Monday, May 26, 2008

POSEIDON DA FALTA D’ÁGUA

E bem depois que a Cosama foi dubiamente privatizada pelo grupo Suez, tornando-se Águas do Amazonas, e enquanto o marketing do prefeito Serafim é levar água para as zonas Norte e Leste de Manaus, moradores do bairro Novo Aleixo vão queixando-se que, além de não terem rua, agora também não tem água. Já são cinco dias que o líquido precioso vai faltando nas torneiras.

No feriado de Corpus Christi, muitas famílias religiosas cancelaram suas comunhões devido à falta d’água… A roupa por lavar… As vasilhas todas sujas… Cinco dias sem tomar banho… No final de semana não deu pra ir à balada, à igreja, ao shopping… Houve até quem perdeu a namorada, o emprego… Sabe o que são cinco dias sem água? E anos? E décadas? Em Manaus, há lugares onde nunca houve água encanada.

Para os turistas, vale um passeio pelo encontro das águas do Negro e do Solimões, mas não é possível ver o encontro das águas com a população. Ao contrário, até então, desde a estatal, passando pela privada, aliadas sempre às más gestões municipais, em relação à população, têm sido sempre um mau encontro. Apesar do nome Águas do Amazonas, as águas do maior rio do mundo não estão chegando até Manaus. Mas a população lembra que as eleições, sim, estão próximas. Aí as águas vão rolar… Água rola?

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Tuesday, December 25, 2007

O NATAL COMUNITÁRIO DO PAPAI NOELSON

O Natal é o nascimento do Novo. Novas relações nas quais as pessoas possam entrar em proximidades autênticas, para além das performances utilitaristas que tentam se apropriar das manifestações subjetivas construídas comunitariamente. Assim, todos os anos, desde 2002, Nelson Rocha deixa passar os fluxos do Papai Noelson e sai por bairros da cidade de Manaus distribuindo sorvetes gratuitamente para a criançada e para todos que entram afetivamente, independente de cronologias, no gosto dos diversos sabores do sorvete. Todo o evento sendo organizado por Nelson, proprietário da fábrica de sorvetes Sempre Frio, com a participação e auxilio de amigos e comunitários. A AFIN acompanhou Papai Noelson na distribuição que ocorreu ontem desde a manhã até a tarde e traz aqui imagens e uma entrevista com o Papai Noelson sobre as afecções de entrar numa linha lúdica com as pessoas. Corre a meninada, vêm todos que é o sorvete do Papai Noelson que vai passando.

Há 14 ou 15 anos atrás eu descolori a barba brincando num bar, o clube da esquina, uma amiga minha fez o gorro do Papai Noel e eu saí por aí e eu vi que as crianças começaram a achar interessante, ficavam brincando. Passaram-se um 7 ou 8 anos, aí em 2002 eu me caracterizei de Papai Noel, mas era mais uma brincadeira mesmo. Só que eu tive a intensão de fazer a entrega de sorvetes só aqui no Núcleo 5, eram 50 caixinhas de sorvete. Eu ainda não estava caracterizado como Papai Noel, só estava com a barba, o gorro e uma camiseta vermelha. Em 2003 tive a intensão de fazer, mas houve um acidente com um parente da Vitória. Em 2004 nós começamos com 5.000 copinhos de sorvete, em 2005 com 10.000 copinhos e foi virando tradição. As pessoas aqui do Núcleo 5 principalmente, porque na época nós fazíamos só o Núcleo 5 e o Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Quando foi em 2006 nós fizemos aqui no Núcleo 5, no Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e fomos a caminho da Carbrás. O negócio já foi mais sério. Em 2006 já foi pra 14.000 copinhos de sorvete.

As crianças me cobrando, as crianças aqui do Núcleo 5 e do Nossa Senhora do Perpétuo Socorro já me chamam de Papai Noel durante o ano todo. E eu fui cultivando a minha barba, 4 a 6 meses; esse ano eu deixei de agosto pra cá. E esse ano, com ajuda da comunidade, nós fizemos mais do que dobrar o número de sorvete: 30.000 copinhos de sorvete e num bairro novo, que nós não tínhamos ido: o Novo Aleixo. Virou uma festa, uma alegria enorme, todo mundo participa, as pessoas vêm, aparece voluntário não sei de onde, que vão surgindo. Esse ano, por exemplo, eu investi pouco, eu gastei dinheiro meu pouco. A comunidade participou, eu ganhei 25 fardos de açúcar, 2 fardos de leite, a produção que auxilia aqui fazendo a matéria. Eu faço questão apenas de dar uma contribuição simbólica pra eles. Quem banca economicamente é só eu com a ajuda desses voluntários que aparecem. Tem gente que eu nem conheço que tava participando aí. Economicamente até o ano passado foi só eu. Esse ano não, esse ano a comunidade ajudou. Não teve um parlamentar. Teve fornecedor que doou fardos de açúcar. Mas muita gente ajudou.

Ontem eu fiz parte de um evento da TV Amazonas como um Papai Noel voluntário. Eu fiquei emocionado. Eles estavam distribuindo presentes numa comunidade carente do Novo Israel, eu nem sabia que aquilo lá era Novo Israel ainda. Uma das crianças ganhou uma bicicleta, ela chegou em mim, me abraçou e disse: “Meus desejos todos foram realizados. Eu sabia que ia ganhar uma bicicleta, mas não sabia que ia ver o Papai Noel”. Aí foi lágrima. Foi muito emocionante, eu gostei muito da participação. É um veículo de comunicação, tem seus prós e seus contras, mas um evento desse é muito bonito e eu participo de novo ano que vem.

Ano passado uma loirinha agarrou a calça do papai noel, ela devia ter uns 8 anos eu acho. E ela tava chamando a irmã mais nova e disse: “Eu falei pra você que ele existia, ele veio e ele está aqui”. Como é que não chora. Esse ano eu propus pra mim que eu não iria chorar porque o evento ia ser maior e realmente até agora a pouco eu não tinha chorado. Mas a que mais me marcou foi essa do ano passado, que a menina agarrou e não largava a minha calça.

Eu não aceitaria nenhum tipo de envolvimento com alguém que quisesse tirar proveito econômico num evento como esse, a não ser que eu seja pego na rasteira. Eu estou disposto a ano que vem dobrar o número de sorvetes e fazer nesses 4 bairros que eu fiz hoje num dia e no outro dia difundir isso indicando um lugar onde as pessoas vão receber o sorvete, pra se concentrar num local só, num dia só porque fica mais fácil, a gente não tem condição física pra agüentar o dobro ano que vem. Esse ano eu tô esgotado. É muito cansativo.

Mensagem: Esse ano eu desejo que o Lula continue a fazer o que tá fazendo porque tá bom demais, e evolua mais até 2010.

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Monday, August 27, 2007

NOVAS INTENSIDADES NO BLOGUINHO INTEMPESTIVO

O Bloguinho Intempestivo (Blog do Nezinho, para os íntimos), que começou a compor suas linhas intensivas na internet lá pelas bandas de Fevereiro, ultrapassou a marca das 17.000 visitas! Pra quem pensava que a moçada da Manô RMM e de outras paragens não curtia papos filosofantes construtores da potência/comunalidade, a marca númerica numerante e intensiva mostra uma disposição para outros entendimentos sobre a cotidianeidade e o mundo, para além do além do óbvio da mass media e da opinião mediatizada.

E agora o Bloguinho aparece com mais uma novidade. A pedido de amigos (e inimigos) acessantes do blog da comunalidade intempestiva, agora você já pode dispor de não apenas um, mas dois endereços virtuais para curtir e compor linhas afetivas com o Blog.

Acesse também:

afinsophia.wordpress.com

e escolha. Ou acesse os dois.

 

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Saturday, July 28, 2007

E INDA TEM FRANCÊS QUE DIZ QUE A GENTE NUM SUMO SÉRIO

………..

@ O SENADOR EDUARDO AZEREDO, EX-PRESIDENTE DO PSDB, é tema da informação da Polícia Federal ao Procurador Geral da República Antônio Fernando de Souza. O senador é acusado de ter usado dinheiro público e privado em campanha eleitoral e não ter declarado à Justiça Eleitoral. Crime de Caixa 2. O que o jornalismo seqüelada, braço direito da direita, chamou de mensalão do governo Lula, pretendendo ocultar as antigas tramas do PSDB. No informe da Polícia Federal consta o nome das seguintes empresas: COMIG, COPASA, BEMGE, CEMIG, Queiroz Galvão, ARG, TERCAM, ERKAL e EGESA. Tudo de Minas Gerais. Na ponta aparece o bom carequinha, Marcos Valério, que recebeu 42 ligações telefônicas de Azeredo e ligou 12 para o senador, a quem passou 40 milhões. O que os golpistas queriam transformar em obra do PT. E ainda tem francês…

@ TODA VEZ QUE ARTHUR NETO VOCIFERA, o povo brasileiro passa a acreditar mais no adágio popular: “Quem persegue o outro com acusação, quer esconder o seu lado vão”. As investigações que a justiça vem conduzindo estão cada vez mais, demonstrando a síndrome Arthur, orgulho do Amazonas. Entre tantas, além das privatizações, tem o caso VARIG sob o domínio do PSDB, tendo como presidente do Conselho Administrativo da Fundação Ruben Berta o genro de Fernando Henrique, David Zylbersztajn. Herança maldita que o governo Lula tenta resolver. O caso da morte em 2002 da modelo mineira Cristiana Aparecida Fernandes, que transportava malas e valises com dinheiro para políticos em Brasília, e tome vociferação neto. Quantas vozes um neto carrega? Perguntam os filósofos Deleuze e Guattari. E ainda tem francês…

@ “DEPOIS DE TRÊS DIAS SEM SE PRONUNCIAR, o governo agora vem a público”. Sobre o pronunciamento de Lula à população. “Crise do governo aumenta o preço das passagens de avião”. Em razão da mudança de rota da partida e chegada dos aviões. “Lula diz que entrega alma a Deus quando entra em avião”. Pronunciamento do presidente na posse do novo Ministro da Defesa Civil, Nelson Jobim, ex-ministro de Fernando Henrique e amigo de Serra. Três manchetes da TV que apelam para ser democrática, BANDNEWS. Vejamos o que oculta a golpista paulista da família Saade. Um, quer dizer que o governo é relapso, não se preocupa com o país e debocha do sofrimento alheio. Enquanto o governo se manifestava e estudava políticas de ação no fato. Dois, o aumento do preço das passagens foi sugestão dos próprios gananciosos donos das empresas aéreas. Leia-se: TAM e GOL. As duas sob investigação. Três, Lula se referiu às combinações dos acasos que qualquer pessoa se encontra a se tornar usuária de uma máquina como o avião, a competência dos pilotos e as intempéries naturais. Tendenciosa e calculista, essa TV ainda quer uma interatividade com os telespectadores no fraudulento jornalismo tempo real. Quem pretende esse tipo de jornalismo para o Brasil? Quem pretende um jornalismo subserviente ao governo Fernando Henrique e diretamente ligado à direita conspiradora? Vejam o seu comentarista maior, Fernando Mitre. Só os reacionários querem. Quanto mais a mídia facínora interpreta as falas de Lula ao seu bel interesse capitalista, mais expõe sua estupidez intelectual. E ainda tem francês…

@ O FILHO QUE FERNANDO HENRIQUE TEVE COM A JORNALISTA DA GLOBO, Miriam Dutra, distante da fiel esposa D. Ruthe, vem à tona para discussão em dois planos: Um, o comportamento cretino de homens públicos que usam seus privilégios para se satisfazerem sexualmente com mulheres ambiciosas; e dois, o tratamento da mídia quanto ao assunto patriarcal/fálico. O silêncio cúmplice. Principalmente da Rede Globo, que na época teve amnésia total para proteger seu benfeitor e sua esmerada funcionária e o fruto Tomás Dutra Schmidt. Já para o caso Lula e Miriam Cordeiro, o tratamento foi diferente: apelo cristão à dignidade da família brasileira, o “Dever de Saber”. É assim que a moralista Globo imagina democracia e conseqüentemente respeita seus globotários. E ainda tem francês…

@ O INVESTIMENTO DIRETO DE EMPRESAS ESTRANGEIRAS no Brasil, em junho, foi da ordem de 10.318 bilhões de dólares, segundo anunciou o Banco Central. Isto afeta dolorosamente os golpistas, pois representa investimento em políticas públicas que beneficiam mais ainda a população, principalmente a menos privilegiada, e de quebra fortalece o Governo Federal e aumenta a credibilidade no presidente Lula. Tudo que a direita alucinada não pretende nem em sonho encantado. E ainda tem francês…

@ “HÁ VÁRIOS MESES, COM DOSES A CADA VEZ RENOVADAS de hipocrisia e cinismo, o governo Lula está sendo literalmente linchado por praticamente toda a grande imprensa nacional. Em um país como o Brasil, a “criminalização” de apenas “dois anos” do único governo não oriundo da atávica reprodução das elites tecnocrático-corporativitas e oligárquico-escravagistas seria hilária se não fosse trágico…”. Escrito em 05/01/2006 pelos filósofos italianos Toni Negri e Giuseppe Cocco. E a mídia sórdida continua, mesmo com a inteligente análise dos filósofos ela não se vergonha de ser tão miserável. A pergunta: Quem é esta direita epistemológica e eticamente degenerada para querer se mostrar sabedora de um governo mais que Negri, militante e teórico dos estados e governos pós-modernos? A resposta é: impotente, invejosa e covarde. Como já se mostrou ineficiente em governar, quer assaltar o estado brasileiro, tramando contra Lula. E ainda tem francês…

@ A ARGENTINA CRISTINA KIRCHNER, advogada, senadora, beldade, inteligência, candidata a presidente de seu país, e nas horas de folga companheira do atual presidente e ponta-direita da seleção bolivariana de futebol, Néstor Kirchner, está a exatos três meses da eleição presidencial, em primeiro lugar nas pesquisas de opinião, com cerca de 50%, e pode levar a fatura já no primeiro turno. O segundo colocado amarga rasos 11 percentuais. Cristina pretende dar continuidade aos avanços econômicos e sociais no país alvi-celeste. Quando Kirchner (o marido) assumiu a presidência em meio a uma crise econômica resultante da implantação total do modelo neoliberal pela era Menen, o índice de pobreza era de 60%. Já está em 26%. O desemprego é inferior a 10% e o país cresce juntamente com as exportações. O governo Kirchner se aproximou da Venezuela, e faz importantes investimentos naquele país. Cristina, recentemente em viagem pela Espanha, afirmou que os mesmos investidores que criticam a política socialista de Chávez, quando em particular, não param de comemorar os excelentes negócios que fecham nas terras bolivarianas. A direita reacionária portenha já cogita inclusive colocar na disputa o recém eleito prefeito de Buenos Aires e ex-presidente do Boca Júniors, Maurício Macri, fã declarado de FHC. Em vão, dizem as pesquisas. Diferente de cá, lá existe uma imprensa forte, que não está ligada aos interesses do capital financeiro. Existe um cinema que transborda nas imagens e no enunciado afectos e perceptos desestabilizantes da ordem do capital. Existe uma psicologia/psicanálise que pensa para além do teatro de costumes da psicologia verde-e-amarela. Existem uma música que não se curva diante do capital das gravadoras estrangeiras e toca nas questões culturais e políticas próximas à coletividade. E existe uma população que se manifesta e fala sobre suas dificuldades, se organiza e produz material e imaterialmente. E ainda tem francês…

@ A PALAVRA MOVIMENTO CARREGA rastros conceituais filosofantes: a alteração da composição dos corpos e de sua velocidade, produzindo uma variação contínua. No plano filosociológico, marxianamente, o movimento surge da análise da existência humana no mundo tomada como realidade totalizante. Quando se toma o mundo a partir das fantasias produzidas num imaginário tomado pela dor e pelo ressentimento, não há movimento, mas somente fantasmagoria, ilusão. A mídia nacional é especialista em produção de ilusões. Se a notícia resulta da análise do fato, a peça marketista resulta de um vazio: vende-se o que não existe. O mais recente fruto sujo do capitalismo (como o escritor e jornalista George Orwell chama a publicidade) produzido pela mídia e pelos clubes recreativos da autoproclamada elite nacional chama-se Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros ou Campanha Chega!, e tem a participação de “entidades de representação da sociedade civil”, segundo a Folha de São Paulo, um de seus arautos. Encabeçado pela reacionária OAB (que, dentre outras, já pediu o impeachment de Lula), pela FIESP, com a participação do PSDeBista Nizan Guanaes (responsável pelas campanhas tucanas desde a reeleição de FHC), e empresários, como o orgulho-do-papai João Dória Jr. (mais um júnior? Ah, a personalização familiarista…). Evidentemente, não são representantes sequer de si mesmos. São conseqüência da subjetividade do lucro engendrada pela sociedade de controle e pelo capital financeiro, que produzem os males que fingem combater. Tal como a mídia golpista, que acredita compor e orquestrar a opinião pública, mas não consegue sair da idéia quimérica do outro como derivação de si mesma, daí não entender o motivo das sucessivas surras que tem tomado das massas silenciosas desde 2005 até hoje. E ainda tem francês…

@ NA VENEZUELA AGORA É A GLOBOVISIÓN, com o encerramento da RCTV o principal canal da direita-golpista lá, que vem recebendo “incentivos” do governo americano. Quem comprova é a advogada venezuelana-estadunidense Eva Golinger, que, com documentação proveniente do governo dos Estados Unidos, afirma que o periodista da Globovisión, William Echeverría, uma das vociferantes vozes contra Chávez, vem recebendo as suas “becas”, premiações pelas distorções, invencionices, etc, que vem perpetrando contra o governo bolivariano da venezuela. E ainda tem francês…

@ QUE OS EUA TERÃO DE SAIR DO IRAQUE, até os aliados bushianos do Partido Republicano afirmam. Ninguém os quer por lá, nem americanos, muito menos os iraquianos, dos mais díspares grupos. Mas Bush, parece querer embushar por mais tempo e pretende deixar a retirada somente para 2009. Ora, como seu governo vai até janeiro desse ano, a tarefa ficará para o próximo governo. O covarde envergonhado da covardia. Para os iraquianos, para o povo americano, para as manifestações democráticas de todo o mundo, é muito tempo. As forças americanas no Iraque só poderão aumentar o que fizeram em todos estes anos: massacre, tortura, estupro, ódio, medo. E o governo Bush, não dava para antecipar a retirada, já que estava no fim antes mesmo de iniciar? E ainda tem francês…

@ OS DESCONCURSADOS DA SUSAM continuam sangrando na sua tentativa de forçar o Governo do Estado a chamá-los a prover os cargos a que foram aprovados. Braga estaria forçado a isso pelo Ministério Público Estadual (MPE) e Ministério Público do Trabalho (MPT), mas apelou ao Supremo Tribunal Federal (STF) e só após o julgamento do pedido do governador é que prosseguirá ou não a ação. A questão não passa pelo desemprego dos temporários, como quer o governador. “Se o governo estava preocupado, para que fez um concurso tão grande? Seria apenas para forrar os cofres?”, perguntam os desconcursados. E inda tem francês…

@ O MINISTRO DA CULTURA, Gilberto Gil, que está de férias, e saiu a trabalho, divulgando seu novo CD, Banda Larga. Hum?! Não é bem um CD, já que Gil instiga as pessoas a baixarem pela internet. E não é só isso. Gil defende abertamente a compartilhação livre da música. Parece que logo, logo a pirataria não será mais crime. São as novas ferramentas servindo para diminuir a exclusão e permitir o conhecimento do que passa por fora da indústria cultural. É só escolher. E inda tem francês…

@ E PARA O DESESPERO DO PIM da Zona Franca de Manaus, as ZPE’s (Zonas de Processamento de Expotação) foram sancionadas pelo Governo Federal. Alguns dizem que não darão certo. Se se tornarem, como no caso da ZFM, apenas pouso e decolagem de capital, baixos-salários, carga-horária de trabalho massacrantes, dará certo apenas para o lucro de empresários e candidatos defensores de modelos industriais distantes da realidade da população. Veremos! E inda tem francês…

@ O ESVAZIAMENTO DA CÂMARA ITINERANTE demonstra sua prática de respeito aos anseios da população. Com a falta da maioria dos vereadores e secretários municipais que deveriam debater com a população suas reivindicações, vê-se vários motivos atestados: um, não servem para extrair votos da população, talvez até os faça perder, pois suas ações serão conhecidas no tête-à-tête; outro, que alguns desconfiam que a sua criatividade em inventar desculpas não é ilimitada; e por aí vai… Dê o seu atestado aos vereadores e secretários. E inda tem francês…

@ FILME BRASILEIRO VAI ABRIR o 11° Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa, que ocorrerá entre 14 e 22 de setembro. Trata-se de “A Casa de Alice”, de Chico Teixeira. O filme, que tem como ponto de partida o impulso sexual de seus personagens pertencentes a uma família da baixa classe-média paulistana, já coleciona diversos prêmios por vários festivais, vem sendo apontado como refinado cinema de arte e comparado com o cinema argentino de Lucrécia Martel, diretora de O Pântano e La Niña Santa. Finalmente surge um filme brasileiro que se aproxima da criatividade e sensibilidade do cinema argentino? Só vendo. Se for verdade, aqui em Manaus será difícil ver, pois as salas-de-cinema manoniquins não costumam sair do ordinário filme e excursionar pela arte. E ainda tem francês…

…………….Vamos que vamos!

……………….. ……..Nunca fomos. Se tivéssemos ido,

………………………………………Nuca teríamos nos movido.

Escrito por Afin at 11:15

 

 

VELHICE E AÇÃO POLÍTICA AFETIVA-COMUNITÁRIA

O encontro aconteceu ontem pela manhã na Unidade Básica de Saúde Maria Leonor Brilhante, no bairro Tancredo Neves, sobre a velhice e suas variações biológicas, afetivas, produtivas, intelectivas na cidade de Manaus. Fugiu à definição disseminada de velhice e suas características fisiológicas de degradação em si, e dos eufêmicos projetos fundados na infantilização-idoso. Daí os velhos, como as crianças, serem vitimados por programas paliativos que colocam as experiências autênticas e o conhecimento constituivo comunitário excluídos do processo de criação da existência. Partiu-se para uma discussão sobre a participação política dos velhos na cidade. Percebendo-se a improdutividade vinda das instâncias responsáveis pela docilização/exploração dos corpos, das representações de uma sociedade categorizadora, voltada para o lucro. Analisando-se a violência das relações econômicas, governamentais, sociais na fabricação da invalidez-dor. A força de preservar a integridade da existência autêntica explodiu, concebendo um movimento deviniano onde o homem continua sempre, independente de idade cronológica, a querer alcançar sua real essência, produzida a partir do aumento da sua potência ativa de agir (alegria). Daí a existência se tornar, necessariamente, mais suave e comprometida com a vida; uma contínua criação de novas responsabilidades e modos de existir (ética) para com o mundo. A participação do velho enquanto produtor de relações de vizinhança no espaço comunitário se engendra através do conhecimento e experiência na busca pelo enfrentamento das dificuldades numa cidade como Manaus, que se condiciona no sufocamento da potência ativa das pessoas. Uma velhice constitutiva pulsante esteve presente como força organizadora da conversa, cortando a realidade constituída e escapando das codificações paralisantes do aparelho de Estado.

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Tuesday, July 24, 2007

A DENEGAÇÃO EDUCAÇÃO ESCOLA EM MANAUS

Manaus sempre foi historicamente uma cidade em que a educação e a escola são um exercício tímido de transmutação social. Uma relação amaciadora de desejos construtores. Um “como se”. Uma aliança madrinha/afilhado sempre refletida em todas as instâncias do estado como passividade. Como a atuação familial em todas as profissões. Uma espécie de provincianismo submisso à ilusão castradora do colonizador. Daí a prática: “Esta parte do estado me pertence”. Sempre esteve ligada ao conceito de educação como recognição: eterno reconhecimento pelos alunos do que já fora reconhecido por outros alunos de outros momentos escolares. O déjà-vú do pôr o já posto. Hábito de proteger o que não é mais pulsante. Apelo mais à faculdade memória do que à faculdade intelectiva. E escola como um corpo arquitetônico, lugar para onde confluem os elementos atuantes da realidade corpórea para defender a tradição dos enunciados fúnebres. Cerimônia macraba do espírito paranóico eterno dever. Para o estado o fator institucional da prática estatística referente à quantidade de participantes, matrículas, aprovações e reprovações. O número infalível sedutor orçamentário. O suporte da lógica governamental de que basta saber manipular estes pressupostos administrativos/financeiros para ser um eficiente secretário. O que abre um largo espaço para todo tipo de chantagem e negociatas, até vislumbre de candidaturas a cargos legislativos. E quiçá, executivo. Nunca educação é educare: colocar à frente, movimentar, avançar como práxis e prateein. Ação transformadora e criadora. Poiesis comunitária. Nunca escola como ethos grego, scholé, como habitação do criar e pensar, território de fluxos mutantes e quântas desterritorializantes. Encontros afetivos e intelectivos produtores de saberes, desejos e libertadores de paixões tristes. O movimento, o avançar. Território da alegria fluente de estar junto em liberdade. Não. A educação e a escola em Manaus são a imposição à renúncia do educador e do educando como moventes ontológicos. É o espectro da vida paralizada pela tanática burocracia e os interesses pessoais que odeiam a liberdade movente. Até mesmo no ato perceptivo, a escola escorrega para a denegação do querer tornar-se. A maior parte das escolas, materialmente, vivem em estágios de invisibilidade. Seus visíveis são seus imóvéis e móveis com seus sarcomas sociais/escolares. Há metástases em muitos tecidos que nasceram como atributos educação/escola, e foram patogenizados. O sistema penitenciário de observação, delação e denúncia estabelece o medo e comanda diretores, técnicos e professores, preocupados em adivinhar os interesses dos bem hierarquizados. Inúmeros são os casos de diretores e professores que sofreram punições em razão das discordâncias quanto à ausência de uma política pedagógica. Inexiste experiências quanto a práticas filosóficas/educacionais nos distritos. Mesmo com toda evidência que uma cidade não é homogênea em sua realidade corpórea e incorpórea. Bairros fronteiriços são diferentes. Até a propagada inclusão digital é restrita, mesmo com a política do Governo Federal. Engana-se quem acredita que basta um diploma, uma autorização saída de um estatuto consignador de voz, para o engajamento educare/scholé. Não. Nem um rito de passagem faz um educador, como fala George Gusdorf. Não é um sol estampado na camisa que faz a liberdade, como canta o cearense Ednardo. Mais uma vez, Manaus exercita a dor de castrar o devir educare, e dar continuidade à formação de profissionais alienados responsáveis por sua imobilidade. Mais uma vez educação não liberta. Mais uma vez é impossível ser cidadão.

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Monday, July 9, 2007

SOBRE O ESTADO POLICIALESCO

Como já foi conversado aqui neste bloguinho, a Lei é a corporificação do Estado. Entende-se, portanto, que essas leis estejam subordinadas àquilo que rege a forma de organização deste Estado, seus interesses, necessidades, forças constituintes.

Num Estado democrático, uma lei é sempre um enunciado que expressa a coletividade, e que, no plano desta mesma coletividade, não agride as pessoas, uma vez que há a compreensão de que essas pessoas, em sua individuação, aceitam compartilhar sua potência de existir para compor uma potência comunitária.

No entanto, quando as forças constituintes deste Estado perdem-se no acaso dos encontros e desviam o interesse do Estado da composição afetiva-comunitária do existir para outros interesses, deixando a democracia de lado, as leis que serão produzidas constituirão agressão ao existir das pessoas, e sua aplicação sairá da prática ativa da política para a subordinação policial à norma.

É o que ocorre com o chamado Estado Capitalista, onde o interesse maior é a produção e acumulação do lucro de alguns, em detrimento da força criativa e potência de existir de todos (porque também os que exploram têm sua potência diminuída). Neste caso, todo o conjunto de ordenamento da existência coletiva será organizado em função do lucro, e o resultado é um Estado policialesco, ainda que o texto da lei, à primeira vista, condene estas práticas.

Portanto, não é de se estranhar, e nem se poderia considerar novidade o resultado do estudo do CDH (Centro de Direitos Humanos) da arquidiocese de Manaus, que relata, dentre outras práticas, a parceria entre policiais e o tráfico de drogas. Não somente a polícia, dentro de um Estado policialesco, é policial, mas um sacerdote que se cala diante da corrupção dos corpos pela força do capital, que defende uma moral segregadora, hierarquizante, que enfraquece a potência do existir pela necessidade de controle sobre o agir das pessoas, é também policial. Como é policial o desentendimento de educação que acredita as pessoas apenas como objetos de uso para o mercado de trabalho, ou um amor que se pretende proprietário dos sentimentos alheios. Todas as formas de organização e administração dos meios de existência que sejam contrários à pluralidade dos modos de existir das pessoas, sua criatividade e inteligência, pode ser considerado policialesco.

O que é necessário enfraquecer são estas forças coercitivas da diversidade, características deste Estado burguês, e que contamina os atuais governos, enquanto continuidade dos governos anteriores, para que não seja mais necessário ao existir das pessoas o recurso da violência como forma extremada de exprimir o enunciado de violência a que são submetidas cotidianamente.

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TOQUE DO REI DO MAR NO TERREIRO DO PAI-GIOVANI

Fomos novamente ontem ao Terreiro do Pai-Giovani de Oxaguiã e acompanhamos o Toque de Candomblé dedicado ao seu caboco de nação Angola: Rei do Mar. Antes de iniciar, Pai-Giovani, com a afetuosidade que sempre o acompanha, explicou-nos o significado daquele Toque. Sua nação é Ketu; mas para dominar todo aquele conjunto de entidades, inclusive vindos de outras nações, como Umbanda e Angola, ele precisa que baixem cabocos de outras nações. Neste caso, seu caboco de nação Angola é Rei do Mar. E logo soaram os atabaques e agogôs e o Toque efervesceu os orixás, que, puxados pela possante voz de Pai-Giovani, cantaram e dançaram…

Lá pelas tantas, Rei do Mar nos chamou para conversar, queria saber de nós o que estávamos fazendo no Terreiro. Como ele se expressava em dialeto angolano, foi preciso que o jovem Robson de Oxóssi, Alabê (responsável pelos atabaques), auxiliasse na comunicação. Assim, explicamos e, com sua bênção, até nos permitiu gravar suas sábias e esclarecedoras palavras:

“Candomblé cultua a Natureza e os Ancestrais. A gente chama os ancestrais pra vir fazer bondade, punir quem deva ser punido. Todo erro que tu fizer, tiver alguma conseqüência do que tu fez errado, vai você punido pelo que tu fizer. É assim a Natureza. Se a planta não tiver dando fruta, ela faz com que de uma maneira ou de outra essa planta sirva pra qualquer coisa. Então a Natureza mesmo pune ela por ela ser infértil, não dar fruto pra ti comer. Porque é assim, tu precisa de alimento pra ti manter o corpo em pé. Mas precisa também de um alimento espiritual, para permanecer são, para ajudar a levar a vida. Todo mundo precisa de um suporte para agüentar espiritualmente. Todo mundo. Ninguém deve ser pagão, ninguém deve ser ateu, não acreditar em nada. Os cultuadores da religião do Candomblé cultuam elementos, o suporte deles é a Natureza. A Natureza de diversos jeitos: mata, água, fogo, ar. Tem o orixá do vento, tem o orixá do fogo, tem o orixá da água, tem o orixá da mata. Para cada elemento tem um orixá, esse é o suporte do ser humano do Candomblé. Se dá uma obrigação para um santo do elemento mata: Ossain, Oxóssi, Logun e os outros orixás, como Ogum, trazem prosperidade, trazem felicidade, trazem o amor que foi embora, traz fartura pro teu ilê, pra tua vida, trazem pro povo das águas também muita coisa boa. Os quatro elementos, todos os elementos.”

E o toque continuou, e depois baixou o caboco Sibamba, que veio trazendo sua bebedeira, seu charuto em baforadas e distribuindo impropérios, mas sempre muito brincalhão, mexendo com todo mundo e ativando a roda com seu canto e seus movimentos desconcertantes, que tomaram conta do terreiro até ele ir-se com a sobriedade…

FESTA DE OXÓSSI E INAUGURAÇÃO DO TERREIRO

Vai ser no sábado 28 de julho, quando haverá durante todo o dia a preparação, com as obrigações necessárias e à noite, 19h, iniciar-se-á a Festa de Oxóssi, a qual será também a inauguração oficial do Terreiro, que fica lá na IV Etapa do Jorge Teixeira, na extrema com o Valparaíso. Pai-Giovani e seu ilê convidam todos que compartilham da crença e simpatia no Candomblé como afirmação da vida.

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Friday, June 29, 2007

ÍNDIO: A FARSA DO EXOTISMO-IDENTIDADE

Começou quando o navegador genovês Cristóvão Colombo, estriando o espaço háptico mar, chegou às terras que depois viriam a ser chamadas Américas e, pensando estar na Índia, chamou os habitantes autóctones de “índios”. A forma-significante da linguagem autoritária era descarnada de significado e está claro que o corpo selvagem não aceitava os auspícios da inscrição violenta. Resistência houve. Mas a semiótica se recrudesceu em despotismo e formou uma linha dura no superestrato branco da imobilidade-História, onde estão a cruz, a espada, navegadores, jesuítas, guerras-justas, descimentos, encomiendas, Nhengatu, Marquês de Pombal, bandeirantes, europeus, José de Alencar, Gonçalves Dias, “a paixão de Ajuricaba”, “Dessana Dessana”, Caetano Veloso, boi-bumbá, museus, doenças, universidades, antropólogos, biólogos, institutos de pesquisa, ONG’s, governos… Todos, na linguagem ‘cabocal’, querendo fazer seu pé-de-meia.

Que o índio não existe, todos sabem; mas é preciso forjar um rosto cristalizado para o significante esvaziado. Então, tudo isso vai servir-lhe como palavra de ordem impositiva. “Diante da palavra de ordem não há nada a fazer, é só obedecer”, dizem Deleuze e Guattari. A última armadilha é precisa: identidade. “Eu sou um índio”. Um fantasma que não está na ordem deviniana natural, e também não lhe é permitido o acesso à semiótica branca. “Primeiro me fizeram deixar de ser índio, agora querem fazer eu voltar a ser índio na marra”, disse há alguns anos um ‘índio’ velho exilado em Petrópolis, bairro onde se situa a sede do INPA (Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia) em Manaus. Mas a população ainda não está crente: “índio”, “indião” são ofensas preconceituosas reveladoras do ludíbrio secular. Faz-se necessário apenas complementar: o exotismo. “Somos todos índios”. Em Manaus, as miçangas vão enfeitando o colo das cuiãporangas-socialites e dos turistotários. Cocar, caxiri, abadá. Confusão das jóias falsas. Os chamados índios sabem, mas para sua sub-vivência precisam fingir na ordem capitalista do marketing tribal. Da capital, organizam-se para o interior os esquadrinhamentos do território: projetos e pesquisas. Principalmente pelas universidades do sudeste, UFRJ e USP, e pelo ISA (Instituto Sócio Ambiental). Enquanto isso, os denominados índios do Alto Rio Negro vão denunciando pelo abandono médico-hospitalar a FUNASA (aqui), que, por sua vez, coloca em dúvida as ações das entidades conveniadas para repasse de verbas no estado do Amazonas, inclusive o próprio FOIRN (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro). Pergunta-se qual a ação de todos esses órgãos, captadoras de recursos nacionais e internacionais e as cifras que passam por elas, quando se vê o alto número de suicídio no Alto Rio Negro, e no Alto Solimões também. Não seria uma produção do recorte semiótico operado e a resposta política do selvagem que se quer incapturável? Oh! Admirável Mundo Novo!

Uma pessoa do INPA, próxima a esse bloguinho, e interessada na revelação das farsas amazônicas, diz que se cogita pela instituição a possibilidade da existência de ‘alguma riqueza mineral’ no sub-solo das terras do Alto Rio Negro. O ouro, ou seja o que for travestido em valor de barganha no Mercado atual - gás, fauna, flora, saberes-, os ‘índios’ não deverão soltar com facilidade. Agora o devir, o movimento intensivo, a potência do natural, os ’seres da floresta’ não devem soltar para os colonizadores antigos e presentes… Mas isso nenhum regime autoritário/despótico nunca alcançou.

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CONFERÊNCIA DOS ADOLESCENTES ENGAJADOS

O Bloguinho Intempestivo esteve hoje na Princesinha do Solimões, Manacapuru, e conferiu a VII Conferência Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, que tratou dos direcionamentos das políticas públicas para esta faixa etária, que precisam ser discutidos e implantados na cidade de Manauscapuru (é assim que se diz, depois da metropolinização?).

PARTICIPAÇÃO DOS INTERESSADOS

Que legal! Participação ativa dos estudantes, adolescentes da cidade. A turma que participa do projeto do governo federal, Agente Jovem, falou para este bloguinho sobre suas baladas sociais (onde fazem festa para arrecadar verba para ajudar famílias socialmente carentes com cestas básicas), suas movimentações comunitárias, como o desejo-desejante de criar um grupo de teatro e um grupo de discussão sobre os problemas da Maná. E ainda teve quem dissesse que adolescente é preguiçoso… Por enquanto, encontraram pouco apoio das escolas onde estudam. Fizeram uma análise dos professores e diretores das escolas, que carregam os mesmos códigos de uma deseducação, que não leva em conta os elementos corporais e incorporais necessários à comunalidade, que seus estudantes carregam. Maná igual à Manô? Essa necessidade reativa de capturar os fluxos comunitários e esvaziar as potências através da tutela do Estado sobre as produções coletivas é característica da maior parte dos governos, ao que parece, e em Maná não é diferente, ainda que tenha gente por lá tentando modificar esta situação, como a companheira Blue-Eyes Scheneider Regina, psicóloga do CRAS e do Sentinela, e uma das organizadoras do evento.

Apesar da participação da moçada com seus fluxos comunitários, a conferência ainda carregou alguns elementos da ordem da adultice xuxeada, como muita seriedade e burocracia, muita aula de EMC (Educação Moral e Cívica), aproximando-se dos enunciados constituídos pelo Estado. Mas como o assunto era políticas públicas para esta categoria etária (que só existe como imagem do pensamento do Estado), foi conversado com estes estudantes um entendimento de política como práxis, envolvendo as potências criadoras que, em coletividade, engendram o real, e que não é possível fazer política sem escapar dos enunciados que posicionam e categorizam as pessoas e os objetos. A potência quando varia afetivamente através dos encontros e composições entre os corpos engendra a duração (o tempo da Vida). Que não é a mesma coisa que a temporalidade cronos, da subjetividade do Capital, que se quer soberana sobre os corpos, inscrevendo nestes as marcas características de cada “idade”. Um estudante não tem idade, e compõe suas afecções no plano da existência independente da passagem desta temporalidade. O mesmo vale para a “educação para o mercado”, como foi dito por uma estudante: “a gente estuda por que é obrigado, mas a gente sabe que existem outras formas de se educar, diferentes desta que está aí nas escolas”. O educare como aumento da potência constitutiva, que fortalece os corpos, e não como decadência e uniformização para a produção do lucro.

Este Bloguinho compõe com o desejo-desejante destes estudantes em construir novos amores e comunidades de alegria na Maná-Manô metropolinizada.

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Thursday, June 28, 2007

DOCE ORGULHO AMAZONENSE

Dois homens. Dois amazonenses. Dois senadores. Duas histórias. Uma idealização: a moral. Um, depois de oito anos defendendo abnegadamente, como única verdade democrática, a orientação de seu partido, PSDB, como governo neo-liberal, globalização privatista, estado mínimo, corrupção, sustentada na máxima do filósofo do seu partido, José Giannoti, que política e moral não andam juntas, se auto-proclamou o Júlio César da moral. O imperador da indignação no governo Lula. O Cícero moralizante do Congresso. Depois de vários impropérios contra este governo e ameaça de surra ao presidente, ontem se lançou, exacerbadamente verborrágico, e confiantíssimo na vitória, ao cargo de presidente do Conselho de Ética do Senado, a realização absoluta de sua idealização moralizante. Efeméride que o mostraria como o mais justo de todos os justos em um cargo que diante da torrente das paixões: ’somos todos cúmplices’, Renan. Filósofos como Spinoza e Marx se perguntariam: É esta a pós-modernidade democrática? Contados os votos, e narrado o resultado, com quinze senadores votantes, fez cara de menino amuado no grupo escolar por não ter sido escolhido pela tia para cantar sozinho, no dia da Independência do Brasil, o Hino Nacional. Seis votos murcharam seu orgulho moral de Arthur, o destemido, contra nove de Leomar Quintanilha, do PMDB, amigo de partido e de pecuária de Calheiros. Novo presidente. Ainda não foi desta vez que seus pares o confirmaram como o absoluto moralista. O outro, senador Jefferson Péres, não apareceu para votar. Não se sabe se por sentir-se mais importante que os outros senadores, e por tal não querer se misturar com esses tipos; se por não acreditar em tal eleição; se por ter certeza que o caso Renan, já está resolvido e tudo é só encenação; ou, por outros motivos que escapam a compreensão da população democrática. Como um homem compulsivo pelo valor moral, sua falta foi muito sentida. Ele, o vigilante moral indormido do governo Lula, bem poderia com seu voto diminuir a desvantagem do candidato amazonense e mostrar para toda nação que somos ajuricabanos unidos. Ele, o quindim da mídia seqüeladamente golpista. O mais refletorado quando está em cena a moral do governo Lula. Ele que sempre pede para que os acusados se afastem do cargo. Ele que promete pendurar as chuteiras legislativas no fim do mandato, tal sua decepção com a política no Brasil. Ele que com toda sua força moral, não impediu que seu partido participasse do governo do PT Oh, my darling! Oh, Doce orgulho amazonense!

SOCORRO MÉDICO ESTÁ NA RUA

Um paciente esfaqueado, sob responsabilidade médico-hospitalar, neste caso, do Estado, fugiu hoje por volta de meio-dia do Pronto Socorro João Lúcio e caminhou até um ponto de ônibus próximo ao Terminal 5, no São José I. Descalço, trajando apenas um calção, o rapaz ainda estava fazendo uso do soro e utilizava o frasco para pedir carona. Não conseguindo, aproximou-se de um grupo de pessoas para pedir uma passagem. As pessoas cotizaram a passagem, e algumas contribuíram também com conselhos para que ele tivesse cuidados, que podia ‘inflamar’, etc. Uma mulher convenceu-o de retirar do seu braço a sonda do soro, por ser perigoso fora do posicionamento adequado. O rapaz finalmente tomou uma lotação e partiu, deixando apenas rastros para um comentário de uma mulher evangélica que estava na ponto de ônibus: “Esse tipo de gente parece que é anestesiado pelo demônio. Gente ruim assim não morre tão fácil”.

UM JOGO DEMOCRÁTICO

A Reforma Política, que está tramitando no Congresso Nacional, tende a não ter aprovados os seus principais pontos. Segundo o site Vermelho, partidos da chamada oposição (sem tese e sem antítese, sem saber o que é síntese), liderados pelo PSDB, tentarão emperrar a aprovação das principais propostas: da lista partidária fechada para eleições (o que diminuiria os famigerados candidatos biônicos e reduziria a força do caciquismo) e o financiamento público de campanha (o que seria um golpe no reinado supremo do caixa 2). A posição dessa histérica oposição já é conhecida de muito tempo.

Para as próximas eleições municipais, principalmente em Manaus, esse bloguinho, propõe um joguinho saldável: Feche os olhinhos bem fechadinhos e imagine uma lista tríplice com os nomes de candidatos à vereança da direita assumida, dos que não disfarçam como centro e dos radicados na esquerda faminta. Agora abra os olhos. Você vê alguma coisa diferente? “Sim: Eu imaginei três, mas é apenas uma lista”. “Não: Já que todos são o mesmo”. Há algum questionamento? “Será que no Amazonas ninguém quer mudança política?”. Valeu? “Claro, com esse joguinho intempestivo, ano que vem votarei de olhos bem abertos pela Razão e minha escolha será democrática”.

FANDANGO NA ESTRÉIA

Quando se jogava bola na rua, ou no terreno baldio, e se podia fazer as regras em coletividade esportiva comunitária, existia o famoso “dois gols, time fora”, ou seja, o time que tomar dois gols sai, e entra outro. Pudessem os jogadores profissionais da FIFA que disputam a Copa América trocar as 12 regras do futebol association pelo do futebol comunidation, o Brasil jogaria contra o xico somente 28 minutos. Castillo (que não se chama Lindomar) empurrou o primeiro, com direito a banho de cuia, isso depois de ter driblado (ou maradoneado, em bom castelhano) cinco brasileiros nos primeiros minutos da peleja. No segundo gol, de falta, o parente do presidente boliviano Evo, o Morales, cobrou falta e o goleiro nem chegou a ir sobre a bola. Destaque ainda para a matada no peito digna de craque do técnico mexicano. Mas peraí! O técnico mexicano era craque, sim. Hugo Sanchéz! Artilheiro mexicano que arrebentava as redes na década de 80 e início de 90, e jogou no fasci-time Real Madrid. No final da partida, o 21, Castillo, por respeito à torcida canarinho que saiu de Manaus pra ver o jogo na Venezuela Chaveana, perdeu o gol mais fácil do jogo, e não deu outra alternativa ao árbitro senão acabar o jogo. Amanhã tem Argentina e EUA! Por dever cívico, torceremos pela esquadra alvi-celeste! Valeu!

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