Friday, October 30, 2009

EMPREENDEDOR INDIVIDUAL – INFORMAÇÕES

Você, companheir@, que tem uma atividade de serviços ou produtos e a exerce de forma autônoma, fortalecendo a economia real do Brasil, para além da economia especulativa, essa economia real que ultrapassa as análises numerológicas e que envolve as relações existenciais, da qual o presidente Lula é sabedor, fato reconhecido até por economistas da direita, como Delfim Neto.

Se você faz parte dessa multidão que produz a riqueza do país, mas ainda não é coberto pelos benefícios sociais do estado brasileiro, conheça o programa Empreendedor Individual. É uma proposta do Sebrae, e que visa trazer o empreendedor para a formalidade. Assim, ele paga os impostos sem se apertar, e ainda usufrui dos benefícios sociais de um empregado com carteira assinada.

COMO FUNCIONA?*

Empreendedor Individual é uma nova categoria que vai melhorar a vida de quem trabalha por conta própria ou tem um pequeno negócio. Essa categoria, aprovada por lei, vai garantir benefícios da previdência e muitas oportunidades para milhões de brasileiros que são informais e nunca tiveram auxílio, proteção ou vantagens.

Se você está na informalidade, pode se tornar um Empreendedor Individual. Se você já tem um pequeno negócio, também pode migrar para o Empreendedor Individual. Essa nova vategoria é para quem fatura até R$ 36 mil por ano e que trabalhe sozinho ou tem no máximo um funcionário ou ajudante.

Camelô, ambulante, vendedora de cosméticos, cabeleireiro, manicure, costureira, pipoqueiro, esteticista, artesão, fabricante de bijuterias, borracheiro, sapateiro, marceneiro, bombeiro hidráulico, técnico em informática, marmiteiro, pintor, mecânico e outros empreendedores que montam o próprio negócio podem ser Empreendedores Individuais.

BENEFÍCIOS:

- Direito à aposentadoria;

- Auxílio-Doença;

- Licença-Maternidade;

- CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica);

- Emissão de nota fiscal (podendo assim, vender para empresas e para o governo);

- Comprovação de renda (necessária na hora de obter empréstimos e financiar compras);

- Acesso facilitado a crédito;

QUANTO É?

A única despesa será um imposto único de até R$ 57,15, que é pago sem dificuldades e sem burocracia.

ONDE?

Nos postos do SEBRAE ou da Previdência Social da sua cidade. Em Manaus:

- NAI – Núcleo de Apoio ao Empreendedor (Av. Joaquim Nabuco, 860, Centro – Ao lado do SINE – Tel: (92) 2101-2900).

Mais informações, aqui.

* - As informações são do Sebrae.

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Monday, October 5, 2009

BRASIL OCUPA A 75ª POSIÇÃO NO RANKING IDH

Segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano de 2009 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Brasil ocupa a 75ª posição entre as 182 nações estudadas pelo Relatório. Em uma escala que vai de 0 a 1, em que o 1 representa a nota absoluta, o Brasil recebeu a classificação de 0,813. O relatório também mostra em primeiro lugar, o melhor lugar para se viver, a Noruega, com uma classificação de 0,971. E em último lugar, o pior lugar para se viver, Níger, com 0,340.

De acordo com o Relatório, o Brasil vem crescendo, mas muito lentamente, e os itens que mais contribuem para essa quase paralisia são Saúde e Educação. O país ainda tem grande taxa de mortalidade infantil, além de ter uma expectativa de vida de apenas 72 anos. O que também contou para o Brasil ficar na mesma posição foi a entrada de outros países no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. São Países com o Índice de Desenvolvimento Humano maior que o do Brasil.

Sobre os itens Saúde e Educação, o economista Flávio Comim, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, afirmou: “Isso está ligado não só à saúde, mas também à educação. Por exemplo, entre as crianças filhas de mães sem nenhum acesso à educação, as taxas de mortalidade infantil chegam a 119 por mil nascidos vivos. É um número maior do que de muitos países africanos”.

Ainda sobre a educação que poderia elevar o Brasil a outra posição no Índice de Desenvolvimento Humano, o economista Flávio Comim disse: “Se olhássemos apenas a taxa de matrícula, teríamos um IDH igual ao de países desenvolvidos, Mas, quando se acrescentam 10% de analfabetos, isso puxa o IDH da educação para 71º. Se olhássemos só a expectativa de vida, nosso IDH seria de 82º”.

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O BRASIL PASSA A SER CREDOR DO FMI

Depois de passar décadas como devedor marcadamente dependente do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Brasil, agora, muda de condição na relação monetária com o Fundo. O Brasil, pela primeira vez, passa a ser credor. O anúncio foi feito pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, na Turquia. De acordo com o ministro, o Brasil vai adquirir US$ 10 bilhões de bônus do FMI.

O anúncio da posição do Brasil como credor do Fundo vem realizar o convite feito em abril pelo diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Hahn, para que o Brasil fizesse parte dos países credores da organização multilateral.

Em seu enunciado, o Ministério da Fazenda afirma que no meio da maior crise econômica desde a depressão de 1930, além de não recorrer ao FMI em busca de apoio financeiro, o Brasil encontra-se em condição de emprestar um montante expressivo de recursos à instituição FMI.

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Tuesday, September 29, 2009

PROFESSORES AMEAÇADOS DE NÃO RECEBER SALÁRIOS

Com a queda de R$ 9,2 bilhões no orçamento, como consequência da crise econômica internacional, para ser usado pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), os prefeitos ligados à Confederação Nacional dos Municípios, entendendo a situação difícil em que se encontram as prefeituras para cumprir o pagamento dos professores, resolveram ir até a Câmara Federal para, junto com os parlamentares, encontrar recursos para poderem pagar o piso salarial dos professores.

Pontos da situação vexatória em que se encontram as prefeituras quanto ao pagamento do piso salarial dos professores, segundo o presidente do CNM, Paulo Ziulkoski:

  • O Fundeb não será suficiente sequer para pagar o piso dos professores. Em 2008, ano em que não havia ainda a obrigatoriedade do piso, cerca de 97% dos municípios aplicavam cerca de 73% do recurso desse fundo apenas na folha do magistério.”

  • Há anos vivemos uma crise estrutural muito aguda no país, que aumentou agora por causa dessa crise conjuntural. Isso tem deixado as prefeituras em situação insustentável e, se a coisa continuar como está, mais da metade dos municípios brasileiros provavelmente terá suas contas desequilibradas.”

  • O problema tem origem no fato dos parlamentares e o governo terem feito uma lei sem dizer de onde viriam os recursos para cumpri-la. É hora do Congresso Nacional ter coragem de enfrentar o Governo Federal na questão da distribuição e partilhamento dos recursos e reafirmar a educação como prioridade de Estado.”

Mesmo com a crise que passam as finanças dos municípios quanto aos gastos na educação, o presidente do CNM afirma que a política do Fundeb para a educação é muito importante como política de financiamento à melhoria e valorização da educação.

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Wednesday, September 23, 2009

MOODY’S CLASSIFICA A ECONOMIA DO BRASIL COMO GRAU DE INVESTIMENTO

A Agência de Classificação de Risco, Moody’s, classificou a economia brasileira como grau de investimento, principalmente por sua capacidade de sair da crise internacional sem qualquer prejuízo.

Tudo isso mostra que o Brasil tem condições de sair de fato mais forte desta crise. Uma agência como esta, conservadora, considera o país vencedor, isto é de fato um selo que confirma tudo aquilo que está sendo falado pelo presidente”, comentou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

De acordo com suas expectativas, é possível que outras agências de classificação, como a S&P (Standard & Poor’s), considerem o Brasil em situação econômica positiva como a agência Moody’s e elevem seu rating (pontuação). “O mínimo que a S&P pode fazer é empatar o jogo”, afirmou Meirelles.

Para o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, a classificação dada pela agencia Moody’s ao Brasil pode melhorar muito os investimentos no país.

O fato de ser a última tem uma consequência importante, que não é necessariamente de curto prazo. É chamada melhora da qualidade dos investimentos. Isto é muito importante para o país. Não podemos melhorar só o fluxo, temos que melhorar também a qualidade de investimento. Quanto melhor a perspectiva e a reputação, mais teremos investimento de longo prazo”, afirmou Meirelles.

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Friday, July 10, 2009

ADESÃO DA VENEZUELA AO MERCOSUL: “CHANCE HISTÓRICA DE INTEGRAÇÃO” vs. “BIZARRICES POLÍTICAS”

Em certa medida, pode-se dizer que o maior intento do presidente venezuelano Hugo Chávez foi desterritorializar a América Latina, por isso toda a ojeriza do chefe do terrorismo de Estado, Bush Jr., contra ele e vice-versa. Em tempos de Globalitarismo, não era apenas um confronto ideológico a lá Guerra Fria, mas a partir de Chávez, principalmente para a América Latina, tornou-se perceptível mais do que nunca a ruptura definitiva com o padrão dominado/dominador para uma nova organização geopolítica, que afeta tanto os Estados Unidos, quanto a Europa, Oriente Médio, Ásia, em suma, todo o globo.

É claro que Chávez sozinho não faria tudo isso, mas a questão não é meramente individual, mas de ordem subjetiva; pois, pelas bandas de cá, foram insurgindo-se outros muito próximos ideologicamente e outros abertos ao diálogo político-econômico como Rafael Correa, Evo Morales, os Kichner, Lula, Daniel Ortega, Tabaré Vasquez, Michele Bachelet, Lugo. Mas Chávez, ou no que se tornou simbolicamente Chávez, continuou sendo uma espécie de mediador das práticas reais no Mundo Global.

CHANCE HISTÓRICA DE INTEGRAÇÃO”

Há muito se desenvolve uma das questões mais importantes para a América do Sul: a adesão ou não da Venezuela ao Mercosul. O Brasil tem um papel, devido a autoridade internacional de Lula e o fortalecimento da economia brasileira, fundamental nessa escolha. E essa escolha aponta para que lado, ou melhor, lados apontam os diversos dedos da classe política brasileira.

Assim, segundo a Agência Brasil, para o secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, em audiência na Comissão de Relações Exteriores do Senado, a adesão da Venezuela ao Mercosul é “uma oportunidade histórica de consolidar o processo de integração da América do Sul”. No que alguns senadores, como Eduardo Suplicy (PT-SP) e Cristovam Buarque (PDT-DF), mesmo não tão amantes à figura de Chávez, concordam.

BIZARRICES POLÍTICAS”

Mas, ainda segundo a Agência Brasil, alguns senadores se apresentaram com argumentos contrários à adesão, entre eles, nada menos que Fernando Collor (PTB-AL), Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) e, como não podia faltar, o 5,5% “Orgulho do Amazonas”, Arthur Neto (PSDB). Bem, não foram exatamente argumentos, mas irracionalidades verborrágicas. Os dois últimos, Collor e Mozarildo, disseram “não ter pré-disposição definitiva para rejeitar o ingresso venezuelano no Mercosul, mas sim a preocupação em saber se este é o momento mais propício para a concretização da medida”. Que disposição teriam Collor, com seu histórico impeachment, e o tacanho Mozarildo? Mas Arthur, mesmo estando à frente do governo neoliberal de Fernando Henrique, que quebrou o Brasil três vezes, aumentou o nível, fazendo das suas bizarrices costumeiras, disse que Hugo Chávez é marcado por suas “bizarrices políticas”, que “não gostaria de ver um palanque antiamericano estudantil”, e fechou demonstrando toda verve reacionária que lhe escorre: “Não consigo pensar em aliança melhor para o Brasil do que a que passa pelo eixo dos Estados Unidos e Europa.” Maravilha! Quem sabe nosso “Orgulho do Amazonas”, com reduzido coeficiente eleitoral, ainda não fica conhecido internacionalmente por suas bizarrices políticas?

OPOSIÇÃO TRAZ ADVERSÁRIOS DE CHÁVEZ”

O portal Vermelho, que enfatizou no título a chamada acima, pautou-se nos 8 convidados que deveriam debater de forma técnica as questões em torno da adesão venezuelana. Mas a a-posição trouxe, entre seus quatro convidados, o escritor escritor Gustavo Tovar-Arroyo e o ex-prefeito da cidade de Chacao, Leopoldo López, ferrenhos opositores de Chávez.

Já no lado da defesa da adesão, o principal convidado foi o empresário Darc Costa, presidente da Federação das Câmaras de Comércio e Indústria da América do Sul, que deu ênfase às questões conjunturais: “A elite brasileira tem o mesmo projeto para o país. Não podemos deixar que a nossa elite se divida por causa da divisão das elites dos outros.”

O único convidado pró-Chávez, o embaixador da Venezuela no Brasil, Julio Garcia Motoya, recusou o convite em uma carta em que afirma os senadores brasileiros “limitarem a discussão e a análise do tema ao jogo de interesses de particularíssima condição política”.

Se os senadores brasileiros acharam as palavras de Motoya ofensivas, imagine-se o que acharão os venezuelanos da verborragia de Arthur. Nada, os venezuelanos saberão diferenciar lucidez de paroxismo retórico/mental.

SUBJETIVAÇÃO POLÍTICA DO EVENTO

Tanto Chávez quanto o governo Lula sabem que não há isenção e imparcialidade técnica no debate, mas um enfrentamento político em todas as frentes e costas. Só faltou à a-posição convidar Fernando Henrique; mas é que a imbecilidade não chega a tanto. Não fosse Lula ter impedido a progressão da direita e se empenhado no fortalecimento do Mercosul, para o qual a Venezuela é de fundamental importância, a dupla PSDB-PFL teria há muito colocado o Brasil em regressão, promovendo a privatização generalizada dos maiores patrimônios nacionais, como fez com a Vale do Rio Doce e as Telecomunicações, e aderindo à Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), da qual se tem notícias no Peru através da chacina de dezenas de indígenas. É aí que reside o impulso da a-posição em forjar uma suposta crise no Senado; não tem nada com vontade democrática, mas tão somente tentar impedir o movimento da democracia. Mormente é uma questão que diz respeito a todos, pois se já não existe dentro e fora, as lutas estão em todos os lugares: lá, aqui, ali, acolá, alhures…

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Monday, June 22, 2009

ECONOMIA DOMÉSTICA ― NO BALANÇO DOS PREÇOS


Feioada

O PREÇO DO PORCO NO DES-GOVERNO DA CHEIA

Dona Candeia (entra na cozinha de Dona Juracy): Oh!, Juracy! Oh!, Juracy!Trouxe os ingredientes para preparar a feijoada para a festa!

Vó Juracy: Que bom! E a cheia continua fazendo o preço subir?

Dona Candeia: Tá mesmo! Além do preço subindo no “pau de sebo”, para entrar no mercado tem que pular por cima de pontes improvisadas pelos comerciantes! O rio já encheu muito, e tá empurrando de volta toda bosta que os prefeitos fizeram em Manaus! É a Iara que não quer mais seu rio poluído! Cadê o Tiquinho?

Vó Juracy: Manaus não tem tratamento de esgoto! O Tiquinho tá lá no fundo do quintal com o seu Pixa, ensaiando o Bumbá-Meu-Boi! Já sabe qual a lenda que vai contar na festa?!

Dona Candeia: Já sim! Depois quero contar ao Tiquinho! (Entra com seu Pixa na cozinha, cantando e dançando):

Eu tô soltando toada!

Mexendo com a ilha

Confirmando meu valor…

Eu tô soltando toada!

Mexendo com a ilha

Confirmando meu valor…

Garoto traz o mexiquerador!

Eu vou dar matacá neste cantador!

Garoto traza o mexiquerador!

Eu vou dar matacá neste cantador!

Vó Juracy: Que beleza essa toada! Só o Pixa para fazer a gente se lembrar de nossos laços culturais com nossa terra! Ah!, meu Maranhão!

Seu Pixa (continua a dançar com o Tiquinho): E a feijoada, vai ter?

Dona Candeia: Fui comprar feijão! Encontrei o feijão Preto de 4 tocos a 4 e meio, vai 5 tocos. Não da pra comprar não!

Tiquinho: O Curupira vai falar com Iara pra baixar as águas do rio e junto com ela o preço, não é, vó?

Vó Juracy: Vai mesmo! E o feijão carioquinha, deu pra comprar?

Dona Candeia: Pensei em comprar, mas tava R$ 2,50, encontrei de R$ 3,00, foi a R$ 4,00, e tem até de R$ 5,00. Vai na feijoada?

Seu Pixa (noutra toada): Curupira, cadê Meu Boi?

Ê, meu Boi!

Curupira, cadê Meu Boi?

Ê, meu Boi!

Deixar soltar o Urro!

Nos cantos e encantos da Natureza!

Para essa gente acordar!

Tiquinho: Curupira vai falar! Curupira vai falar com a Mãe das Águas pra fazer o preço baixar, não é vó?

Vó Juracy: Vai mesmo! E o feijão rajado, subiu no preço?

Dona Candeia: O preço era R$ 3,70, foi a 5 tocos e quem pode comprar de 6 reais vai pular o banzeiro de bosta!

Seu Pixa (pega o aluá e começa a servir a todos): Vai uma dose de aluá?

Curupira vai deixar meu boi urrar na floresta!

Urra! Urra!, meu boi bonito!

Vó Juracy (prova o aluá): Ei, tá! Até a festa isso vai tá uma beleza! E o feijão branco e o manteiguinha, nem esses deu pra comprar?

Dona Candeia (dá uma talagada): O aluá tá bom mesmo! Docinho! Docinho!Porque o preço do feijão branco é amargo, de 5 e 6 tocos; o manteiguinha, de 6 a 7. Vai feijoada sem feijão?

Tiquinho (cantando): Iara, Mãe dos Rios!

Houve o Curupira encantar!

Iara, Mãe dos Rios!

Houve o Curupira encantar!

(perguntando) Não, é vó?

Vó Juracy (passa a mão no rosto do tiquinho): A Iara vai escutar sim, meu Tiquinho! E a farinha branca, subiu nas águas?

Dona Candeia: Subiu também! E não é culpa da Iara! Muito menos do Curupira! Vai de 2,50 a 3,00 reais a seca, e a surui, 4 reais. Não tem como comprar mesmo.

Seu Pixa: Peraí! Curupira não deixa o porco sumir no preço! Feijoada sem feijão é brabo. Feijoada sem “leco leco”, tô lascado! Vai baixar o rio, minha Mãe Iara?

Vó Juracy: Vai, diz logo o preço, que eu vou tomar uma dose de aluá para aguentar a subida do preço!

Dona Candeia: Deixa eu tomar mas uma também! A orelha do “leco leco”, 8 tocos o kg; pé, também 8 tocos o kg; um rabinho (Rhuuuu!) 8 tocos o kg, a língua, que não é a que a Catarina gosta, tá 12 reais o kg.

Tiquinho: Ainda bem que a Catirina só gosta dá do boi.

Dona Candeia: Coitado do Chico se ela desejasse a do porco!

Seu Pixa: A costela da Eva, vai ter?

Dona Candeia: Da Eva pode até ser! A do “leco leco” tá de 10 tocos, vai a da Eva ou a do porco?

Vó Juracy: Linguiça, paio e bacon para dá um gosto, vai ter não?

Dona Candeia: Tudo um preço só 12 paus, e só é vendido em duas bancas. Deu não, minha amiga! Deu não!

Tiquinho: Candeia! Não vende tudo misturado não?

Dona Candeia: Tem, meu filho! Mas quem vai comprar de 9 tocos o kg.

Vó Juracy: Não vamos desanimar! A alegria faz parte dessa comunidade, e a festa vai ter assim mesmo, não é, Pixa?! Manda um canto para compor a alegria de estar com vocês. E, Candeia, conta a tua lenda! Vai! Eu e o Tiquinho acompanhamos com o pandeiro e o checo-checo que ele aprendeu a tocar!

Dona Candeia: Eu começo! E o Pixa canta no final da lenda!

Seu Pixa: Enquanto isso, eu aqueço com o aluá!

Tiquinho: Ei, quero pedir uma coisa à Candeia. De tanto falar na Iara, dá pra contar a lenda sobre ela?

Dona Candeia: É ela que vou contar agora. Vai, Jura, toca esse pandeiro! Lá na Paraíba li um livro que dizia que: “A Sereia européia – e grega – encontrou no Brasil duas mitologias dos povos formadores de nossa nação, onde há uma entidade feminina ligada à água possuidora de dotes maternos, e beleza capaz de enamorar o incauto que vagueie em seus domínios. Assim é Iemanjá, Dona Janaína, Princesa de Iaocá, Rainha do Mar, dos cultos afro-brasileiros, dominando mares e amando Xangô. Mãe e amante dos afoitos pescadores e mestres de saveiros dos mares do norte. Assim é a Iara dos indígenas, habitando rios e enamorando-se dos bravos e solitários guerreiros das tribos amazônicas. A mitologia indígena é constituída de deuses – Heróis míticos, criadores e civilizadores, que deram origem às tribos, que deram origem às primeiras coisas aos homens – e demônios ou gênios maus – com poderes quase idênticos aos deuses – que maltratam e perseguem índios. A estes, como aos primeiros, seguem os selvagens prestam culto, com cerimoniais que incluem canto, dança e oferendas.” Deixa eu tomar um pouco de aluá para continuar o canto!

Vó Juracy: Cuidado, Pixa! A Irara vai te encantar!

Seu Pixa: Vou já para a beira do rio!

Dona Candeia: Olha o encante, Pixa! “A Mãe das Águas, Iara, é uma personagem do nosso folclore brasileiro. De acordo com a lenda, de origem indígena, Iara é uma sereia (corpo de mulher da cintura para cima e de peixe da cintura para baixo) morena de cabelos negros e olhos castanhos. A lenda conta que a linda sereia fica nos rios do país, onde costuma viver. Nas pedras das encostas, costuma atrair os homens com seu belo e irresistível canto. [Olha o encante, Pixa!] As vítimas costumam seguir Iara até o fundo dos rios, local de onde nunca mais voltam. Os poucos que conseguem voltar acabam ficando loucos em função dos encantamentos da sereia. [Tá vendo o que acontece com os homens, Pixa?] Neste caso, conta a lenda, somente um ritual realizado por um pajé – chefe religioso indígena, curandeiro – pode livrar do feitiço.” Nem o mijo da Catirina te salva!

Vó Juracy: Ainda vai pro rio, Pixa?

Seu Pixa: Vou mesmo! Vou tomar aluá com ela no fundo do rio! Conta sua origem para o Tiquinho saber!

Dona Candeia: Contam os índios da região amazônica que Iara – [Ouviu, Pixa?] – era uma excelente índia guerreira. Os irmãos tinham ciúmes dela, pois o pai a elogiava muito. Certo dia, os irmãos, como forma de defesa. Após ter feito isso, Iara fugiu para as matas. Porém, o pai a perseguiu e conseguiu capturá-la. Como punição, Iara foi jogada no rio Solimões (região amazônica). Os peixes que ali estavam a salvaram e, como era noite de lua cheia, ela foi transformada numa linda sereia.”

Tiquinho: Então Iara significa “aquela que mora nas águas”, não é, vó?

Vó Juracy: Belíssimo! Belíssimo!, Candeia! É mesmo, Tiquinho! E ela vai baixar as águas para a gente festejar São João! Mas espero que ela encante todos os maus políticos que dizem cuidar dessa terra!

Seu Pixa: É que é para eles serem comidos pela pirará lá no fundo do rio!Posso cantar?!

Dona Candeia: Pode mesmo! Canta logo, home, que a noite já vai chegando, e a Iara vai tá te esperando!

Seu Pixa: Deixa ela me encantar!

Ô dona da casa, deixa meu boi entrar!

Ô dona da casa, deixa meu boi entrar!

Que no som da matraca ele possa sua casa alegrar!

Que no som do Zabumba ele possa sua casa alegrar!

Urra, meu boi, na alegria da canção!

Urra, meu boi, na alegria da canção!

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Tuesday, June 16, 2009

ECONOMIA DOMÉSTICA ― NO BALANÇO DOS PREÇOS


Frutas

SUBINDO NO PAU DE SEBO

Tiquinho (entra em casa a cantar): Boi! Boi! Boi… Boi! Boi… Bumba-Boi!Arreda, Arena… Deixa meu Povo passar! Arreda, Arena… Deixa meu Povo passar! Arreda… Arreda… Deixa meu Povo passar!

Vó Juracy: De boa! Que folguedo!

Tiquinho: Seu Pixa começou a ensinar os cantos para a Festa Junina!

Vó Juracy: Ainda bem que na rua em que moramos os traços culturais que cada um trouxe para a nossa comunidade são alegres!

Tiquinho: É mesmo! Tem paraense, piauense, maranhense, cearense…, que mantém seus laços culturais para não se deixar envolver com as falsas políticas do governo! Quando eu estava a meio caminho da feira, encontrei Dona Dalva, ela falou que ia à escola do Caneca!

Vó Juracy: O que foi que aconteceu?

Tiquinho (coloca a sacola da feira na mesa): É que na escola dele, ela foi chamada, porque lá o estudante até recebe a farda do governo, mas o pai e a mãe tem que assinar um termo de responsabilidade comprometendo-se de comprar a farda sugerida pela escola. É o tal de Centro de Excelência, vó!

Vó Juracy: Eles estão impedindo as realizações concretas do existir do estudante, fazendo se afirmar o blefe que é a educação no estado do Amazonas!

Tiquinho: Dona Candeia me disse uma vez: “Educação é movimentar, elevar a potência criadora, partindo do já conhecido para além dele. É que isso vai possibilitar as construções de situações constantes de cidadania”. E é o que menos ocorre nessa cidade, não é, vó?

Vó Juracy: É mesmo! E aí, como foi na feira? Comprou as frutas para nos ajudarmos a fazer o “Pau de Sebo” para a brincadeira de Santo Antônio!

Tiquinho: Vó, se depender da cheia, santo vai ficar sem “Pau de Sebo”! O maracujá, a senhora disse que era 15 tocos o cento, agora tá 40. Não deu para comprar…

Vó Juracy: A cheia tá fazendo o preço subir no “Pau”. E o mamão, vai ter?

Tiquinho: Ainda tá subindo no “Pau”. Era 1 real, foi a 1,50, e agora é 3 tocos. E agora, vó?

Vó Juracy: A cheia vai subindo no “Pau”. E a laranja, comprou?

Tiquinho: Tinha a Paulista, de 28 a 30 tocos; a regional, de 14 foi a 15, depois a 20, e agora é 25 o cento. Não deu para comprar.

Vó Juracy: Não tinha tangerina?

Tiquinho: Andei muito! Encontrei de R$ 3,30 a R$ 4,50 a dúzia. O cento era R$ 25,00. O pessoal se aproveita, não é, vó?

Vó Juracy: Esse “Pau” vai ficar pobre! E a goiaba?

Tiquinho: Tá em falta. Agora que industrializaram, só na polpa batizada. Quando encontrei, foi de 2 tocos a 3. Cheia na goiaba, não é, vó!

Vó Juracy (canta na cozinha): “Sou eu, Rosa Menina da Folha da Jussareira, da Folha da Jussareira! Eu, Rosa Menina da folha da Jussareira! Da folha da Jussareira! Da folha do Jussara!” Vamos passar bastante “sebo” para ver se o preço escorrega. E abacate, tinha?

Tiquinho: Só o de fora, R$ 2,19 o kg ,vai a R$ 2,50 e tem de R$ 2,80, de R$ 3,00, e ficou R$ 3,70. O regional, quando tinha era de 2 a 3 tocos. Só se for na mesa da lembrança do sabor! Passa “sebo”, vó!

Vó Juracy (começa a cantar): “Meu balaio! Meu Balaio de Guaimã! Meu balaio!Meu balaio de Guaimã! Que eu deixei no Maranhão! Ai! Ei! Meu Balaio! Ai! Ei! Meu Balaio!” O biribá, a graviola, jenipapo, bacuri, piquiá, uixi coroa, uixi liso… subiram também no “Pau”?

Tiquinho: Subiram? Não! Sumiram, vó! E não foi o Curupira!

Vó Juracy: E o abacaxi para fazer o aluá, deu para comprar? Seu Pixa perguntou de mim se ia ter o aluá, que ele conseguiu destilar uma cachacinha, e queria apurar o aluá. Além da música, pediu para cada um de nós contarmos uma lenda no dia da festa. Você já sabe sua lenda?

Tiquinho: O aluá vai ficar sem a cachaça! E a cachaça vai ficar sem o aluá. O preço vai de 1 real a 2,50. E só vende se for de 50 unidades.

Vó Juracy (os dois começam a dançar): “É Pau Pereira! É Pau Pereira! É o Pau de opinião! Todo pau dobra o galho! Só o Pau Pereira não!” Vamos falar com a vizinhança para ver se eles ajudam. Quando viemos para cá, muitos de nós plantamos árvores dessas frutas, e com certeza com a alegria dessa gente essas frutas vão aparecer nesse “Pau de Sebo”! A gente é Pau Pereira! Pau de Opinião!

Tiquinho: A Lenda que estudei é a do Bumba-Meu-Boi!

Vó Juracy: Vou me alegrar! Conta! Peraí, vou pegar o pandeiro para acompanhar! Vai, começa…

Tiquinho: SOBRE O BUMBA MEU BOI!

O bumba-meu-boi é uma das mais ricas manifestações do folclore brasileiro, ou da nossa cultura popular, como preferem outros.

É uma festa popular, de grande sensibilidade cultural, cujo conteúdo varia entre os inúmeros grupos de bumba-meu-boi, existem quatro principais formas de dança: o Boi de Orquestra, Boi de Pindaré, Boi de Zabumba e o Boi de Matraca, mas, basicamente, desenvolve-se em torno da lenda do fazendeiro que tinha um boi de raça, muito bonito, e querido por todos e que, inclusive, sabia dançar.

Na fazenda trabalhavam Pai Chico, também chamado negro Chico, casado com Catirina, tem o Cazumbá, Amo, os vaqueiros, o rapaz do Amo, o Diretor dos índios, os índios. E ainda tem o Gavião Real!

Catirina fica grávida e sente desejo de comer a língua do boi. Pai Chico fica desesperado. Com medo de Catirina perder o filho que espera, caso o desejo não seja atendido, resolve roubar o boi de seu patrão para atender ao desejo de sua mulher.

O fazendeiro percebe o sumiço do boi e de Pai Chico e manda os vaqueiros procurá-los, mas os vaqueiros nada encontram. Então o fazendeiro pede para o Diretor dos Índios que ajude na procura.

Os índios conseguem encontrar Pai Chico e o boi, que neste intervalo havia adoecido. Os índios levam Pai Chico e o boi à presença do fazendeiro, que interroga Chico e descobre porque ele havia levado o boi.

Os pajés (ou doutores) são chamados para curá-lo, e após várias tentativas conseguem curar o boi, que se levanta e começa a dançar alegremente. Então o fazendeiro perdoa Pai Chico e tudo termina em festa. Mas, vó, o Seu Pixa disse que o mijo da Catirina é que salva o Boi?

Vó Juracy: Valeu! Lindíssimo! Esse seu Pixa! É porque ela era a mulher mais bonita da fazenda! É sobre o Ciclo do BUMBA-MEU-BOI. Aprendeu?

Tiquinho (a vó continua a tocar): Aprendi! Escuta só! Os ensaios iniciam por volta do mês de maio. Nessa época, o “couro” do boi, que na verdade é um veludo, já está sendo bordado, e só pode ser visto pelas pessoas por quem está sendo bordado. É um segredo guardado a sete chaves, até que o boi seja batizado e consagrado a São João. A religiosidade está presente todo o tempo na brincadeira do bumba-meu-boi.

Os ensaios continuam até 13 de junho, dia de Santo Antônio, quando ocorre o último ensaio. Dia 23 de junho, véspera do dia de São João, o boi é batizado e o novo “couro” bordado e montado na armação de madeira em forma de touro. É mostrado para todos.

A partir daí o boi passa a apresentar-se, frequentemente, até por volta do mês de setembro.

Uma vez convidado, o grupo apresenta-se defronte a casa de quem o convidou. A apresentação começa um pouco antes da casa, quando o amo do boi canta a toada inicial, chamada Guarnecer, organizando o grupo para a apresentação.
Depois do
Guarnecer, é a hora do Lá Vai, que é uma toada para avisar o dono da casa e demais que o boi já está indo. Depois do Lá Vai, é cantada a Licença, quando o boi pede licença para se apresentar.

No decorrer da apresentação, cantam louvores a São João, São Pedro, ao boi, ao dono da casa e vários outros temas, como a natureza, lendas da região, amores, política, etc. Em determinado momento começa o auto, quando apresenta a história básica de Catirina e Pai Chico, que, no entanto, pode variar muito de um grupo para outro. Também é cantado o Urra do Boi e a toada de despedida. E a apresentação termina.

As apresentações sucedem-se até por volta do mês de setembro, quando ocorre a morte do boi. Para a morte do boi, é preparado um grande mourão no centro do terreiro, todo enfeitado. Defronte ao altar de São João reza-se a Ladainha. A matança do boi dura três dias ou mais, com muita festa e dança.
No final, o boi é morto simbolicamente, onde o vinho representa o seu sangue. O “couro” que envolvia a armação de madeira é retirado. Para o próximo ano, outro “couro” será bordado, novas toadas serão compostas e o ciclo recomeça.

Vó Juracy (abraça o Tiquinho): Lindo! Lindo! É a potencia de agir de uma criança na construção dos seus afetos comunitários alegres! “Se o boi morrer, o que será de mim?”

Tiquinho (canta): Vai morrer não, vó. Vai morrer não! Vou por a mão no regador, não vou deixar meu boi queimar…

Ele não sabe que seu dia é hoje,

Ele não sabe que seu dia é hoje,

Ele não sabe que seu dia é hoje,

Ele não sabe que seu dia é hoje.

.

O céu forrado de veludo azul marinho,

Veio ver devagarinho,

Onde o boi ia dançar,

Ele pediu pra não fazer muito ruído,

E o santinho distraído,

Foi dormir sem se rezar.

.

E vem de longe o eco surdo do bumba, sambando,

A noite inteira encurralado batucando,

E vem de longe o eco surdo do bumba, sambando,

A noite inteira encurralado batucando.

.
Bumba meu Pai do Gambo ô ô,

Bumba meu Boi Bumbá,

Bumba meu Pai do Gambo ô ô,

Bumba meu boi bumbá.

.
Bumba meu Boi Bumbá,

Bumba meu Boi Bumbá.

.
Estrela D’alva lá no céu já vem surgindo,

Despertou quem tá dormindo,

Por ouvir galo cantar,

Na minha rua restam cinzas da fogueira,

Que levou a noite inteira,

Fagulhando para o ar.

.
E vem de longe o eco…

(Boi Bumbá, Waldemar Henrique)

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Tuesday, June 9, 2009

ECONOMIA DOMÉSTICA - NO BALANÇO DOS PREÇOS


Mesa Junina

NA PREPARAÇÃO DA MESA JUNINA

Tiquinho (olha da janela o fundo do quintal): Vó! Ô, vó!Como tá ficando belo o nosso canteiro!

Vó Juracy: É cada vez mais belo!Como foi hoje na aula, teve merenda?

Tiquinho: As sementes estão se atualizando… Vai dar belas verduras! Lá na escola continua na mesma, sem merenda… A “mesa não tá farta”, e, além disso, agora a diretora da escola anda cobrando o fardamento escolar, só entra se tiver com a farda completa!

Vó Juracy: E ela não sabe que na ausência da farda o estudante tem o direito de entrar na escola de blusa branca e calça? Faz tempo que o governo não fornece o fardamento escolar, e ainda fica obrigando as famílias a comprar. Os pais deveriam reclamar os direitos de seus filhos, que o governo não está cumprindo: distribuir gratuitamente o fardamento!

Tiquinho: E tem gente que ainda fala que tem orgulho de ser Amazonense… Vó! Você comprou os preparos para a “Festa Junina” na nossa rua?

Vó Juracy: Eu ia fazer banana em calda, mas de 5 tocos foi a 8, e agora é 10 reais…

Tiquinho: O rio não tá baixando, vó?

Vó Juracy: Então resolvi fritar umas bananas pacovão para ajudar na festa. O cacho verde é 15 reais. A amarela 10 e a podre 5 reais. Chegando o caminhão com novo carregamento, o preço não muda! A banana fica podre e o preço não baixa.

Tiquinho: O rio vai secar, não é, vó? Vai ter aquele bolo de macaxeira?

Vó Juracy: Eu até queria fazer, mas o saco era 30 e agora são 60 reais. Só compra quem pode!

Tiquinho: Vó, o rio vai baixar, não é, vó? Vai ter pelo menos a tapioca?

Vó Juracy: É que o litro da goma é R$ 1,00 e chega R$ 3,50. Tapioca, nem pensar!

Tiquinho: A cheia vai pegando a culpa, não é, vó? Vai ter ao menos castanha…, a do Pará?

Vó Juracy: É R$ 1,00 o litro, vai a R$ 1,50 e chega a 2 tocos, eu acho que esse ano nem a tapioca nem o mugunzá vai ser preparado junto com a castanha…

Tiquinho: Eita cheia braba, não é, vó?! Nem o mungunzá?

Vó Juracy: A Candeia disse que foi comprar, mas era R$ 2,00, foi a R$ 2,50, e está R$ 3,00 o kg. Não vai ter não.

Tiquinho: Se não vai ter tapioca nem mungunzá com castanha do Pará, não dá para colocar coco seco?

Vó Juracy: Seu Xaveirinha ficou de dar, mas era 50 centavos a unidade, foi a 80, e agora é 1 real. Vai comprar só quem pode.

Tiquinho: Vó! Dona Jacutinga disse que ia cozinhar uns cará roxo…?

Vó Juracy: Mas ela disse que não vai dar não. O quilo era R$ 1,50, foi a R$ 2,00, e agora é R$ 6,00. Não da para comprar não.

Tiquinho: Vó, seu Tabaco disse que ia trazer uns tucumãs pra gente comer e depois brincar com os caroços…

Vó Juracy: É, o tucumã sofre a variação de preço conforme a demanda, e ele vem do Pará, o cento vai de 20, 25 a 30 tocos. E não é a cheia, não é, Tiquinho?

Tiquinho: Vó!, o seu Cavaco disse que ia trazer farinha de tapioca… especial…

Vó Juracy: Tiquinho, a cheia vai acabar, mas a farinha de tapioca que ele foi comprar era R$ 3,00, estava R$ 3,50, e está R$ 4,00. A cheia vai acabar!

Tiquinho: Vó, antes da festa, o rio vai baixar, Dona Zefa disse que ia fazer vatapá, seu Bicalha vai dar o pão…

Vó Juracy: Só que Dona Dalva foi comprar o camarão, aí a cheia fez o preço subir de R$ 9,00 o kg, foi a 14, encheu mais, foi a 16, encheu mais ainda, foi a 18, e hoje quem pode compra de 24 reais. Vai vatapá sem camarão?

Tiquinho: Vó! Não vou perguntar nem pelo tacacá, que já vi que não vai ter. E o milho para fazer canjica, bolo, pipoca?

Vó Juracy: Sumiu! E a gente não vai comprar o do supermercado, né?!

Tiquinho: Além de vir embalado e sem sabor, pode ser transgênico, e isso dá aquela doença, câncer, não é, vó?

Vó Juracy: Não é… Mesmo! Principalmente o social, que é o mas perigoso!Seu Cabaça disse que ia preparar o “gengibebe” para ao menos animar, mas tá na dependência do preço, é 4 tocos, em alguns cantos 6, e chega a 10 o kg.

Tiquinho: Seu Pixa não vai ficar bêbado. E vamos ficar sem as cantorias de Bumbá-Meu Boi e as histórias de lendas de nossa terra.

Vó Juracy: Não se preocupe, Tiquinho, com amor, a amizade e o dialogo que possuímos, a festa vai acontecer, e toda a rua vai transformar tudo isso em alegria!

Tiquinho: Vó, e o Pé de Moleque vai ter não?

Vó Juracy: Vai não! Por causa da cheia. E tem cuidado com o seu…

Tiquinho: Vó, até o Curupira tem que ter cuidado?

Vó Juracy: Esse, tá difícil perder o pé. Eles têm medo da natureza naturante. E, além do mais, vão ter que desfazer o nó que é essa administração da Zona Franca Verde!

Tiquinho: Eita! Vou esperar o curupira na festança!

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Thursday, June 4, 2009

FIM DO ESSENCIALISMO BINÁRIO DA OEA NÃO DEIXA CUBA LIVRE

A suspensão ontem (03) da resolução que expulsou Cuba da Organização dos Estados Americanos (OEA) parece encerrar no Ocidente um capítulo do maniqueísmo da soberania moderna (Toni Negri e Michael Hardt) que vinha desde, e mesmo antes, o período colonial separando, binariamente, colonizador-colonizado, branco-negro, capitalista-comunista. Mas, ao contrário, pode ser apenas mais uma armadilha para a revolucionária ilha.

Comandada pelos Estados Unidos, a principal acusação da OEA para excluir Cuba, em 1962, durante a Guerra Fria, a de receber ajuda, inclusive militar, da ex-União Soviética, era na verdade uma forma de minar a perseverança da pequena ilha desde quando Fidel, Che, Raúl, entre tantos, derrubaram o ditador Batista, que transformara a ilha numa colônia de férias americana , em tentar permanecer fora da relação dominador-dominado, que permitia ao então 1º mundo explorar o 3º mundo latinoamericano, principalmente através de implantação de ditaduras.

Outra acusação, de que Cuba era, e é, uma ditadura de partido único, cai por terra quando se sabe que a diferença entre um partido e vários muitas vezes não é uma diferença real. Em um único partido pode haver debates, enquanto que muitas vezes, como pode ser percebido antes e depois ditaduras na América do Sul, a corrupção pode estar generalizada. O que se sabe é que, se as eleições em Cuba não são as mais democráticas do mundo, é uma das onde se diz ter as menores possibilidades de fraudes.

Muito depois que a Guerra Fria esfriou de vez, Cuba, com todo o peso do embargo econômico, ficou conhecida por ter a melhor medicina do mundo, por ter erradicado o analfabetismo e ter um dos melhores sistemas de ensino do mundo. Mas, com a acusação de extermínio por Fidel Castro aos inimigos do regime, o embargo dos norte-americanos e seus aliados continuava, com os Estados Unidos gastando somente em propaganda contra o governo cubano mais do que o PIB de Cuba. E, mesmo depois de Raúl Castro assumir a presidência e iniciar um processo de “democratização” mais ao gosto Ocidental globalizado, absurdamente, os Estados Unidos continuaram contra a suspensão da resolução, até que foi completamente vencido pelos outros 33 países que compõem a OEA.

Celso Amorim diz que “a visão dos EUA sobre a América Latina mudou” e o chanceler argentino elogiou seu “renovado espírito de multilateralismo”. Mas ambos estão apenas utilizando estratégia de discurso-práxis democrática, pois sabem que por traz dessa aceitação das diferenças está a sanha capitalista em, finalmente atingindo o sonhado totalitarismo, misturar todas elas em seu proveito.

Por isso Lula é bem lúcio quando diz que foi “uma vitória da América Latina”, mas deixa bem claro sua desconfiança: “Não sei nem se Cuba quer voltar para a OEA. Eles podem não querer”.

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