Seja a temporalidade-pulsada do Cronos que pontua a Sócio-Cultura, a base neurótica ou psicótica, das relações sociais, o certo é que esta temporalidade, benéfica ou não, determina o preenchimento dos afazeres cotidianos dos individuas. Ou seja, os indivíduos desta sociedade distribuem suas práxis sociais de acordo com este calendário. Sejam simples práxis domésticas, no interior do lar, sejam práxis entretenimento ou profissionais. O que se chama em linguagem comum: o tempo comprometido ou o tempo preenchido.
Os professores, como indivíduos-profissionais, não estão excluídos desta práxis-temporal. Eles, também, pontuam suas temporalidades de acordo com a cronologia dominante da Sócio/Cultura em que existem. Como dizem: programam seus afazeres de acordo com o tempo que lhe é dado a atuar nas relações sociais.
Desta forma, os professores do ensino público estadual e municipal programaram suas existências contando com o sábado para outras práxis fora do compromisso semanal nas escolas. Assim como outros cinco dias da semana estão comprometidos com suas práxis escolares, o sábado estava comprometido com outras práxis para realização de tarefas desvinculadas das escolas. Da simples compra no supermercado, passando por uma limpeza de casa, até aulas de cursos de pós-graduação.
Entretanto, alegando emergência-urgência no desenrolar do calendário escolar, a Secretaria de Educação e Qualidade de Ensino (SEDUC-AM) e a Secretaria Municipal de Educação (SEMED-Manaus) resolveram mudar este calendário, obrigando os professores a usarem o sábado como dia letivo. Uma decisão-determinação oficial sem nenhuma consulta às entidades docentes e qualquer professor isoladamente. Uma violência trabalhista e uma violência à dignidade do professor, que não pode ser trocada por nenhum outro objeto. Muito menos destemporalizado. Um ato que confirma o que já é sabido por grande parte da população: a educação no Amazonas é um eufemismo. Não é uma práxis política/social capaz de elevar as faculdades do Educando aos níveis de aprendizagem em que ele passe a produzir novas formas de percepções e cognições que o coloquem no mundo como sujeito-histórico criativo. Um Cidadão/Democrata.
Mas o que causou grande preocupação à população educacional foi a passividade dos professores diante do ato violento das duas secretarias. Estes profissionais receberam a decisão/determinação sem discutir com os representantes dos dois governos sobre as implicações que o ato continha. Que se tenha notícia, o SINTEAM (Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas) se manteve distante e passivo. Outras entidades ligadas ao ensino, também. E, a essa passividades, até os pais dos alunos fizeram coro. Não perceberam que a decisão/determinação também atinge suas relações familiares, posto que o tempo também pulsa no interior de seus lares. Suas famílias também têm o sábado comprometido.
No mais, aqui não importam os motivos que levaram as duas secretarias à imporem a decisão/determinação, o que conta, aqui, é a forma violenta como o ato foi realizado, e a forma passiva como foi acatada pela categoria dos profissionais da educação. O que fortalece, infelizmente, a certeza de que no Amazonas a instituição educacional não tem nenhum vínculo comprometido com a democracia constitutiva.