PÂNICO DA JOVEM PAN FAZ DUO DE SABERES COM MARA MARAVILHA

A ex-cantora e apresentadora de televisão laica – ou profana? -, concorrente da Xuxa na cacocomunicação infantilizada – paralisia cognitiva da infância -, no momento cantora gospel, Mara Maravilha, em entrevista ao programa pânico de hoje, dia 20, fez duo de saberes com a equipe de Emílio, o apresentador-mor da edição.
Em clima de total descontração musical e intelectual, o duo foi contagiante em harmonia de saberes. Todavia, o programa não fez jus ao seu nome: Pânico. Não causou pânico, apenas se mostrou como realmente é: previsível. Mesmo com toda contribuição dada pela sagrada entrevistada.
Mara Maravilha, entre redenção e lucro, comentou que com tantos discos lançados jamais antes fora premiada. Pontuou sua transição da música laica para a gospel e sua descoberta de Deus. O quanto Ele lhe mostrou o caminho do amor, da paz e da solidariedade. Disse que continua amando as crianças, que fazem parte do objetivo de suas canções teológicas.
Com tanta harmonia pânica, chegou o momento da catarse do programa. Mara Maravilha, maravilhada com seus iguais, deu-se ao luxo de conjecturar origens, gêneses, como falou. Entre névoas diabólicas, afirmou que quem criara a música fora “Lúcifer, o grande regente”. O anjo mais belo na hierarquia de Deus, e que cobiçava seu lugar. Segundo Mara, Lúcifer regia para seduzir as almas e levá-las para o inferno, onde havia “caído”, de acordo com a vontade de Deus.
PARA MARA E PÂNICO, GUTENBERG INVENTOU A ESCRITA
Mas o melhor estava para acontecer. Mara se fez professora de História do Jornalismo. Afirmou que quem inventou a escrita fora Gutenberg. “Quem estudou jornalismo sabe disso”, afirmou convicta, acompanhada por seu backing-vocal. Disse que, a partir da invenção da escrita por Gutenberg, a palavra de Deus pode ser levada até o povo; antes só os governantes, sacerdotes e profetas conheciam. Também com a escrita foi possível a arte de Lúcifer, a música, ser divulgada com o objetivo de seduzir as almas. Assim, é possível divulgar músicas que fazem apologia às “lésbicas, homossexuais”. E o backing vocal sem pânico, só em harmonia, com seu “humor” tira broncas da limitação intelectual.
Ao contrário do que possa imaginar o purista, a questão não é ser sábio da cultura inútil. Saber que Johann Gutenberg inventou a prensa lá para as bandas dos 1450, aurora das novas subjetividades nos discursos renascentista, iluminista, reformista, capitalista, “morte de Deus”. E que, se a escrita tivesse sido inventada no século XV, não haveriam as filosofias antigas e muito menos a Bíblia, livro sagrado da Mara/Pânico. E, de quebra, tudo que os sumérios, mesopotâmicos, egípcios, gregos e romanos escreveram também não existiriam. A questão é que a Mara e o Pânico podem influir no resultado da avaliação de alguns estudantes que vão participar do Enem. Vai que eles faltaram a aula de História Geral sobre o conteúdo “Transformação do Mundo Ocidental a partir de Gutenberg”, e apareça na prova a pergunta: “Quem inventou a escrita?” E eles, como escutaram o Pânico/Maravilha, vão responder: “Gutenberg”. Resultado: Bomba, meu! Quantos a menos nas universidades públicas?
Ouvintes do Pânico não suspeitam que o humor apresentado na Jovem Pan é o mesmo do Caceta: sem vigor. Sustentado por discriminações, preconceitos, culpas, ressentimentos, rancores, a re-cognição da “besta loura”, como afirma Nietzsche. Como também não suspeitam que a tentativa de caricaturar Lula, com o personagem “Molusco”, é um recurso próprio de quem esconde sua limitação intelectiva. Pior ainda, não suspeitam que o Emílio, comandante do Pânico não é o Emílio, educando, do filósofo Rousseau. Também nada a ver com o cantor Emílio Santiago. Assim, de insuspeita em insuspeita, estes ouvintes, crentes do Pânico/Mara, estão pebados no Enem.
Nesta cacopedagogia do purista, a cultura inútil não serve para nada. Saber que Gutenberg inventou a prensa e não inventou a escrita, obra dos sumérios, não move o mundo. Só move a masturbação do professor que goza ao reprovar um aluno que não respondeu certo sua pergunta inútil. No mais, o Pânico foi previsível em duo com Mara. “Palmas para dar IBOPE” (Ednardo)!








