Thursday, June 25, 2009

ENQUANTO O RESULTADO DO PROCESSO SELETIVO DA SEC-AM NÃO SAI…

Enquanto o resultado do Processo Seletivo da Secretaria Estadual de Cultura do Amazonas (SEC) não sai, diversos comentários são feitos cotidianamente aqui neste bloguinho sobre desconfianças quanto à lisura do processo. Trazemos aqui um destes comentários, feito pelo blogante Carlos Magno como resposta ao blogante Diego, que não é apenas um simples comentário, mas pontua certas questões que quase sempre rondam processos seletivos e concursos públicos no Amazonas.

Sou também funcionário público, do CETAM (concursado), e a bancada está sofrendo pressão para colocar na lista de seleção alguns nomes, já previamente escolhidos pela SEC. Se isso for acatado, mais de 85% dos classificados já estão nos seus postos de trabalho. Nada vai mudar. Exemplo, a profissão de guia de turismo é regulamentada desde 1983 por lei presidencial, isto é, só pode exercê-la quem tem curso de guia de turismo e for cadastrado no Ministério do Turismo. O CETAM fez o último curso de guia de turismo do estado do Amazonas, mais de 60 alunos concluíram e hoje estão habilitados a exercer a profissão. Há 32 vagas a serem preenchidas, nós do CETAM sabemos que deveríamos selecionar somente os concorrentes certificados e habilitados, mas chegou uma lista onde somente há uma pessoa certificada e habilitada. As outras são estagiários que estão nos centros culturais exercendo a função sem habilitação, só que no edital pede certificação na área e selecionar estes concorrentes é ilegal, mas vai falar isto para uma secretaria de Estado. Outra coisa, que lugar é este que os concursos e seleções são assim verificados, de acordo com os jornais locais, os setores (gabinetes, secretarias) estão cheios de sobrenomes dos políticos que nós, infelizmente, votamos. Nos jornais nacionais, idem. Último caso, SENADO. Quase todos os cargos foram seleções curriculares e alguns foram concursos públicos. Você é mais funcionário público do que eu? Se você se candidatar não voto em você. Você é concursado (cargo comissionado, estagiário, regime suplementar) ou selecionado curricular?

Se, quando sair o resultado, algum dos participantes que, por ventura venham a denunciar alguma falseação neste ou em outro processo seletivo, e quiser estabelecer seus direitos de forma jurídica, este bloguinho se dispõe a publicar a questão como forma de minar essa prática tão antiga e danosa de lesa cidadania, e assim preservar um processo democrático.

A todos os que aguardam o resultado do processo seletivo da SEC

Segundo informações publicadas na imprensa, o edital foi publicado antes da aprovação, por parte da ALE/AM, dos recursos necessários para a contratação e pagamento destes profissionais. Na prática, estas contratações não haviam sido aprovadas pelo executivo e pelo legislativo. Daí que os resultados, que já estariam concluídos, terem de aguardar o posicionamento da Assembléia e do governador, que pode, inclusive, anular o certame.

É preciso se mobilizar para evitar mais uma edição dos desconcursados, agora em versão “desprocessados”.

Qualquer nova informação, o bloguinho intempestivo estará divulgando neste local.

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Sunday, June 7, 2009

DIVULGADO RESULTADO DO PROCESSO SELETIVO DA FUNDAÇÃO MEDICINA TROPICAL

Atenção a todos que se inscreveram no processo seletivo da Fundação Medicina tropical! Acesse a página da Fundação para ver o resultado, clicando no link abaixo:

http://www.fmt.am.gov.br/CONTRATA/Resultadso_Processo_Seletivo_2009_Emergencial.pdf

Para todos os aprovados, parabéns! Que essa contratação sirva, além do vínculo empregatício contingenciador de uma cambada de bodó, a farinha e o sal pra preparar o pirão e ainda aquela talagada da Melhor, como forma de democratização necessária da medicina amazonense, historicamente tão precária.

Para os tantos que deixaram comentários neste bloguinho, colocando dúvidas quanto à lisura desse processo seletivo, se for o caso de procurar o Ministério Público, apressem-se, pois essa medida também é democrática e salutar para este e outros processos, seja para confirmar sua lisura ou falseação.

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Monday, May 25, 2009

E O AMAZONAS NO PROGRAMA INTERNACIONAL DE AVALIAÇÃO DE ALUNOS?

O PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) é um programa de avaliação que compara diferentes países a partir do rendimento educacional de alunos na faixa dos 15 anos a partir da 7ª série do ensino fundamental.

O PISA é organizado internacionalmente pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), tendo em cada país um órgão organizador. No Brasil, é o Instituto Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP).

Os conteúdos abordados são Leitura, Matemática e Ciências, e a cada ano uma dessas áreas é escolhida como ênfase do programa. Além disso, tenta-se diferenciar essa avaliação por levar em conta situações práticas e não apenas “decorativas”:

O PISA pretende ir além desse conhecimento escolar, examinando a capacidade dos alunos de analisar, raciocinar e refletir ativamente sobre seus conhecimentos e experiências, enfocando competências que serão relevantes para suas vidas futuras.”

O PISA 2009 tem como ênfase a Leitura e ocorre durante toda esta semana (de 25 a 29 de maio) em 587 municípios de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal. Aí é que está o problema: o Amazonas irá participar.

O ENTENDIMENTO DA DUPLA BRAGA/GEDEÃO DE QUALIDADE DE ENSINO

Sabe-se que o Ministério da Educação (MEC), desde que Lula assumiu a presidência e Fernando Haddad a pasta da Educação, tem atuado para tornar o ensino mais dinâmico e diminuir as barreiras históricas de divisões classistas e segregações raciais, mas todo esse trabalho acaba dependendo das práticas educacionais desenvolvida nos estados.

E a cada ano que passa vê-se que o Governo do Estado do Amazonas tem negligenciado o trabalho de melhoria educacional: o Amazonas, ano a ano, está entre os mais fracos rendimentos no Enem e no Ideb.

Pior do que os baixos índices educacionais é a realidade que faz interface com esses números. Ausência de recursos na maioria das escolas. Alguma que aparece com melhores aparelhamentos, como determinados centros de excelência, servem mais para o marketing governamental. No que diz respeito à prática docente, nunca houve um trabalho de formação que atualizasse as percepções educativas para as transformações sociais e subjetivas.

Hoje o secretário de Educação do Amazonas, Gedeão Timóteo Amorim demonstrou todo seu entendimento do trabalho educacional ao declarar em jornal de Manaus que a SEDUC-AM pretende punir professores que não alcançarem as metas; ou seja, que não trabalhe para que os alunos se deem bem nas provas que, ano a ano, tem se dado mal.

O motivo de Gedeão fazer tal ameaça, totalmente antieducativa, é o fato de o (des)governo Braga ter dado um tíbio reajuste de 5% para os professores na semana passada.

Embora tenha surpreendido grande parte dos professores, que, acostumados a sofrer violentações com o autoritarismo governamental Amazonino bateu o pé nos 3,25%, e não quer “nenhum papo com os professores” , não esperavam tal reajuste, ainda assim ele ficou abaixo das perdas salariais, que foram de 6,09%.

Agora, com essa chantagem, vem o motivo de o governo ter feito o reajuste, e também deixa vazar o entendimento do governador e do secretário Gedeão, que é formado em filosofia. Acreditar que o problema poderá ser resolvido simplesmente em barganhas financeiras é não ter o menor entendimento do conceito de educação.

Há décadas que se houve denúncias a respeito de desvios de verbas educacionais. Além de garantir que o dinheiro público será empregado na melhoria do sistema educacional, a questão passa, principalmente, por uma questão de alteração subjetiva, que é compreender, como diria Karl Marx, que não existe educação sem liberdade e envolvimento, e que a chantagem, a imposição, a ameaça, a ignorância, a perseguição não tem nada a ver com Educação. Se continuar assim, além de estar sempre na lanterna das avaliações nacionais, o Amazonas tentará colocar também o Brasil entre os piores, não num sentido de competição, mas principalmente na prática; ou seja, que a escola não está auxiliando na totalidade existencial dos estudantes na sua formação cidadã.

Mas é que há uma distância intransponível entre um secretário de Educação formado em filosofia e um filósofo.

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Sunday, May 24, 2009

GOVERNO DO ESTADO COMEMORA O FRACASSO DA ESCOLA FUNDAMENTAL NO AMAZONAS

O secretário de educação do governo Braga, Gedeão Amorim, diante do resultado da pesquisa divulgada pelo IBGE, que mostra a liderança do Estado no número de jovens a partir de 15 anos matriculados em aulas de alfabetização, comemorou. De acordo com declarações publicadas na imprensa, Gedeão afirmou que este é o resultado do trabalho empreendido pelo governo na educação, e que a meta é chegar a 4% de analfabetos no Estado.

O conceito de analfabetismo propalado pelos governos (inclusive o federal, que começa a modificar este entendimento a partir do novo ENEM) é o de alguém que não dispõe do conhecimento aplicável ao uso de signos gráficos necessários à leitura e à escrita. Recognição, reconhecimento de letras e palavras escritas. E não vai além disso. A leitura, que envolve a decodificação dos signos gráficos do alfabeto, vai muito além: ela engloba o próprio existir e o seu compromisso com a coletividade. Uma leitura da sua própria condição no mundo, para que seja possível pensar um mundo onde tais condições não sejam mais possíveis. Neste sentido, todas as pessoas são escritoras, já dizia o companheiro Sartre. Mesmo quem não dispõe do conhecimento do uso dos signos gráficos.

Daí um governo que se vanglorie de ter o maior contingente de jovens analfabetos e que precisam se matricular em cursos de alfabetização é também um governo que se orgulha (para usar um termo caro ao governo Braga – e ao bolso dos cidadão!) de que suas escolas não estão conseguindo alfabetizar as crianças. E se o governo falha na mínima tafera de propiciar aos seus cidadãos a familiaridade com os signos gráficos, é porque está à anos-luz de proporcionar uma escola organicamente envolvida com a comunidade. E quando a escola abandona a comunidade, o aluno abandona a escola.

ALFABETIZAÇÃO AFINADA NÃO SE REDUZ AO LETRAMENTO

A AFIN, Associação Filosofia Itinerante, tem entre seus vetores intensivos o projeto de Alfabetização de Jovens e Adultos como um processual intensivo de saberes e dizeres, que emanam da potência desejante dos estudantes, envolvidos nas questões da cidade. Trata-se de evidenciar com eles a leitura de mundo que já possuem e que é resultante do processual do existir, inserindo apenas o aspecto técnico da decodificação dos signos gráficos (leitura) e produção de dizeres e saberes na linguagem gráfica (escrita). Desfazendo assim a mistificação hierarquizante da moral capitalística que coloca o chamado ‘analfabeto’ (não existem analfabetos) está numa escala inferior.

A primeira turma de estudantes está concluindo a etapa da leitura e escrita, e escolheu como mote o nome da companheira Damiana, falecida em acidente automobilístico, e que era estudante, não conhecia a técnica das letras e das palavras, mas era conhecedora da leitura-mundo, sabia o que acontecia daqui até o último bastião do universo, e discutia todos os assuntos com a sabedoria que a verdadeira leitura traz. Ela sabia, por exemplo, que só interessam aos governos os números, e que com estes os governantes se contentam, esquecendo que cada número daquela estatística tem sonhos, expectativas, desejos, e precisa comer, vestir, pensar, amar. Entendimento este que não consta no otimismo da secretaria de educação quando vê evidenciada na pesquisa o fracasso do ensino fundamental no Estado do Amazonas.

Embora realize este projeto sem a ajuda de nenhuma entidade governamental ou não-governamental, e conte apenas com o apoio desejante de seus membros, a AFIN, enquanto entidade sem fins lucrativos de agenciamento de fluxos, afectos, perceptos, saberes e dizeres na inteligência coletiva, até topa uma parceria com o governo do Estado para ampliar o projeto de Educação de Jovens e Adultos. Desde que a AFIN entre com a metodologia processual, a concepção do projeto como Novo, o entendimento filosofante dos saberes, dizeres que perpassam os estudantes, e o governo entre apenas com aquilo que lhe compete: devolver os impostos pagos pelo contribuinte em ações efetivas de cidadania ativa.

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Monday, May 18, 2009

AS IMPREVISÕES DO TEMPO NOS GOVERNOS CATASTRÓFICOS

As alagações nos diversos estados brasileiros, sobretudo no Amazonas, demonstram a possibilidade de dois crimes impetrados, ano a ano, pelos (des)governos à população: incapacidade de perceber a emergência de fenômenos naturais que afetarão a população e/ou descaso em relação à população, que a faz padecer.

Os fenômenos são naturais, e cheia no Amazonas ocorre todos os anos, como já dissemos aqui nesse bloguinho há dois anos passados, e que também foi observado recentemente pelo deputado federal Francisco Praciano, ao dizer que “cheia na Amazônia não pode ser surpresa”. Por isso, quando vemos nas imagens apresentadas na televisão a situação desesperadora, principalmente dos pequenos agricultores e pecuaristas, sabemos que tais situações podiam ser muito bem evitadas. E por que não o são? Justamente por que a intensificação dos fenômenos naturais é antinatural, como disse a senadora Marina Silva e as ações que poderiam diminuir seus impactos na população são retardados pelos governos vitimais.

DO PADECIMENTO AO COMPADECIMENTO

Na sequencia ao padecimento da população vem logo o compadecimento do governador. As imagens da semana passada demonstraram bem esses governos que fortalecem suas imagens justamente com a população que eles, criminalmente, humilhantemente, violentam e vitimam. A primeira foi do vice-governador Omar “vinde a mim” Aziz distribuindo os cartões do SOS Enchente. A segunda foi do governador Eduardo “guerreiro de sempre” Braga resgatando lixo no igarapé do São Raimundo.

Essa estratégia de marketing, típica dos políticos demagogos, foi muito empregada no passado pelo prefeito cassado Amazonino. Agora que este tenta o truque de fazer desaparecer a si mesmo, como um de seus pupilos, Braga não poderia deixar de fazer uso da estratégia. A imagem emplaca bem com o sentimento cristão e os valores ocidentais de piedade e solidariedade. Uma estratégia tão antiquada e retrógrada que ficaria bem numa cena de romance naturalista do final do século XIX.

A EMERGÊNCIA DO ESTADO DE EMERGÊNCIA

Para garantir os custos da estratégia, os governos, emergentemente, decretam estado de emergência, enviando pedido de verbas para o governo federal, como fez recentemente Amazonino cassado. O que levou o vereador José Ricardo a pedir o acompanhamento e fiscalização desses recursos públicos: “Precisamos saber quanto será gasto com essa ajuda e para quem chegarão esses recursos”. Ele lembrou que foram disponibilizados R$ 9 milhões no estado de emergência lançado no início do ano para as obras de tapa-buracos e que só foram “concluídas somente 18% das obras previstas para serem concluídas em 120 dias”.

E assim, enquanto os fenômenos naturais vão sendo colocados como catástrofe, os políticos vitimais-demagogos vão lucrando com a barganha de recursos públicos e com a imagem salvadora, quando poderiam há muito tempo ter realocado pessoas, distribuído auxílio antes de plantas, animais e pessoas morrerem ou ficarem tão fragilizadas em situação vitimal.

A proporção da enchente pode até ser maior do que a de outros anos, mas mesmo isso já fora previsto até nas previsões de tempo televisivas. O que esses políticos não sabem é que essa imagem já é clichê antigo e se percebe nelas algo como um falso hálibe de criminoso tentando se passar por vítima e herói ao mesmo tempo. Mas desses a população já sabe que não há nada que se possa dizer natural, tudo falseações degeneradas, fraude, simulações.

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Saturday, May 16, 2009

EDITAL PROCESSO SELETIVO SECRETARIA ESTADUAL DE CULTURA DO AMAZONAS

O Governo do Estado, através do CETAM, irá realizar processo seletivo para preencher 490 vagas em regime temporário, que trabalharão na Secretaria Estadual de Cultura, num período que varia de um a quatro anos, nas seguintes áreas:

Assistente Técnico de Engenharia, Administrador, Advogado, Antropólogo, Arqueólogo, Arquiteto, Assistente Social, Bibliotecário, Estatístico, Historiador, Jornalista, Comunicador Social, Psicólogo, Redator, Relações Públicas, Restaurador, Técnico de Planejamento, Técnico de Informática, Turismólogo, Pedagogo, Museólogo, Curador, Bacharel em Filosofia, Engenheiro Civil, Economista, Arquivista, além de vagas para ensino médio em diversas áreas.

Os proventos estão entre 1.025,00 e 3.256,00.

O candidato deverá realizar depósito de 15 reais na conta corrente 37147-5, agência 3053-8, Banco do Brasil, e se dirigir ao sambódromo nos dias 21 ou 22 deste mês, no horário das 08 às 12h ou das 13 às 17h, munido de currículo, RG e documentos de comprovação de escolaridade e experiência, para preencher a ficha de inscrição. Depois, é aguardar o resultado.

Aos que ficarem, que carreguem o entendimento cultural para além da “mesa farta”, que confunde arte com cultura gastroconsumista, e auxiliem na produção de outros signos, para além da capturação dos saberes instituídos, e que engendrem uma produção cultural ativa, vinda de um devir-povo.

Leia aqui o edital:

Edital – Parte 1

Edital – Parte 2

Edital – Parte 3

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Monday, May 4, 2009

GOVERNO DO AMAZONAS CONFUNDE LULA, O PRESIDENTE, COM LULA, O MOLUSCO

O imaginário popular está repleto de imagens produzidas a partir das relações humanas – demasiado humanas! - com os chamados animais. Embora estes nada tenham com isso, essa força imagética é tão forte e presente que na maioria das vezes suplanta o entendimento que se possa ter sobre determinado animal.

Assim, por exemplo, alguns deles são associados à virtudes ou falhas humanas de forma que essas imagens – não os animais! - acabam por se tornar estereótipos destas características humanas. Por exemplo, o burro, cujo nome tornou-se sinônimo de pouca ou nenhuma atividade intelectiva, ou veado, que se tornou sinônimo homofóbico para o homoerótico. Ou mesmo as fábulas, que usavam os animais como personagens-vetores para carregar nas crianças a moral.

Diz-se da imagem do molusco que é associada a um cérebro lento, a alguém considerado inadequado à velocidade da reprodução dos dizeres e da signagem estereotípica da sociade de consumo. “Lerdo”, como se diz. “Aquele tem a inteligência de um molusco!”

Aí surge mais uma do anedotário popular, trazido pelo blogue amigo, “Amigos do Presidente Lula”:

“Conjunto Habitacional Lula.” Esse era o nome original de um conjunto que seria entregue pelo governo do Amazonas a 206 famílias, na segunda-feira 27. Mas, um dia antes do evento, uma comissão da Presidência visitou o local e alertou: o nome do Presidente, ali, poderia pegar mal. Motivo: o próprio Lula (com Dilma Rousseff e o ministro das Cidades, Márcio Fortes) compareceria à inauguração e, segundo a legislação, é proibido dar nome de pessoa viva a bem público. O governo do Amazonas argumentou: o “Lula” da placa “não se referia ao presidente, mas, sim, ao molusco”. Não colou. O conjunto foi rebatizado às pressas: virou “Cidadão IX”.

Diante da coerência da assessoria do presidente Lula e da genial “solução” dada pelo governo do Amazonas, orgulhosamente gerido por Eduardo Braga, o qual tem familiares homenageados em obras públicas por todo o Estado, de todas as idades, qual seria, da coleção de imagens da moral fabulística, o animal cuja imagem moralmente corresponderia ao seu governo? Leitor intempestivo, palpite!

Outro aspecto, um tanto fúnebre da história, é que, depois desta gafe em que o governo do Estado assumiu nacionalmente que descumpre a lei que impede que obras públicas sejam batizados com nomes de pessoas vivas, se ainda assim o governador Eduardo ‘Lula Molusco’ Braga quiser dar o nome do Sapo/Anta Barbudo para a ponte do Rio Negro, vai ter de torcer para que o presidente morra…

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Thursday, April 30, 2009

ENEM - DEPUTADOS DO AM COMEMORAM O FRACASSO

Diz o adágio popular que “a beleza está nos olhos de quem vê”. Transpondo o termo beleza para o termo conhecimento, o adágio remete à compreensão que a opinião resulta de um conceito pessoal, deixando de lado o que é tido como realidade. O sujeito opinante opina de acordo com sua condição no mundo, alijando o complexo social. Um recurso perigoso de tentar fazer prevalecer uma visão reduzida a si mesma sobre a visão coletiva.

Este o perigo apresentado hoje na Assembléia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) por deputados que apóiam o governador Eduardo Braga. Com o resultado sofrível divulgado pelo ENEM sobre as escolas estaduais do Amazonas, classificadas, em seu conjunto, em 23º, com 46,53 pontos — o estado do Pará está no 13º lugar, com 48.15 pontos, e nem por isso está comemorando —, os deputados fragmentam a realidade do ensino público, por dever do ofício de servir o governador, ou por limitação cognitiva sobre o que é educação pública, procurando pôr em seu lugar um simulacro (o que não se assemelha ao real) tecido como imagem positiva do governo no ensino público.

Desta maneira, o que em outros causa grande preocupação, nos deputados-desrealizados, é motivo de comemoração. Uma exposição insuspeita da lógica do fracasso como modelo a ser perseguido. Uma comemoração que faz com que cada dia mais aumente na população a desconfiança no ensino proporcionado pelo governo, que investe em massa no marketing enquanto se afasta das políticas sociais que a população necessita, evidenciando o entendimento que se não fossem os programas do governo federal pouco se teria que afirmar desta administração.

Todavia, para piorar o ensino no estado, o fracasso não se reduz apenas às escolas públicas, atinge também todas as escolas privadas — cujo funcionamento encontra-se sob as leis do ensino e avaliação administrativa do estado ―, onde a que obteve a maior nota conseguiu 6.9 pontos. Pouco, para quem vive exclusivamente do ensino de mercado, já que tem como modelo de ensino o endereçamento do aluno para o mercado capitalista. O mercador que precisa ser preservado, segundo estas empresas de ensino. Mas seguindo esta lógica, esta futura mão de obra vai implodir o sistema. O que para alguns seria o ‘bicho’.

Em síntese, a comemoração dos deputados, além de demonstrar o grau de desrealidade e subserviência, mostra outro perigo: suas próprias formações intelectuais divorciadas do grau superior de inteligência que exige a democracia para os cargos políticos necessária para examinar as realidades opressivas e tentar desativá-las racionalmente para que o povo possa continuamente tornar-se cidadão.

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Friday, April 24, 2009

DESCONCURSADOS SUSAM/SEMSA SE MOBILIZAM PARA REIVINDICAR NOMEAÇÕES

A Comissão dos Concursados da Semsa enviou a este bloguinho o texto abaixo reproduzido, o qual traz notícias sobre a situação dos “desconcursados”, que fizeram concurso público, preenchem todos os requisitos necessários, mas dependem da chamada por parte do governo do estado (SUSAM) e da prefeitura de Manaus (SEMSA).

Aproveitam também para envolver a Câmara Municipal de Manaus nesta discussão, o que não deveria ser necessário, já que o problema é da ordem social – e não se trata das vagas individualmente, mas dos recursos e da própria gestão da saúde como política pública – e da alçada desta casa legislativa. Mas, diante da atual legislatura (e das anteriores, iguais)…

MOBILIZAÇÃO

Os aprovados em concurso público realizado em 2005 pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e que ainda não foram convocados estão se mobilizando para não deixar o prazo expirar sem que todos sejam nomeados.

O técnico em enfermagem Pedro Jefferson Ribeiro de Oliveira, 28, foi o 1.107º colocado para as 1.200 vagas oferecidas na categoria dele. “Já foram chamados 901 técnicos e a nossa preocupação é com o prazo que vence em agosto”, diz.
Na semana passada uma comissão de concursados esteve na Câmara Municipal e deixou uma carta no gabinete de cada um dos 33 vereadores. “Queremos o apoio dos parlamentares junto à prefeitura”, enfatiza Oliveira.

A Semsa informa que, das 5.428 vagas oferecidas no concurso realizado pelo órgão em maio de 2005, apenas 275 pessoas aprovadas ainda não foram convocadas. Desde a homologação do resultado, 5.153 vagas já foram preenchidas com os aprovados. A validade do concurso é até o dia 8 de agosto deste ano e o secretário municipal de Saúde, Francisco Deodato, tranquiliza os classificados, afirmando que a prefeitura só poderá fazer novo processo seletivo se for para cargos não contemplados no concurso de 2005 ou que já tenham sido esgotadas as quantidades de vagas oferecidas no edital.

Observação: a SEMSA esta incorreta com a quantidade de candidatos a serem convocados, pois só com os cirurgiões-dentistas faltam convocar 84 profissionais e 299 tecnicos de enfermagem!

SUSAM

A mesma apreensão dos concursados da Semsa é vivida por quem fez o concurso da Secretaria Estadual de Saúde (Susam), em 2005 e ainda não foi chamado. O concurso foi prorrogado em junho de 2007 e terá seu prazo encerrado em junho deste ano.
Por meio da Assessoria de Comunicação Social, a Susam informa que o concurso abriu 10.206 vagas para todos os níveis na capital e interior do Estado, mas foram aprovados apenas 8.736 candidatos. Até agora foram chamados 6.457 e os outros 2.279 devem ser convocados até o final do prazo.

CARTA AOS VEREADORES

COMISSÃO DOS CONCURSADOS DA SEMSA

ASSUNTO – NOMEAÇÃO DOS CONCURSADOS SEMSA/2005

Prezado Vereador,

Vimos, através desta, manifestar nossos anseios e preocupações com a situação dos concursados da SEMSA visando às vagas ofertas em Edital 001/2005. Sabe-se que em um país de Estado Democrático de Direito, o concurso público é instituído na nossa Constituição Federal tanto como uma maneira de proporcionar a todos o acesso ao serviço público quanto fornecer à população assistida pelos órgãos do poder municipal, estadual e federal, profissionais qualificados que engrandecerão os serviços ofertados por tais órgãos. De acordo com o edital supracitado houve sucessivas convocações, em que alguns cargos foram agraciados com chamadas além das vagas oferecidas em detrimento de outros que não atingiram o número de vagas previstas. Conscientes de que estamos em nova gestão, e que a presente administração adquiriu da outrora o difícil trabalho de alocação de recursos tanto humanos quanto econômicos, agravado pela crise econômica mundial que chegou a atingir a esfera nacional, nossa grande apreensão situa-se no tempo decorrido de espera que já ultrapassa os 3 (três) anos corridos e a presente demora da convocação dos restantes dos aprovados e classificados. Urge diante destes fatos a imediata convocação considerando que o certame prescreverá em 08 de agosto do ano corrente.

De acordo com o levantamento desta comissão, observou-se um número expressivo de candidatos a serem convocados. Desta forma solicitamos a compreensão e o apoio para a resolução deste problema ímpar, dado que muitos dos concursados aprovados são pais de família, alguns desempregados, outros de estados de origem diferentes que empenharam suas vidas para viverem como cidadãos neste estado a qual implantaram raízes.

Para proporcionar uma visão da quantidade expressiva de candidatos ansiosos por ocuparem seus cargos, segue em anexo a listagem de candidatos em respectivas áreas que ainda dentro das vagas oferecidas aguardam nomeação.

Certos de que contamos com a compreensão de Vossa Senhoria e o apoio para esta demanda social,

Gratos desde já,

Comissão dos Concursados da SEMSA

Danielle Ferreira de Carvalho – Fisioterapeuta

Evania Alves Tito – Fisioterapeuta

Lucilene Portela da Silva – Nutricionista

Maria das Graças Silva Sarmento – Cirurgiã-Dentista

Denise Silva de Freitas Mendes – Técnico de Enfermagem

Pedro Jefferson Ribeiro de Oliveira – Técnico de Enfermagem

Maria Eugênia dos Santos Paes -  Fisioterapeuta

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Friday, April 17, 2009

A EMERGÊNCIA QUE O GOVERNO BRAGA NÃO VIU

A palavra ‘emergência’ carrega no seu sentido etimológico uma aproximação com a palavra acontecimento. No plano filosófico, emergência significa a irrupção, a visibilidade de elementos que estavam atuando, e no entanto ainda não se faziam visíveis. Eles se fazem assim quando as composições afetivas-afetantes se combinam num estado de coisas que literalmente emergem (emergência) no plano da existência.

No social, uma emergência surge como vetor resultante das diversas recorrências que perpassam o plano social em uma época. Algo emerge como figura, e que antes não se dissociava do fundo. Mas já estava lá como possível ou como recorrência: o devir histórico (Foucault).

Daí, politicamente, só se constituir verdadeira emergência um acontecimento que surja das atuações das pessoas em coletividade, corpos afecções sociais, democráticos e que aparecem numa visibilidade pública como produto da razão e do diálogo. Daí, por exemplo, a alcunhada crise não ser, para a esquerda, uma verdadeir crise. Não houve recorrências, não houve correlação de forças nem modificação no estado de coisas.

O mesmo vale para o estado de emergência decretado pelo governo Braga em todo o Amazonas, por conta da cheia. Não há emergência alguma no plano social, já que a ação do governo Braga, bem como de seus antecessores, já carregava, em sua imobilidade, como existente, esta cheia. Apenas a natureza, que nada tem com isso, posto que não é da alçada do humano, demasiado humano, fez a sua parte, com o aumento do nível de precipitação atmosférica. Mas as condições para que este aumento se transforme em catástrofe social não são naturais, são produto da relação do homem com o chamado ambiente. E, principalmente, destes governos, que não souberam fazer a leitura das recorrências, que desaguaram na miséria social, na falta de moradia, de saneamento, de desenvolvimento econômico com distribuição de renda. As verdadeiras emergências das quais a cheia não é senão uma consequência.

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