menino, que eu sou Maculelê

CD Orixás 22 por você.

Então um pandeiro pulou pra roda, e não somente as garotas da Legião Brasileira caíram no samba, muitas das que estavam na platéia foram convidadas e não titubearam.

CD Orixás 24 por você.

Mulher bonita

Do cabelo enrolado

Da boca pequena

O nariz afilado

CD Orixás 25 por você.
Aqui, Flor, representando a Fucabeam.

CD Orixás 26 por você.

Homem para ser livre

Domina sua mente

E jamais será escravo

CD Orixás 17 por você.

DOCUMENTÁRIO SOBRE JORGE BABALAÔ

Na sequência, foi feita a reprodução de um documentário sobre o Babalaô Jorge da Fé em Deus (São Luís do Maranhão), pai de santo de Mãe Emília e um dos mais conhecidos e importantes babalorixás do Tabor-de-Mina do Brasil.

CD Orixás 27 por você.

Falecido em 2003, Pai Jorge era respeitado não apenas pelos conhecimentos das religiões afro, mas também pelo engajamento na luta pela preservação de todos os cultos afro no Maranhão, e assim, por suas atitudes, contribuiu, e contribui, com a resistência das religiões de matrizes africanas em todo o Brasil.

CD Orixás 31 por você.

BALÉ AFRO “MUTALEMBÊ”

CD Orixás 28 por você.

Eis que vieram as garotas do Balé Afro “Mutalembê”, formado em 2005 a partir dos movimentos da negritude em Manaus, com o objetivo de difundir através da dança a beleza, conhecimentos e posições da cultura afro para a comunidade de Manaus. Nesse evento, fizeram alguns números com músicas do cancioneiro popular ligadas à cultura e à religião de matrizes africanas, como a maravilhosa composição de Paulo César Pinheiro e João Nogueira, Guerreira, conhecida na voz da guerreira Clara Nunes.

CD Orixás 29 por você.

Se vocês querem saber quem eu sou

Eu sou a tal mineira

Filha de Angola, de Ketu e Nagô

Não sou de brincadeira

Canto pelos sete cantos

Não temo quebrantos

Porque eu sou guerreira

Dentro do samba eu nasci,

Me criei, me converti

E ninguém vai tombar a minha bandeira.

CD Orixás 30 por você.

Com certeza esse evento foi fundamental para aproximações democráticas dentro dos diversos cultos afro e manifestações afro em Manaus. Uma verdadeira confraternização de todos aqueles que comungam a possibilidade de um mundo sem intolerância, onde todos possam compartilhar sua beleza cultural de forma plena e livre. Axé!

CD Orixás 33 por você.
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Saturday, June 27, 2009

ARRAIAL DE SÃO JOÃO NO TERREIRO DE MINA GÊGE-NAGÔ TOY LISSÁ/AGBÊ MANJÁ


Arraial São João 01 por você.

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Fogueira, iguarias juninas, quadrilha de crianças e um boizinho lá do Maranhão, foi no Arraial de São João no terreiro de Mãe Emília de Toy e Lissá, que mantém a maravilhosa tradição há quase três décadas.

Todo ano, desde quando eu morava na Pça 14, eu faço esse arraial, já faz mais de 25 anos. Sempre assim com alegria, vem os amigos, é uma tradição que a gente sempre faz. Todo ano a gente comemora São João, faz a fogueira, faz esse arraialzinho, tudo é dado de graça.

Arraial São João 02 por você.

E logo veio a primeira atração da noite, uma engraçada e divertida quadrilha de crianças dançantes e sorridentes em brincar de corpo e alma na noite de São João.

Arraial São João 03 por você.


Arraial São João 06 por você.

No intervalo, a meiga Mariana distribuía as fichas para os convidados, tudo de graça, como falou Mãe Emília. E no delicioso cardápio: tacacá, vatapá, milho cozido, bolo de tapioca, mingau de milho, mungunzá. Tudo com direito a repeteco…

Arraial São João 07 por você.

Arraial São João 08 por você.

Arraial São João 09 por você.

Arraial São João 10 por você.

Teve quem agradecesse e quem fizesse os seus pedidos a São João ao redor da fogueira ardente em labaredas.

Arraial São João 11 por você.

Arraial São João 12 por você.

Então chegou a hora do boizinho vir ao terreiro para brincar, hora tão esperada pela moçada afinada, que não chegada ao boi comercializado. Mãe Emília nos faz a apresentação do tão amado boizinho:

O boizinho chama-se Estrela do Oriente. Tá com três anos que veio do Maranhão. Ganhei da casa de santo do Pai Zé Catarandi. Eu fui pra uma festa lá, e quando terminou tudinho, na hora da matança dos bois, me enregaram ele. Aí eu batizei ele aqui, com toda cerimônia. Vem umas entidades do povo de Légua, que vem dançar. No dia do boizinho, elas acompanham, vem comemorar, louvar, porque o boi pertence ao povo de Légua lá, então eles vem também, o povo de Légua.

Arraial São João 14 por você.

Arraial São João 13 por você.

Como anunciou Mãe Emília, a primeira entidade que veio, para dançar como miolo do Estrela do Oriente, baixando em Danilo, filho da Mãe Orny, foi seu Manezinho de Légua, que santificou as evoluções na velocidade da ginga no terreiro.

Arraial São João 15 por você.

Arraial São João 16 por você.

Já em Mãe Orny quem veio foi Dona Suzana de Légua, que já foi entoando toadas melodiosas e dançando sempre vigorosamente.

Arraial São João 31 por você.

Boi, Boi, Boi,

Vaqueiro meu vá se preparar

Se tu vais no Codozinho

Se tu vais no Maranhão

Vá dizer pro meu Pai Légua

Que aqui está melhor do que lá


Arraial São João 22 por você.

As matracas, cada vez mais afinadas, fez empolgar os brincantes, e o boizinho Estrela do Oriente, boi de raça, vindo lá do Maranhão, passou para as mãos de um por um, que o empunhavam com carinho e devoção.

Arraial São João 17 por você.

Arraial São João 18 por você.

Arraial São João 20 por você.

Arraial São João 24 por você.

E assim o boizinho tão amado no Terreiro de Mina Gêge-Nagô Toy Lissá/Agbê Manjá fez, segundo Mãe Emília, apenas uma pequena demonstração, mas que, para este bloguinho, é uma apresentação do autêntico boi, fora da simulação comercial parintinense. Mãe Emília recorda…

Esse boi de hoje tá muito folclórico, não é mais como o boi de antigamente. Meu pai dançava no Mina de Ouro, no Corre-Campo, Tira-Prosa, logo que começou, eu ainda era mocinha e acompanhava ele no boi. Você via aquela trincheira de índio, você dizia que era índio de verdade, agora se acabou desses bois, tá tudo muito artificial.

Arraial São João 23 por você.

Arraial São João 25 por você.

Ainda segundo Mãe Emília, Estrela do Oriente já tem algumas toadas compostas, ela e os filhos irão compor mais, irão ensaiar e no ano que vem fazer uma apresentação maior, com o ritual completo do verdadeiro Bumba-Meu-Boi. Este bloguinho com certeza virá para ver toda a beleza do Estrela do Oriente. Urra, Meu Boi!

Arraial São João 26 por você.

Danilo com o Estrela do Oriente, aqui já sem seu Manezinho de Légua, a entidade-miolo do boi.

Arraial São João 30 por você.

Arraial São João 28 por você.
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Friday, June 26, 2009

CONVITE CANDOMBLEZÍSTICO


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A Federação de Umbanda e Cultos Afro Brasileiros do Estado do Amazonas(FUCABEAM) e a Associação de Umbanda, Cultos Afro-Brasileiros e Ameríndios (ABUCABAM) convida a todos os adeptos das religiões afro para o lançamento do CD – Alessandro de Ogum Canta aos Orixás.

Local: Rua Pintassilgo,100 – Núcleo 2 – Cidade Nova 2, Manaus, AM – sede da Fucabeam

Data: 27.06.09

Horário: 20h

Colktail e apresentações culturais (balé afro e roda de capoeira)

TODOS SERÃO BEM VINDOS…

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Fonte: ArtFolk

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Tuesday, June 23, 2009

FOGUEIRA DE DONA MARIANA PARA SANTO ANTÔNIO NO TERREIRO DE MÃE VALKÍRIA

Rei da Turquia

Já içou sua bandeira

Venha ver como é bonita

A Mariana na trincheira”

Fogueira de Dona Mariana 01 por você.

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Essa festa, com sua ritualidade singular, ocorreu no dia 12 de junho passado lá no João Paulo II, no terreiro da sempre alegre e cativante Mãe Valkíria, que sempre recebe todos os filhos e convidados com muita amizade e carinho. E foi Pai Geovano quem começou a puxar os pontos, que logo tomaram conta da sala, com a participação de todos no canto, na dança e na palma da mão.

Fogueira de Dona Mariana 03 por você.

Fogueira de Dona Mariana 05 por você.

Lá de trás daquele morro

Tem sete espadas guerreiras

Uma é de Santa Bárbara

Outra é de Babá Soeira”


Eu vou passear

Meu pai me chamou pra passarinhar

Passarinhar, passarinhar eu vou

Passarinhar, passarinhar eu vou”

Fogueira de Dona Mariana 02 por você.

Enquanto o tambor soava ritmado e enlevo, com tamanha devoção, logo vários cabocos começaram a baixar e receber dos convidados o reconhecimento e distribuir suas bênçãos. Enquanto isso, pegamos com Mãe Valkíria o significado dessa festa:

Essa festa de Santo Antônio é uma festa que eu faço todos os anos, há sete anos. É por um milagre que se deu a uma sobrinha minha, que teve uma grande necessidade. E foi uma festa que ela se comprometeu de fazer para a caboca Mariana, que foi uma caboca que ajudou a ela sair de uma situação difícil. É uma festa em que Dona Mariana fica muito satisfeita. É uma festa que ela consagra pros clientes, pros visitantes e pros cabocos que vêm, que ela ama os irmãos dela. Ela abre com o tambor, faz a festa dela lá na frente e toca fogo na fogueira dela. Pra mim é uma satisfação ter essa caboca, é uma caboca que eu amo de coração. Ela é uma caboca parteira, curandeira, ela protege muito as crianças. Ela é tudo pra mim. Então, eu agradeço a todos que estão homenageando a ela e a Santo Antônio, que é protetor dos namorados e é protetor dos exus. Mas a Dona Mariana cativa pra ela, mas se os exus aparecem na festa dela são bem recebidos, assim como todos.

Fogueira de Dona Mariana 08 por você.

Quando a lua nasceu

A mata clareou

Ela não é daqui, meu irmão

É lá do interior”


Dona Braba


Seu Sibamba e Seu Zé Raimundo

Fogueira de Dona Mariana 17 por você.

E logo chegou Dona Mariana, como sempre engraçada e falante, aconselhando alguns, brincando com todos que ali estavam, compartilhando essa festa com os filhos e as outras entidades presentes. E ela própria deu as boas vindas aos presentes.

Fogueira de Dona Mariana 11 por você.

Isso é uma brincadeira que fizeram pra mim, e eu agradeço aos filhos de santo que ajudaram, que estão sempre dando uma ajuda pra mãe de santo, e a a todos aqui. Então, todos se sintam à vontade, eu agradeço a todos. Pra mim é uma festa, mais um motivo pra mim tomar umas espumosas. Depois nós vamos parar um pouquinho nosso tamborzinho porque eu quero acender minha fogueira, que é pro povo ver como é que eu acendo minha fogueira.”

Mariana, Mariana,

Teus cabelos é fio de ouro

E a barra da tua saia

É feita de prata e ouro”

Em seguida passou-se à distribuição da deliciosa, santificada e medicinal jurema. Pai Geovano e a Caboca Braba se encarregaram de comandar o canto e a distribuição.

Fogueira de Dona Mariana 12 por você.

Eu vou beber minha jurema

Dê no que der

Se a jurema for boa

Dê no que der

Aqui mesmo eu bebo

Aqui mesmo eu caio”

Fogueira de Dona Mariana 13 por você.


E quem apareceu também bem na hora da jurema foi o baiador caboco Olho d’Água, com seu trote pungente e sua voz estridente.


Gostou do índio

Porque não vem ver

Ele é caboco que só veste pena

Venha ver as forças

Que vem da jurema”

Fogueira de Dona Mariana 18 por você.

Dona Mariana, então, pediu pra fazer uma pausa no tambor, e foi lá pra rua acender sua fogueira. E olha como ela abana o fogo. Todos se deliciaram com as brincadeiras de Dona Mariana e Seu Sibamba. E na presença de todos que estavam ali ou que passavam e paravam pra ver, e na frente da fogueira, a bela turca fez um pacto com seu Zé Raimundo.

Fogueira de Dona Mariana 21 por você.

Na porta da minha casa

Tem uma roseira

Toda enfeitada de flor

Passarinho, me diga

Onde mora o beija-flor”

Fogueira de Dona Mariana 23 por você.

Dona Mariana passou fogueira hoje com seu Zé Raimundo, que é um compromisso que ela faz com os cabocos pra todos os anos eles estarem presentes na festa dela, há cada ano ela passa com um caboco. Ela também faz casamentos, como ela fez hoje o casamento da Val com a Lúcia, que são lésbicas. Não tem preconceito. Ela faz casamento de travestis. Se o pastor, o padre não quer casar, pode vir casar aqui que ela casa. Em Cosme e Damião ela faz batizado de crianças (em primeiro lugar aqui na minha casa são as crianças, porque ela é parteira). Seu Sibamba foi o padrinho de casamento delas. Elas já tem vinte anos que vivem juntas, vivem muito bem, são minhas clientes há muitos anos. Que Deus abençoe elas, que dê muitos e muitos anos pra elas juntas.

Fogueira de Dona Mariana 22 por você.

O PRIMEIRO CASAMENTO HOMOSSEXUAL DO BRASIL

Ao final, tivemos uma conversa com Lúcia e Val, que nos falaram da realização no Brasil desse que foi o primeiro casamento homossexual que ouvimos falar, demonstrando que realmente as religiões afro têm uma abertura democrática natural que só chegará às outras devido à pressão da multidão livre e atuante. Dona Mariana, como disse Mãe Valkíria, está aí pra ajudar na união, na felicidade das pessoas, independente do sexo.

Fogueira de Dona Mariana 24 por você.

Ao perguntarmos pra elas sob qual o significado na existência delas daquele ritual de casamento, Val começou:

A gente vive juntas há 18 anos. Ela vivia dizendo pra mim: “Um dia a gente vai casar”. A gente não casou ainda porque no Brasil ainda não foi regulamentada a lei que permita a casais de mulheres ou de homens casarem-se. Mas no dia que regulamentar a gente vai casar. 18 anos já é uma vida. Pela Umbanda, já era pra ter falado há muito tempo, a gente sempre conversava com a Dona Mariana, e acabava não casando. Eu vivo na Umbanda desde pequena; todos esses cabocos que estavam aqui a gente já conhece de outros carnavais. Até que hoje, de repente, a gente falou com ela [Dona Mariana] e resolvemos casar rapidinho.

Fogueira de Dona Mariana 27 por você.

Lúcia continuou, trazendo detalhes de suas vidas de antes e depois de estarem juntas, que demonstram uma questão muito importante para o mundo gay, que é o fato de não sofrerem preconceitos. Elas sabem que existe, mas da forma como elas se colocam íntegras no mundo, ele não as atinge, porque constroem relações afetivas livres, com pessoas livres.

A gente vive uma vida legal. Já teve muitos altos e baixos, claro, mas a gente conseguiu vencer todas as barreiras e estamos aí. Eu digo que nós somos felizes, a gente já conseguiu juntas realizar vários sonhos. Nós temos filhos. Ela tem uma filha casada. Eu também tenho uma filha, que é casada, e um filho que tá noivo, e a minha nora me recebe muito bem. A minha filha já tem filho, eu já sou avó. As nossas filhas são evangélicas, nós nunca tivemos problema nenhum desde quando eles eram pequenos. Nem com a nossa família também, nossos amigos, todos frequentam a nossa casa, todo mundo nos respeita. A gente é bem querida. Minha família, minhas irmãs, sobrinhas, quase todos são evangélicos; quase não temos amigos gays, nossos amigos, quase todos são casais de homem e mulher, e os filhos deles frequentam a nossa casa, nós vamos na casa deles.

Fogueira de Dona Mariana 25 por você.

Seguindo o relato, ao perguntarmos que se os políticos não aprovam a lei de união civil para homossexuais é por preconceito da classe política, Val arrematou:

Acho que é, porque no meu trabalho eu nunca sofri discriminação, até hoje a gente viaja, tudo, vai pra fora, e pra onde a gente vai a gente é bem recebido. Nós fomos felizes até hoje, e vamos continuar sendo felizes…

Vendo a alegria com que Lúcia e Val falam do amor que vivem, aquilo que Dona Mariana celebrou e que os cabocos e todos os filhos e convidados viram, pela importância política de um casamento homossexual, mas principalmente por ter percebido — além do que tantos casamento civis oficializados uma relação de amizade e ternura, uma verdadeira relação homoafetiva, é que esse bloguinho deseja a Lúcia e Val: Feliz casamento!

Fogueira de Dona Mariana 26 por você.

Eu avistei um morro

Lá no meio do mar

Eu avistei, senhor meu pai

A minha bandeira real”

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Saturday, May 30, 2009

FEIJOADA DE OGUM NO ILÊ ASÉ OMIM ABAOSÉ OKORO LONAN


Feijoada de Ogum 01 por você.

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Como sempre, o maravilhoso terreiro de Pai James d’Ogum e Mãe Vera d’Oxum estavam impecavelmente organizado para mais um ritual de fé e beleza dos cultos afro em Manaus.

Feijoada de Ogum 02 por você.

Feijoada de Ogum 08 por você.


Feijoada de Ogum 05 por você.

Pai Ribamar de Xangô (abaixo, à esquerda) veio puxar o xirê e Mãe Lucimar (abaixo, à direita) veio participar de mais uma festa na casa de Pai James.



E enquanto os atabaques soavam forte e as rezas eram entoadas com devoção, vários orixás vieram receber as oferendas e abençoar todos os presentes.


Feijoada de Ogum 15 por você.

Feijoada de Ogum 17 por você.


Feijoada de Ogum 22 por você.

Finalmente Ogum baixou no terreiro, e todos que o esperavam sentiram todo o seu vigor nos movimentos e seu cantar potente e vibrante vieram preencher o terreiro, a sua casa.

Feijoada de Ogum 23 por você.

Feijoada de Ogum 31 por você.



Feijoada de Ogum 36 por você.

Ogum, então, vestiu suas paramentas e retornou ao terreiro para o ritual central da festa, que a distribuição da feijoada.

Feijoada de Ogum 38 por você.

Quem explica a esse bloguinho é Clarisse de Yemanjá Ogunté, Yaquequerê (Mãe Pequena) da casa:

Essa é a festa do Ogum, na cabeça do Pai James. Há 19 anos que ele é feito, é a idade que ele tem de santo, que Ogum vem na cabeça dele, e ele faz essa festa, sempre na última semana de abril. Toda festa de Ogum é feita uma feijoada, faz-se o ritual no salão, lá no meio, enquanto Ogum está dançando, aí a gente reza, e depois da pro povo comer. Vêm outros orixás, que dançam com Ogum: Iemanjá, que é sua mãe, Oxóssi, Rei do Ketu, orixá das matas, rei da nação Ketu, Yansã, que foi uma das mulheres de Ogum…

Feijoada de Ogum 27 por você.

Feijoada de Ogum 28 por você.

Feijoada de Ogum 32 por você.


Feijoada de Ogum 34 por você.

E, após a abençoada feijoada, a festa prosseguiu com Pai Ribamar anunciando que Ogum traria ao terreiro algumas pessoas que receberiam dele cargo na casa, assim como vários outros orixás, como falou Clarisse de Yemanjá:

Feijoada de Ogum 43 por você.

Yalorixá Neura, filha de Pai James, que recebeu o cargo de YÁ MORO. Esse é o cargo de quem cuida dos Exus. Quando tem festa de Exu é ela que abre, é ela que cuida da casa do Exus.

Feijoada de Ogum 44 por você.

Yalorixá Gracilene, filha do babalorixá Marcelo da Oxum, de quem Pai James é Pai Pequeno. Ela recebeu o cargo de YÁ ABASÉ, cuja função é comandar a cozinha nas festas e rituais.

Feijoada de Ogum 54 por você.

O babalorixá Rafael, filho de Mãe Vera, que recebeu cargo de BABA EBÉ, que tem por função receber as pessoas, acomodar as mães de santo, pais de santo e convidados.

Nas fotos abaixo, Pai Rafael já está com Oxóssi, que veio participar da festa de Ogum.


Feijoada de Ogum 37 por você.

Além de Oxóssi, vieram também Yansã, em Pai Jeferson, e Yemanjá, na Yaquequerê Clarisse.

Feijoada de Ogum 46 por você.


Feijoada de Ogum 56 por você.

Feijoada de Ogum 57 por você.

Feijoada de Ogum 53 por você.

Feijoada de Ogum 52 por você.

Feijoada de Ogum 49 por você.

E a festa foi efervescente até o final, quando a Dofona Lenita recebeu Yansão, e esta com Ogum realizaram a maravilhosa Dança do Fogo; pois, como nos explicou Clarisse, Yansã é a dona dos raios, é um ritual de quando eles estavam na guerra, no meio dos raios e trovões, por isso todo o vigor e velocidade da dança. Pela primeira vez o amplo terreiro quase fica pequeno diante de tanto axé de Ogum e Yansã, para o regozijo de todos que assistiram o fulgor de tão belo e abençoado ritual…

Feijoada de Ogum 55 por você.

Feijoada de Ogum 60 por você.

Feijoada de Ogum 61 por você.

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Friday, April 24, 2009

TRASLADO DE SÃO BENEDITO (3ª e última parte)

A Mina não é pra quem quer

É só pra quem sabe baiar

Quem tá dentro não queira sair

Quem tá fora só queira entrar

São Benedito 60 por afinsophiaitin.

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RETORNO AO YLÊ AXÉ SESU TOYÃN

No domingo passado, quando se completavam as nove noites de novena, Mãe Vera d’Oxum e Pai James d’Ogum, acompanhados de filhos, amigos e familiares, dirigiram-se ao Ylê Axé Sesu Toyãn para devolver São Benedito e agradecer a honraria de ter recebido o santo negro com tanta alegria e devoção…

São Benedito 61 por afinsophiaitin.

São Benedito 62 por afinsophiaitin.

Encontraram o Ylê Axé Sesu Toyãn completamente reunido e em fraterna comunhão para receber de volta o santo, como se faz aí há tantos anos. Quem explica é mais uma vez é o padrinho da festa, Pai Raulzinho Ti Oxum:

É uma tradição que começou no Seringal Mirim, e já está há dezoito anos na responsabilidade do Pai Gilmar. E já são nove anos com esse que eu sou o padrinho da festa. Festa que congrega todas as casas de axé de Manaus. A gente tenta também com esses rituais visitar outras casas e estabelecer uma maior comunicação, uma maior fraternidade entre os irmãos de axé, independente se for Ketu, Angola, se for Mina Jêjo, Mina Vodun. Nós tentamos isso: por meio de São Benedito, fazer uma sincronia das casas, convidar a todos pra ter-se um diálogo aberto, fraternal, o que é espiritualidade, o que é hoje a união dentro do axé. Então nós usamos o Vodun Toy Averequete, na pessoa de São Benedito, pra fazer essa confraternização de axé.

São Benedito 63 por afinsophiaitin.

São Benedito 64 por afinsophiaitin.

São Benedito 65 por afinsophiaitin.

Todo mundo aconchegado no impecável terreiro, impulsionada por Pai Raul, deu-se início à novena, onde todos participavam respondendo e cantando as rezas e orações.

São Benedito 67 por afinsophiaitin.

São Benedito 69 por afinsophiaitin.

Com direito ainda a participações especiais das crianças. Wagner, que não titubeou na leitura de uma longa reza toda em latim, deixando na maior inveja muitos estudantes de Letras, e Raíssa d’Yemonjá, que se apresentou para ler uma das orações da novena repassada ao público.


São Benedito 66 por afinsophiaitin.

Essa é uma tradição que nós trazemos da Mina, nós trazemos do povo do Maranhão, porque muitas das casas manauaras, de origem, nos primórdios do santo, eram todas de origem Mina Nagô, ou Mina Vodun, ou outras denominações de Mina. As velhas vodunças, que vieram de São Luís do Maranhão, que vieram pelo estado do Pará, vieram de barco justamente para povoar a região amazônica, no ciclo áureo da borracha, e elas trouxeram essa tradição de culto ao Vodun Toy Averequete, que é o grande homenageado, por tabela, pois usamos o São Benedito para na verdade homenagear Toy Averequete.

São Benedito 71 por afinsophiaitin.

São Benedito 72 por afinsophiaitin.

São Benedito 74 por afinsophiaitin.

Quando todos já tinham prestado suas reverências a São Benedito, a festa começou, e logo no momento apropriado Pai Gilmar distribuiu a comida do santo aos filhos e convidados.

São Benedito 75 por afinsophiaitin.

São Benedito 78 por afinsophiaitin.

São Benedito 79 por afinsophiaitin.

Após a realização desse ritual, os tambores pegaram fogo, e então baixou no salão aquela que é, desde 1991, na coroa de Pai Gilmar, vem propagando e preservando o Traslado de São Benedito: dona Herondina.

São Benedito 81 por afinsophiaitin.

São Benedito 80 por afinsophiaitin.


Dona Mariana, que estivera no traslado de ida e na festa de sábado na coroa de Mãe Valkíria, agora baixou na coroa de Mãe Vera.

São Benedito 86 por afinsophiaitin.


São Benedito 89 por afinsophiaitin.

E lá estava novamente, alegre e formoso, seu Josiano, que foi dançar, cantar e regozijar a todos com sua magnífica presença.


São Benedito 99 por afinsophiaitin.

Ê tumba lá e cá

Ê tumba ê caboco

Ê tumba lá e cá

Ê tuba ê meu pai

Ê tumba lá e cá

Ê não me deixe só


São Benedito 103 por afinsophiaitin.

Desde quando saiu, na trasladação daqui já foi uma pré-festa. Na verdade, serão ao todo quatro dias de festa. Começou a festa na sexta-feira, na casa de Mãe Valkíria; sábado na casa de Pai James d’Ogum; hoje na casa de Pai Gilmar de Yemanjá, que é uma festa pública, e amanhã é a varrição, que também é uma festa pública, mas é quando os encantados se congregam com o povo da casa, uma festa nossa, uma festa íntima, pra reunir a família. É o momento de congregar a grande família do axé e a nossa micro família. É a reunião do macrocosmo do Candomblé com o microcosmo daqui de casa. É uma festa que a gente pretende perpetuar enquanto tiver um descendente aqui que seja devoto de São Benedito.

São Benedito 102 por afinsophiaitin.


E Dona Mariana gostou tanto da festa que mal saiu da coroa de Mãe Vera, já voltava na de Mãe Valkíria.

Eu venho na festa de São Benedito porque a dona Valkíria é filha dessa casa, é filha de santo do seu Gilmar, e eu sempre fiz parte da vida do seu Gilmar. O povo não sabe, mas eu sou “madinha” do seu Gilmar. Em toda situação, eu sempre tive com seu Gilmar. Eu sempre disse que nunca vou abandonar seu Gilmar. Aconteça o que acontecer, eu sempre estou nesta casa. Com festa ou sem festa, sempre estou aqui.

São Benedito 101 por afinsophiaitin.


Enquanto tiver a devoção e alegria do povo de Mina, enquanto houver padrinho devotado como Pai Raul, enquanto houver o culto a encantados como dona Herondina, dona Mariana, seu Josiano e tantos outros, enquanto houver Toy Averequete, os festejos de São Benedito serão preservados e, na verdade, já está eternizado na satisfação de todos que participaram de festas como essa, com toda a beleza e vivacidade do culto afro Mina Jêjo Nagô. Axé!



São Benedito 73 por afinsophiaitin.

●●● YLÊ AXÉ SESU TOYÃN ●●●

(Pai Gilmar, Fômu de Yemonjá)

Rua Bom Jesus, nº 09 — Jorge Teixeira (Manaus-AM)

Telefone: (92) 9176-2290

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Thursday, April 23, 2009

TRASLADO DE SÃO BENEDITO (2ª Parte)

Averequete, Averequetinho

Dai-me lincença pra baiar um bocadinho

Averequete, Averequetinho

Dai-me lincença pra baiar um bocadinho

São Benedito 03 por você.

Clique nas imagens para vê-las de perto.

Após as apresentações ontem dos fundamentos das manifestações populares em honra a São Benedito, organizadas pelo Ylê Axé Sesu Toyãn, e dando continuidade sobre o Traslado de São Benedito, conversamos com Pai Raulzinho Ti Oxum, padrinho da festa há vários anos.

O ritual começa no Sábado de Aleluia. São nove dias consecutivos de novena na casa em honra a São Benedito. No oitavo dia, o santo é trasladado para a casa de uma pessoa, que é homenageada. Essa pessoa acolhe o santo dentro do ritual Vodun Nagô. No dia da festa da novena, tem uma preleção com as pessoas que vieram à festa para escolher qual pessoa, qual babalorixá ou yalorixá o santo irá visitar no ano seguinte. No último dia de novena, a casa que o santo visitou tem a obrigação de trazê-lo de volta à casa original. Realiza-se o último dia de novena e nós chamamos os encantados da casa pra louvar São Benedito. São Benedito é o santo devoto de dona Herondina, é o santo padroeiro da família da Turquia.

São Benedito 04 por você.

OITAVA NOVENA NA CASA DE MÃE VALKÍRIA

Pai Raul explica ainda por que o traslado fez um corte, passando numa terceira casa, a casa de Mãe Valkíria.


Esse ano, foi feito algo incomum nestes dezoito anos de santo, pois a Mãe Valkíria recebeu uma graça de São Benedito no decorrer do ano passado, então ela chegou com a comissão da festa que somos uma comissão; apesar de eu ser o padrinho, de o Pai Gilmar ser o proprietário da casa, o dirigente espiritual, mas nenhuma decisão é imperativa. Há um conselho que julga as decisões tomadas pela casa. Não é a vontade do Pai Raul, não é a vontade do Pai Gilmar, não é a vontade de fulano. É a união das vontades da casa , então ela chegou dizendo que esse ano ela queria homenagear o santo na casa dela, foi aceito e na sexta-feira o santo foi pra lá.

São Benedito 01 por você.

São Benedito 02 por você.

E para confirmar as palavras de Pai Raul, a própria dona Mariana, na coroa de Mãe Valkíria, explica o novo percurso do traslado.


Esse ano, o traslado passou pelo meu casulo, depois foi pra outra minha casa, em cima de Mãe Vera, mas é minha também. De lá da casa da moça Vera, voltou pra casa do pai de santo Pai Gilmar. A dona Valkíria tem um voto com São Benedito, e por ela ter esse voto ela pediu um ano pra ir pra lá. Depois eu pedi mais um ano, que ele fizesse o Novenário na minha casa, e de lá fosse pra casa da moça Vera, que foi eu que entreguei o São Benedito, no ano que passou, pro meu filho James, que é meu filho também. Entreguei aqui, com a presença da Herondina. E pedi da Herondina, que é minha irmã - nós somos turcas - pra São Benedito ir até a outra minha casa, que minha filha tava precisando de umas ajudas. Levei pra homenagear São Benedito. No voto que a dona Valkíria tem com São Benedito, está bem sucedida, recebeu as graças e tá pagando como pode. A festa é aqui, porque é casa de Yemanjá, e o protetor da casa é São Benedito.

São Benedito 05 por você.

São Benedito 08 por você.

IDA À CASA DE MÃE VERA D’OXUM E PAI JAMES D’OGUM

A ampla e magnífica casa de Mãe Vera d’Oxum e Pai James d’Ogum estava maravilhosamente enfeitada para receber São Benedito.


São Benedito 12 por você.

Após os rituais na porta, São Benedito foi levado ao terreiro por seu Josiano, na coroa de Pai James, e a ekédi Rayssa d’Yemanjá Ogum Té e, depois de enfeitado devidamente por Pai Ribamar, foi colocado no maravilhoso altar que estava preparado para o santo.

São Benedito 13 por você.

São Benedito 14 por você.


São Benedito 21 por você.

O terreiro estava lotado. Então os tambores soaram ritmados e as rezas foram puxadas com devoção e alegria. Logo o terreiro estava cheio de encantados e voduns, que vieram para homenagear São Benedito, assim como receber bênçãos e abençoar o povo todo presente.

São Benedito 16 por você.


E Pai James nos relatou a alegria de sua mãe e sua de receberem no seu terreiro São Benedito como um oferecimento e reconhecimento de estima e amizade dos outros axés:

Na realidade, a tradição da casa do Gilmar, a devoção que ele tem com São Benedito. Essa devoção que ele tem, que todos nós temos. Esse ano foi escolhida a casa de Oxum, de Mãe Vera de Oxum, que é minha mãe carnal. Essa casa foi escolhida para receber São Benedito. O meu catiço, seu Josiano, é o padrinho disso tudo.

São Benedito 29 por você.


São Benedito 20 por você.

E Pai Gilmar trouxe ao salão a cabocla Braba, na coroa de Mãe Vera, que também veio prestar suas ao santo negro São Sebastião.

São Benedito 22 por você.

São Benedito 33 por você.

Tambor de Mina quando rufa lá nas matas

Ele é de Mina! Ele é de Nagô!


São Benedito 47 por você.

Quem também estava presente era a conhecida e respeitada Mãe Lucimar, reverenciada por todos como uma das mais antigas e experientes zeladoras de santo de Manaus, que, segundo Pai James, também recebe seu Josiano, e vem à festa na casa de Pai James para apreciar ele incorporado em outra coroa.

São Benedito 41 por você.

São Benedito 31 por você.

São Benedito 25 por você.

Seu Josiano, na verdade, impressiona a todos pela disposição, pela alegria contagiante, pelo humor cortante, pelos vigorosos movimentos na dança, pelo gosto ritmado do toque, que exige de seus alagbês sempre estarem atentos á batida forte e o ritmo do tambor. Pai James dá algumas informações:

Seu Josiano é um príncipe de Nagô, filho de um rei de Nagô. Fizemos uma festa para receber o santo, e no outro dia fomos entregar o santo de volta à casa dele, Pai Gilmar.

São Benedito 44 por você.


São Benedito 35 por você.

São Benedito 45 por você.

Se seu Josiano joga o chapéu no chão, seus filhos, de um por um vão sambando ao redor.


Eu sou maquinista do trem

Vou embora pro sertão

Que eu aqui não me dou bem

Viola, meu bem! Viola!

Viola, meu bem! Viola!


São Benedito 46 por você.

E quando seu Josiano abre a roda, todos, sejam do santo ou convidados, todos têm de dançar, animando a festa na ginga no pé e nas palmas das mãos.

São Benedito 50 por você.


São Benedito 42 por você.

E assim, nesse pique, a festa continuou madrugada a dentro, até que seu Josiano chamou Mãe Lucimar para segurar suas mãos enquanto ele ia da coroa de Pai James, sabendo que logo mais retornaria, pois já era dia de levar São Benedito de volta à casa de Pai Gilmar.

São Benedito 53 por você.

São Benedito 54 por você.


Amanhã, aqui neste bloguinho, o traslado de São Benedito de volta ao Ylê Axé Sesu Toyãn.

●●● MÃE VERA D’OXUM e PAI JAMES D’OGUM ●●●

Rua Suiça, nº 826 — Grande Vitória (Manaus-AM)

Telefone: (92) 9977-2393

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Wednesday, April 22, 2009

TRASLADO DE SÃO BENEDITO (1ª Parte)

Glorioso São Benedito!

Servo de Deus destinado.

Glorioso São Benedito!

Servo de Deus destinado.

Que fielmente adorastes

A Jesus crucificado.

A Jesus crucificado.”

São Benedito por você.

O Novenário de São Benedito é realizado todos os anos no Ylê Axé Sesu Toyãn, começando no sábado de aleluia. Na oitava noite de novena, o santo faz o traslado para uma outra casa de santo escolhida pelo conselho de São Benedito, que organiza as novenas e festejos. Lá, entidades do culto afro Mina Jêjo Nagô recebem o santo e ocorre uma festa de acolhida. No dia seguinte, o traslado é feito em retorno ao barracão original, conforme as tradições dos rituais religiosos mais populares que perduram como devoção espiritual e beleza plástica.

Publicamos agora, na primeira das três partes que compõem este trabalho, o resumo histórico do livreto distribuído aos participantes do Novenário, segundo o qual “a novena de São Benedito foi textualmente formada por fragmentos de orações e ladainhas fornecidas em 1991, por Dona Creuza, quando da primeira novena realizada inicialmente no Templo de Candomblé Terreiro de Santa Bárbara”. Ao longo dos anos, os babalorixás Gilmar Ti Yemonjá e Vichê Arnaldo de Nochê Abê introduziram outros cantos populares e organizaram o apostilado. Finalmente, o Dofono Raulzinho Ti Oxum fez o trabalho de recuperação de textos e trechos perdidos e deu-lhes a forma atual, “situando-os em uma sequência mais harmoniosa”, constituindo um verdadeiro documento histórico.

NOVENÁRIO PERPÉTUO EM HONRA A SÃO BENEDITO

* Resumo Histórico *

A origem da devoção a São Benedito deve-se ao colonizador português, que por volta do ano de 1610 o trouxe para o Brasil. O santo negro, nascido no ano de 1526, em São Filadelfo, na Sicília, Itália, ganhou a simpatia não somente dos senhores da colônia, mas também dos negros e de todo o povo humilde, que via no santo a manifestação da Providência e caridade Divina. A sua devoção pelas religiões de matrizes africanas está intrinsecamente ligada à devoção ao Vodun Toy Averequete, não sendo possível fazermos referência a um sem citarmos o outro.

Toy Averequete ou Verequete, também conhecido ritualisticamente por Adunoblé, na casa dos Jejes, é tido como um rapaz e vem na frente trazendo os outros Voduns, tendo em vista que o mesmo foi o primeiro Vodun a entrar nas matas “para pegar os caboclos” que lá se encontravam. Já no nagô Abioton, Casa de Nagô, Fanti Achanti e Terreiro de Abê — Manjá, bem como em outros terreiros de Mina do Maranhão, é tido como Senhor; bebe, fuma, fala, louva São Benedito e gosta do tambor de Crioula. Verequete é também considerado chefe dos terreiros de Mina do Maranhão, nos quais recebe o título de “TOY AVEREQUETE VONUKÓN, GAL POSSUÉ NO KEJÁ”, que significa: “O Rei de todas as coisas, que entra nas matas”.

Das terras do maranhenses o seu culto e devoção transportaram-se para o Estado do Amazonas junto com mulheres ousadas que trouxeram consigo não somente suas bagagens e lembranças do Maranhão querido, mas também a sua jóia mais valiosa, sua religiosidade — o culto aos Voduns. Como não poderia ser diferente, Toy Averequete também se tornou o principal Vodun reverenciado nestas terras, destacando-se o seu culto no templo de candomblé Terreiro de Santa Bárbara, como era conhecido o Ylê Axé Oyá Tope Messan Orun, no antigo bairro do Seringal Mirim, hoje chamado de João Alfredo.

Em 1991, a tradição em louvor a São Benedito foi resgatada no terreiro de Santa Bárbarae lá permaneceu ao longo de sete anos, sendo progressivamente difundida pela encantada dona Herondina, na coroa de Pai Gilmar Ti Yemonjá, que juntamente com outros encantados, como o Cigano de Pai Ribamar Ti Xangô, o caboclo Rompe Mato do vichê Arnaldo de Nochê Abê, a encantada Dona Mariana de Frank de Oxóssi, o caboclo Tapindaré do saudoso Luzimário Ti Obaluayê, bem como o caboclo Surrupira da querida dona Miracy Ti Ossãe deram continuidade ao culto em louvor ao santo. O novenário transferiu-se da casa de Pai Ribamar para a casa de Pai Gilmar e manteve-se constante em seu caráter religioso até os dias atuais, com seus rituais específicos e toques característicos dos tambores da Mina do Maranhão, em homenagem conjunta ao Vodun Toy Averequete e ao glorioso São Benedito, protetor dos negros e medianeiro constante da Providência Divina.

Na novena, percorre-se diariamente com o santo negro o caminho da misericórdia e vivencia-se um pouco a ternura humana e divina revelada no Cristo, Jesus, e tão bem cultivada por seu humilde servo São Benedito, como pessoa de fé constante e amor infinito.

Amanhã, aqui neste bloguinho, o traslado de São Benedito para a casa de Mãe Vera D’Oxum e Pai James d’Ogum.

●●● YLÊ AXÉ SESU TOYÃN ●●●

(Pai Gilmar, Fômu de Yemonjá)

Rua Bom Jesus, nº 09 — Jorge Teixeira (Manaus-AM)

Telefone: (92) 9176-2290

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Saturday, April 18, 2009

SÁBADO DE ALELUIA NO TERREIRO DE MINA GÊGE-NAGÔ TOY LISSÁ/AGBÊ MANJÁ


Mãe Emília Sab de Aleluia 01 por você.

Clique nas imagens para vê-las de perto.

Como o culto afro Mina Gêge-Nagô cumpre os preceitos da quaresma, a casa ficou fechada para rituais públicos, por isso, somente agora, quarenta dias depois, é que Nochê Hunjaí Emília de Toy Lissá/Agbê Manjá e seus filhos recebem todos os convidados na reabertura da casa com muita alegria e devoção, como se pode perceber na fala de Mãe Emília distribuímos aqui.

Essa festa é uma reabertura da casa. A gente fecha a casa, depois da obrigação da cana verde, por quarenta dias, a Quaresma, todo esse período anterior à semana santa a casa fica fechada. Os vodunços, os orixás são recolhidos. Só ficamos em oração. A gente se guarda e pega as guias, todos os aros são recolhidos. É obrigação ficarem dentro do peji, que é aquele santuário sagrado, onde só tem os vodunços, os orixás, somente coisas sagradas ali dentro. Fica tudo ali dentro e só na Quinta-feira Santa é que se tira, pra lavar, organizar, coloca-se tudo em obrigação, que é pra no Sábado de Aleluia se usar.Só reabre no Sábado de Aleluia. Quinta-feira Santa tem a displantação da cana verde, tem a ceia que a gente faz. Na Sexta-feira Santa tem a procissão, aqueles rituais todos, e só depois de 7h da noite nós começamos a descobrir a casa toda, pra arrumar para a festa do Sábado de Aleluia.

Mãe Emília Sab de Aleluia 02 por você.

Mãe Emília Sab de Aleluia 28 por você.

Mas antes de reabrir a casa, participamos da comunhão realizada pelo compartilhamento do santificado geum, que não pode ser registrada por acontecer dentro do peji.

Antes de tudo tem o geum, que se faz antes de abrir a casa. É uma comunhão que se faz com a comida, com o amalá, com coisas que são do santo. Ali naquela hora, já estão entregues as orações, você faz o seu pedido. Você recebe o furá, que é feito com arroz e outros mistérios que têm, come a farofa de amendoim e bebe o aluá, que é feito de abacaxi, milho, essas coisas.


Após o geum, as guias dos filhos foram entregues conforme os cargos dos filhos, e só então se iniciaram os rituais, mas com as luzes ainda apagadas…

Depois é que começa, com as luzes apagadas, somente com as velas. Quando a gente termina de cantar, que louvou Aleluia, é que se acende a luz, aí vem o clarão. Tem que se cantar para todos os vodunços, para todas as mães. Muitos descem, vem mostrar que eles estão ali.

Mãe Emília Sab de Aleluia 07 por você.



Dom João, que é mensageiro de Lissá, senhor da casa e da coroa de Mãe Emília, foi chamado para tomar conta deste reinicio das atividades. Aleluia, Dom João!

Aleluia! Dom João, olha teus filhos

Olha que o mundo mudou

Vamos dar o joelho à terra

Pra adorar nosso Senhor

Aê, manjedor, rompeu alegria

Vodun raiou

Mãe Emília Sab de Aleluia 10 por você.


Mãe Emília Sab de Aleluia 16 por você.

Pai Dinho, Pai Pequeno, segunda pessoa dentro da casa, que, segundo Mãe Emília foi deitado e preparado desde criança, quando ela andou na Bahia e no Maranhão, por isso demonstra tanto conhecimento e segurança em tomar conta da roda e dos tambores. Com sua cavernosa, potente e melodiosa voz, preenche o terreiro, enquanto as entidades vão chegando e preenchendo-o.

Mãe Emília Sab de Aleluia 12 por você.

Mãe Emília Sab de Aleluia 11 por você.



Finalmente foram liberados os tambores deitados e chamados a baixar os vodunços para o principal rito da noite: o Abieié, “bolos” nas mãos por uma palmatória. Antes de começar o ritual, por fazer parte de uma tradição que não é mais usual e até condenável atualmente, Mãe Emília e Pai Dinho explicaram alguns significados simbólicos desse ritual, o qual também não pudemos registrar por realizar-se no peji.

Mãe Emília Sab de Aleluia 35 por você.


Depois é que se vira para o povo que vem pra levar o Abieié pros seus filhos. O Abieié é a disciplina que os vodunços vêm ao mundo para dar disciplina pros filhos, pra mostrar que eles são pais, são tudo, que a mesma passagem que passou o nosso Senhor todo poderoso, a gente vai ter de fazer também esse ritual todinho. Por isso se canta para todos os vodunços, todos os orixás. Os encantados descem, os pais espirituais descem para dar disciplina pros filhos. Eles mandam os mensageiros vir. Àqueles que não incorporaram, a obrigação é da mãe de santo da casa dar aquele bolinho pra dizer pro filho que ele cumpriu sua disciplina.

Mãe Emília Sab de Aleluia 44 por você.


Ô abieié! Ô abieié!

Ô abieié!, meu vodunço

Abieié!

Mãe Emília Sab de Aleluia 34 por você.


Seu Ubirajara baixou e veio distribuir seus disciplinantes e santificados “bolos” nas mãos dos filhos e até para os convidados.

O Abieié é, na verdade, uma pedra que é preparada durante sete dias e na qual a gente canta para os vodunços. A palmatória também é preparada durante sete dias. É uma tradição muito antiga. Muitas casas não fazem mais isso, mas a gente continua nossa tradição. Eles descem e vão naquela pedra fazer a obrigação que tem que fazer, se o filho errou a vida toda, se está errando, ou se não. Chama-se Tambor de Alegria. Tambor de Alegria porque todo mundo da comemorando a reinação de Cristo de novo. Esse bolo não é só pra disciplinar, é um bolo que espanta qualquer coisa que estiver em cima de você, se você tem uma força contrária ele vai espantar. Tem muito significado.


Mãe Emília Sab de Aleluia 22 por você.

E o tambor era realmente de alegria e contagiou a todos, tanto quem estava na roda quanto os convidados, todos regozijados pela beleza e espiritualidade do verdeiro culto Mina Gêge-Nagô. Após o Abieié, Pai Alan, que vem de uma família devotada ao santo (segundo Mãe Emília, sua mãe era mãe de santo, a avó dele era mãe de santo, do tempo da pajelança), fez as homenagens à casa e a todos que ali se encontravam.


Mãe Emília Sab de Aleluia 38 por você.

Como já passara da meia noite, então Virou o tambor para dar passagem para dona Maria Légua, filha de dona Légua de Boji Boá, da família Cambinda.

Mãe Emília Sab de Aleluia 42 por você.


Veio ainda seu Zé Pelintra, na cabeça de Pai Alan, e seu Colhe Maneiro, na cabeça de Pai Dinho.


E com dona Légua veio a irmã. Na cabeça de seu Tatá, toda a alegria da melodia empolgante nas rezas e nos volteios da dança de dona Xica Baiana.

Mãe Emília Sab de Aleluia 48 por você.

E assim a festa do Sábado de Aleluia entrou pela madrugada até o raiar da bela manhã do Domingo de Páscoa, com a comunhão de toda a alegria e satisfação de estarem ali no vigor dos cultos afro que, agora, após a Quaresma, seguirão pelo ano a fora…


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Tuesday, March 31, 2009

SEU ZÉ MALANDRO NO TERREIRO DE PAI JOEL DE OGUM


Zé Malandro 01 por você.

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Mais uma vez o terreiro de Pai Joel de Ogum estava arrumado para mais um dia de festa e rituais da Umbanda praticada com devoção e alegria. E então a roda se fez e Mãe Maria, que é mãe de santo de Pai Joel, e Pai João, que é pai de santo de Mãe Maria, puxaram as rezas…

Zé Malandro 02 por você.


Zé Malandro 05 por você.

Zé Malandro 06 por você.

Logo Seu Zé Pelintra baixou em Mãe Maria e Seu Sibamba em Pai João, e tudo estava preparado para o primeiro ritual a ser realizado nessa noite: o casamento de Pai Joel e Dona Joana na Umbanda. A noiva já estava pronta, e o ritual do casamento prosseguiu.

Zé Malandro 07 por você.

Zé Malandro 09 por você.

Zé Malandro 08 por você.

Deixamos aqui a fala emocionada de Dona Joana, por estar realizando agora em sua religião, sob as bênçãos da Umbanda, o casamento com Pai Joel.

Eu agradeço a Deus e ao Seu Zé Malandro. Este é um dia em que me sinto muito vitoriosa, e por isso agradeço a eles e a todos os meus irmãos de santo, todos os filhos do terreiro de Mãe Maria, e também a todos os convidados. (Dona Joana, esposa de Pai Joel)

Zé Malandro 13 por você.


Zé Malandro 11 por você.

Zé Malandro 12 por você.

A noiva ainda jogou o buquê, e olha o sorriso de quem aparou, a bela morena Cíntia, filha carnal de Mãe Maria, que atenção rapaziada solteira, adeptos e simpatizantes dos cultos afro! , perguntada se já tinha noivo, revelou-nos que, ao contrário, estava sozinha. Pretendentes é o que não deve faltar.

Zé Malandro 16 por você.

E os abatazeiros, conduzidos por Seu Gilson, acertaram o vigoroso ritmo dos pontos batidos e cantados com devoção, e logo baixou Seu Zé Malandro e mais várias outras entidades.

Zé Malandro 17 por você.

Zé Malandro 15 por você.

E é pelas palavras de Seu Gilson, presidente do terreiro de Mãe Maria e também neste de Pai Joel que se percebe toda a energia que tomou conta daquele espaço e de todos ali presentes.

Eu agradeço pela força, pela luz, os dias que me trazem com muita força, com muita luz. Seu Jacaúna, que é o Pai da casa de Dona Maria, que é meu pai de santo; eu digo que é meu pai de santo, porque é pai da cabeça de Dona Maria, que é um caboco muito forte, muito formoso, que nos traz muita força e muita luz. Eu agradeço a todos os médiuns da casa de Dona Maria, que me tem respeitado, que me tem um carinho muito grande. Eu vou conduzir essa firmação, e para todos, o que eu posso fazer, eu vou fazer pra todos. A todos vocês, muito agradecido!


Também outros babalorixás presentes foram ao salão compartilhar suas bênçãos e seus pontos com a casa e honra a todos os presentes.

Zé Malandro 23 por você.

Pai Geovano de Ajagunnon

Zé Malandro 25 por você.

Pai Francisco (à direita) e Pai Alberto (ao centro)



Na harmonia que tomou conta de todos na festa, Seu Cardoso, o filho mais velho de Pai Joel, com seu vozeirão, fez um retrospecto sobre a trajetória de Pai Joel e seu caminho e amadurecimento na religião, que trazemos aqui entremeado com imagens dessa maravilhosa festa.

Não sei se estou em condições emocionais, mas quero falar algumas coisas a respeito do homem e do pai de santo também. Este rapaz veio da cidade do Rio de Janeiro aqui para a nossa cidade de Manaus. Chegou aqui, fixou residência. Há uns sete anos atrás, eu tive a satisfação de conhecer este rapaz, e meu pai me deu como um filho, fora do centro, porque aqui no centro ele é meu pai. E eu o recebi com muita alegria, e com muita emoção também. Lutou pra chegar onde está. É um rapaz muito batalhador, é um amigo, é um pai e um irmão, é um filho que Deus me deu depois de grande.


Zé Malandro 36 por você.

Trouxe na bagagem uma entidade muito boa, muito prestativa, muito amigo, chamava-se José dos Anjos da Silva. Nascido em 19 de março de 1843, desembarcou no Rio de Janeiro, na Praça Mauá. Hoje se encontra nesta nossa cidade de Manaus, nesse nosso maravilhoso barracão, ajudando a todos que o procuram, sem olhar a quem, tanto o homem Pai Joel quanto o Senhor Zé Malandro. Nós, os filhos da casa, estamos aqui à disposição de qualquer um cidadão ou cidadã que precise da nossa ajuda. Quero na presente data desejar sucesso, saúde, paz, muita força espiritual. Que o Senhor Deus nos dê força e luz, e para todos aqueles que nos procuram. Pai Joel, muito obrigado!

Zé Malandro 33 por você.

Zé Malandro 34 por você.

Zé Malandro 38 por você.

Zé Malandro 31 por você.

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