JUDAS ESCAPA DA MALHAÇÃO DE LULA E DA DIREITA
O filósofo Karl Marx diz que o fetichismo é um absurdo. Ele surge como a ilusão da consciência social produzida na objetividade pela abstração do objeto real (matéria) transformado em aparência (reificação) como senso comum e recognição de valor. O discurso que permeia as relações dessa sociedade iludida como sustentação de suas representações alienadas. O absurdo do fetiche.
Assim, para que o sujeito-fetichizado possa escapar da ilusão da consciência social, é preciso que ele eleve sua faculdade social ao exercício transcendente de seus sentidos e sua cognição, quebrando a unidade (desalienação) das representações (Mesmo) como senso comum. Nada do que fizeram Lula e a direita em relação à ilusão da consciência social apresentada na dogmática cristã como fetiche: Judas. Judas como traição. Moralidade repulsiva. Aparência do Judas histórico. O que serve como modelo do mal para impedir as boas amizades. O discurso moral que recorreram Lula e a direita.
Ninguém precisa ler Marx, Nietzsche, Deleuze e outros filósofos para saber que Cristo carregava a potência do amor, a singularidade que liberta as almas (mentes) oprimidas. Por isso, ele foi o mais amoroso, o engajado na sociedade dos amigos da vida como força criativa da alegria em comunidade, onde não prevalece a culpa, o ressentimento, o rancor, a dívida, a resignação, o ideal ascético e a depressão coletiva, fonte onde bebem os tiranos. Dessa forma, conhecendo o espírito opressivo dominante comandado politicamente pelo Império Romano decadente, e a teo-político dos judeus de sua época que escravizavam as almas coletivas, encetou o movimento de libertação dessas almas individuais para que pudessem, consequentemente, se libertar da prisão coletiva imposta pelos tiranos.
Também ninguém precisa ler alguns filósofos para saber que Judas, antes de encontrar Cristo – como também depois –, era um militante político das coisas terrenas, e não propugnava uma liberdade teo-metafísica. Sua questão era com o Estado Romano. Quando se aliou a Cristo, acreditava que Cristo poderia ser um bom companheiro para a causa que lutava. Libertar o povo da força tirânica. Aí, seu erro político. Cristo, como um ser livre, tinha a liberdade como uma condição ontológica sustentada pelo amor comunalidade, que recusa qualquer tipo de chefia, de liderança. Onde todos os homens livres são responsáveis pela vida em sociedade. Nada do que Judas e os apóstolos entendiam de Cristo. Não entendiam o sentido elementar da existência. Só uma alma individual livre pode pensar as almas aprisionadas coletivamente, e tentar libertá-las. É preciso estar livre em si para se libertar da prisão coletiva. Caso contrário, tentar a liberdade coletiva, sem liberdade individual, é reagir pela força alienada da ilusão da consciência social em forma de fetiche. O falso problema social.
Lula fala da necessidade de alianças numéricas para aprovar projetos. Judas, para ele, seria mais um número. A democracia que se mantém com números é uma democracia dos falsos problemas; portanto, terá sempre falsas soluções. A democracia é potência criadora de seus reais problemas com suas reais soluções. Mas o Executivo e o Legislativo têm em seus representes a expressão da ilusão da consciência social. Principalmente a direita. Daí sua reação irracional quanto ao entendimento de Judas. Tão alienada quanto a de Lula. Consciência tão fetichizada que não percebe que se não fosse criada a “traição” de Judas, a dogmática da dor, da dívida, da depressão, da redenção, da culpa e do imponente credor não existiria.
No mais, recorrendo a Judas para seus falsos problemas, como ilusão da consciência social, malharam o fetiche absurdo e não o personagem histórico. Nada de Cristo Democrático.








