Saturday, October 24, 2009

MANAUS, MANAUS, MANAUS… DESPERTA, MANAUS!

Fotos: AFIN

Fotos: AFIN

 Hoje é dia 24 de outubro de 2009. Em 24 de outubro de 1848 a Lei N° 145 promulgada pela Assembléia Provincial do Pará instituiu Manaus como cidade com o nome Barra do Rio Negro. Entretanto, foi exatamente em 4 de setembro de 1856, que se instituiu como cidade de Manaus.

Em decorrência de posições antagônicas políticas e econômicas que pretendiam maior independência local para se livrar das decisões vindas do Pará, em 5 de setembro de 1850, o Imperador Dom Pedro II sancionou o projeto aprovado pela Câmara criando a Província do Amazonas.

Na luta pela independência do Amazonas destacou-se um personagem: João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha. Visto pelo Império como um homem de confiança, foi nomeado pelos colonizadores em 7 de julho de 1851, tornando-se governador da Província do Amazonas. Hoje, nos livros didáticos considerado o primeiro governador do Amazonas.

As lutas política, econômica, social e cultural para tornar o Brasil República alcançaram seus objetivos em 1889, quando o Brasil tornou-se uma República Federativa. Foi assim, que em meio a essa nova realidade política brasileira que o Amazonas livrou-se do julgo da condição de Província, e passou a ser Estado. 

MANAUS, QUE CIDADE!

A Terra como planeta errante está duplicada em Substância-Natureza-Naturante  e Cultura. A Cultura é a produção humana emergida como produto criativo dos sentidos e da razão. Embora o homem seja natureza, seus atos estão mais relacionados aos seus objetos e idéias culturais. Cultuando os significados culturais, ele, os tomas como sua própria vida e reage de acordo com esses enunciados.

Esta semana, em Manaus, as escolas, órgãos do governo e entidades particulares se esmeraram em cultuar a data considera como de comemoração do aniversário da cidade. Os professores mandaram os alunos pesquisarem sobre a história de Manaus, os órgãos governamentais estimularam seus agentes com a névoa manauara, assim como as entidades particulares. Uma espécie de memória orgulhosa de seu passado. Mas há uma certa ironia neste passado orgulhoso. Foi exatamente a natureza quem proporcionou o elemento que iria dar à cidade a sua face cruel. Iria mostra o quanto é fantasiosa essa cultura. O badalado ciclo do látex, também conhecido como ciclo da borracha. A borracha que serviu muito para seus exploradores, mas nãos serviu para apagar a memória do sofrimento causado nesse período.

Triste trópicalidade. Um clima e uma vegetação mostram a tara das classes exaltadoras da cultura. A Manaus-Paris, foi construída sobre os sofrimento dos índios, caboclos, mestiços e nordestinos para fazer valer as fantasias e os delírios capitalistas no fim do século XIX e começo do século XX.

E é exatamente esse fator passado cruel que mais domina a consciência social de grande parte dos manauaras, principalmente dos governantes. A Paris que nunca fomos. A não ser em nossa imaginação colonizada, que não nos permite  sequer elevar-nos à condição de província. Manaus, triste trópico que não tendo a alegria para comemorar, comemora a dor.

Que memória nossa. Um passado que alcançamos porque não somos felizes hoje. Em nós, o filósofo Nietzsche, é confirmador:”Apenas o que não cessa de causar dor fica na memória”

Então, passeemos com essa memória. Deleitemo-nos com essas fotos da arquitetura cidade-fantasma em nossa pós-modernidade urbana do “novo” fantasmal.

Fotos: AFIN

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Friday, October 23, 2009

JUDAS ESCAPA DA MALHAÇÃO DE LULA E DA DIREITA

O filósofo Karl Marx diz que o fetichismo é um absurdo. Ele surge como a ilusão da consciência social produzida na objetividade pela abstração do objeto real (matéria) transformado em aparência (reificação) como senso comum e recognição de valor. O discurso que permeia as relações dessa sociedade iludida como sustentação de suas representações alienadas. O absurdo do fetiche.

Assim, para que o sujeito-fetichizado possa escapar da ilusão da consciência social, é preciso que ele eleve sua faculdade social ao exercício transcendente de seus sentidos e sua cognição, quebrando a unidade (desalienação) das representações (Mesmo) como senso comum. Nada do que fizeram Lula e a direita em relação à ilusão da consciência social apresentada na dogmática cristã como fetiche: Judas. Judas como traição. Moralidade repulsiva. Aparência do Judas histórico. O que serve como modelo do mal para impedir as boas amizades. O discurso moral que recorreram Lula e a direita.

Ninguém precisa ler Marx, Nietzsche, Deleuze e outros filósofos para saber que Cristo carregava a potência do amor, a singularidade que liberta as almas (mentes) oprimidas. Por isso, ele foi o mais amoroso, o engajado na sociedade dos amigos da vida como força criativa da alegria em comunidade, onde não prevalece a culpa, o ressentimento, o rancor, a dívida, a resignação, o ideal ascético e a depressão coletiva, fonte onde bebem os tiranos. Dessa forma, conhecendo o espírito opressivo dominante comandado politicamente pelo Império Romano decadente, e a teo-político dos judeus de sua época que escravizavam as almas coletivas, encetou o movimento de libertação dessas almas individuais para que pudessem, consequentemente, se libertar da prisão coletiva imposta pelos tiranos.

Também ninguém precisa ler alguns filósofos para saber que Judas, antes de encontrar Cristo – como também depois –, era um militante político das coisas terrenas, e não propugnava uma liberdade teo-metafísica. Sua questão era com o Estado Romano. Quando se aliou a Cristo, acreditava que Cristo poderia ser um bom companheiro para a causa que lutava. Libertar o povo da força tirânica. Aí, seu erro político. Cristo, como um ser livre, tinha a liberdade como uma condição ontológica sustentada pelo amor comunalidade, que recusa qualquer tipo de chefia, de liderança. Onde todos os homens livres são responsáveis pela vida em sociedade. Nada do que Judas e os apóstolos entendiam de Cristo. Não entendiam o sentido elementar da existência. Só uma alma individual livre pode pensar as almas aprisionadas coletivamente, e tentar libertá-las. É preciso estar livre em si para se libertar da prisão coletiva. Caso contrário, tentar a liberdade coletiva, sem liberdade individual, é reagir pela força alienada da ilusão da consciência social em forma de fetiche. O falso problema social.

Lula fala da necessidade de alianças numéricas para aprovar projetos. Judas, para ele, seria mais um número. A democracia que se mantém com números é uma democracia dos falsos problemas; portanto, terá sempre falsas soluções. A democracia é potência criadora de seus reais problemas com suas reais soluções. Mas o Executivo e o Legislativo têm em seus representes a expressão da ilusão da consciência social. Principalmente a direita. Daí sua reação irracional quanto ao entendimento de Judas. Tão alienada quanto a de Lula. Consciência tão fetichizada que não percebe que se não fosse criada a “traição” de Judas, a dogmática da dor, da dívida, da depressão, da redenção, da culpa e do imponente credor não existiria.

No mais, recorrendo a Judas para seus falsos problemas, como ilusão da consciência social, malharam o fetiche absurdo e não o personagem histórico. Nada de Cristo Democrático.

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Wednesday, October 21, 2009

PARA LIBERTAR O VOTO

A democracia representativa, como regime político determinado pelo Estado Ocidental, carrega um discurso que, embora tenha como fundamentação o conceito de direito do povo, também se constitui como corpo social clivado por uma moralidade que se mostra como seu próprio elemento interno antagônico. O que impede que a democracia representativa seja a expressão do conteúdo dos desejos de todos, e sim a expressão dos conteúdos de alguns.

Essa moralidade que cliva o corpo social se manifesta através das reações mitificadas e mistificadas que grande parte da sociedade carrega. São as reações supersticiosas e imaginativas que impulsionam esta grande parte da sociedade à dependência a uma personagem tomada por ela como uma espécie de benfeitor. Aquele que conduz o consolo, a recompensa, o alívio, a dedicação e o reconhecimento. Uma conduta que faz a superstição negar a fórmula do filósofo Hegel de que o real é racional, e o racional é real.

Percorrendo todos os quadrantes históricos do território Ocidental, essa moralidade dogmatizada se instalou como forma de consciência real e passou a ser o modelo de relações sociais que permeiam o regime democrático representativo. Fundada, então, como real, o sujeito-eleitor passou a ter um entendimento de que seu voto é uma força para confirmar e assegurar este real. Assim sendo, como o real não é racional, todas a tentativas de soluções perseguidas nessa sociedade são falsas, já que não sendo essa sociedade racional, os problemas ditos democráticos são falsos problemas.

OS FALSOS PROBLEMAS E OS EXPLORADORES

São considerados como falsos problemas aqueles cujas soluções não foram produzidas pelo desejo racional da sociedade, mas por forças do inebriamento que os elementos místicos e míticos impuseram à percepção e ao entendimento como realidade. E é nessa ordem da percepção e do entendimento ofuscados que emergem os candidatos que usam estes elementos como objetos de sedução do voto. É nesse zona fronteiriça entre o real e o supersticioso que agem, principalmente, os candidatos tele-sacerdotes. A zona inebriada do sofrimento, onde o voto encontra-se preso vitimado pela ausência de racionalidade.

É nessa zona que se tem que produzir outras formas de percepções e cognições, afetos e saberes, para que as forças mistificadoras e mitificadoras enfraqueçam para o voto emergir livre como potência racional democrática. E o sujeito-eleitor possa examinar sua situação no mundo e agir como sujeito-eleitor criador histórico da democracia. Caso contrário, mesmo com políticas públicas realizadas, ele se manterá na zona inebriada, sempre vitimado, e em posição passiva à espera dos tele-sacerdotes Sabino, Tabosa, Socorro Sampaio, Conceição Sampaio, Marcos Rota, Dirce Sales, Nonato Oliveira, Henrique Oliveira, e – esperamos que não -, os irmãos Souza.

Desta forma, emergido livre como sujeito-eleitor real até as forças opressoras comandadas pelos responsáveis pelas administrações das concessões públicas dos meios de comunicação enfraquecerão, e assim estas concessões se constituirão em produtoras da comunicação-cidadania.

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Wednesday, October 7, 2009

PC do B ENVOLTO AO ÓPIO DO POVO

A singularidade do pensamento do filósofo Karl Marx está na facilidade como examinou a sociedade capitalista e enunciou o produto desse exame como condição de possíveis desdobramentos históricos. Toda sua crítica social é sempre uma ultrapassagem do presente criticado, como também germe de ultrapassagem do futuro ainda não tornado objeto da crítica. Nele, nada está terminado como o ápice do conhecimento como põe a epistemologia burguesa. Tudo se encontra em um continuum, em forma de rachadura, fissura, rasura, hiato por onde passam potências históricas capazes ou de criar novos conceitos históricos, ou de deslocar significados de objetos conhecidos para outros objetos, que, embora figurativamente se mostrem diferentes, entretanto, possuem a mesma função social. Objeto cujo enunciado social fica oculto para o sujeito acrítico que, envolto no realismo ingênuo, acredita que cada objeto possui sua identidade-conceito definidos em si mesmo e sua forma isolados dos outros objetos que compõe a realidade social.

A OBJETIVIDADE ACRÍTICA DO PC do B

O PC do B do Amazonas - locação Manaus - ao anunciar a filiação do ex-deputado, tele-sacerdote Nonato Oliveira, como seu novo membro apresenta à sociedade - como poderia afirmar o outro filósofo alemão, Nietzsche - o pathos da distância em que está acometido quanto ao pensamento moderno – ou pós-moderno – do filósofo Karl Marx. O partido, que se toma em Manaus como comunista, desprovido da crítica como método de análise social, envolto nas cintilações/imobilizadoras, névoa sedutora do governo reacionário-burguês Eduardo Braga, não percebe e nem entende que o “ópio do povo” que a critica da religião feita por Karl Marx, mostrada no século XIX, não tinha como forma sensível, significação conceitual e função social, exclusivamente, a própria religião, mas todas as formas de narcóticos sociais que alienam os homens, que, desesperados, são abatidos no “coração de uma mundo sem coração”  e suspiram como “criatura oprimida”, produto de uma “época sem espírito” objetivada como “vale de lágrimas”.

O “ópio do povo”, em Manaus, são os programas miserabilizantes conduzidos pelos tele-sacerdotes no seio do seu “vale de lágrimas” social. O consolo dos aflitos, através de palavras e objetos desprovidos de materialidade social, responsáveis pelas forças produtivas, abstraem o homem de sua realidade social. Palavras e objetos anestesiantes que dissipam as percepções e as cognições dos sujeitos-sujeitados que, enevoados, nunca entram na ordem da suspeita sobre as causas de suas condenações na terra. É a televisão, uma concessão pública, servindo de instrumento privado para locupletar seus apresentadores e dirigentes que têm orientação “política”. A possibilidade de sucesso eleitoral.

O novo membro do PC do B, Nonato Oliveira, é um dos fundadores, em Manaus, desta máquina narcotizante, o neo “ópio do povo” teletecnológico. Suas eleições passadas foram todas produzidas por seu sentido televiso/sobrenatural, programa “Repórter da Cidade”, com a ilustração do mote “Você, meu amigo de fé, meu irmão camarada”. Hoje, o bom camarada do PC do B, que já imagina voltar a atiçar o fogo do tele-vale de lágrimas com o programa “Todos Por Todos”. Um programa bem comunista, pois, observando-se a função do PC do B - na ilusão de ter poder -  no governo burguês de Eduardo Braga, onde o partido está muito bem captado, desconfia-se que os “Todos” devam ser os candidatos do partido nas eleições de 2010.

Desta forma, o programa será um ópio para o povo – singelo título para um programa comunista -, já que Nonato Oliveira vai seguir sua vocação de tele-sacerdote, o que significa que ele não se transformou em um comunista/marxista, e o PC do B, servindo ao governo reacionário de Dudu, e tendo em seu quadro o tele-sacerdote, confirma que nunca fez a leitura de Karl Marx, e sequer foi comunista ingênuo, aquele que acredita que vermelho é cor de boi-bumbá ou time de futebol.

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Tuesday, June 30, 2009

GODOFREDO DA SILVA TELLES, UM DEVIR-POLÌTICO


foto: http://www.goffredotellesjr.adv.br/

O envelhecimento” é “uma ampliação da capacidade de agir, um aumento na simplicidade e na suavidade. O envelhecimento não é uma cessação, mas, ao contrário, é uma extensão suave e apaziguada da capacidade de agir”, diz o filósofo italiano Toni Negri. Nem todos chegam ao envelhecimento, já que envelhecer não é somente uma condição bio-cronológica do organismo. Alguns morrem antes da demarcação matemática da existência. Morrem crianças, jovens. Outros chegam à demarcação matemática, mas não experimentam o envelhecer como “um aumento de simplicidade e suavidade”. Estes são os que sabotaram suas infâncias, suas adolescências e suas juventudes. Chegam ao estágio bio-cronológico ressentidos, amargurados, rancorosos e, o pior, invejosos. São eficientes sabotadores de suas existências e, ao mesmo tempo, agentes sabotadores das existências de outros. Nada fizeram, em seus percursos, para ativar a vida e criar condições existenciais de diminuição das privações que impedem os não-sabotadores de chegarem à alegria da velhice. O direito ontológico dos oprimidos que não negam a vida.

A VIDA ATIVA DO DEVIR-POLÍTICO

Goffredo da Silva Telles Junior, jurista emérito, aos 94, existia em plena suavidade e apaziguado em sua “capacidade de agir”. Não podia ser diferente. Sempre promoveu a vida. Sempre sentiu e entendeu onde havia a opressão. Onde se declarava ou se ocultava a tirania. Assim, desde jovem se engajou nos seguimentos sociais libertários. Soldado, combateu na Revolução Constitucionalista de São Paulo. Como deputado Constituinte, lutou pelas salvaguardas nacionais, e profundamente pela defesa da Amazônia. Professor da Faculdade de Direto da USP durante 45 anos, sempre esteve envolvido nas causas pertinentes às questões políticas da Universidade, dos saberes independentes distribuídos igualitariamente social entre o povo em formas de políticas e das lutas contra uma pedagogia universitária moldada nos signos alienígenas importados de países colonizadores.

Em plena ditadura militar, que se apoderou do Estado Brasileiro, Goffredo da Silva Telles Junior teve participação destacada em defesa dos valores democráticos. Enfrentou com sua suavidade jurídica e sua determinação combatente os opressores. Juntamente com seu insigne e corajoso amigo, jurista Raimundo Faoro, colocou-se em defesa dos presos políticos e dos ameaçados em suas liberdade. Foi ele quem em 1977, redigiu e proferiu em público a contagiante e conscienciosa “Carta aos Brasileiros”, ato que iniciou a emergência das reivindicações sociais sem medo do autoritarismo militar. Foi onde o povo brasileiro começo a sentir que era hora de cessar a opressão. Aposentado como professor continuou combativo como orientador de estudantes que se igualavam às suas opiniões e crenças sociais. Não havia como parar o devir-político que carregava.

Olivia Raposo da Silva Telles, sua filha, afirmou que ele “morreu de velhice como um passarinho”. Uma figura terna construída historicamente pela semiótica familiar. Mas há um signo que salta desta serenidade linguística. Goffredo não morreu de velhice, ele morreu na velhice, o que é bem revolucionário. O que compromete todo o engajamento histórico deste homem. Alguns homens e mulheres, envelhecidos, vão morrer, mas não na velhice. Vão morrer de tédio, de angústias burguesas veladas pelas vaidades, aprisionados na velhice como um estágio-prisão, cela da impossibilidade de ser, gueto de espera da morte dos sabotadores. Nada do que construiu Goffredo, com seu devir-político. Goffredo atingiu a plenitude ontológica que leva os não sabotadores a se irmanarem, em serenidade, com o filósofo, Deleuze, quando ele diz que a velhice “é uma alegria pura”. E completa: “Amamos as pessoas de fato pelo que elas são. Acho que afina a percepção. Vejo coisas que não via antes, percebo elegâncias às quais eu não era sensível. Agora, eu as vejo melhor, porque olho para alguém pelo que ele é, quase como se eu quisesse carregar comigo uma imagem dele, um percepto ou tirar da pessoa um percepto. Tudo isto torna a velhice uma arte”.

Neste ativismo dos afetos e da razão, Goffredo da Silva Telles Junior, entrelaça-se com Toni Negri, no movimento construtor da velhice: “O que me agrada é a suavidade; é o tempo; é a intelectualidade, a imaterialidade das relações”. Potência infinita do devir-político.

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Tuesday, June 23, 2009

MULTIPLICIDADES DISJUNTORAS DO CAPITALISMO

Deleuze, Foucault e Sartre

2009. Neoliberalismo e suas antinomias cíclicas/catastróficas.

Pior seria sem 68. Pior seria sem os filósofos Sartre (ao fundo, no centro), Deleuze, de perfil-esquerdizado, apesar do polícia roçando nas costas, e Foucault desestruturando a direita com sorriso. Deve-se contar, também, com os glamourosos destas ocasiões. Cultuadores do gênero: “Eu quero é brlhar. Mesmo que a luz seja alheia à mim”.

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Monday, June 15, 2009

O ATERRO DO FLAMENGO

Com o crescimento demográfico do Rio de Janeiro e o aparecimento de transtornos no escoamento do trânsito na cidade nos fins da década de 60 e começo da década de 70, épocas brabas da ditadura militar, os governantes da ex-Cidade Maravilhosa resolveram alterar a rede urbana na orla litorânea, para ampliar suas avenidas. Assim aconteceu com os bairros da Glória e do Flamengo.

Esta desnaturalização engenheira foi chamada de aterro. Invadir as praias com asfalto. Uma técnica ilusória que parecia que o mar tinha sido afastado. E nesta ilusão chamava-se aterro da Glória, aterro do Flamengo. Era o urbanismo capitalista se impondo à natureza. Uma violência tecnológica tão urbana, que inspirou Gilberto Gil a adaptar Bob Marley para o carioquês com frases como: “A gente sentada ali / Na grama do aterro sob o céu / Ôôô observando hipócritas andando ao redor”. Um verdadeiro aterro. A sufocação da praia.

Então, eis que em pleno século XXI, na democracia lulista, quando a única ditadura que ainda permanece é a ditadura civil em alguns estados impostas por demagogos, no frio sulista de domingo, em plena Curitiba, o Mengão é aterrado pelo Coxa. Ou, para quem gosta de um bom conforto, o Mengão é coberto pelo Coxa distante da orla litorânea. 5.0. Na linguagem vulgar do futebol: 5X0. O Curitiba expandiu o placar e aterrou a praia do Flamengo. E nem precisou da ditadura.

Mas há como o Flamengo se ‘desterrar’. Criar um time em que os jogadores não entrem em campo como se tivessem carregando toneladas de areia. Para tanto, é preciso lembrar que se o Flamengo foi aterrado na ditadura e este aterro lhe causou um grande mal, hoje, qualquer ditadura que possa se mostrar no corpo do clube deve ser eliminada, porque sob ditadura ninguém é feliz. E 9 gols em 2 partidas é uma perfeita demonstração de infelicidade. Se o Mengão fizer assim, não mais ouvirá o conselho de Gilberto Gil: “Não, não chores mais / Menina não chore assim”.

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Friday, June 12, 2009

DIA DOS NAMORADOS TOCANDO DE LEVE EM SANTO ANTÔNIO

A sociedade dita humana é marcada, antropologicamente, por rituais. Pontuações cronológicas nascidas de fatos históricos concebidos como produções materiais, e pontuações engendradas pela imaginação, muitas em formas de superstições. Manifestam-se em datas comemorativas. Uma referentes à história política da sociedade, feitos sociais, econômicos, esportivos, artísticos, etc; outra referente à alegorias, festividades religiosas e familiares.

Tratando-se do Dia dos Namorados, o mesmo se aloja no tipo de segunda pontuação cronológica. Uma data com o sumo sabor capitalista-comercial. Momento para possível melhora nas vendas. Data em que as formas de relações entre casais, ou mais, estão vinculadas a venda, compra e lucro. Muitas vezes até como lucro de fortalecimento dos namorados. Daí poder ser sintetizada para o comércio em: “Amar é dar presente!”

De formas, que a mercadoria, seja ela de que forma for, representa o elemento intermediário por excelência do acordo enamorante. É exatamente neste sentido calculista do namorar que apresentamos histórias tocando de leve em Santo Antônio, o Santo apanhado pelo capitalismo como seu garoto-propaganda. Disfarçado como aquele que une os casais em enamoramento. Ou, quem sabe, em casamento.

UMA AMOR MALOGRADO*

Ele, como jovem, carregava duas inquietações perversas para sua idade. Uma, não ter um emprego. Outra, não ter uma namorada. Para ele, a segunda estava intricadamente ligada à primeira. Sem emprego, nada de salário. Sem salário, como arranjar uma namorada? Uma namorada, além de afetos, implica relações materiais, como pegar uma tela, dar uns rolés de busão, comer pipoca na praça, ir a uma balada, tomar um sorvete, tudo que só é possível com o vil metal. E quantas garotas ele via desfilando em sua frente sempre que ficava de bobeira no Shopping. Quantas, quando uma só poderia ser sua namorada. Fantasia que esmaecia quando passava sua carteira de estudante na catraca do busão, que o condizia para a escola e para casa.

Certa tarde, precisando comprar uns objetos para a mãe, foi ao Shopping. Comprou os objetos e aproveitou para ficar de bobeira olhando as gatas. Perambulando no ventre do capitalismo psicodélico, não prestou atenção a uma voz chamando-o. Em seguida, como saindo de um quadro surrealista, percebeu que uma mulher, na porta de uma loja, chamava-o. Ele se aproximou, a mulher perguntou o nome dele, o que ele fazia, ele respondeu. Nisso, ela perguntou se ele não gostaria de trabalhar na loja. O coração disparou, um frio na boca do estômago, olhou para os lados, todas as gatas magicamente se transformaram em uma beleza só. Efusivo, respondeu que sim. A mulher confessou que alguns dias já vinha observando-o, e seu tipo físico era ideal para a função de vendedor de sua loja, que investia na beleza jovem, por isso o escolheu.

Começou a encarar a batalha, muito dedicado, amigo com os outros funcionários, logo formou um novo laço de amizade. Uma tarde, uma jovem entrou na loja para comprar um objeto. Ele foi atendê-la. Ela olhou para ele e disse que o que queria comprar poderia ser comprado em qualquer loja, mas que escolhera aquela por que pretendia conhecê-lo. Há alguns dias o tinha sacado. Ele sorriu tímido, mas feliz. Ela sorriu e pegou em sua mão. Deste momento em diante se enamoraram.

O dia do primeiro pagamento correspondia à véspera do Dia dos Namorados. Depois do trabalho, os dois se encontraram na Praça de Alimentação. Ele, então, disse que gostaria de lhe dar um presente no Dia dos Namorados, e perguntou o que ela gostaria de ganhar. Ela sorriu maravilhada, e exclamou que era o que estava esperando que ele lhe perguntasse. Aí, pediu que ele cortasse os cabelos. O rapaz sorriu pensativo, balançou a cabeça verticalmente, olhou firmemente nos olhos dela, inspirou em silêncio, e disse que não faria isto. Ela ficou surpresa, e argumentou que agindo desta forma ele mostrava que não a amava. O rapaz calmamente disse que se ela se enamorou dele com os cabelos grandes, e ele se auto-estimava com esta imagem, se cortasse os cabelos, ele passaria a ser outro, e como outro não mais a amaria, e ela estaria apaixonada por este outro dos cabelos curtos, não ele. E se ela tivesse se aproximado dele com o propósito de que no futuro ele cortasse os cabelos, como no momento estava acontecendo, ela, quando o viu com os cabelos grandes, e até aquele momento, não o amava. Amava sim uma imagem produzida nela pelo preconceito de adultos muito antes de ela nascer. Diante das considerações do rapaz, ela se amuou, levantou-se e saiu dizendo que ele quem perdera, pois ela tencionava no Dia dos Namorados apresentá-los aos pais. Da sua parte, ele sorriu, enquanto por suas costas uma garota passava puxando de leve seus cabelos.

A ADIVINHAÇÃO

Desde meninota, nas festas de Santo Antônio, ela gostava de participar das adivinhações ao Santo Casamenteiro. Chegada aos vinte anos, com as amigas, casadas e solteiras, falando que ela estava chegando na idade do caritó, entrou na ansiedade de querer casar. Só que queria casar com o rapaz certo. E ninguém mais indicado para apontar um partido certo do que Santo Antônio. Por isto, esperou ansiosa o dia do carequinha.

Chegado o dia, entre os festejos, as comilanças, os foguetes e as músicas, chegou a hora das adivinhações. Eufórica, ela escolheu logo a que mais acreditava: a faca na bananeira. Faca enfiada na bananeira, apreensiva, mas feliz foi dormir.

No outro dia, bem cedinho, foi até a bananeira. Bem de levezinho tirou a faca, olhou a lâmina, e tentou decifrar o nome do futuro marido. Seu corpo se arrepiou todo. Lá estava escrito, para seu entendimento, o nome: Aldino. No mesmo momento recorreu à memória para ver se encontrava algum Aldino, entre seus conhecidos. Nada. Não tinha ninguém com este nome. Para se confortar, falou para sua expectativa não entrar em desespero, é só esperar, que Santo Antônio era o “bicho” em casos de casamento. Pelo menos o nome do amado ela já sabia.

Ocorreu que varias vezes ao pegar o ônibus para ir ao emprego, duas paradas à frente, um rapaz gentil, sentara ao seu lado. De tantas coincidências, ataram uma relação de passageiros, ao ponto dela já esperar sua entrada no ônibus. Algumas vezes frustradas: ora já havia alguém sentado na poltrona, ora um estranho sentava ao seu lado, antes do passageiro-amigo.

O certo é que um belo dia ela ariscou perguntar seu nome, ele respondeu amigável: Aldino. Ela quase morre. Era o enviado de Santo Antônio, e logo apertou a mão do rapaz, que adorou.

Como a amizade encontrava-se muito bem engatada, passar para o namoro foi um passo, e menor que um passo, para o casamento. Casaram-se, e como ele fora transferido para outra cidade, lá foram os dois viver seus paraísos.

Aconteceu de terem que comprar uma casa financiada pela Caixa, que exigia dos documentos fidelidade. Foi, então, que ela viu, quando ele assinou um papel, que o nome de seu amor não era Aldino, e sim Aldiro. Desmaiou. Nome produto do misto de Aldiléia e Ronildo, segundo revelação dele logo após o desmaio.

Já em casa. Ele explicou que os colegas lhe chamavam de Aldino, porque achavam Aldiro muito feio. Ela abraçou-o, chorando, e contou toda sua história antoniona. Desesperada, abraçou-lhe mais forte, e disse que era preciso eles se separarem para ela sair em busca do seu Aldino. Ele analisou que se eles se amavam tanto, nada era mais importante. Mas ela, inquebrantável em sua opinião, tomou-se resoluta em ir ao encontro de seu Aldino. Como estava perto do dia de Santo Antônio, ele sugeriu que ela tentasse de novo a adivinhação, e, sem qualquer ânimo, só para não magoá-lo, ela aceitou.

Chegou o dia do Santo, e com ele a noite, e os dois foram até uma bananeira. Ela enfiou a faca. No outro dia, ansiosos, os dois foram ver que nome deu. Triste, ela, leu: Aldino. Foi, então, que ale pegou a faca e leu com atenção. Lá estava escrito, Aldiro. Ela, dominada pela ânsia de casar, não percebeu que o n de Aldino não era n, era r. R de seu grande amor: Aldiro.

*Malogroé um termo usado pelo filósofo Sartre para significar uma existência inautêntica. Uma existência como consequência, e não como princípio que se faz como subterfúgio, atalhos, a Má-Fé burguesa.

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Wednesday, June 10, 2009

PETROBRÁS E SEU BLOG SERVIÇO PÚBLICO

Como forma de apresentar, via internet, suas produtivas ações como empresa de capital misto, administrada por competência pública, a empresa brasileira Petrobras criou um blog. Sua função jornalística encontra-se refletida no conceito democrático de comunicação como Serviço Público. A informação dos “Fatos e Dados” a serviço da sociedade brasileira. O que já fazem muitos blogs comunitários. Uso racional e coletivo dos meios virtuais para servirem ao Bem Comum.

Como o Blog da Petrobras publica perguntas de jornalistas de todas as mídias, e as responde através de suas análises amparadas no que a empresa entende como de interesse coletivo: à ação jornalística democrática, as mídias retrógradas inquestionáveis em si mesmas, e representantes do capital direitista internacional —,como geradoras e mantenedoras do jornalismo de mercado, reagiram (posição patológica prévia), como soe acontecer em momentos como este, quando qualquer órgão do governo Lula, notoriamente eficiente, como no caso a Petrobras, age (posição produtiva no instante dado). Estas mídias viscosas (como diria o filósofo Sartre), aproveitando o rastro da CPI da Petrobras, cavada pela direita parlamentar, lançaram-se aos impropérios contra este órgão produtivo. São dezenas de editorias e artigos desabonadores. E em um gritante demonstração de parca (e miserável) inteligência, recorreram aos subterfúgios surrados da tal censura jornalística. Cerceamento à liberdade de imprensa. Todos ignorando que liberdade jornalística é o exercício democrático da comunicação como disciplina cívica, que só é produzida nos territórios sociais da Ética e da Epistemologia, o que não se encontra nos tais editoriais e artigos.

A REATIVA REAÇÃO DA MÍDIA REACIONÁRIA

É supérfluo escrever que todo este estertor de cadáver capitalístico endereçado à Petrobrs por esta mídia é nada mais do que o sintoma freudiano da inveja. Governo Lula vai bem, a Petrobras também, o que para a direita não é um bem, é um mau. Ainda mais quando sabe que Lula pode eleger Dilma como sua substituta na Presidência. Ainda mais porque, sendo uma direita tão direita, só tem um único candidato.

Porém, jogando longe a inveja, o que torna escabrosamente hilário esta vetusta conduta, são os argumento destes personagens evocando liberdade e transparência. Logo quem? Os fiéis escudeiros do ideário privatista. Estes que jamais tiveram esta exigência quanto à transparência no governo Fernando Henrique. Mas no governo Lula se querem arautos e guardiões da ética social engendrada por suas próprias mentes venais, que não souberam usar suas liberdades para fazerem emergir suas inteligências, e então as usarem em benefício da democracia. E não ficarem posicionados como guarda-costas das multinacionais, que fomentam suas parcas profissões mantidas pelas força imobilizadora dos clichês muito bem manifestadas nas vozes e textos de um Boris Casoy (o que desativou o conceito “vergonha” no jornalismo); Dora Kramer (aquela que faz do vazio linguístico o glamour da inutilidade); Kennedy Alencar (aquele que faz o embotamento semiótico alucinar a defesa da lógica da inveja). Toda uma confraria ignóbil reduzida em clichês tipificados como “atitude burra” (antropomorfismo próprio de quem vive na superfície do óbvio), “tiro no pé” (presunção de quem crer que sua manifestação é um fiel entendimento de que a Petrobras errou ao criar o blog)… Patético espetáculo que se repete, mas não cansa o jornalismo conspirador e intrigante. A cópia fiel do modelo que inviabiliza a existência.

A LÓGICA E A ÉTICA DA AÇÃO

Com a reação da direita, era de se esperar a ação dos livres: a lógica social. Assim, aconteceu de surgirem múltiplas opiniões endereçadas ao Blog da Petrobras, colocando-se favorável ao feito internético. Concebendo a criação do Blog como um vetor de alternância cognitiva composto pelo governo federal e a sociedade. Como a Associação Brasileira de Imprensa – ABI, Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, entre tantas entidades e personagens. Um afluxo de opiniões favoráveis tamanho que colocaram o Blog, com poucos dias de existência, em um patamar de mais 200.000 acessos. A práxis da Ética como comunalidade. Um bom motivo, dado o grau de relação pública alcançada, para que outras instituições governamentais também criem os seus blogs, dado a necessidade da informação mais veloz e precisa, já que precisão não é feitio da mídia viscosa. Ela sempre, quando se trata de notícia sobre fatos do governo, recorre ao seu “dom artístico” para alterá-los. Na linguagem jornalística, ato de sabotar, escamotear, truncar a informação.

No mais, parabéns, Petrobras! O Blog de Todos Nós!

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Monday, June 8, 2009

VÔO 447 E A DESAPARIÇÃO DA MÍDIA

Na sociedade de consumo, onde tudo se torna mercadoria reificada como objeto de lucro, e que as relações sociais são atravessadas pelos meios de comunicação, as mídias, principalmente as televisivas, se mantêm do mais alto grau de desaparição dos fatos. Condição de apanhar um fato real com todas suas notas de visibilidade representadas em tempo e espaço definido encadeadas em uma enunciação própria, confirmadas pela percepção e o intelecto , e desativá-lo para que seja apresentado como imagem virtual em tempo real. Imagem sem suporte material, e tempo destacado da história e dos conteúdos existenciais. Nada mais que elevação do fato a fetiche.

Estabelecida neste vazio, a mídia-televisiva trata a informação tão somente como um espectro, onde o acontecimento é preterido em favor do espetáculo virtualizado. Assim, diante de fatos considerados por ela como catastróficos, seu exercício é se apossar de objetos e pessoas envolvidas na catástrofe, desativá-las de suas realidades e existências, através da abstração formal, e transformá-las em mercadoria de lucro no mundo virtual, onde nenhum contato é possível com o mundo real, já que o fato entrou na névoa da desaparição É assim que ela consegue manter sua audiência: sempre com imagens desativadas prontas a capturar o telespectador dos sentidos e da inteligência virtualizados, desaparecidos de suas significâncias sociais.

A CATÁSTROFE DO VÔO 447

Desativada do real, a mídia-televisiva toma os fatos pela simplificação de seu vazio. Assim, tem como catastrófico uma ocorrência onde acontecem mortes, o signo místico de alto valor comercial. Entretanto, foi exatamente por este entendimento que ela se viu nestes últimos dez dias em situação desesperadora como veículo vampirante da expressão da dor lucrativa.

O acidente do Vôo 447 impôs na mídia-televisiva o maior grau de desespero diante da impossibilidade de lucrar com a dor alheia. Como sua lógica capitalística é apanhar os fatos ocorridos na esfera real e fazê-lo, pela abstração formal, desaparecer e exibir seus resíduos virtuais lucrativos como imagem despotencializada, e como o avião desapareceu nas águas oceânicas distante de suas possibilidades, ela viveu a dor do que é uma real catástrofe: o momento em que todas as regras de um sistema desaparecem e o sujeito não possui mais notas capazes de lhe conduzir na nova objetividade. Sem os destroços do avião, sem corpos, ela se viu imobilizada em sua própria desaparição. Queria um objeto qualquer para exibir como mercadoria. Como não havia nada sobre a superfície da tela oceânica, e mais a distância onde ocorreu o acidente, ela teve que se contentar com seus recursos da tecnologia virtual: montou avião como figura-virtual em espaço com o oceano como fundo, ajustados em textos especulativos, para não perder de vez a oportunidade de lucrar.

Agora, como o tempo afastou a força impactante do acidente como objeto comercial, eliminando seu tempo real, deixando somente os parentes das vítimas com o acontecimento/presença/real, onde o tempo da dor é mais longo, esta mídia-televisiva tem que enfrentar a realidade que o fato aéreo lhe impôs como fracasso econômico, onde a dor alheia é só mais uma mercadoria na mídia de mercado.

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