MILTON HATOUM: ESCRITOR INDIFERENTE SE QUER ENGAJADO
Milton Hatoum, escritor amazonense descendente de árabes que conseguiram no Amazonas feitos econômicos capazes de constituir famílias respeitadas. É professor do Departamento de Letras da Universidade do Amazonas, viveu parte de sua adolescência na Avenida Getúlio Vargas, em Manaus, local de habitação da classe média manauara. Como filho de classe média, onde a maioria da população era pobre, manteve sempre relações projetivas com os estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Viveu em Paris, onde foi, nos finais da década de 70, correspondente da revista Isto é. Já com o tino de escritor de mercado, manteve relações com os grupos midiáticos, principalmente com a família Frias, proprietária da Folha de São Paulo.
Tomando sua filiação oriental como eidos literário, se dedicou a escrever os rastros árabes no Amazonas, subjetividade cultural nunca explorada pela literatura manauara. Movido por este mote, escreveu Relato de Um Certo Oriente, romance com nuances de realismo com ficção, onde o realismo é mantido no anódino predicado da ficção. Como quando troca o nome do estudante Delmo, assassinado por motorista de Manaus, por Selmo, concebendo-lhe uma representação a-social e despolitizada. Quando foi o crime mais sádico cometido contra um manauara com a complacência da indiferença do medo social. O mesmo acontecendo com o real Dr. Dourado, fundador do Hospital Tropical, próximo dos ditadores, que é colocado, no romance semi-realista, como um boníssimo médico de família.
A INDIFERENÇA ENGAJADA DE HATOUM
Como diz o filósofo Deleuze, que estes escritores que escrevem com suas neuroses são os grande mantenedores da força opressiva do Estado despótico, porque são vozes que ecoam, em suas literaturas, as vozes de comando da imobilidade molar representadas no reconhecimento do mercado, assim Milton Hatoum se fez um grande representante desta mercadoria, livro, que serve aos concursos literários. Daí sua vasta premiação.
No entanto, ontem, dia 3, dia em que a Portuguesa, em pleno Canindé, ganhou de 1 a 0 do Paraná, o Goiás empatou em 0 a 0 com o Guarany e o ABC empatou em 1 a 1 com o Ipatinga, o escritor Milton Hatoum, participando da 7ª Edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), deu uma entrevista à Agência Brasil, como um verdadeiro escritor engajado nas causas políticas sociais, arrogando-se a cobrar posicionamentos do governo para melhorar a condição da população pobre, que não tem acesso a livros. Logo ele que, em Manaus, é indiferente ao que acontece na cidade, onde que o único ato social que se envolveu foi ser contra a derrubada de uma árvore em frente ao local que mora. E que, existindo escotomizado, como todos os chamados artistas e intelectuais locais, em um Estado em que todas suas decisões não passam por um debate coletivo, dado a indiferença que predomina nesta fálicas forças, não compreende que sua ausência auxilia na irracionalidade dos governos.
Mas Hatoum, que cultua a ilusão da re-cognição, e não aprendeu com Foucault que se escreve para não ter fisionomia, mandou seu panegírico de si mesmo:
“Eu, que ando por esse país, observo que os livros do Ministério da Educação estão chegando às escolas e às bibliotecas. Isso é um alento para quem escreve, para quem dá tanta importância à leitura. Mas política pública tem que ser feita no miúdo, nos municípios.
Mas é um absurdo, para não dizer um crime, você não permitir o acesso à leitura a milhões de crianças pobres do Brasil. A política do livro deve ser uma prioridade de qualquer governo. Não há cidade sem leitura.
O Brasil de hoje ainda é desigual e injusto, mas há avanços pontuais que prometem uma mudança futura. Eu sinto falta de uma mudança mais estrutural, ética. Veja o que acontece no Senado.”
Observemos algumas citações rebeldes de Hatoum:
“Eu, que ando por esse país.”Em que país Hatoum anda? Se for o Brasil, pior: compromete a si mesmo, já que não é um sujeito atuante. Mas um bom menino cordato para a “crítica” passiva.
“Os livros estão chegando nas escolas e bibliotecas. É uma alento para quem escreve.”E para quem lê? Serve? A literatura de Hatoum serve para auxiliar na criação de novos saberes e dizeres dos pobres? Pobre conhece, Hatoum? Hatoum conhece pobre?
“É um absurdo, para não dizer um crime, não permitir acesso à leitura.”Acesso a que literatura? Quem deixou de ser escritor para escrever? Quem faz uma literatura de disjunção, como Kafka, Lawrence, etc?
“Não há cidade sem leitura.”Toda cidade tem escrita, mas só há leitura quando se escreve sem escritor. Quando a literatura deixa de ser uma mera reprodução da imagem dogmática do pensamento do Estado. Quando ela cria fissura, cortes, dobras, movimentos esquizos, devires-loucos, nada do que Hatoum adesiva como literatura, que ele entende como necessária aos pobres. O que serve aos seus concursos literários segmentados pela lei do mercado.
“Falta de mudança estrutural, ética.”Se ele deixar de ser escritor, como pensa Foucault e Deleuze, acontece a mudança e a fundação da Ética como a arte de compor bons encontros democráticos.
No mais, a literatura continua como o que acontece no Senado: a subjetividade do mercado. E tome Jabuti…







