Saturday, July 4, 2009

O OLHAR VIGILANTE DA PREFEITURA E O OLHAR DOS ESTUDANTES

A prefeitura irregular de Manaus, em gestão sub judicee conflituosa da dupla Amazonino e Carlos Souza, apresenta uma nova ferramenta da “educação”: agora os pais dos alunos da rede pública e particular de ensino poderão, se desejarem, acessar via internet quais as rotas de ônibus que seus filhos tomaram nos últimos 30 dias.

O dispositivo, antes usado somente pela força policial para elucidar situações de crime agora será colocada à disposição e deleite paranóide de pais e educastradores em toda a cidade.

Evidência de que a gestão da dupla Amazonino/Souza tem menos um viés de interesses particulares sobrepondo-se sobre o público do que a patologia social do tirano. As duas vertentes, aliás, andam juntas. No entanto, a uma gestão patológica, amplamente contraditória a qualquer senso democrático, não basta criarem situações que facilitem a subtração do bem público a interesses privados: ela pretende submeter a cidade a uma enunciação de controle absoluto, de imobilidade e impossibilidade criadora. O panóptico. “Podes fazer de tudo, mas Eu saberei”, enunciado capturador que se encontra já na teologia cristã-paulina, e que é atualizada nas novas teletecnologias por governos cujo entendimento de mundo passa pela mesma má consciência que elaborou um deus ciumento e vingativo.

Nada, portanto, de educação. A ponto de revelar para qualquer estudante de primeiro período de qualquer curso de Psicologia, até da UFAM, a psicologia educastradora da SEMED, quando a sua psicopedagoga vai a um jornal local afirmar que a ferramenta “educativa” (as aspas são nossas) é útil, mas não substitui o diálogo familiar. Ignora a psicopedagoga que, em uma sociedade onde predominam elementos de ordem da democracia efetiva, o diálogo é condição de existência na medida em que seja produtor de novos dizeres e saberes, e que não se reduz à família, mas transborda por todo o social. Comum Unidade. Se não há diálogo, não há democracia. Se há democracia, ferramentas de controle não só não seriam úteis; elas simplesmente não seriam necessárias.

A ausência do diálogo que constrói da democracia já se encontra em cada escola, em cada secretaria do município e do estado, e se evidenciou claramente no conluio entre Executivo e Legislativo municipais, imprensa domesticada e setores reacionários do movimento estudantil, ao subtrair o direito à meia-passagem dos estudantes, beneficiando os interesses do empresário e prefeito vitalício de Manaus, Acyr Gurgacz. Acyr, aliás, como prefeito, já teria até anunciado a desativação dos terminais I e II (Constantino Nery e Cachoeirinha) sem que o IMTT ou a assessoria de imprensa da prefeitura viessem desmentir a informação.

O OLHAR DOS ESTUDANTES SOBRE A PREFEITURA NÃO É PANÓPTICO…

De seu lado, os estudantes, subtraídos em seu direito constituído, mas no exercício do seu direito constitutivo, vão às ruas, se mobilizam e lançam a campanha pedindo o impeachment do atual prefeito e de seu vice.

Uma evidência de que o olhar estudantil nada têm de controlado e embotado, e que, diferente do olhar institucional da gestão Amazonino, consegue vislumbrar uma cidade para além da cidade. Os estudantes sabem que um tirano controlador é antes uma consciência controlada e insegura, incapaz de lidar com produções coletivas que engendrem a potência democrática. Daí, o olhar crítico e clínico dos estudantes desejarem a subtração deste corpo que não carrega com a democracia nenhuma noção comum, e que só consegue compor, há mais de três décadas, afetos tristes, que impedem o surgimento da democracia de fato.

Posted by AFIN at 19:22:33 | Permalink | No Comments »

Tuesday, June 30, 2009

NOTAS SOBRE A PASSAGEM DA CPI DA PEDOFILIA POR MANAUS E COARI

ЄO senador Magno Malta (PR/ES) não sabe que a pedofilia mais incisiva e perigosa socialmente é aquela que segrega os signos de uma infância solapada, um infantilismo sequelado, fruto da ilusão dos adultos capturados pela ordem do capital, e que foram interditados em seus fluxos intensivos e potência de agir, e que estão na tevê, na internet, na moda, nos dizeres, na música, nos corporais e incorporais da sociedade de consumo, submetendo as crianças a uma infância que não é a delas. Soubesse, a sua CPI teria que estabelecer uma base de atuação perene nas emissoras de tevê, com suas Anas Marias Bragas, Xuxas, Sashas, Maísas…

ЄNo entanto, a CPI tem se prestado, no plano democrático, a um importante trabalho: aproveitando a comoção emocional em torno da temática a pedofilia, bem mais carregada de elementos de ordem doutrinária igrejal que de ciência e de reflexão racional, desvelando aquilo que era evidente, mas que não se atualizava como real para o plano midiático: o envolvimento de membros das chamadas esferas do poder em práticas de violência sexual e exploração de mulheres, crianças e adolescentes, não apenas no sentido da tara psicopatológica, mas na tara social: o lucro pela exploração. Tal como no Caso Wallace, Adail, apontado como o chefe do esquema de desvios de royalties do gás natural de Urucum, é chefe, mas não apareceu ainda o chefe-do-chefe.

ЄO presidente da CPI da Pedofilia, senador Magno Malta, ao chegar a Manaus, afirmou ter recebido muitas pressões para que a CPI não viesse à cidade. De certa forma, não veio. Contando com apenas o presidente como membro titular, que criticou a ausência dos colegas de CPI e dos três senadores do Amazonas, os trabalhos terão de se reduzir àquilo que já estava previamente estabelecido. Malta não poderá, por exemplo, convocar para depôr ninguém além daqueles que já estavam previamente convocados, nem mesmo se denunciados em audiência pública.

Є Um déjà vu: o senador Arhur Neto, por exemplo, já atuou em defesa do Amazonas quando o assunto era exploração sexual infanto-juvenil. Foi ele quem articulou, junto com o senador Ney Suassuna (PMDB/PB), a retirada do nome de Omar Aziz da lista de indiciados da CPI da Prostituição Infantil, numa articulação que deixou boquiaberta a relatora, Deputada Maria do Rosário (PT/RS) – leia aqui e aqui. O tratamento amplamente favorável à Omar dado pela imprensa local sobre o caso fez com que o professor do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Amazonas, Gilson Monteiro, fosse agredido dentro das dependências do campus, por dois irmãos de Omar, atual vice-governador. Gilson usava a tibieza e comprometimento da imprensa local com os políticos locais como exemplo em uma aula de ética, quando uma sobrinha de Omar, debutante do curso, levantou-se e chamou o pai para defender a honra da família – leia aqui.

ЄEm Manaus, a CPI tomou os depoimentos de 12 pessoas, dentre elas, Fábio Marques Martins, da agência Mega Models, Andréa Domingues de Abreu, ambos considerados agenciadores das adolescentes, e Haroldo Portela, ex-secretário de comunicação da prefeitura de Coari. Portela é considerado a peça-chave no inquérito do Ministério Público sobre os desmembramentos da Operação Vorax. Era Portela quem organizava a exploração, mantinha contatos com os agenciadores e realizava o pagamento. Uma adolescente, identificada como Brenda, supostamente vítima da exploração pela quadrilha de Coari, também foi ouvida. Os programas eram pagos sempre com dinheiro público, e discriminados como “prestação de serviços para eventos sociais”. Em Coari estão previstos mais dez depoimentos, entre eles o de Adriano Salam, ex-secretário de administração e o do ex-prefeito, apontado como o chefe da quadrilha, Adail Pinheiro. A CPI realiza hoje os trabalhos na cidade do gasoduto e da Operação Vorax.

Posted by AFIN at 16:12:13 | Permalink | No Comments »

Monday, June 29, 2009

CPI DA PEDOFILIA CHEGA A MANAUS E VAI OUVIR ENVOLVIDOS NA OPERAÇÃO ‘VORAX’

Hoje, segunda-feira, e amanhã, os integrantes da CPI nacional da pedofilia estarão finalmente em Manaus. O objetivo é colher depoimentos, cumprir diligências, investigar denúncias de pedofilia envolvendo os detidos e afins na operação Vorax, deflagrada em Coari, além de realizarem audiência pública para receber denúncias de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes.

Pouco mais de um ano atrás, a Polícia Federal realizou na cidade do gasoduto uma megaoperação que prendeu integrantes de uma quadrilha cujas ramificações chegavam, como aliás todas as outras operações da PF no Amazonas, às portas do palácio do governo do estado, envolvendo diretamente, segundo escutas divulgadas da PF, juízes, autoridades do executivo e legislativo, proprietários de jornal, dentre outros.

Somente em um ano de atuação da quadrilha, que tinha como principais envolvidos o então vice-prefeito da cidade, Carlos Eduardo Pinheiro, secretários municipais, o irmão do então prefeito, Adail Pinheiro, foram desviados dos royalties do gás natural de Urucum mais de 50 milhões de Reais. Malas de dinheiro foram encontradas em casas de um conjunto habitacional ainda em construção, e parte da população chegou a ir às ruas para cavar em busca de outras.

O próprio Adail escapou de ser preso graças a uma “viagem” realizada dias antes da operação ser realizada. O grupo, chefiado por Adail, além do desvio dos royalties, também é acusado de exploração sexual e pedofilia. Daí a vinda da CPI a Manaus.

A tomada dos depoimentos, bem como a audiência pública, ocorrem no auditório da ALE/AM. O primeiro a ser ouvido será o ex-assessor da prefeitura de Coari, Haroldo Portela.

Posted by AFIN at 04:03:50 | Permalink | Comments (2)

Wednesday, June 3, 2009

CASO WALLACE SOUZA: ASSEMBLÉIA DO AMAZONAS EDIPIANIZADA E O INOCENTE DEPUTADO

A Assembléia Legislativa do Amazonas, através de seus ilustres representantes, esta semana, dá sinais de que pretende ignorar os indícios de culpabilidade e envolvimento do deputado Wallace Souza no esquema de tráfico de armas e drogas pelo qual o seu filho, Raphael Souza, é apontado como chefe e foi preso.

Entre as falas dos deputados, predomina a versão de que Wallace não teve envolvimento com a quadrilha desbaratada pela polícia civil. Entre os mais ostensivos defensores do deputado tele-miserabilista, Liberman Moreno (PHS) chegou a afirmar que não se poderia cometer contra Wallace o mesmo erro cometido ao cassar o deputado Antonio Cordeiro (da Operação Albatroz), processo feito, segundo Liberman, por pressão da mídia e sem que ficasse provada a culpa de Cordeiro.

Do outro lado, o promotor-geral de justiça, Otávio Gomes, afirmou que as investigações se concentraram na quadrilha, e o nome de Wallace surgiu em escutas telefônicas autorizadas, e que ele não era o alvo das investigações, por isso não teria sido indiciado. No entanto, o relatório apresentado traz indícios suficientes para que a procuradoria da ALE abra processo por quebra de decoro parlamentar, que após a perda da imunidade parlamentar, será indiciado pela polícia civil.

A “PSICANÁLISE” DA ALE/AM

O sujeito edipianizado constrói sua existência a partir dos elementos constituídos pela ordem subjetivadora do Capital: a dependência em órbita do Significante Despótico – regime de signos que opera uma desterritorialização relativa aos signos, enunciando-os a partir de uma ordenação que segrega, seleciona, hierarquiza, classifica e atribui valor, sempre em função do esvaziamento do sentido efetivo.

Daí que este sujeito edipianizado, capturado como sujeito-sujeitado, não pode sequer cogitar um sujeito que carregue um estatuto diverso. Assim, a uma ALE/AM subserviente aos interesses nada republicanos do governo do Estado, torna-se um enunciado que apenas evidencia a sua inocuidade o fato de não conseguir visualizar a culpabilidade de Wallace, apesar dos fortes indícios. Assim como cada voto, discurso e ato favorável ao governo do Estado denoda a dependência da ALE aos interesses braguísticos, o fato de Raphael Souza ter afirmado em depoimento que nada fazia sem o consentimento e conhecimento do pai é, para bom psicanalista, assinatura de confissão.

Como estão presos ao mesmo estatuto sígnico, ALE e Wallace não poderiam mesmo julgar um ao outro. Neste sentido, edipianamente, como diria Ruy Brito, estão todos certos…

Posted by AFIN at 04:49:18 | Permalink | No Comments »

Saturday, May 30, 2009

COPA 2014: XENOFOBIA E MARKETING GOVERNAMENTAL SÃO PRODUTOS DA MISÉRIA SOCIAL

Que os governantes, em sua maioria, quando numa democracia que não carrega a potência transformadora do corpo-palavra, tratam mais de preparar armadilhas para seus povos, do que propriamente criam as condições para o seu desenvolvimento, isto fica evidente em cada ação destes ditos governos.

Na “disputa” por uma das subsedes para a Copa 2014, a xenofobia criada pela miséria social que assola a região Norte do Brasil – e que só tem diminuído agora, com as ações do governo Lula – ficou mais visível, tanto pelas ações de marketing do governo do Amazonas, quanto pelas enunciações da inteligência sequelada pela privação, que não é condição da vida.

Enquanto o governo do Estado se utiliza do mau afeto “orgulho” – falsa idéia que se tem de si mesmo como sendo superior ao que realmente é – e vende um verde desbotado pela potência naturante das águas que evidenciam um modo de existir contrário à vida, já que um governo em “sintonia com a natureza” jamais construiria cidades que se opusessem ao regime natural das águas, alguns ufanistas da copa sem copa continuam a destilar, por onde quer que passem, enunciados capturados pela força reativa xenofóbica, que toma o efeito pela causa e culpa o miserabilizado pela sua própria miséria. (Des)entendimento presente na imagem do pensamento da Direita, por exemplo. Não por acaso, os governos atuais e anteriores em Manaus estiveram todos deste lado.

No entanto, a potência criadora do conhecimento e da Razão enfraquecem as muralhas da estupidez, produto da interdição, e coloca as coisas dos homens em seus devidos lugares. Causa e efeito. Por isso, o filosofante João Cruz, que enxergou para além das imagens maquiadas dos marketing de Manaus e Belém, desmonta a imagem xenofóbica com seus dizeres:

Fico arrepiado com o bairrismo entre Belém e Manaus. Sinceramente… Acho um absurdo… É uma guerra velada sem propósito e sem caminho. Sou Paraense e vejo meu estado como sofrido sim, e cheio de problemas. Mas, sinceramente, não vejo tanta propaganda negativa quanto às que o povo manauara faz do paraense. Evidenciados mais agora, nesta disputa pela Copa do Mundo. Com certeza os paraenses não são os únicos retirante a aportarem nas terras amazônidas. Em Belém também. Recebemos muitos. Eu disse muitos!! Maranhenses, piauienses, Macapaenses, Manauaras, Gauchos, Cearenses, Cariocas, e nem por isso culpamos eles por estarem tirando empregos de paraenses ou de virem engrossar a violência na cidade… Sabemos que isso é um complicador sim, mas nada que trabalho e competência não tire de letra. Com todo o respeito aos manauaras: acho que os paraenses ou belenenses são mais ameaças aos manauaras que o contrário… É a única explicação cabível para tanta xenofobia. Esta é minha opinião.

Sei que os manauaras não vão gostar. Pois que postem seus comentários. Mas usem do bom senso e pelo menos da educação… Pois do contrário só estarão reforçando o que escrevi aqui. E outra, concordo em parte com o que escreveu o blogueiro motivador dos protestos por parte dos manauaras. Se ele mentiu na opinião… Ok! O Juca Kfoury também, e aí qual a verdade absoluta, mas se falou a verdade os manauaras estão cometendo o erro da cumplicidade… E pior, enganando a eles próprios. Então por que não ser realista em vez de regionalista extremo. Será que Manaus terá que sofrer outro favorecimento políctico/econômico, como a tão propalada Zona Franca pra se desenvolver, ou aprenderá a andar com as prórias pernas, errando e acertando como nós paraenses que nunca recebemos tantos favorecimentos assistenciais políticos e econômicos. Parece que aos olhos dos manauaras erramos sempre. Então por que alguém que erra tanto incomoda proporcionalmente tanto???? Deixo essa pergunta a manauaras e paraenses.

Posted by AFIN at 14:00:05 | Permalink | No Comments »

Friday, May 22, 2009

A VIOLÊNCIA CONTRA O PROFESSOR GILSON E “AS PUPILAS DO SENHOR REITOR”

Como corpo compósito do sistema nervoso central com  entrelaçamento nas sínteses passivas e ativas da estrutura visual que movimentam e organizam as imagens, as pupilas, oftalmologicamente Iris, também conhecidas como meninas dos olhos, agem, em processual de abrir-se  e fechar-se, permitindo a entrada da luz nos olhos para que seja possível o ver. São elas condutores de sensações luminosas, fundação e fundamento da imagem criada conjuntamente com a matéria.

Desta maneira, ver é criar imagens, como, também, analisar o mundo não só como síntese fenomênica, mas também como matéria política instituída em signos econômico, social, estético, antropológico, etc. O que conduz o sujeito além da síntese biológica de suas pupilas, e além da luz como sensações, as funções sensoriais dos olhos. Como também, se movimentar nos territórios dos sentidos epistemológicos. Examinar o mundo à luz do pensamento para liberar o obscuro e fazer emergir o conhecimento necessário à democracia.

O OLHAR DO REITOR

O professor Gilson, do Curso de Jornalismo da Universidade do Amazonas, encontrava-se, no dia 11 deste mês de maio, ministrando aula sobre tema referente a prática jornalística e sua relação com o poder governamental. Em certo momento narrou, e interpretou a condição de dependência da mídia manauara aos governos do Amazonas que escamoteia informações em benefício dos governantes. E ilustrou o caso da CPMI da Infância e Adolescência em que fazia alusão ao vice-governador Omar, que os jornais locais tomaram atitude silenciosa. Uma aluna se levantou, saiu de sala; então, minutos depois, entrou um homem no recinto e agrediu com socos e ponta pés o professor. O agressor era o não menos irmão de Omar.

O caso tomou, para a comunidade universitária e a sociedade amazonense, a dimensão que deveria tomar: o sentimento profundo de repúdio à irracional e covarde violência. Escritos, manifestos, reuniões, passeatas, convocações, atos de solidariedade, foram expressados em favor do professor violentado. Entretanto, o reitor passou dias sem ver o signo violento da transgressão e não se expressou como deveria se expressar um reitor em momento como este.

O reitor recorrendo a escotomia, escureceu e fechou os olhos para que a luz não passasse e mostrasse em toda sua visibilidade o afeto criminoso. Em seu estado escotomizado, o reitor não se expressou sobre as múltiplas violências sofridas pelo professor, o funcionário público, o jornalista, o chefe da graduação, do mestrado e doutorado. Não se expressou quanto a invasão do território geo-político da UFAM, seus corpus administrativo-jurídico, ético-pedagógico e sua essencialidade epistemológica.

Somente no meio desta semana, depois de muita ofensiva dos indignados e, principalmente, da Associação dos Docentes da Universidade do Amazonas – ADUA, o reitor permitiu que a luz visitasse as suas pupilas: publicou uma nota de repúdio contra, como diz o filósofo Alcimar, a barbárie, e a posição dos reacionários deputados, pró-Omar, que apoiaram o ato familialista do agressor.

Dizem que o reitor tardou em manifestar sua posição por que queria tomar uma atitude saída de uma observação serena. Só que o reitor não percebeu e não entendeu, que a própria serenidade emerge da violência consumada. Neste caso, ser sereno é agir  rejeitando o elemento transgressor da instituição e do professor. Atitude que demonstra a verdadeira função de uma autoridade educacional que tem a razão como princípio fundador de sua autoridade, e o constitui como um ser político  responsável pelo direito e a liberdade de convivência institucional democrática. E não simplesmente um agente técnico-administrativo que reduz sua função no poder público a contabilidade das ampliações de cursos e salas de aulas. Tudo que sensibiliza “as meninas dos olhos”, mas elimina o racional-político que a instituição democrática reclama.

Posted by AFIN at 21:59:17 | Permalink | No Comments »

Thursday, May 21, 2009

OPERAÇÃO ‘MOA’ DA CIVIL E FEDERAL: SEM HIPERTENSÃO, FILHO DE WALLACE SOUZA É PRESO

Enquanto o tio e vice-prefeito cassado continua incomunicável num estranhíssimo caso de estresse, segundo o hospital-amigo Prontocord, pai e sobrinho também são submetidos a estresse prolongado e doloroso.

A Polícia Civil e a Federal cumpriram ontem 62 mandados de busca e apreensão na cidade de Manaus, na operação que foi batizada de ‘Moa’, em alusão ao ex-policial e ex-segurança de Wallace Souza, Moacyr Jorge, que foi preso e, com o seu depoimento, ajudou a desarticular o esquema de tráfico de drogas e armas em que estão envolvidos supostamente os irmãos Souza, e confirmadamente pelas investigações Raphael e o pai, apesar de apenas o filho ter sido indiciado, devido à imunidade parlamentar do ainda-deputado estadual.

Na operação foram presos ainda vários integrantes da quadrilha, dentre eles o coronel Felipe Arce, que já havia sido preso pela operação Centurião, acusado de participar de grupo de extermínio e de um esquema de fraudes no INSS. Arce tem íntimas ligações com Wallace, para quem abriu as portas da PM, e permitiu a relação promíscua entre o programa do ainda-deputado e a força policial do Estado do Amazonas. “A minha polícia”, diria o governador Braga.

Os mandados foram expedidos pelo juiz Mauro Antony, da 2a Vara de Combate ao Uso e Tráfico de Entorpecentes, que recebeu e deve julgar o “Caso Wallace”.

No rescaldo da operação, foi apresentado como material apreendido um fortíssimo arsenal que incluía um fuzil com mira telescópica, farta munição e cerca de 70 mil reais.

No final da tarde, a notícia mais esperada: Raphael Souza, o Chefe, estava preso, fazendo o exame de corpo delito, retornando ao IML onde tantas vezes fora para verificar cadáveres de “amigos”. Neste momento, está recolhido ao IPAT.

Quanto faltará para chegar a vez do chefe-do-chefe?

Posted by AFIN at 04:15:13 | Permalink | Comments (2)

Saturday, May 16, 2009

RAPHAEL SOUZA É INDICIADO COMO CHEFE DA QUADRILHA. E O CHEFE DO CHEFE?

Acima, Moacir Jorge (à direita) em reunião de cúpula. Mas o “chefe” não está. Ou será que está?

Os jornais da cidade noticiam em destaque o indiciamento de Raphael Souza, filho do deputado estadual Wallace Souza e sobrinho do vice-prefeito de Manaus, Carlos Souza, e do vereador Fausto Souza. Raphael foi indiciado como o chefe de uma quadrilha envolvida com tráfico de drogas e de armas em Manaus, e que contava com “facilidades” dentro da estrutura do governo do Estado, tendo o apoio de policiais militares, aproveitando-se da influência política do pai e dos tios. Segundo os promotores Alberto Nascimento e Ronaldo Andrade, Wallace também é citado diversas vezes nas escutas telefônicas legais usadas como provas do indiciamento de Raphael. É bom lembrar que em seu depoimento, Moacir Jorge, o ‘Moa’, afirmou que o filho não dava um passo sequer sem a autorização e conhecimento do pai.

Assim sendo, se Raphael era o chefe da quadrilha, quem é o chefe do chefe?*

* Em tempo: os promotores encaminharam o inquérito à Procuradoria-Geral de Justiça e à Ouvidoria da Assembléia Legislativa. Eles não podem indiciar Wallace Souza, que tem imunidade parlamentar. Para bom entendedor…

Posted by AFIN at 16:38:20 | Permalink | No Comments »

Saturday, April 25, 2009

PRESO, RAFAEL SOUZA, FILHO DE WALLACE, REVELA A VERDADEIRA ‘CORAGEM’

Os objetos, entes, não carregam em si uma essência que lhes confira uma significação intrínseca, uma origem e uma função: isso é uma ilusão da epistemologia da idade média, que conferia aos objetos uma derivação sígnica divinizada.

No caso dos objetos manufaturados, há uma funcionalidade, uma utilidade: são feitos de acordo com as necessidades sociais ou individuais da sociedade que os produz. Inclusive a sociedade de consumo.

Mas os objetos não carregam apenas suas enunciações referentes à funcionalidade: eles também adquirem, de acordo com o seu uso e com os diversos enunciados que acabam por revelar, como signo, os liames da sociedade em que foram produzidos.

As algemas, por exemplo, não carregam em si valor algum, exceto a sua funcionalidade, que é a de imobilizar. No entanto, no Brasil, ela carrega no rastro das ações policiais, valores, dizeres, uma força judicativa: ela transforma o algemado em pária, lhe confere uma condição de marginalizado, não porque tenha ido contra o corpo das leis, mas porque no Brasil, durante séculos, ela tem sido objeto exclusivo de uso da chamada população pobre. Desde antes dos escravos.

No entanto, com a atuação republicana da Polícia Federal, no governo Lula, sob a batuta do ínclito Dr. Paulo Lacerda (afastado à revelia após a Operação Satiagraha da PF, e exonerado da direção da ABIN após o grampo que não aconteceu), as algemas começaram a frequentar pulsos mais abastados, e concorrer diretamente o espaço com relógios Rolex, pulseiras de diamantes e outros apetrechos da alcunhada elite, ignara.

Daí a reação do imóvel STF (que em 40 anos nunca condenou um político, sendo foro único e privilegiado para as ações contra os tais), através de seu presidente, Gilmar ‘Dantas’ Mendes, proibindo em súmula vinculante o uso das algemas nas operações da PF. Em nome, é claro, da democracia.

AS ALGEMAS DE RAFAEL ‘CORAGEM’ SOUZA

Ao ver-se algemado e preso em flagrante por porte de arma em sua casa, pela Polícia Civil, Rafael Souza, filho do deputado estadual investigado em 13 processos, Wallace Souza, sobrinho do vice-prefeito (cassado) de Manaus, Carlos Souza, indiciado por tráfico de drogas e porte ilegal de arma, passou mal, teve um pico de hipertensão, e foi internado num hospital particular da cidade de Manaus.

Há quem creia em uma estratégia para não chegar à penitenciária, mas na realidade, o que houve foi uma resrealização do ‘real’. A desvelação do malogro da existência. Um modo de existir que nega o real e constrói uma semiologia em composição com a patologia social. Daí a ilusão da incapturabilidade: a ilusão que o dinheiro dá, o vazio do poder, o rodopio da vertigem do hiperreal, iludem e seduzem. Todo sedutor é, na realidade, um seduzido. Pelo amor, pelo (vazio do) poder, pelos signos que travestem-se de real. No entanto, basta que intervenha um elemento estranho, instabilizador, e este falso real se desmorona. É o caso, na psiquiatria, de muitos surtos e suicídios, como por exemplo, recentemente, o do ex-executivo do Lehman Brothers. Com a queda da fantasia que sustenta o malogro do existir, a existência também perece.

Daí Rafael, produto das peripécias escatológicas dos televisivos Irmãos ‘Coragem’ e de uma existência falseada, ao ver-se algemado, ter passado mal. O real agora lhe surge como horizonte incontornável, os elementos que lhe davam uma ilusória segurança se dissiparam. A coragem se desfez…

Posted by AFIN at 16:18:08 | Permalink | Comments (1) »

Friday, April 17, 2009

RÉQUIEM PARA TEREZA: UMA FUNCIONÁRIA PÚBLICA

Amanhã, sábado, dia 18 de abril, na Igreja de Santa Terezinha na Rua Duque de Caxias com a rua Sete de Setembro, será celebrada as 19 horas a missa pela passagem do falecimento da ex-funcionária pública da Fundação Tropical Medicinal Tropical,Tereza Guedes de Oliveira ocorrido no dia 13 do presente mês.

Seus familiares, amigos da instituição Hospital Tropical e mais funcionários de outras instituições públicas, afetados dolorosamente pela causa do falecimento, convidam à todos que queiram participar deste ato religioso para estarem presente na referida Igreja.

Na ocasião alguns presentes irão expressar um ato solidário quanto a condição das administrações impostas aos funcionários públicos que não compõem a alegria do trabalho coletivo fundamental para a eficácia do atendimento público. A Ética Pública. Fator social da existência das instituições como órgãos do Estado cujo organismo constitucional tem como único fim a realização dos direitos dos cidadãos em sociedade.

A REPERCUSSÃO DA MORTE DE TEREZA

Todas as mortes ocorrem em um território com estados de coisas e enunciações definidas. Elementos corporais e incorporais que afetam todos aí constituídos. Porém, embora toda morte seja morte do homem, há mortes que em função de suas causas, e de seu entendimento, afetam apenas grupos reduzidos de pessoas. Mas há mortes que, também, em função de suas causas e de seus entendimentos, afetam grupos outros. São mortes que não ficam apenas no território particular de seu acontecimento. Se desdobram como acontecimento social por que entrelaçam-se com outros signos sociais e compõem com outros entendimentos das multiplicidades dos desejos, saberes e quereres que constituem uma sociedade. Este foi o acontecimento morte de Tereza, uma funcionária pública.

Em função de sua causa, a morte de Tereza não se reduziu à uma comunicação familiar. A morte de Tereza ultrapassou as relações familiares e os muros da instituição Fundação Medicina Tropical, onde trabalhava. O anúncio de sua morte chegou à outros territórios. Chegou na UFAM, na Assembléia Legislativa, junto aos professores, médicos, alunos, onde o serviço público se manifesta como compromisso social através das práxis dos funcionários públicos.

Desta forma, abstraída do conceito morte individual, a morte de Tereza, se enuncia, hoje, como um corpus público.

ENUNCIAÇÃO DE UM MÉDICO SOBRE A MISSA

Entre as manifestações de solidariedade para com Tereza, chegaram até este bloguinho intempestivo estes dizeres remetido aos interessados do Hospital Tropical pelo médico Wornei Silva de Miranda Braga, funcionário da Fundação Medicina Tropical.

O que vai com a Tereza/

Vai um pouco da História que poucos ainda se lembram!

Vai o sentimento do Tropical que resta em poucos,

O que fica depois de Tereza?

Ficam os comensais que entraram pela janela, sem concurso e sem história!

Fica a sina de uma Tirania que não conversa mas acusa e pune.

O que virá depois de Tereza?

O serviço Impessoal das clínicas privadas?

Um outro Tropical?

Fica com Deus e em Paz!

Zela por nós. Próximas vítimas?

Adeus”.

Posted by AFIN at 22:44:05 | Permalink | No Comments »