“Eu entro em campo para ser feliz.”
Valdívia, craque chileno
////////////// O APELIDO FAZ O NOME
O futebol é uma festa. Mesmo quando sedimentado pelas ambições capitalistas, sempre há uma fissura para ele se mostrar alegre. Há sempre uma ginga, uma queda e, acima de tudo, um apelido. O apelido, torcida brasileira. O apelido. O apelido tem história gloriosa no futebol. Está duvidando? Então, leva esta entre as pernas: Garrincha! Gostou do apelido? Que mais prova de futebol alegre embalado pelo apelido?
O rebentinho nasce, colocam um nome nele, aí ele cresce, vai pra rua, começa a chutar uns caroços de tucumã, depois uma bola de papel, depois uma de plástico, e quem é que dá brilho na Dendeca? O apelido. Em casa podem até chamá-lo pelo nome familiar, mas quando está só, lembrando da pelada, ele se vê outro. E, vendo-se, sorri alegre: é seu futebol seu nome.
Em Manaus, vários apelidos pontuaram o futebol. Cada qual a mais alegre exibição esportiva. Teve Zamundo, Catita, Gordinho, Tapioca, Pepeta, Rolinha, Padeirinho, Limão, Burra Preta, Bololô, Gato, Pretinho, Buiú, Buião, Purgante, Sula, Dadá, entre tantos.
Ocorre, porém, que muitos jogadores têm apelidos, mas não são apelidos produzidos nos encadeamentos dos elementos sociais produzidos na práxis da vizinhança como acontece com o garoto que passa a ser chamado por um apelido saído de suas relações com os companheiros de folguedos na rua. Aqueles jogadores têm apelidos produzidos nos próprios corpus familiais com seus laços privados e indiferente às ocorrências das ruas. São apelidos para proteger a força do nome instituído pela família. Poder-se-ia dizer, evocando, de certa forma, a esquizo-análise, apelidos do campo neurótico. Bons exemplos: Kaká, Robinho, Fabinho e muitos outros. São apelidos que não carregam a potência criativa do apelido ‘arruaceiro’. Apelido que se torna nome identificador da atuação do menino na rua. O apelido esquizo, criador. Apelido, Garrincha.
##### B – BRASILEIRÃO
Em Campinas, dois times tentaram jogar para validar o preço do ingresso do torcedor. Quase que não validavam, e o caso ia parar no Procom, mas não precisou: até que valeu o bilhete.
Um, permitiu que a Dendeca realizasse seu desejo: transfigurando-se em gols. Primeiro ‘time’, na segunda parte da segunda dezena do ‘time’, Ricardo Xavier para o Bugre de Campinas. No segundo ‘time’, o velho – velho para o futebol, mas novo para o Rock (dia 13 é Dia do Rock, não esquece) – e bom Iranildo marcou no começo do ‘time’ para a equipe do “Planalto Centra, onde se divide, se divide o bem e o mal” (Pessoal do Ceará), Brasiliense. “44 minutos, torcida brasileira. Guarani 1, Brasiliense 1. É a última volta do ponteiro”. Saca só, mano. O cara de costas para o goleiro, na esquina da grande área, atrás dele 3 brasilienses, 4 com o goleiro, ele viu o companheiro… saca só, passar pela sua esquerda, e deu de calcanhar, de costas, a Dendeca passou insinuante pelos 3 brasas e foi colar gostosinha no pé direito… saca só, do Dario, que acabara de entrar. Porrada! Lá foi a Dendeca, já cansada, dormir na rede amarela do Brasa.
Uma partida interessante. O Guarani, até sabe articular, mas tem entrave nas finalizações. Não chuta, e quando chuta é no corpo do adversário. Acerta o corpo inteiro dos rivais: cabeças, mãos, braços, barrigas, e principalmente as bundas. Sim, porque os caras não são otários para ficar de frente e levar uma Dendecada no rosto que mamãe beijou.
Sabe, meu, o Brasa até que é uma equipe aplicada. Tem jogadores mais para o Rock, mas ainda dão uns dribles e têm boas pegadas.
3 cenas para observações: 2 cômicas e 1, cacete, refutável:
1 – Jogador do Guarani entra na pequena área pela esquerda, vai chutar e enterra o bico da chuteira no gramado, mais ou menos meio metro de distância da bola.
2 – Zagueiro do Brasa disputando a Dendeca com um atacante do Bugre na pequena área, próximo da linha de fundo cai, e sai se arrastando uns três metros como um jacaré, sem poder parar.
3 – Injustificável. O jogador Márcio Alemão, do Guarani, recorreu à discriminação racial para ofender o jogador do Brasa. Atitude inaceitável em qualquer lugar e ocasião do mundo.
No mais, palmas para a torcida alegre e contagiante.
“Prepare o seu coração pras coisas que eu vou contar. Eu venho lá do sertão…” Apesar do Juventude andar caindo pelas tabelas, e a brisa não cantar, jogou bem a peleja, mas foi exatamente Fábio Junior, depois de tentar ‘fazer a hora’ e não conseguir que aos 44 e meio do segundo ‘time’, quando tudo parecia que ia ficar como começou, descolou o Campinense de Campina Grande, terra do destemido e talentoso cantor e compositor Geraldo Vandré: abriu e fechou o placar. Fábio Junior cantou no ouvido de dois zagueiros do Juven, os dois gostaram, e ele ajumentou atravessado da esquerda, o goleiraço ainda tentou agarrar a Dendeca entre o travessão, mas era muito amor, amor em fúria: a Dendeca passou como um bólido. Loucura de paixão. Dizem que na Paraíba é assim. Muito amor, e a Dendeca aproveitou.
Com a ajuda da Dendeca, o Campinense deixou a última colocação, e seus craques podem cair na fuzarca ao som de Elba Ramalho.
No mais, é encarar a carne de sol, ou ensopado de caranguejo, com uma boa pinga de alambique. A torcida merece.
)))))))))))) LAMBANÇAS DO FUTEBOL
,,,,,,,,,,,,,,,, Pelé quer que a FIFA estabeleça um salário base para os jogadores. Segundo ele (Pelé ou Edson?), para evitar a movimentação exorbitante de grana nas transações de compra e venda dos jogadores. É muita onda. Logo eles, Pelé e Edson, com este papo, os maiores marketeiros das multinacionais que patrocinam a FIFA/Blatter.
,,,,,,,,,,,,,,,, Diretoria do Palmeiras diz que vai dar mais um tempo para Muricy decidir se quer dirigir o Palmeiras. Acredita que vai dar tudo certo na contratação do quase eterno ex- sãopaulino. Desconfia-se, em verdade, que a diretoria está é, supersticiosamente, esperando que o técnico provisório, Jorginho, continue dando certo com o time periquito/porco, como vem acontecendo.
,,,,,,,,,,,,,,,, O jogador Carlos Alberto, enquanto não resolve suas andanças de caixeiro-viajante, o Tribunal Esportivo vai lhe condenando a 4 partidas, onde duas já foram cumpridas. Se o andarilho do futebol não resolver sua questão comercial, ele continuará no Vascão. Dizem que é o que a torcida cruzmaltina anseia.
,,,,,,,,,,,,,,,, Ronaldo, vulgo Jaca que cai, em programa de televisão, duvidou que a maior torcida do Brasil é a do Mengão, para ele é a do Timão. Arrepiado com a afirmação do Jaca, o sensível dirigente do Rubro Negro, rubro de despeito, Kleber Leite, tirou um sarro do baladeiro, a Jaca que cai, e ainda afirmou que o corintiano estava agora em nova profissão: humorista.
Agora ele ia ganhar a bicicleta. Tem bicho: o pai agarrou o pênalti da vitória.