Tuesday, June 16, 2009

VÍRUS DA GRIPE SUINA É ISOLADO

A cientista Terezinha Maria de Paiva, juntamente com sua equipe do Instituto Adolfo Lutz, no final do mês de abril, conseguiu isolar o vírus da gripe suína. O seqüenciamento do material genético da estirpe brasileira, que o isolamento do vírus proporcionou, está sendo realizado pela cientista Cecília Luiza Simões dos Santos.

De acordo com o Instituto Adolfo Lutz, “a nova estirpe passou a ser denominada A/São Paulo/1454/H1N1”. Ainda segundo o Instituto, a investigação da epidemiologia molecular do vírus para se saber se o padrão viral se mantém ou já se diferenciou dos encontrados em outras regiões do mundo, contribuir para produção da vacina e a avaliação de respostas aos antivirais, tem seu fundamento na caracterização genética. Daí a importância científica para o mundo do ato de isolamento do vírus pela equipe da cientista Terezinha Maria de Paiva.

Posted by AFIN at 20:18:55 | Permalink | No Comments »

Sunday, June 7, 2009

DIVULGADO RESULTADO DO PROCESSO SELETIVO DA FUNDAÇÃO MEDICINA TROPICAL

Atenção a todos que se inscreveram no processo seletivo da Fundação Medicina tropical! Acesse a página da Fundação para ver o resultado, clicando no link abaixo:

http://www.fmt.am.gov.br/CONTRATA/Resultadso_Processo_Seletivo_2009_Emergencial.pdf

Para todos os aprovados, parabéns! Que essa contratação sirva, além do vínculo empregatício contingenciador de uma cambada de bodó, a farinha e o sal pra preparar o pirão e ainda aquela talagada da Melhor, como forma de democratização necessária da medicina amazonense, historicamente tão precária.

Para os tantos que deixaram comentários neste bloguinho, colocando dúvidas quanto à lisura desse processo seletivo, se for o caso de procurar o Ministério Público, apressem-se, pois essa medida também é democrática e salutar para este e outros processos, seja para confirmar sua lisura ou falseação.

Posted by AFIN at 00:20:23 | Permalink | No Comments »

Thursday, June 4, 2009

DES-CONCURSADOS DA SEMSA CONVOCAM PARA AUDIÊNCIA PÚBLICA NA CMM

A promessa do prefeito cassado Amazonino Mendes (PTB) de que os concursados da Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA) seriam chamados no final de maio era apenas mais uma promessa de Amazonino. Ou seja, aquilo que todos já sabiam de antemão, sem a menor possibilidade de ser cumprida. Diante disso, os des-concursados da Semsa estarão cobrando um posicionamento da Câmara Municipal de Manaus (CMM) e também entrarão com mandados de segurança.

NOTA DE CONVOCAÇÃO

AUDIÊNCIA PÚBLICA NA CÂMARA MUNICIPAL DE MANAUS

DIA 10/06, ÀS NOVE HORAS DA MANHÃ

CONCURSADOS NÃO NOMEADOS DA SEMSA

Estamos com esta nota manifestando nosso descontentamento e nossa revolta diante da omissão das autoridades públicas que, como tais, deveriam prezar pelo o bem público e seus serviços, tanto quanto o bem estar da população, sem ludibriar seus cidadãos, sendo honestos e, como diz nossa Constituição Federal, procedendo na lisura pública e boa fé em todos os atos administrativos que publicam aos seus cidadãos. Diante disto, convocamos todos os concursados não nomeados que participaram do certame que aconteceu em 2005 e que foram aprovados dentro das vagas do edital na Secretaria Municipal de Saúde para reivindicar o que já seria nosso por direito certo e líquido: as vagas proporcionadas por essa secretaria.

Haverá uma Tribuna Popular para o dia 10/06, às nove horas da manhã, em que necessitamos da presença de todos no intuito de pedir a atenção aos vereadores que, “teoricamente”, representam nossa sociedade a esta questão tão singular.

Dentro desta nota aproveitamos para esclarecer alguns pontos:

quando uma autoridade publica um concurso público em edital por diário oficial, toma para si a responsabilidade de ter à disposição as vagas que enuncia, e ter confirmado a dotação orçamentária para este certame, sob risco de agir de má fé e improbidade administrativa;

na homologação do resultado do concurso público, ter em mente que diante das jurisprudências já existentes e mandados de segurança já deferidos, que todos que forem aprovados tem direito às vagas conquistadas, pois as alcançaram não por indicação de A, B ou C, mas por esforço próprio, isto incluindo esforços físicos, mentais e principalmente financeiros;

que uma instituição pública não é de A, B ou C, e que atos administrativos são completamente divergentes de situações políticas e gostos pessoais, “teoricamente”;

que na atual conjuntura há o planejamento de aumentar os serviços de saúde, afinal somos agora subsede da copa, não?;

que houve uma nota do atual secretário de Saúde que nova lista sairia no início de junho (em reunião, o prometido era final de maio);
que há em torno de 598 candidatos esperando ansiosamente por esse certame (fisioterapeutas, dentistas, enfermeiros, nutricionistas, técnicos de enfermagem, administradores, auxiliares de patologia, assistentes sociais, técnicos de higiene dental). Farmacêuticos, farmacêuticos-bioquímicos, médicos, todos já foram convocados até além das vagas em edital, em detrimento de outros profissionais como listado anteriormente;

Desta forma, convocamos os concursados e seus familiares, amigos, vizinhos, para presenciar nosso apelo e as eventuais repercussões, assim como pedimos a todos que já procurem um advogado de confiança para o mandado de segurança.

Comissão dos concursados da Semsa:

….Danielle Ferreira de Carvalho – Fisioterapeuta

….Evania Alves Tito – Fisioterapeuta

….Lucilene Portela da Silva – Nutricionista

….Maria das Graças Silva Sarmento – Cirurgiã-Dentista

….Denise Silva de Freitas Mendes – Técnica de Enfermagem

….Pedro Jefferson Ribeiro de Oliveira – Técnico de Enfermagem

….Maria Eugênia dos Santos Paes – Fisioterapeuta

Posted by AFIN at 08:28:26 | Permalink | No Comments »

Monday, May 25, 2009

CARTAS MACADAS NO PROCESSO SELETIVO FUNDAÇÃO DE MEDICINA TROPICAL DO AMAZONAS?

Em quase todos os concursos e processos seletivos ocorridos em Manaus, às vezes a boataria é geral de que as cartas já estão marcadas; ou seja, são falsos concursos e processos seletivos preparados para oficializar a contratação de pessoas previamente selecionadas. Em praticamente todos os anúncios de concursos e processos seletivos que esse bloguinho noticiou, existem comentários de pessoas que relatam suas suspeições.

Quanto a isso, não houve exceção em relação ao Processo Seletivo da Fundação Medicina Tropical. Uma leitora, que assina como Adelina Menezes, que esteve envolvida neste processo seletivo, vê com suspeitas a forma como ele foi organizado, e coloca alguns argumentos do que viu e vivenciou na tentativa de se inscrever.

Este processo “seletivo” sugere muito que as cartas já estejam marcadas. Pelo número de vagas, o período de inscrição de apenas 1 dia e meio não seria suficiente para a entrega dos documentos e currículos. Para quem foi, como eu, nos 2 dias tentar a entrega da inscrição verificou filas quilométricas, chuva, falta de informação, poucos funcionários para receber inscrições, sol e frustração pelo insucesso. O chamado caráter “emergencial” me gera dúvidas, emergencial para quem??? Manaus já é uma cidade grande, metrópole populosa, há tempos deixou de ser provinciana. A FUNDAÇÃO DE MEDICINA TROPICAL DO AMAZONAS é hoje uma das principais instituições hospitalares e de pesquisa em sua área no país, por isso, não entendo a atitude “provinciana” na organização de um processo seletivo que, como deveria ser previsto, geraria tamanha expectativa e interesse dos profissionais de saúde da cidade e, inclusive do país. Por isso, acredito que o processo não será prorrogado, acredito que quem deve ser selecionado já fez a inscrição nos primeiros minutos do processo de inscrição.

As observações de Adelina já lhe dariam o direito de procurar um órgão competente para oficializar suas suspeitas ou aquilo que ela vê como sendo irregularidades na organização do processo seletivo.

Não apenas nesse caso, mas em todo e qualquer concurso que for verificada alguma irregularidade pela qual não esteja garantida a livre concorrência, principalmente se houverem provas claras e confirmáveis, deve-se procurar o Ministério Público do Estado do Amazonas. Aí haverá juízes designados para atender e orientar os cidadãos, que, inclusive, poderá contar a possibilidades de escolher entre denúncia pública ou anônima.

E não se deve esperar nenhum pouco mais, pois existem prazos curtos para impugnações em concursos e processos seletivos falseados. É uma forma de defender seus direitos democráticos e diminuir as possíveis fraudes, pois se é verdade que o concurso ou seleção ocorreu apenas para oficializar nomes previamente selecionados, ainda há o lucro com os pagamentos de inscrição.

Afinal, que jogador jogaria um jogo apenas para assistir o outro ganhar de si? E mais, há de se lembrar que serviço público não é, ou não deveria ser, um trapaceiro carteado.

Posted by AFIN at 10:51:39 | Permalink | No Comments »

Tuesday, April 28, 2009

ENSINO DE SAÚDE INDÍGENA NOS CURSOS DA UFAM

O Ministério Público Federal do Amazonas estará promovendo amanhã, quarta-feira, dia 29, às 14:30h , no auditório do Ministério Publico do Estado do Amazonas, Antônio Carlos Bandeira de Araújo, anexo da Procuradoria Geral de Justiça, na Avenida Coronel Teixeira, 7995, bairro Nova Esperança, uma Audiência Pública Sobre Saúde Indígena, organizada pela procuradora Luciana Portal Gadelha.

O encontro, cujo convite se estende aos médicos, antropólogos, psicólogos, sociólogos, assistentes sociais, juristas, prefeitos, parlamentares, e estudiosos das áreas afins, tem seu tema originado no caso da menina tukano, L.B., de 12anos, que fora picada por uma cobra, e ao ser internada em um hospital da capital, teve seu diagnóstico conturbado no momento em que as duas culturas, com suas semióticas médicas sustentadas em suas verdades antropocientíficas diferentes, tentaram fazer prevalecer seus discursos diante do caso clínico.

Foi então que o Ministério Público Federal do Amazonas interveio, mostrando a necessidade de atender às exigências dos membros da etnia tukano, que pretendiam usar a terapia própria de sua cultura. Assim, foi possível realizar um tratamento, cuja terapia foi constituída dos saberes e fármacos das duas culturas. O que levou a criança a ser curada. Um fato por si mesmo singular, pois de acordo com o diagnóstico da medicina estruturada pelos saberes emanados da imagem dogmática do pensamento do Estado, a criança deveria ter a perna amputada. O que não aconteceu em função da atuação da medicina indígena juntamente com a medicina institucional.

Entretanto, apesar do encontro proporcionar a discussão sobre as relações e práxis terapêuticas entrelaçadas das duas medicinas, seguindo seus signos culturais quanto aos diagnósticos e curas, o que salta como elemento de forte implicância é o exame sobre a possibilidade da inclusão da disciplina “Ensino da Saúde Indígena” nos currículos dos cursos de Medicina e Enfermagem. Uma proposta antropo/pedagógica fundamental para auxiliar os educandos dos dois cursos a terem experiências para além do constituído como saberes necessários aos Estado. Uma proposição que vai mexer com o conceito de medicina hegemônica a encontrada nos hospitais e clínicas.

Uma disciplina que além de deslocar os educandos da ordem perceptiva/cognitiva da chamada cultura letrada, levando à outras percepções e outras cognições, no contato com os signos culturais indígenas, vai auxiliá-los no maior entendimento sobre o conceito de Saúde do SUS, que implica, também, o conceito antropológica/social, que a maioria dos profissionais da saúde desconhecesse.

Posted by AFIN at 19:07:35 | Permalink | Comments (1) »

Monday, April 13, 2009

QUANDO A MORTE RONDA O FUNCIONÁRIO PÚBLICO

Sei que tudo pode me acontecer. Mas é a mim que acontecerá, pois todo acontecimento é o meu acontecimento”, afirma o filósofo Sartre, sobre a condição existencial do homem como um ser livre, e responsável por suas escolhas. Na história, tudo é do homem, tudo é realidade humana. “Tudo que é do homem não me é estranho”, disse o filósofo Marx.

O homem como produtor de cultura disseminou suas produções científicas, estéticas e filosóficas em todos os territórios sociais como enunciações de valores. O mundo como objetividade verdadeira.

Assim como criou instrumentos de trabalho, moradia, artesanato, armas, religiões, indumentária, criou hábitos alimentares que alteraram seu código básico biológico. Fixando-se à vida sedentária como criador de animais, fazendo da carne seu alimento, sua bio/genética se alterou, e com ela surgiram algumas enfermidades. Assim, de acordo com os transcursos históricos e o consumo de outros alimentos, novas enfermidades. Somada a vida alimentar/sedentária, mais a sociedade industrializada, uma nova enfermidade se manifestou: os transtornos afetivos, como a ansiedade, depressão, fobias, entre outras. O que lhe leva à maior preocupação com sua saúde existencial.

A MORTE DE UM FUNCIONÁRIO PÚBLICO

Nas culturas, mortes não são mistérios, são produções do homem. Morre-se de múltiplas causas. Mas a maioria das mortes nas sociedades industrializadas é produto dos atos dos homens que não encontram relação com Políticas Públicas e administração pública. E não é por acaso que há uma profunda distância entre uma administração democrática e uma administração tirânica.

Na administração democrática, seus dirigentes orientam suas políticas administrativas em entrelaçamento com os funcionários, e estes, com a população que faz uso dos serviços desta instituição, cuja idéia funcional é exatamente esta população. A eficácia democrática do serviço público.

Na administração tirânica, os dirigentes centralizam suas decisões, que seguem os modelos de suas inseguranças pessoais. Tratam os funcionários com ameaças, e, consequentemente, a funcionalidade da instituição imobilizada na direção que, supersticiosamente, imagina ter poder, chega à população como violência.

Desta forma, enquanto na democrática os funcionários agem em fluxos livres, com facilidade para lidar com qualquer situação, mesmo as mais difíceis, na tirânica, os funcionários se sentem aprisionados na ordem ditatorial que emana da direção, que estabelece um estado de tensão disfuncional prolongado até o meio familiar. Entra-se no círculo dos fatores paranóicos. Até mesmo os da doce servidão: os capachos.

UM CASO PARACLÍNICO

Tereza Guedes de Oliveira era funcionária da Fundação Medicina Tropical, com mais de 30 anos de serviço. Durante seus percursos de funcionária, ocupou alguns cargos. Por último, na gestão do médico Sinésio Talhari, tinha um cargo de confiança. Como todo trabalhador, Tereza, elaborava seus gastos domésticos de acordo com seu salário; entre estes gastos estavam incluídos seus dois filhos. Tereza era hipertensa, e, como é sabido, a hipertensão tem seus fatores de desencadeamentos de picos hipertensivos, entre eles, situação de desespero.

No fim do mês de março, Tereza, foi receber seu salário. Levou um susto: seu salário havia diminuído. Havia sido demitida de sua função sem nenhuma informação da diretoria. Jamais fora chamada para conversar. Formou um quadro afetivo de ansiedade e dor. Não sabia lidar com suas perdas, que atingiram seus fluxos afetivos. O mundo de Tereza perdeu seus referencias ontológicos. Domingo, dia 5 de abril, teve um AVC. Foi internada na UTI do Hospital Tropical. Antes de entrar em estado de morte cerebral, disse à sua irmã: “Olha o que eles fizeram comigo”. Ontem, domingo, dia 12 de abril, Tereza morreu.

O que aconteceu com Tereza despertou em outros funcionários da instituição a revolta contra as condições de trabalho que, para eles, enquanto a direção se orgulha do aparato técnico material da Fundação, falta o essencial: a presença ontológica da ética criadora de afetos capazes de aumentar a alegria produtiva do servidor público. A intensidade democrática que passa na relação com a população.

Posted by AFIN at 20:45:46 | Permalink | No Comments »

Saturday, March 21, 2009

UNIDADE DE ESPECIALIDADE MÉDICA EM MANAUS NÃO ATENDE USUÁRIOS DE UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE

Leitores intempestivos relataram a este bloguinho que o PAM da Codajás, unidade de saúde especializada da zona Sul de Manaus, não estaria aceitando encaminhamentos dos clínicos-gerais das unidades básicas de saúde (postos e casinhas).

O procedimento, segundo alguns médicos ouvidos pelo blogue, é efetivamente irregular, já que o procedimento hierárquico dentro da estrutura do SUS é o de que as unidades básicas de saúde são a porta de entrada no sistema, e que as especialidades só devem ser acessadas após a primeira avaliação, que ocorre ora nas unidades básicas, ora nas unidades de urgência e emergência (hospitais, SPA`s).

No entanto, as pessoas estão se dirigindo aos postos de saúde, e ao serem encaminhadas para acompanhamento por especialistas, ao chegarem no PAM para marcar, são informados de que a consulta não poderá ser feita. Os mesmos são ainda orientados a procurar um SPA para de lá serem encaminhados e conseguir a necessária consulta com o especialista.

MEDICINA DE MERCADO E O ADOECER BIOSSOCIAL

Ainda segundo fontes intempestivas, a questão tem sido levantada exclusivamente pelos usuários do sistema. Entre o meio médico, predomina o corporativismo. Os rumores que correm dão conta de que os médicos especialistas estariam envolvidos na não-aceitação dos encaminhamentos, alegando que os clínicos-gerais estariam apenas “despachando” os pacientes nos postos e casinhas, não realizando sequer procedimentos simples de acompanhamento, que segundo os primeiros, poderia ser feito sem a necessidade da especialidade. Do outro lado, médicos das unidades básicas estariam incomodados com a inércia dos colegas especialistas, que não estariam aceitando atender problemas de saúde de suas áreas.

No meio do deixa-que-eu-deixo, o usuário do sistema, que precisa do tratamento, e tem que encarar a fila quilométrica, tanto no posto de saúde para pegar uma ficha, quanto nos PAM, para marcar uma consulta ou exame.

Sinais de uma medicina de mercado, distanciada do exercício cívico e democrático do conhecimento em função do fazer coletivo, e próxima do marketing e da lógica da objetização e monetarização do corpo e de seus males. Medicina que produz doença biossocial.

É por isso que Hipócrates anda jurando de pés juntos que no Amazonas não tem medicina…

Posted by AFIN at 15:15:01 | Permalink | Comments (2)

Tuesday, March 17, 2009

ONGS QUESTIONAM HOSPITAL TROPICAL SOBRE RELAÇÃO PACIENTE/AIDS

ONGs que trabalham diretamente com pacientes acometidos do vírus HIV internados, ou freqüentadores ambulatoriais do Hospital Medicina Tropical estão questionando junto ao corpo-médico da Fundação Medicina Tropical, sob a direção do médico dermatologista, Sinésio Talhari, o tratamento que vem sendo direcionado aos pacientes com AIDS.

A preocupação das ONGs começou no momento em que pacientes se queixaram do tratamento quem têm recebido na instituição hospitalar. Além dos números de óbitos que ocorreram de janeiro até este mês de março para eles muito preocupantes.

Em acordo com a diretora clínica do hospital, a médica Lucilaide Oliveira, os representantes das ONGs prometeram não tomar nenhuma medida enquanto não houvesse uma reposta do corpo médico responsável envolvido no tratamento dos pacientes.

REUNIÃO PARA DISCUTIR A QUESTÃO

Segundo informações, hoje pela manhã ocorreu uma reunião para discutir o tema e daí será tirada uma resposta a ser entregue às ONGs. Na reunião, abordou-se todos os componentes humanos, técnicos, científicos e administrativos que poderiam estar produzindo o objeto das queixas dos pacientes. Entre outros, comentou-se sobre a distância que a direção da Fundação Medicina Tropical tem tomado em relação ao que deve ser realmente feito quanto ao caso específico da AIDS.

Para alguns membros que participaram da reunião faltam investimentos em estudos sobre a enfermidade, aparelhos laboratoriais, mais dinâmica nos ambulatórios e maior esforço administrativo. E que, segundo comentam internamente, o diretor da FMT, Sinésio, tem se apegado a enunciação que AIDS é um caso dermatológico.

Não ficando somente na esfera médica, o caso também é visto pela esfera política/social. Para alguns a situação tem a ver com a retirada da Gerência da AIDS do hospital. O que causou uma nesga de personalismo afetado. Para outros, a saída da Gerência do Hospital foi bom, pois tratava-se do interesse de membros que estão comprometidos com o fator HIV além dos objetivos resumidamente médicos.

Posted by AFIN at 18:14:27 | Permalink | No Comments »

Wednesday, March 11, 2009

AS CIÊNCIAS NO CASO DA MENINA INDÍGENA QUE TEVE A PERNA PICADA POR COBRA

No início de janeiro deste ano, uma índia de 12 anos, pertencente a uma aldeia da etnia Tukano, do São Gabriel da Cachoeira, deu entrada no Hospital João Lúcio por ter sido picada na perna por uma cobra jararaca. No dia 13 de janeiro, parentes da menina ligaram para o Ministério Público Federal no Amazonas relatando que no dia seguinte (14) seria feita, às 8h da manhã a amputação da perna por cirurgia, devido à perna apresentar necrose irreversível, segundo médicos. Como os índios parentes da menina eram contra a amputação devido a determinadas crenças indígenas, imediatamente procuradores do MPF/AM visitaram a menina e recomendaram expressamente que nenhuma intervenção cirúrgica fosse realizada sem que lhes fosse comunicada. E, no dia 15, o MPF/AM recomendou ao hospital que permitisse paralelamente ao tratamento médico o tratamento por práticas tradicionais de saúde tukanas, conforme recomenda a Constituição Federal, a convenção 169 da OIT e a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas.

Em recomendação, o MPF orientou a direção do hospital que garantisse um quarto individual para que o tratamento indígena fosse feito junto com a terapia médica comum; que fosse permitido o livre acesso e a permanência no hospital de um pajé e seus assistentes; respeito aos métodos medicinais do pajé, assim como alguns pedidos feitos por ele, como a proibição da entrada de mulheres grávidas e menstruadas no quarto.”

Como os familiares da menina perceberam resistência do Hospital João Lúcio em cumprir o recomendado, retiraram-na de lá e transferiram-na ao Hospital Universitário Getúlio Vargas. A menina, que estava subnutrida e com parte da perna acometida de necrose, passou a ser tratada pela medicina alopática à base de antibióticos e outros medicamentos e por rituais e medicamentos tradicionais indígenas. A partir daí a menina passou a melhorar até mais rapidamente do que o previsto pelos médicos. Até sua alta ontem, dando continuidade com os tratamentos agora somente em casa.

MEDICINA INSTITUÍDA E MEDICINA INDÍGENA

O que escapa desse caso para uma discussão ético-científica medicinal é o embate que houve entre dois saberes separados pelo discurso oficial e pela pragmática constituída. De um lado, uma medicina científica, baseada em técnicas estudadas especializadamente, utilizando instrumentos especiais e medicações quimicamente formuladas e produzidas. De outro, uma medicina muito mais antiga, repassada continuamente durante toda a existência de um indígena, acompanhada de crenças milenares, com medicações produzidas naturalmente, tão científica quanto a outra.

O caso aparece como prática de resistência da medicina popular e indígena diante da medicina constituída oficialmente. Há um certo momento de imposição de um saber considerado “científico”, que passa a atuar como se tivesse se auto-originado, como se não tivesse advindo das relações entre homens em culturas vivificantes de conhecimentos, como as dos chamados índios e negros, por exemplo. É aí que saberes como a medicina operam a separação entre especialistas (médicos “donos da vida”) e a população, destituindo esta de seus saberes que poderiam ajudar aquela em muitos casos que a ciência oficial não compreende e não consegue resolver isolada do mundo, como salienta a procuradora Luciana Portal Gadelha:

O sucesso do ‘diálogo intercultural’ depende de uma efetiva tentativa de comunicação entre as partes (família, pajé e equipe médica do hospital), sem compreensões e visões de mundo pré-definidas, colocando-se cada qual no lugar do outro, ou seja, diálogo com o pressuposto da igualdade entre as culturas indígenas e do homem branco ocidental.”

Leia aqui na íntegra a notícia do MPF/AM.

Posted by AFIN at 07:42:59 | Permalink | Comments (1) »

Tuesday, February 17, 2009

OPINE VOCÊ TAMBÉM PARA MUDAR AS BULAS DE REMÉDIO, AINDA DÁ TEMPO!

Atenção hipocondríacos e amantes das bulas de remédios que já não aguentam aquelas letras miúdas e a enorme quantidade de termos técnicos, que às vezes nem os próprios médicos entendem! A Anvisa — Agência Nacional de Vigilância Sanitária está aceitando sugestões para mudar o formato das bulas. Sua opinião vai ser aceita até o dia 24 deste mês. Pode propor mudanças de todos os tipos: desde que sejam para facilitar o entendimento dos consumidores.

Então, sugestões para que os textos sejam menos técnicos, as letras sejam maiores, que o papel não seja tão fino ao ponto da transparência, que os parágrafos sejam mais separados uns dos outros e qualquer outra informação que trate o consumidor com respeito, será bem vinda.

A sua importante opinião pode chegar até a Anvisa por meio do endereço http://www.anvisa.gov.br/, por carta ou fax.

Segundo a Agência Brasil, a gerente de medicamentos da Anvisa, Nur Shugaír, deu alguns toques dizendo que o objetivo da consulta é melhorar a vida do consumidor. Saque capitalístico necessário, uma vez que, ainda que os capitalistas e os grandes laboratórios de remédios se limitem apenas em suas próprias barrigas, “a mão invisível do mercado” força-lhes a distribuição de informação que deve facilitar em tudo o acesso do consumidor aos produtos oferecidos.

Nur Shugair explicou ainda que haverá duas bulas disponíveis para o mesmo remédio: uma para o paciente e outra para o médico:

A bula do paciente será disponibilizada na caixa do medicamento de acordo com as suas necessidades. O paciente tem que ler e entender o que está escrito. Já para o uso dos médicos, a bula estará disponível no site da Anvisa e também poderá ser acessada pelos consumidores.

Segundo a Agência Brasil, “oprazo para que as novas regras sejam aplicadas ocorrerá depois do resultado da consulta pública, que deverá ser publicado no início de maio. A partir desse período as empresas terão 180 dias para se adaptarem e até o final do ano para que todos os medicamentos estejam disponíveis com a nova bula”. Após esse período, se as empresas não obedecerem, ficam sujeitas a multas e interdição dos produtos.

Agora é opinar para que os remédios possam funcionar mais para a saúde do que para a doença.

Posted by AFIN at 06:22:31 | Permalink | No Comments »