Saturday, June 27, 2009

HURRA, MEU BOI!

DEFENDE O TEU PASTO COM A FORÇA DE TUA TURRA!

Os calculistas, os aproveitadores, os maledicentes não sabem que uma enunciação coletiva é produzida pelas relações de elementos construtivistas que criam corpos agenciadores de saberes e dizeres. E como enunciações coletivas não nascem dos interesses de sujeitos sujeitados em particularidades lucrativas. Assim são todos os conteúdos e expressões que segmentam a tal crente realidade social. O que significa que não são as manias de um homem, grupo, que constroem as manifestações coletivas.

Desta forma, não só os paradigmas científicos e os sistemas filosóficos são produtos dos encadeamentos sociais, mas também qualquer manifestação social por mais insignificante que seja. Aí está a força do folclore. Toda manifestação coletiva que perdura como prazer e afirmação de um povo é produção coletiva. E foi exatamente nesta potência coletiva que emergiram, como enunciados coletivos, os bois Caprichoso e Garantido. Ambos engendrados no município de Parintins nos fluxos do Bumba-Meu-Boi do Maranhão. O folguedo lúdico real.

Mas eis que na década de noventa, um político, a Coca-Cola e a mídia, visando seus próprios interesses pragmáticos, resolveram realizar a desaparição do Caprichoso e Garantido de Parintins e colocar sobre seus espíritos antropológicos a máscara artificial dos interesses capitalistas do Show business urbano da cite Manô. Os dois bois plastificados tornaram-se mercadoria de lucro destes mercenários.

Assim, passaram mais de uma década de efervescência lucrativa, até que tudo entrou na ordem das regras contraditórias do capitalismo. “O que era doce acabou-se”. Os dois bois já não servem mais para o pragmatismo lucrativo dos calculistas interesseiros. Hoje, os dois bois urbanos plastificados não mais elegem nem vereador em Parintins, e muito menos prefeito e governador em Manaus. O povo entendeu o malogro folclórico aplicado por estes exploradores.

PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE BOI

No auge lucrativo dos empreendedores capitalistas, depois da segunda metade da década de 90, no frisson do “vermelho vermelhaço”, em uma tarde, duas senhoras viajavam conversando em um ônibus. Atrás dela uma variação do Rock Cabocão. Passando em frente ao Sambódromo, uma disse para outra que os dois bois, Caprichoso e Garantido, eram muito diferentes de um boi verdadeiro. Ouvindo a observação da amiga, a outra afirmou que os dois pareciam que tinham feito plástica. A primeira, então, sorrindo, concluiu que os dois não pareciam bois, mas duas vacas loucas. Era o pique da patologia bovina.

Por tudo isto, o Rock Cabocão criou esta toada com verve maranhense:

Botaram tanto blush

Refletor e purpurina

Fizeram a cunhantã

Menstruar inda menina

Com tanta Coca-Cola

A selva se resfriou

Tupã envergonhado

Sua proteção tirou

.

Ê, ê, meu boi!

.

Botaram dois pra lá

Dois pra cá

Amarra pé

Se curvaram para mídia

Sorriso de jacaré

.

E o nosso boizinho

Da fazenda à paixão

Hoje é boi de canga

Humilhado no Faustão

.

Ê, ê, meu boi!

.

Até o bom Vaqueiro

O Pai Francisco

E a Catirina

Deixaram a fazenda

Para garimpar na mina

.

Que pras ‘ortoridades’

É uma ato ‘curtura’

Mas que pru nosso puvo

Ta causando um grande má

.

Hurra, meu boi!

Defende o teu pasto

Com a força de tua turra!

.

Mas que doença é esta

Que o povo alesado

Não sabe se é aftosa

Caganeira ou mal olhado?

.

Inté o nosso amo

Com medo não abre a boca

Pois se chama o boizinho

Quem responde é a vaca louca

.

Vaca louca pra cá!

Vaca louca pra lá!

Vai pra lá, vaca louca!

Viva o Caprichoso e o Garantido que sobreviveram à sanha dos ambiciosos! O resto é só brincar!

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‘LUXEMBUSTE’ É DEMITIDO DO PALMEIRAS

Eu sou um profissional. Se me pagam eu defendo a empresa, se não, não”. Esta é a ordem mundial do capital. E ai daquele que não segui-la. Esta ordem não deixa brecha para afetos solidários. Assim é o futebol capitalístico. Dois exemplos breves: Alex Mineiro e ‘Luxembuste’. Alex, do Atlético Paranaense, do Palmeiras e do Grêmio, é o senhor da frieza capital. Não se vê nele qualquer afeto de amor à camisa que cultua o torcedor. Ele é tão somente uma peça regida pelo salário. “Faço meu trabalho”. O mesmo se vê em Luxembuste. Tudo é para ele lucro. O velho amor à camisa é substituído pelo amor ao lucro. Este, o motivo do litígio com Keirrison, que desapareceu do Centro de Treinamento em busca de um contrato com o Barcelona. Que, segundo dizem, não aconteceu.

Grana! Grana, meu! É o fator básico da discórdia entre os dois. O argumento de ‘Luxembuste’ em dizer que o jogador faltou com respeito a ele e aos outros jogadores é tiração de broncas para não mostrar o fator precípuo que é a grana.

Nisto, a própria diretoria do Palmeiras, que não é ingênua nestas causas, vem com o papo de que ‘Luxembuste’ não deveria ter tornado público a desavença entre os dois, por isto o demitiu. De qualquer sorte, errando, a diretoria acertou: Luxemburgo é um embuste. Embora este Bloguinho Intempestivo seja “Por Fora de Futebol”, ele já havia chamado atenção sobre o embuste que é ‘Luxembuste’.

Enquanto isto, Muricy, é sondado e esta gostando. Quem sabe com o enjoado Muricy, a torcida do Palmeiras comemore o tricampeonato do Brasileirão.

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Monday, May 4, 2009

GOVERNO DO AMAZONAS CONFUNDE LULA, O PRESIDENTE, COM LULA, O MOLUSCO

O imaginário popular está repleto de imagens produzidas a partir das relações humanas – demasiado humanas! - com os chamados animais. Embora estes nada tenham com isso, essa força imagética é tão forte e presente que na maioria das vezes suplanta o entendimento que se possa ter sobre determinado animal.

Assim, por exemplo, alguns deles são associados à virtudes ou falhas humanas de forma que essas imagens – não os animais! - acabam por se tornar estereótipos destas características humanas. Por exemplo, o burro, cujo nome tornou-se sinônimo de pouca ou nenhuma atividade intelectiva, ou veado, que se tornou sinônimo homofóbico para o homoerótico. Ou mesmo as fábulas, que usavam os animais como personagens-vetores para carregar nas crianças a moral.

Diz-se da imagem do molusco que é associada a um cérebro lento, a alguém considerado inadequado à velocidade da reprodução dos dizeres e da signagem estereotípica da sociade de consumo. “Lerdo”, como se diz. “Aquele tem a inteligência de um molusco!”

Aí surge mais uma do anedotário popular, trazido pelo blogue amigo, “Amigos do Presidente Lula”:

“Conjunto Habitacional Lula.” Esse era o nome original de um conjunto que seria entregue pelo governo do Amazonas a 206 famílias, na segunda-feira 27. Mas, um dia antes do evento, uma comissão da Presidência visitou o local e alertou: o nome do Presidente, ali, poderia pegar mal. Motivo: o próprio Lula (com Dilma Rousseff e o ministro das Cidades, Márcio Fortes) compareceria à inauguração e, segundo a legislação, é proibido dar nome de pessoa viva a bem público. O governo do Amazonas argumentou: o “Lula” da placa “não se referia ao presidente, mas, sim, ao molusco”. Não colou. O conjunto foi rebatizado às pressas: virou “Cidadão IX”.

Diante da coerência da assessoria do presidente Lula e da genial “solução” dada pelo governo do Amazonas, orgulhosamente gerido por Eduardo Braga, o qual tem familiares homenageados em obras públicas por todo o Estado, de todas as idades, qual seria, da coleção de imagens da moral fabulística, o animal cuja imagem moralmente corresponderia ao seu governo? Leitor intempestivo, palpite!

Outro aspecto, um tanto fúnebre da história, é que, depois desta gafe em que o governo do Estado assumiu nacionalmente que descumpre a lei que impede que obras públicas sejam batizados com nomes de pessoas vivas, se ainda assim o governador Eduardo ‘Lula Molusco’ Braga quiser dar o nome do Sapo/Anta Barbudo para a ponte do Rio Negro, vai ter de torcer para que o presidente morra…

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Sunday, April 12, 2009

PÁSCOA, A PASSAGEM

Na Filosofia da Diferença, passagem é uma intensividade que atualiza idéias virtuais em qualidades e valores ontológicos. Movimento que atravessa o que está constituído como real para fazer nascer o Novo. O Eterno Retorno intensivo. Nada do semelhante, do igual, do mesmo. Só o distributivo como criação.

A Páscoa, como passagem para o novo, necessário à confirmação estética ontológica do homem, não pode ser reduzida a uma simples ilustração presa às chantagens consumistas do capitalismo, como também da culpa e da dívida, do misticismo dogmático. Se se trata de uma festividade da ressurreição de Cristo, que seja o Cristo, o que foi: o Novo. A Boa Notícia. Uma nova existência. Nada do “eterno retorno” do repetido como má notícia. A doutrina do juízo punitivo. Tudo que faz da superstição a paralisação da passagem para outras percepções e ouras cognições.

Cristo, ressuscitado como devir/transformador, não pode ser aprisionado na simulação libertadora comandada pelos que continuamente falsificam o seu nome. A Páscoa não pode ser reduzida às palavras desativadas dos profetas/mercadores das igrejas capitalizadas. Não pode servir de alento para as consciências dos corruptos, bandoleiros políticos, mídias sequeladas, patrões exploradores, todos que a tomam mais como um recurso escuso para sublimar suas indiferenças com a existência comprometida.

Daí que, sendo a Páscoa, passagem, ninguém que permanece fixo nas idéias fúnebres do ressentimento, e da entropia social, pode atualizá-la como o Novo. A não ser pela força da imaginação supersticiosa, como fazem os pós-modernos fariseus.

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Saturday, April 11, 2009

O TESTAMENTO DE JUDAS 2009

o-beijo-de-judas

Olha eu de novo aqui, gente!, “perturbando a paz, exigindo o troco” (Paulo Cesar Pinheiro/Maurício Tapajós)! Eu, Judas Iscariotes! Eu, Judas, sempre renovado pelos viés da história, novíssimo para ler meu testamento a quem de direito.

Não me querem? Fogem de mim como se foge do Diabo, por isso me malham no sábado da Aleluia? Se não me querem, liberem Cristo de Paulo, e eu de Cristo. Sem Paulo, Cristo é libertado, e, consequentemente, eu também. Não traí Cristo. Não precisava mostrar com um beijo, aos sacerdotes e aos romanos quem era Cristo. Cristo era por demais conhecido de todos, eu não precisava mostrá-lo. E ainda mais, por que sujar o beijo? A quem interessava macular um encontro entre duas superfícies sensórias que compõem a singeleza do beijo, se não os verdadeiros assassinos de Cristo?

Não traí Cristo. Cometi um terrível engano quanto a sua potência de vida libertadora. Como não havia ainda lido Karl Marx, eu não sabia da dialética. Não sabia que para fazer qualquer tipo de revolução é preciso conhecer o método: “Apropriar-se da matéria em pormenor, analisar todas as suas diversas formas de desenvolvimento e descobrir todos os seus elos internos”. E só depois deste trabalho realizado que o movimento real pode ser exposto. Quando se consegue isto, quando a vida da matéria se reflete nas idéias, podemos julgar que estamos perante uma construção ‘a priori’.” Nada disto era de meu conhecimento. Foi por isto que não entendi que ele, Cristo, só tinha um objetivo como “o mais doce, o mais amoroso” (Nietzsche/Deleuze): libertar a alma individual dos homens aprisionada na alma coletiva tirânica dos sacerdotes e dos poderosos romanos, cuja idéia maldita era o Poder. Não entendi, como um revolucionário ingênuo que era, como eram os socialistas utópicos Saint Simon, Blanc e Fourier, que a mudança se dá pela forma dialética no entendimento do aprisionamento individual de cada homem. Só depois, no século XIX, lendo o filósofo Nietzsche, que aprendi que Cristo não queria o Poder que perseguiam o Império Romano e os sacerdotes judeus, com a culpa judaica por terem morto Moisés, e por isso queriam que Cristo fosse Moisés ressuscitado.

Cristo não queria ser chefe, mestre, comandante de homens. O que ele pretendia, e pretende, é que cada homem, liberto em si mesmo, possa tornar-se uma individuação e criar, como intensidade produtiva, uma sociedade em que todos possam ser, poieticamente, criadores de bens comuns.

Mas eu nada entendia. Queria que ele se unisse ao nosso próprio propósito político. Queria que ele fosse o grande comandante de nossa revolução. Não sabia que um homem livre não precisa de herói, como depois aprendi com o teatrólogo Brecht. O homem não precisa de um juiz para julgar seus atos e sutilmente dominá-lo. Nada dista era de Cristo, que só pretendia acabar com poder de julgar dos sacerdotes e dos romanos. Não queria a doutrina do juízo, como depois foi instituída por Paulo, usando seu nome. Como muito bem nos mostrou Nietzsche, ao afirmar que “São Paulo contentou-se em deslocar o centro de gravidade de toda esta existência para trás desta existência. (…) No fundo, a vida do redentor não podia ser-lhe de nenhuma utilidade, ele precisava da morte na cruz e de algo mais…” O mesmo, o Apocalipse ao transfigurar o amor de Cristo, em juízo de ódio: “E vi tronos, e aos que neles se assentaram foi dado o poder de julgar”. Nada disto era Cristo. Sua Boa Nova, seu evangelho, não pregava a culpa, a punição, a recompensa, a morte e a imortalidade, como pregam os disangelistas cultuadores da má notícia que sustenta a doutrina do julgamento.

Então, minha gente, se vocês querem que eu desapareça de vez por toda, libertem Cristo de Paulo, que assim é desfeita a idéia da má consciência, do ressentimento e do ideal ascético, porque eu, Judas Iscareotes, não existirei mais. Pois, como afirma o escritor D.H. Lawrence, o principal personagem do cristianismo de Paulo sou eu, Judas. “Não vedes que é o príncipe de Judas que adorais de fato? Judas é o verdadeiro herói, sem Judas todo o drama seria um fracasso… Quando as pessoas dizem Cristo, querem dizer Judas. Nele encontram um gosto saboroso…”, diz ele.

É preciso que eu seja o traidor para que Paulo, por seu ideal, pregue Cristo na cruz para que a doutrina da dor permaneça, e o homem continue o pecador/devedor que nunca consegue pagar sua dívida. Dívida que ele não contraiu.

Todavia, minha adorada e reconhecedora gente, se vocês não liberarem Cristo, e acreditarem que podem continuar a malhar Judas, malhem. Pois, como diz o filósofo Baudrillard, eu, historicamente já fui desrealizado. Não existo no tempo real da malhação. A memória da culpa não me ativa. Hoje, sou um anedótico simulacro que serve par animar a festa de Páscoa. E isto é muito bom. É bom ver o povo em festa, brincando, bebendo, comendo, e as crianças soltas em suas criativas fuzarcas. Eu adoro saber que a imagem desrealizada de mim serve para alegrar meus irmãos. Portanto, neste sábado, vamos brincar. Vamos ‘piar’ a Aleluia.

Agora vamos ao meu testamento. Como vocês sabem, sou uma figura do viés da história, e, como um viés, absorvi valores culturais bons e maus. Assim, posso distribuí-los entre os homens. Aos que considero maus, inimigos da felicidade democrática, deixo-lhes presentes de valores maus. Aos que considero amigos da sociedade democrática, deixo-lhes presentes bons, que aumentam a potência de agir necessária para a contínua produção de democracia.

O TESTAMENTO

Ao prefeito Amazonino

Cassado junto com seu vice

Deixo a justiça democrática

Da juíza Maria Eunice.

À juíza Maria Eunice, sendo

Eunice, em grego, Bela Vitória

Deixo seu nome gravado

No patamar da história.

Ao governador Eduardo Braga

Que faz da sede da Copa obsessão

Deixo o mapa do Amazonas

Com a miséria do povão.

Para o PT de Manaus

Que corruptela de revolução

Deixo o ideal reacionário

Do deputado Belão.

Ao cassado Amazonino

Sofrendo de amnésia eleitoral

Deixo o método para memória

O Povo desfaz o mal”.

Para a reacionária Folha de São Paulo

Que sonha levar à presidência Serra

Deixo o hit parade popular

Dilma, a força que o povo eleva.”

Ao insigne delegado Protógenes

Revelador de Daniel Dantas em seus crimes capitais

Deixo a medalha de ouro

Brasil, corrupção nunca mais!”

Ao senador José Sarney

Eterno presidente do Senado

Deixo o reino imortal

Morada do enganado”

Ao invejoso Fernando Henrique

Democrata do absurdo

Deixo o livro real

Memórias de um Sapo Barbudo”

Para o senador Arthur Neto

Do PSDB o Agripino

Deixo a “Provinha Brasil”

Para dar adeus ao menino

Ao senador Agripino

Do PFL o Arthur Neto

Deixo a lógica de Aristóteles

Para ser democrata correto

Deixo ao jornalista Mainardi

Retrógrado texto da Veja

O ódio de ver realizado

O contrário que a Lula deseja

Ao jornalista Reinaldo

Onde a inteligência política não tem vez

Deixo as notas macabras

Da mídia da insensatez

Deixo à direita raivosa

Cujo ‘amor’ é conspirar

Um pedaço de minha corda

Para feliz se enforcar

À anestesiada Rede Globo

Audiovisual conspirador

Deixo o projeto político/social

Como acabar com o predador

Ao Movimento LGBT

Que luta por seus direitos sociais

Deixo a democracia real

Para poder gozar em paz

Para todas as religiões Afro

Com suas entidades, cantos e cores

Deixo a liberdade de culto

Para tocarem seus tambores

Deixo ao Paulo Henrique Amorim

Do Blog Conversa Afiada

A certeza política que Gilmar Mendes

É pura conversa fiada

Ao arigó Carlinhos Medeiros

Do Blog Bodega Cultural

Deixo meu estúdio completo

A seu talento político/musical

Deixo à trepidante La Pasionária

Do Blog Metropolitano

O intempestivo Dionísio

Criador do belo insano

Ao companheiro Morcego Vermelho

Que do cyber space está distante

Deixo minha Rede Net

à sua criação instigante

Ao Blog Malfazejo

Herdeiro de Ismael Benigno

Deixo o Boca do Inferno

Para traçar político indigno

Ao Boris Casoy

Transformador da vergonha em clichê

Deixo o Clip de seu passado

Envergonhado em lhe ver na TV

Ao companheiro, Tedeia

Do Blog Prática Radical

Deixo a esquerda latina

Como matéria ideal

À turma dos Sivuqueiros

Pavor da mídia sequelada

Deixo mais Blogs lutando

Pela informação libertada

À companheira Cássia

Do Blog Tem (Quase) de Tudo

Deixo poemas e contos

Do mundo que não me iludo

Ao companheiro Mello

Cujo Blog tem seu nome

Deixou uma outra maré

Para tirar o Rio da fome

Ao companheiro Azenha

Do Blog Vi o Mundo

Deixo fatos reais

Que não enganam Raimundo

Aos companheiros do Movimento Negro

Cuja luta é verdadeira escola

Deixo livre suas terras griladas

Para criar Quilombola

Às companheiras prostitutas “As Amazonas”

Guerreiras contra os exploradores

Deixo o certificado de utilidade pública

Negado pelos covardes vereadores

Ao companheiro Nassif

Músico economista

Deixo a minha transversal flauta

Para perturbar direitista

Deixo ao resistente jornalista Mino Carta

Cujo blog tirou da virtualização

Um aforismo de Nietzsche:

A inimizade é o triunfo da nossa espiritualização”.

Aos companheiros índios

Violentados pelo choque cultural

Deixo meus arcos e flechas

Para reconquistarem sua terra natural

Agora, para finalizar

Esta entrega de presente

Deixo ao companheiro Lula

Dilma como presidente!

Assim, caro cristão

Termino meu Testamento

Se você não entrou nele

Outra aleluia será seu momento

Beijos liberados!

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Wednesday, April 1, 2009

1º DE ABRIL, DIA DA MENTIRA, É UMA TREMENDA MENTIRA

Se o princípio lógico da verdade é a objetividade, a concordância do enunciado com o que se tem como realidade sensível e intelectível, o que pode ser provado por estas duas faculdades, o 1º de abril, como enunciado, dia da mentira, é uma tremenda mentira. Como dia de um mês que possui concordância sensitiva e intelectiva no tempo e no espaço, ele é uma verdade. Portanto, tratado como mentira, é uma mentira.

Para que o dia 1º de abril fosse o dia da mentira, o mês de abril teria que ter um dia a menos. O seu dia 1º não existiria, por ser uma mentira. E, como ele, todos que tivessem referência com esta data. A inexistência deste dia anularia qualquer referência que se quisesse real a ele. Não existindo o dia 1º, abril começaria no dia dois. Assim, estaríamos mais novos. Alguns bebês não nasceriam, e também muita gente não morreria. E o salário — de quem tem —, renderia mais.

Mas aqui salta um impasse. Se o dia 1º de abril não existisse, nós estaríamos impedidos de mentir. O que é humanamente impossível. Basta lembrar o adágio popular: “Errar é humano”. O erro é a ausência da verdade e a preponderância da mentira. Sem mentira o homem seria perfeito, o que seria o fim do mundo. O fim do movimento. E o mundo segue os véus, as máscaras os adornos da mentira. O mundo quer desnudar a mentira para ver o que ela esconde. Certamente, nada.

O certo é que, em um mundo que se fabula tanto a verdade, a mentira tem sempre que mostrar sua cara. Até mesmo quando ela é uma verdade. Por exemplo. A democracia, para a corrupção, é uma mentira. Não é verdade necessária ao povo. As investigações do delegado Protógenes, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas, recebendo este sentença de condenação do juiz De Sanctis, para os advogados de Daniel Dantas, são mentiras. E, assim, muitas verdades são tomadas como mentiras. Isto porque o princípio determinante da verdade ou da mentira é um conjunto de valores condensados em um sistema. E o juiz que sentencia o que é verdadeiro ou mentiroso, é aquele que detém a força deste sistema. Sistema quase sempre tirânico, como o capitalista, e, sistema, quase menos, democrático, em função da tirania.

Então, neste dia que se diz 1º de abril, vamos fazer prevalecer o sistema de valores democráticos, e vamos anunciar algumas mentiras como verdades. Freudianamente, a mentira pode ocultar um desejo de verdade para quem nela se encontra envolvido. Exemplo: dizer que o Fernando Henrique é o príncipe dos sociólogos é uma tremenda mentira, mas para ele é um imenso desejo de que seja verdade.

Vamos às enunciações mentirosas, e, para tal, contamos, também, com as mentiras do nobre acessador deste bloguinho intempestivo. Olha aí uma verdade nietzschiana que no senso comuníssimo salta como mentira: intempestivo.

MENTIRAS, VALHA-NOS DEUS!

<> Amazonino, prefeito de Manaus cassado em primeira instância pela excelentíssima juíza Maria Eunice Torres do Nascimento, hoje, em sessão plenária do Tribunal Superior Eleitoral - TSE, teve confirmada sua absolvição.

<> De acordo com a avaliação do MEC sobre o ensino nos estados brasileiros, publicada hoje, o Amazonas deixou o penúltimo lugar, passando a ocupar o primeiro lugar em aproveitamento escolar.

<> O governador do estado do Amazonas, Eduardo Braga, em reunião com seu secretariado, mais autoridades e empresários, depois de avaliar o quanto as políticas públicas do estado necessitam de verbas para que a sociedade tenha seu direitos atendidos, decidiu não mais colocar o nome de Manaus como sede da Copa em 2014. E de quebra não vai mais construir a ponte Manaus Iranduba, pois viu que se tratava mais de uma vaidade pessoal do que necessidade social e econômica. Todo dinheiro que seria gasto será usado para o Bem Comum.

<> Empresários donos das mídias de Manaus decidiram, em grupo, mudar suas orientações editoriais. A partir de hoje não mais se submeterão às imposições dos governos. Afirmam que serão democratas reais. O primeiro ato será aumentar os salários dos jornalistas, fotógrafos, todos os profissionais midiáticos, e resguardar todos os direitos trabalhistas dos mesmos.

<> Justiça afirma que o PSDB não foi o criador do valerioduto.

<> Em reunião de seu partido PSDB, o governador de São Paulo, José Serra, abdicou de sua candidatura à presidência.

<> A Central Globo de Produções decidiu terminantemente pôr um fim às telenovelas, o Fantástico, Jô, BB, e todos seus tele-jornais, principalmente o Jornal Nacional. Na esteira, demitiu Xuxa, Angélica e marido, Galvão Bueno, Bial, entre outros.

<> As organizações Globo publicaram, hoje, carta documento contando e assumindo todos os episódios históricos em que conspirou contra a democracia brasileira.

<> O ministro da Educação assinou, hoje, decreto que acaba com o vestibular para o ingresso na universidade pública.

<> A partir de hoje, Dunga não é mais técnico da seleção, em seu lugar foi contratado Romário.

<> Para colocar um basta definitivo em sua rusga contra o técnico da seleção Argentina, Maradona, o ex-jogador Pelé afirmou que sempre teve o ex-jogador Maradona como o melhor jogador do mundo. E que sempre foi seu fã.

<> Em missa matinal, o Papa surpreendeu o mundo: afirmou que é a favor da camisinha, assim como de todas as formas de contraceptivos.

<> Os senadores Arthur Neto, Agripino Maia, Mão Santa, Heráclito Fortes, Efraim, Sérgio Guerra, e mais Fernando Henrique encontraram-se hoje, no Palácio do Planalto, com Lula, e exigiram que ele se candidate ao terceiro mandato.

<> Ivete Sangalo, Seu Jorge e Hebe Camargo entram em estúdio, hoje, para gravar uma música em homenagem aos dois mandatos de sucesso de Lula.

<> As empresas Firefox, Netscape, Internet Explorer e Google notificam aos usuários virtuais que a partir de hoje estarão desativando suas redes.

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Tuesday, January 27, 2009

FÓRUM MUNDIAL MÍDIA LIVRE

Midia Livre 01 por você.

Midialivristas de todo o mundo, uni-vos! No antigo NPI, atual Escola de Aplicação da UFPA, ativistas de mídias alternativas do mundo inteiro se encontram para discutir e disseminar modos alternativos de informar e de produzir informação e conhecimento. Na manhã de hoje, duas mesas temáticas trataram da situação da mídia tradicional e apresentaram os eixos que serão levantados pelos midialivristas no fórum. À tarde, uma grande roda viva onde todos puderam participar e dar a sua contribuição.

No horário da manhã, as mesas de convidados fizeram a animação, tratando das questões relativas ao desenvolvimento do midialivrismo e da mídia e sua posição em relação à crise.

Na mesa que tratou da relação entre mídia e crise, os convidados Luiz Hernandez Navarro (La Jornada), Sandra Russo (Página 12), Pascual Serrano (Rebelión), Marcos Dantas (PUC-RJ), Joaquim Palhares (Carta Maior), Altamiro Borges (Vermelho), Joaquín Constanzo (IPS), Bernardo Kucinski e Ignácio Ramonet, traçaram um preciso e profundo quadro da mídia em relação à chamada crise, e mostraram que esta não se reduz ao seu viés econômico, mas é um crise do próprio jornalismo, além de responsabilizar diretamente a mídia pelo clima de horror que toma conta do cenário econômico.

Ignacio Ramonet, sempre lúcido, apontou os destroços do chamado neoliberalismo a partir da crise financeira. Para ele, a crise afeta não somente o espectro econômico, mas principalmente a credibilidade e força dos meios de comunicação, em estreita relação com as instâncias responsáveis pela irreponsabilidade do mercado. Ele pontou que o clima de desespero da mídia não vai muito longe, bastando para isso que o leitor perceba que a própria mídia, ela mesma participante da rede do sistema financeiro, está em ruínas. Ele apontou o surgimento de governos pró-esquerda na América Latina como uma evidência do enfraquecimento da mídia oficial, o qual deve ser aproveitado pelos midialivristas.

Silvia Russo, do periódico argentino Pagina 12, destacou o surgimento de um sentimento de cidadania e protagonismo na América do Sul. Ainda, para ela, o martírio da linguagem é o grande inimigo da comunicação. A expropriação da palavra pela grande mídia é um das armadilhas que existe contra a comunicação, e é neste campo que a mídia alternativa pode e deve atuar.

Midia Livre 03 por você.

Marcos Dantas, da PUC-RJ, salientou que a palavra mídia pode carregar um equívoco. Por detrás do termo mídia existem pessoas, profissionais, e mais, um patrão, que não é jornalista, e que pauta o jornal de acordo com os seus interesses. Ele cita o exemplo de Chico Mendes, que quando ganhou um prêmio internacional da ONU, foi notícia de pé de página no Jornal do Brasil, mas que, quando faleceu, o mesmo editor do jornal desengavetou uma entrevista feita por um jornalista e que, à época, não foi aproveitada. A lógica do mercado no jornalismo midiático. Dantas salienta que esta estrutura de mídia precisa ser enfraquecida, já que submeter a notícia à lógica do mercado é inverter o sentido público do jornalismo.

Para o combativo jornalista espanhol Pascual Serrano, a mídia deve ser responsabilizada não apenas por noticiar a crise com histeria, mas por fazer parte do sistema econômico-financeiro que a causou. Para ele, houve uma verdadeira expulsão do jornalismo pensante da grande mídia. A orientação mercadológica, ele sublinha, permite apenas aos analistas favoráveis ao discurso do patrão emitirem sua opinião em rede nacional. Ele cita o exemplo de um noticiário cubano, muitos meses antes da deflagração da queda das bolsas, onde vários jornalistas e analistas já anunciavam o que estaria por vir.

Midia Livre 05 por você.

O professor Bernardo Kucinski aponta o predomínio de um discurso genérico da mídia sobre a crise, procurando fazer prevalecer a tese da “naturalidade”, como se os resultados da temeridade dos financistas fosse algo natural. Ele sublinha por exemplo, que a crise sequer é mundial (nenhum banco na Índia faliu, nem no Japão, nem no Egito, por exemplo). Apontou ainda o viés político que a mídia nacional carrega em transformar a crise em algo maior do que ela é, com o objetivo de atingir o governo Lula. Citou ainda uma pesquisa sobre a financeirização da mídia econômica. Segundo ele, o trabalho citado mostra que os bancos investem desde muito tempo em departamentos de assessoria técnica econômica, que se transformaram em “fontes obsequiosas”, ávidas de transformar a versão do patrão em verdade factual. Para ele, paradoxalmente, quem melhor cobriu a crise americana foi a própria mídia Americana.

Para o periodista Joaquím Constanzo, a profissionalização da mídia alternativa é necessária para que se possa disputar em termos de audiência e amplitude. Ele cita o exemplo do IPS, onde trabalha, e que tem uma grande estrutura de jornalismo internacional, e mesmo assim “é uma gota no oceano” da informação. Segundo ele, a mídia, com seu alarmismo, tenta ocultar que a crise financeira significa o fim do modelo financista predatório.

Altamiro Borges, do site Vermelho, responsabiliza a mídia não apenas por criar um clima de terror econômico, mas de ser, ela mesma, a origem de toda a onda especulativa. Para ele, é preciso fortalecer a mídia alternativa, disputar as verbas governamentais em condição de igualdade com a mídia oficial, montar fóruns regionais de mídia e criar uma pauta nacional, sem subtrair a diversidade que caracteriza a mídia alternativa.

Para o argentino Luiz Hernandez Navarro, do La Jornada, a mídia mergulha numa crise sem ter resolvido a sua própria crise: a diminuição massiva do consumo de jornais e, menos massiva, mas significativa, da tevê, a deteriorização da profissão jornalística, a falta de sintonia com a atualidade e a transformação da informação em mercadoria. Na sua visão, a mídia alternativa deve focalizar a luta para que a informação continue sendo um bem público, e procurar impor a sua própria agenda em relação à mídia oficial.

Midia Livre 07 por você.

Joaquim Palhares, da Carta Maior, observou que o cenário da América do Sul é a prova de que o Fórum Social Mundial, oito anos atrás, já tinha a leitura do que hoje ocorreria. As mudanças no mundo tem uma forte relação com a circulação alternativa de informação, sobretudo na internet, e que permitiu o alinhamento mais à esquerda da América do Sul e a eleição de Obama nos EUA, por exemplo.

RODA VIDA DA LIVRE-MÍDIA

Midia Livre 11 por você.

No horário da tarde, fez-se uma grande roda, onde as temáticas eram apresentadas pelos próprios participantes do fórum. Dentre várias verbalizações, idéias e alternativas apresentadas nos segmentos de rádio comunitária, software livre, produção independente de informação, tevê e WebTV, internet e outros, este Bloguinho bateu um papo com a moçada da rádio 103 FM – A Voz da Resistência, de Belém:

Oque vivemos aqui no Pará em relaçào a radios comunitárias é uma discriminação, somos chamados de marginais, de derrubadores de aviões, e esperamos que com esse fórum possa mudar essa situação. Denunciamos a truculência da polícia federal, e já fomos presos, certa vez, por 19 agentes da PF, 05 agentes da anatel, fortemente armados. Neste dia, na outra sala estava um dos mandantes da morte da irma dorothy, falando ao telefone calmamente enquanto os integrantes das rádios eram coagidos a dedurar os colegas. E na última terça-feira, na semana passada, novamente outra batida da PF ocorreu, levando todo o nosso material.”

Também registramos o toque da moçada do Fórum de Tevê Alternativa, Documentaristas e WebTV:

A tevê alternativa tem como objetivo o registro das lutas sociais e a memória histórica, além da diversidade cultural, além do uso para informação das populações e dos movimentos sociais, indígenas, negros, estudantes, fazendo com que a câmera e a linguagem da produção de informação na tevê fosse apropriado pelos movimentos sociais. O audivisual é absolutamente pssível quando os movimentos sociais se apropriam da linguagem da tevê e constrói novas linguagens.”

Ao mesmo tempo, o companheiro Jacinto Mango, da Rádio Sol Mansi, de Guiné-Bissau, na África, nos falou sobre a potência-democrática das ondas de rádio por lá:

Trabalhamos no que era uma rádio comunitária católica, e que agora se transformou em tevê. São jovens que trabalham com vídeos, rádio e cinema, com o objetivo de transmitir valores culturais e educacionais da nossa sociedade, o objetivo é dar voz a quem não tem voz.”

Diretamente do Fórum de Produção de Conhecimentos Livre, o companheiro Marcos, do Intervozes, nos fala sobre o seu trabalho:

O processo de amadurescimento do laboratório está ligado à apropriação do conhecimento e a descentralização do conhecimento. Troca de experiências, e reflexão sobre as patentes do conhecimento, na arte, na literatura, na música, na cultura digital. O laboratório é o espaço de convergência de tudo isso. Estamos amadurescendo este espaço na UFPA, com cinema, grafismo digital, espaço que preserva o software livre.”

O movimento falou ainda sobre o perigo da Lei Azeredo e a vigilância na internet, lembrando que na frança o usuario que baixa conteudo em copiright é banido da internet, por que lá tem 4 provedores somente, e que a lei deveria virar-se ao contrário e trabalhar as licenças livres, já que atualmente tudo o que é colocado em sites como you tube, google, yahoo, pertence a eles, e não ao autor. Propriedade intelectual, modelo de licenciamento inaceitável da parte das gravadoras, o patenteamento dos transgenicos que transformam a vida em propriedade, e a discussão deve continuar nas oficinas de mídia livre do fórum.

Midia Livre 14 por você.

MIDIALIVRISTAS NA CAMINHADA DA ABERTURA DO FSM

O Fórum Mundial de Mídia Livre continua suas atividades na manhã de hoje, a partir das 9h, e às 15h, todos se dirigem para a Escadinha, ao lado da Estação das Docas, para a Marcha de Abertura. O FMML está acontecendo no antigo NPI, atual Escola de Aplicação da UFPA, à Av. Tancredo Neves (Perimetral), 1000 – Terra Firme.

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Wednesday, December 31, 2008

PREVISÕES DO BLOGUINHO INTEMPESTIVO PARA 2009

Acompanhando as junções-endurecidas de parte da sociedade brasileira em suas instâncias gerais que impedem a criação de uma sociedade mais prazerosa em que os guetos sociais sejam apenas lembranças de um tempo perverso, esse bloguinho intempestivo, munido das propriedades que extraiu de suas observações dessas junções-endurecidas, incorporou a trans-temporalidade-futura, e compôs todas as cenas, adereços, cenários, temas, roteiros e personagens, e, então, trouxe até o presente, o real, o incontestável, do que acontecerá em 2009 com certos personagens e entidades brasileiras. Vamos com fé, que a fé é a mestra do que não é. Ou, como versa o produto do pensamento dialético (Adorno/Horkheimer): “sempre tudo só é o que é, enquanto se torna o que não é”.

AS PREVISÕES INTEMPESTIVAS

0 – O governador do Estado de São Paulo, José Serra (PSDB), depois de considerar sua existência desde o tempo de criança de classe média paulistana, atravessando a crise de identidade da mocidade sublimada em folclórico líder estudantil, que lhe rendeu a alcunha de socialista, levando à um nostálgico exílio, até chegar a obsessão de querer presidir o Brasil, ancorado pela família Frias, da Folha de São Paulo, mesmo levando couro homérico de Lula, vai desistir do sonho desvisionado da Presidência da República, sair da “vida política” e se dedicar a experiências mutantes na Pensilvânia. Mas, antes indicará seu candidato à Presidência: Arthur ‘5,5%’ Neto.

0 – O prefeito eleito de Manaus, Amazonino Mendes, cassado, (ou provisório) em primeira instância pela magnânima juíza Maria Eunice Torres do Nascimento, ao ser informado pelo TSE de sua definitiva cassação, vai se recolher junto com seu amigo, o ex-poeta, Thiago de Mello, nas barrancas do rio Amazonas para escrever suas memórias: “A Ascensão e Queda de Uma Lenda Que Acabou no Sorriso da Piraíba”.

0 – O jogador Pelé vai se separar do cidadão Edson Arantes dos Nascimento. A separação vai causar profundas dores: ambos vão conhecer a miséria. Separados, não poderão conservar suas riquezas. Pelé, aos 69 anos (idade bilíngüe), impossibilitado de jogar bola para ganhar uns trocados, amargará a dor da companhia de suas lembranças-burguesas. Edson Arantes do Nascimento, não podendo mais explorar Pelé, viverá o desespero de todos os tiranos que viram seus escravos libertos.

0 – Ronaldo, “o fenômeno” das falsas percepções-eróticas, vai ser o artilheiro do Campeonato Brasileiro com gols feitos só com a perna-fantasma: a perna fenomenal da magia dos cartolas Corinthianos.

0 – Com o espírito vitorioso e a necessidade de renovação, a direção do Palmeiras contratará o ex-jogador Romário. Como o jogador de praia e baladas, igualmente com seu treinador Wanderley, é um marqueteiro de si mesmo, os dois vão reduzir o time ‘palestroso’ em dois personagens: um em campo fixo embaixo do travessão, e o outro na lateral do gramado observando o terno. Assim, o verdão mais uma vez amarelará o campeonato.

0 – A Câmara e o Senado, com o objetivo de combater a corrupção na vida política, aprovarão um Projeto de Lei onde só poderá se candidatar ao executivo e legislativo aquele que for submetido a uma prova de conhecimentos políticos. Avaliação no tipo OAB. As questões serão: O que é República? O que é Democracia? O que é Ética? O que é Cidadania? O que é Bem Comum? E por último, o que é Corrupção? Aprovado, o candidato vai encarar o povo sem direito de sequer ser publicada sua foto, só seu nome.

0 - Mãe Dináh vai abandonar sua profissão de vidente para se dedicar exclusivamente ao cinema em parceria com Zé do Caixão.

0 – Roberto Carlos se converterá à macrobiótica. Com essa decisão deixará de apresentar o peru de Natal da Globo. O que fará com que membros da ONG Preservadores Eco-Galináceos o convidem para ser seu presidente de honra.

0 - Daniel Dantas, em pleno meio dia de uma quarta-feira, vai à praça da Republica em São Paulo confessar todos seus crimes, pedir perdão ao delegado Protógenes, ao juiz De Sanctis, e devolver todo o dinheiro público que surrupiou. De quebra contará como aconteceu sua ascensão no governo Fernando Henrique, e sua amizade com a Veja, Época, IstoÉ, Folha de São Paulo, Estadão, O Globo, Rede Globo e congêneres.

0 – Fernando Henrique não suportando mais sua velhice sabotada pelo seu passado vaidoso, que hoje não lhe confere nenhuma atenção, a não ser a do ostracismo-erótico, observando o modelo de quietude e sublimidade de Oscar Niemeyer, queimará todos seus títulos, paletós e medalhas, e se converterá em monge nas terras perdidas do Himalaia.

0 - O senador Mão Santa terá uma estátua erguida em sua homenagem por seus ideólogos da direita. A estátua será uma mão aberta de 15 metros de altura por 10 metros de largura. No centro terá uma placa com os dizeres:”Uma mão deve lavar a outra”!

0 – O escritor Paulo Coelho confessará que nunca andou pelos Caminhos de Santiago. Tudo não passara de um sonho que ele tomou como realidade. Em razão da confissão, seus leitores despertarão de seus sonhos.

0 – O Vasco será campeão da Série B. Extasiado com o feito não subirá para primeira divisão. Para humilhar outros chamados clubes grandes, que também desceram, continuará na Série B para conquistar o Hexa-Campeonato. Título que nenhum clube tem.

0 – O amazonense presidente do Flamengo, Márcio Braga, frustrado com sua gestão no futebol carioca retornará para sua terra natal e se tornará técnico de time do Peladão.

0 – Murici, técnico do São Paulo, cansado com seu mal humor, deixará o futebol, fará um curso circense, e abrirá uma casa de Shows Cômicos. Será feliz e terá uma velhice alegre rodeada de palhaçinhos.

0 – Miriam Leitão, jornalista de economia das Organizações Globo, e inimiga fervorosa do governo Lula, fará um estágio no Financial Times em Nova York. Ao voltar para o Brasil, arrependida, cheia de culpa, por ter usado suas teclas para escrever artigos desastrosos contra a economia brasileira, se dedicará a escrever artigos sobre temas evangélicos no Blog do Paulo Henrique Amorim.

0 – A Rede Globo de Televisão fará profundas modificações em seu Jornal Nacional. Demitirá o casal isopor, Bonner/Simpson, e contratará para apresentar o jornal a dupla dinâmica Hebe Camargo & Silvio Luiz.

0 – O colunista da Folha e outros galhos, José Simão, explorador capitalístico da imagem dos macacos, participará de um Tour Amazônico, e no meio das borbulhanças emperiquitadas, será seqüestrado por uma horda de macacos Eco-Primatas. Então, será submetido a um ritual de passagem deixando o seu humano, demasiado humano, passando à ordem do primitivo-primário símio confinado na pré-história.

0 – Cantores urbanos-sertanejos passarão a sofrer de um grave transtorno-sonoro. Em todos os dias de seus show, diante da platéia, passarão a ouvir em seus interiores sons de animais dos interiores do Brasil. Para conseguirem cura terão que ser confinados na zona rural para serem tratados pela Terapia Jararaca e Ratinho com fórmulas musicais Tonico e Tinoco, Elomar, Xangai, Dércio Marques, entre tantas.

0 – Em Manaus bons ventos soprarão: vários condomínios das classes mais ricas sofreram rachaduras com a força dos ventos.

0 – O problema do transporte coletivo será solucionado: a população manauara adotará o ‘peciclo’.

0 – Finalmente quase todos os artistas de Manaus serão reconhecidos por uma grande entidade artística internacional. Receberão o prêmio PAC – Passividade Anestésica Coletiva.

0 – Certos blogueiros de tanto insistirem que seus blogs sejam réplicas das TVs, conseguirão uma concessão de sinal televisivo articulado na Câmara e no Senado pelo senador do PSDB, Eduardo Azeredo.

0 – Enfim, o cinema brasileiro abiscoitará um Oscar com o filme “Carmem Miranda Não Era Brasileira” dirigido no Brasil por um diretor de Hollywood.

0 – Por fim, sem fim, pois premonições são infinitas, dependendo da força da imaginação, o Brasil sofrerá a perda do maior símbolo de sua história política. Lula, depois de entender que sua imagem de companheiro construída em semelhança as faces de Che e Fidel, acreditando que o Brasil independente, produzindo sua própria história, não precisa mais de sua imagem revolucionária de companheiro, fará a barba.

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Sunday, December 21, 2008

A ONDA BLOGUEIRA E A KOMBI DO GILMAR

O Ministro Gilmar Mendes, em afável reunião de amigos realizada nas dependências da TV Cultura de São Paulo semana passada, afirmou acreditar que os blogueiros da mídia alternativa (ou os Sem-Mídia, como se intitulam), não existem. Ao amigo Paulo Markun, aquele que denunciou o colega Waldimir Herzog só ao avistar o alicate, e que estava temeroso de uma invasão bloguística no programa “Roda Viva”, ele acalmou:

Essas pessoas não existem, são pessoas de ficção (sic) na maioria delas. Eu disse, esses protestantes, esses protestadores, Markun, não conseguem encher uma kombi. E era verdade, não apareceu ninguém, apesar dessa conversa fiada, quer dizer, nós temos aí acho que gente metida em guerra comercial, incomodada com decisões do Tribunal, e estão querendo criar esse tipo de movimento. Alguns deles impressionam. Mas nós todos que somos profissionais, que estamos na vida pública, sabemos que eles não têm qualquer qualificação”.

CONSIDERAÇÕES SOBRE O EXERCÍCIO DA JUSTIÇA

A idéia de justiça remonta aos primórdios da socialidade. Ela surge a partir da transição do Direito Natural ao Direito Civil: momento em que a garantia da integridade física do indivíduo torna-se necessária para manter o tecido social, bem mais complexo que o criado pelo gregarismo.

A partir do trabalho e da produção social, cria-se uma cidade, uma con-vivência, e cabe ao Direito Civil, ou a sua forma constituída – os poderes: legislativo, executivo, judiciário, no caso do Estado Burguês - “adequar” o sentido de justiça, sem perder de vista o equilíbrio entre o individual e o coletivo.

No entanto, para o direito ético, num entendimento Spinozista, não há distinção entre o individual e o coletivo: quanto mais evoluída no plano da potência democrática é a cidade, menos conflitos entre o individual e o coletivo. Para isso, para Spinoza, é necessário existirem pessoas com capacidade superior para exercer as funções. A um jurista, por exemplo, cabe a faculdade intelectual da abstração: compreensão dos fatos para além da sua efetividade momentânea, fazendo da justiça não uma valoração, mas uma produção de um outro olhar. Assim o fez, por exemplo, o sábio Salomão, que mostrou às duas mulheres, com simplicidade, que o valor da vida é superior ao valor da posse.

GILMAR PELA PSICANÁLISE

Gilmar Mendes afirma crer que as pessoas que lhes são discordantes e que escrevem em blogues não existam. Recurso psíquico descrito na semiologia psicanalítica como denegação: mecanismo de defesa classificado como um dos mais arcaicos, no sentido evolutivo do termo. Em resumo, o indivíduo que denega o faz por ser incapaz de lidar com ameaças ao seu modo de existir em outros planos, como por exemplo, o da razão, o da argumentação. Ao suprimir a existência do conteúdo ameaçador, o aparelho psíquico encontra uma débil compensação: crê não na eliminação da ameaça, mas na sua inexistência. O mecanismo é considerado arcaico porque remete aos primórdios da infância, quando as representações do outro e de si ainda não estão definidas.

Evidente, Gilmar não denega a existência dos blogueiros – apenas afirma que eles não cabem em uma kombi – mas denega, e aí está o mais perigoso, o discurso que desestabiliza as certezas que ele carrega. Não as enfrenta pelo uso da razão, pela via do diálogo, mas tão somente tenta – em vão – lhes negar o estatuto da existência. Característica que, ultrapassado o quesito individual e transbordando no coletivo, deu em ditaduras. Pessoas que padecem desta enfermidade são perigosas à democracia.

Gilmar Mendes acredita nos grampos no STF. Os grampos eram falsos. Gilmar Mendes acredita no “estado policial”. Mas só o invoca seletivamente, quando a polícia captura um dos que não se comprimem na base da pirâmide social. Gilmar crê na inocência de Daniel ‘Mendes’ Dantas a priori, mas também crê na culpabilidade de Protógenes e De Sanctis, ad infinitum. Gilmar não sabe, mas na feira móvel da prefeitura de Manaus, onde se compra diariamente o peixe, as verduras e a farinha do almoço dos beneficiários do Bolsa-Família, muitos não sabem o que é um blog, mas todos sabem quem é o ministro que soltou duas vezes o banqueiro corrupto que a polícia federal prendeu. Sintomático? Para piorar: Gilmar acredita na revista Veja.

GILMAR PELA ESQUIZOANÁLISE

Quantos blogueiros cabem em uma kombi? A metáfora mendiana tem razão de ser. A kombi é um veículo de massas, de transporte de massas, feito para carregar essa gente que pode ser algemada pela polícia sem que os policiais sejam ameaçados pelos STF.

Mendes emite enunciados, reverbera a subjetividade laminadora do capital. Afirma acreditar que a opinião blogueira seja “guerra comercial”, como se o dinheiro fosse o signo-móbil da existência humana. Quem nasceu primeiro, o homem ou o dinheiro? Para o sujeito-sujeitado da relação do capital, reduzido ele próprio ao fetiche da mercadoria, não há distinção. A Gilmar, preso nesta trama, deve custar acreditar que exista algo por detrás da conta bancária. Democracia, por exemplo. Inteligência, opinião pública, coisas que o dinheiro não faz e não compra, senão como simulacro.

Gilmar crê no número. Outra característica epistemologicamente arcaica. O movimento não é extensivo; é intensivo. Um blogueiro intempestivo é muitos, porque ele é produção desejante de enunciações outras, que não as que capturam pela dor e pelo ressentimento. Jamais caberiam em uma kombi, porque o território é outro. Gilmar não compreende, mas sente. E sofre. Por isso necessita do afago da TV Cultura em lhe cercar de ‘amigos’ na entrevista televisiva. Na própria Diamantino, onde a família Mendes conta com ‘facilidades’, a onda bloguística chegou: o prefeito eleito, quando candidato, ameaçado de morte por encarar os desmandos mendianos, foi eleito, com folga.

A rede democrática intensiva não se reduz ao blogue. Ela se faz na inteligência coletiva, da qual até ele, Gilmar, faz parte.

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Thursday, December 18, 2008

AFIN ENCONTRA COM JUÍZA MARIA EUNICE E LANÇA A CAMPANHA CONSTITUTIVA PELA DEMOCRACIA ELEITORAL

Nesta quarta-feira, os afinados encontraram-se com a juíza Maria Eunice Torres, para discutir os acontecimentos que envolvem a cassação do candidato Amazonino, a atuação dela, dos movimentos sociais, do tribunal, a justiça em Manaus e no Brasil, e a onda intensiva que se cria pela inteligência coletiva, e pela potencialização da rede democrática.

Os afinados encontraram uma Maria Eunice bela, como a vitória obtida para a democracia brasileira e manauense, serena, com o olhar terno, o sorriso aberto e convidativo ao diálogo. Uma juíza filosofante, com a potência-ativa da educação, que entende a importância do lugar que ora ocupa, apesar de se saber incapturável: “eu não tenho lugar”. Desterritorializante Eunice, que encontra os afinados na alegria de produções intensivas: a onda, Campanha Constitutiva Pela Democracia Eleitoral.

A Campanha Constitutiva é um engendramento coletivo cuja declinação diferencial, onda infinitesimal que engendra o movimento e a linha de fuga, foi a inédita cassação de um candidato que cometeu crime eleitoral, e antes da diplomação: a justiça, com Maria, não tardou, nem falhou. Pontuação histórica? Não. Somente os orgulhosos desejam a história, como o governante perverso que se vinga dos desafetos batizando com seus nomes escolas, viadutos e pontes. Mas a justiça encontrou seu desvio infinitesimal em Maria Eunice. Desta potência desviante, engrendrar-se-ão turbulências. O clinâmen da justiça manoniquim chama-se Maria Eunice, não a individualidade, mas a potência intempestiva. Depois dela nada mais será como antes.

A tarde correu alegremente, num clima meteorológico e afetivológico propício ao diálogo, à alegria, ao aumento das potências de agir e da produção intensiva de afectos e perceptos. Teceu-se a rede filosofante, outras pessoas, também queridas, vieram compor outros dizeres e contribuir com a sua inteligência.

Este Bloguinho Intempestivo traz ao leitor um pequeno apanhado dos temas que foram tocados por Maria Eunice no papo afinado, que revelou a potência democrática que não se quer mais do que é: essencial.


A JUSTIÇA, COMO A FILOSOFIA, NÃO É EXTERIOR AO MUNDO

Maria Eunice começou falando sobre a necessidade de se envolver nas coisas da cidade para poder atuar num sentido de promover a justiça. Eunice, na sua fala democrática e pedagógica, cita um de uma empregada doméstica, que tem fome, sofre com o transporte coletivo, e paradoxalmente tem que abandonar os próprios filhos para cuidar dos filhos alheios. Eunice mostra que, na maioria das vezes, os patrões culpabilizam a empregada, atuando de forma judicativa, sem no entanto conhecer a realidade social daquela pessoa. “Muitas vezes aquela pessoa rouba porque não tem o que comer, e os patrões denunciam sem conhecer a realidade dela”, diz. Eunice sabe que a justiça não se afasta das condições materiais necessárias ao convívio digno, e que a democracia não começa nas instituições macropolíticas, mas se dá, primeiramente, nas relações sociais, familiares, casais…

OS ERROS DA DEFESA DE AMAZONINO E A CONVICÇÃO DE UM TRABALHO EM EQUIPE

Eunice disse que a decisão de cassar a candidatura de Amazonino partiu de um trabalho que começou com a polícia federal, envolveu o Ministério Público Eleitoral, e foi fruto de uma análise profunda e da convicção de que as evidências mostravam o delito. Ela explicou que um Embargo de Declaração (o recurso usado pela defesa de Amazonino) é um recurso usado pelo advogado de defesa para apontar supostos pontos obscuros na decisão do juiz. A convicção de que a análise foi correta pautou Maria Eunice, que não aceitou a liminar da desembargadora Graça Figueiredo, primeiro porque esta manobra abriria novo prazo para a defesa, e segundo porque, para que esta abertura ocorresse, seria necessário que existissem os pontos obscuros, o que não é o caso da decisão, que conta com o aval da procuradoria do Ministério Público Eleitoral. Maria Eunice ainda esclareceu que o Direito Eleitoral carrega uma peculiaridade que passou despercebida no despacho da desembargadora: ele não aceita ações impeditivas, mas somente as de caráter devolutivo. Por isso o desejo por parte da defesa de Amazonino de que o processo fosse para uma instância superior. Somente lá o erro conceitual da liminar concedida poderia ser “consertado”, como efetivamente o foi, pelo juiz Agliberto [nossa parte: O Sorridente]. Somente assim, Amazonino conseguiu garantir, em regime de exceção, a diplomação e a posse.

VITÓRIA DE PIRRO: AMAZONINO CONTINUA CASSADO PELA DISTRIBUIÇÃO DE COMBUSTÍVEL…

Maria Eunice foi enfática ao afirmar que os recursos movidos pela defesa e aceitos pelo Pleno não modificam a condição jurídica do candidato: Amazonino continua cassado, e somente uma decisão em instância superior poderá modificar esta condição. Amazonino, portanto, diploma e assume sub judice.

E PODE SER CONDENADO POR OUTRO PROCESSO: A MULTA

Eunice comentou que desconhece se o outro processo sobre a candidatura de Amazonino, que versa sobre a multa não paga referente ao pleito de 2004, e que o TRE/AM absolveu o candidato com o voto de minerva (que a deusa nada tem com isso) do presidente do TRE/AM, Ari Moutinho ‘Pai’, ainda está neste âmbito ou se já passou ao TSE, mas não foi encerrado. E completa: este processo é ainda mais grave que o da compra do combustível, e pode ser decisivo para a cassação.

O ORGULHO DE SER AMAZONENSE NÃO PASSA PELO MARKETING GOVERNAMENTAL

Questionada sobre a presença de um secretário estadual no Pleno do TRE/AM na hora da reunião, Maria Eunice afirmou ser esta uma prática comum, e que interesses comuns devem permear as duas esferas, para que o secretário se faça presente. Ela lembrou ainda que, ao observarmos a atuação dos governos e a atuação da magistratura eleitoral no caso Amazonino, fica fácil perceber que o orgulho de ser amazonense fica somente no marketing governamental de fim de ano. Eunice define bem as mudanças que vêm ocorrendo: “O Direito muda, e a sociedade precisa desta mudança”.

A FILOSOFANTE MARIA EUNICE CONTINUA A LUTA E DIZ O QUE MUDOU

Maria Eunice, com serenidade, que nada tem a ver com a passividade que a imprensa comprometida, afirmou que fará cada coisa a seu tempo. Enquanto assinava um documento para iniciar a sua defesa diante do afastamento, ela afirmou que vai ao CNJ levar ao exame do órgão os acontecimentos ocorridos nas últimas semanas, e explicou que não foi afastada na segunda-feira por falta de motivação. Com a justificativa de que não julgou as contas de campanha de Amazonino, foi afastada da função. Maria Eunice ponderou que a dificuldade no julgamento da conta se deu por causa do candidato, que literalmente se escondia na hora de ser notificado. Para ela, o que mudou foi o fato de um candidato, pela primeira vez, ter sido cassado em tempo recorde, antes da diplomação, fato inédito, mas segundo ela, inerente ao direito eleitoral, cuja característica principal deveria ser a celeridade.

DESDOBRAMENTOS DO PROCESSO: AMAZONINO ESQUENTARÁ A CADEIRA DE PREFEITO?

Segundo Maria Eunice, se houver recurso do Ministério Público, o processo ’sobe’ automaticamente para o TSE. A sentença está definida, Amazonino está cassado. O que será apreciado ainda é se o recurso do candidato cassado é extemporâneo ou não (dentro ou fora do prazo). A sentença não está em jogo, pois quando o recurso foi apresentado, ela já estava transitada em julgado. E só poderá ser modificada no tribunal. Após essa modificação (ou não), o MPE poderá recorrer ao TSE onde, acredita-se, Amazonino não terá “facilidades”.


ALGUNS COMENTÁRIOS DE LEITORES INTEMPESTIVOS SOBRE O TRABALHO DA JUÍZA MARIA EUNICE TORRES

Maria Eunice, uma mulher especial corajosa, inteligente, honesta, humana, sempre muito sensata nas suas decisões, digo tudo isso porque conheço seu trabalho desde o interior, não foi à toa que recebeu uma homenagem dos cidadãos de Codajás como cidadã Codajaense.
Sempre atendeu todos sem discriminação, sempre usou a lei com rigor doesse a quem doesse, pois estamos a favor da Dra. Sabemos que ela é uma mulher justa. O que está incomodando os políticos e aqueles que têm interesse em cargo público, é que a Dra. Eunice não tem preço, estamos felizes e orgulhosos em ter uma mulher de fibra no nosso Estado, pois ela esta fazendo valer o Direito. Parabéns!!!!!
Gostaria de saber se podemos fazer algum movimento a favor da Dra. Eunice se caso tirarem da Presidência do Pleito? Fiquei sabendo que hoje o Pleno vai reunir para tirá-la então vamos nos movimentar ir para frente do TRE e vamos fazer história junto com essa mulher!!!! (Bibi).

Isto é a prova que a justiça ainda pode ser feita, acredito que Amazonino deposto é a maior prova que a democracia luta pela verdade e está contra este grupo que está no poder há três décadas e é um círculo vicioso. Se Deus tem algo a ver, discordo, justiça dos homens é feita na terra, Amazonino que se acerte com Deus ou o diabo” (Mayara).

Notícias como esta, de que uma juíza julgou um fato de tal natureza, é de deixar os brasileiros com a esperança de ainda existe justiça neste país. Espero sinceramente que a justiça seja feita, pois se um candidato, para ganhar uma eleição, compra fotos, não deixa de ser corrupto. Parabéns Vossa Excelência” (Adriana).

As Marias, são as Marias, Maria, Mãe de Jesus, Maria da Penha, Maria Eunice Torres Nascimento e as milhares de Marias trabalhadoras. Mas
Maria Eu Nice está no Alto ela é Torres e as torres vislumbram a aurora e o anoitecer ela é vigilante e sendo vigilange ela vê o Nascimento, nascimento de uma nova ordem jurídica neste Estado há mais de 25 anos comandado por esses homens brutos, insensíveis, pois para eles governar é se dar bem, enquanto o povo sofre. Maria Eu Nice com sua flexa tomou uma decisão jamais tomada neste Estado, cassou a candidatura de uma pessoa ruim para o povo - uma pessoa que faz parte dos desmandos neste Estado. Que Viva as Marias, mais que a Juíza Maria Eunice viva muito, porque ela neste momento é a nossa Maria e como Maria ela é linda e linda ela produz vida e a vida constrói nossa existência” (Manuel Pinheiro, bairro Mutirão).

Não estou em manaus desde janeiro, mas ando acompanhando o blog intempestivo. E ficando até que feliz com o que anda acontecendo no caso do prefeito cassado. Pensei que Manaus não teria jeito, mas até agora temos tido alegria, apesar de estar em Boa Vista, onde a violência e exclusao imperam absolutas. Abraços” (Márcio Ricardo de Souza).

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