Monday, June 23, 2008

COLUNA VERTEBRAL

Se a Vertebral não analisou nada se realizou

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# Noticiam, em Manaus, que o jornal Diário do Amazonas, na madrugada de sábado, teve uma de suas paredes inscrita com onze balas. Onze balas perdidas como a seleção brasileira. Pergunta-se: Quem foi? Qual o objetivo? Esta vertebral responde convictamente que sabe QUEM NÃO FOI: O POVO! A certeza desta Vertebral sai de outra óbvia certeza: O Povo não tem dinheiro para comprar nem balas que alimentam lobrigas, e muito menos balas que matam. E mais: o Povo não tem nada a ver com a imprensa que é distante dele.

Este caso balístico seria engraçado se não fosse seu poder de furar. O engraçado é o que toca na imprensa manauara. O Diário do Amazonas é um dos jornais locais cuja liberdade jornalística está ligada a grupos ditos políticos. Durante anos a fio, foi ligado ao ex-governador Amazonino Mendes, hoje, novamente, candidato à prefeito. Com a eleição de Eduardo Braga para governador, se ligou a este “ex”- pupilo de Amazonino. Agora voltou a velha aliança com o ex-governador.

Em tempo de eleição a imprensa local se emaranha mais ainda em candidatos. A Crítica com Amazonino, o Amazonas Em Tempo com Eduardo Braga, e não vamos que não vamos. E a boa e amiga democracia só correndo por fora. E todos, tanto a imprensa como os candidatos, tinham Jefferson Péres como seu líder moral. Neste cipoal de ambição, pergunta-se: Qual moral? Segunda TDPM Transtorno Disfórico Pré Menstrual a alegria é São João com sua fogueira que não é da vaidade.

# Com objetivo de animar sua candidatura para reeleição, o prefeito Serafim Corrêa (PSB) SE ALIOU A DUPLA PA: Pauderney (PFL) e Arthur ‘5,5%’ Neto (PSDB). Bons momentos Serafim terá ouvindo essa afinadíssima dupla urbana, que em sua urbanidade trama contra o governo Lula ao qual Serafim é aliado. Vai que é tua Ambrósio!

#A BandNews, apresentando a Parada Gay na Irlanda, deixou evidente sua homofobia nacionalista. No momento em que mostrava a passeata, o repórter disse: “Em uma passeata como esta não poderia faltar o turista brasileiro. Turista. Então, apareceu um brasileiro dando sua opinião. Vic, assumidaço, perguntou, irônic@: “Ué! É um turista gay, ou um gay turista, queridinho? Para mim, primeiro é gay, depois turista. Quando voltar para o Brasil deixará de ser turista e continuará gay. Para nosso poder, não Rosthamd?”, completou gargalhando.

#Heitor Cony, esperto indenizado com uma boa quantia que o Estado lhe paga por nenhuma causa que defendeu no tempo da ditadura, continua, no auge de sua velhice sabotada, a tramar contra Lula. Anda dizendo que o nome de Dilma de tanto aparecer em suspeitas de atos contra o governo Lula, brevemente não terá importância nenhuma para concorrer à presidência. Wanderley, o bom deste velhaco jornalismo: eles mesmos tentam falsear a realidade para que o povo acredite. Como o povo não acredita, pois tem outra percepção do governo Lula, e nem sabe quem é o sabotador-reativo, os próprios velhacos passam a acreditar em suas falsificações.

# “Tem tanta fogueira

Tem tanto balão

Tem tanta brincadeira

Todo mundo no terreiro

Faz adivinhação”.

 

Nesta eleição

O povo não faz adivinhação

Ele sabe como vidente

Quem quer comer seu coração.

 

Quero Xote!

Beijos e Abraços Vertebrais!

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Monday, June 16, 2008

COLUNA VERTEBRAL

Se a Vertebral não analisou nada se realizou

# A Doutrina da Igreja Católica, em seu discurso teológico sobre as ações dos homens bons junto aos seus próximos, carrega a potência democrática do FAZE O BEM E NÃO DIGAS A QUEM, ou, seja, praticar um ato bom sem nenhum interesse ao reconhecimento, já que o reconhecimento é da ordem da vaidade do homem. Função de sua fraqueza decorrente de baixo auto-valor, ou comportamento de“quem ainda não se encontrou, ou que já voltou a se perder” (Marx). Propósito que foge à propaganda da evangelização que se dá na alternância comprometida do cristão engajado em sociedade. Cristão livre democraticamente. Fora da dívida de gratidão. O cristão do Cristo filho de Maria, e não o paulino.

Hoje, dia 16 de junho, pela manhã, D. Mário, um dos religiosos importantes da Arquidiocese de Manaus, mostrando uma face gratificada, foi homenageado na Câmara do Vereadores por seus trabalhos na área social, principalmente à frente da Fazenda Esperança, que desenvolve trabalho de reabilitação de drogados. Do entendimento desta Vertebral surgem dois rastros humanos demasiado humanos (Nietzsche). Um, em razão da fraca atuação democrática da maioria dos edis desta casa, D. Mário, com sua presença, coloca-se em equivalência ao estado de coisas deste território legislativo. Dois, D. Mário, de acordo com a Doutrina Cristã, se apresenta mais como ser antropologizado do que teologizado. Além do quê, com seu ato, elevar estes edis a categoria de Deus capazes de atingirem o conhecimento de sua obra. Apesar destes percalços, a segundona TDPM – Transtorno Disfórico Pré Mestrual não me leva mal.

# A Polícia Federal, na operação “De Volta Para Pasárgada”, continuação da Pasárgada I, prendeu pela segunda vez O PREFEITO DE JUIZ DE FORA, Alberto Bejani (PTB-MG), que já renunciou, por desvio de dinheiro público perpetrado por uma quadrilha recheada de grandes personalidades, de lobistas, passando por parlamentares, chegando até ao poder judiciário. Lá como cá, a virulência da anomalia democrática, roubo do dinheiro publico, é pandêmica. O prefeito do município de Coari, Adail Pinheiro, é acusado da formação de uma das maiores quadrilhas de roubo do dinheiro público. Lá, como cá, os personagens vão de parlamentares, secretários, serventes, juízes, tocando nas chamadas autoridades dos governos do Amazonas. Cá, como não lá, a PF ainda tenta prender (questão de pouco tempo) o acusado de chefe, Adail, e cá, como não lá, ele diz não renunciar. Enquanto isso, notórios inimigos do povo, principalmente os que usam a miséria para se eleger, querem uma CPI. Na linguagem popular: Jogo de cena. Na linguagem teológica: “Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra”.

# Tão Gomes Pinto é um dos poucos jornalistas do Brasil engajado socialmente. Conhecemos sua letra desde o tempo da Isto É dirigida pelo insuspeito jornalista ítalo-brasileiro, Mino Carta, criador e dirigente da revista Veja, no período cruel da ditadura, totalmente diferente desta Veja de hoje com os Mainardis, colunismo social de salão de beleza e consultório médico. Pois bem, o Tão escreveu uma espécie de biografia: “ELE, MALUF, A TRAJETÓRIA DA AUDÁCIA”. O lançamento está sendo hoje, com a presença de um Maluf felicíssimo, tanto em razão da pena de Tão, como sua crença de que foi muito importante para a democracia brasileira. Ora, ora, ninguém precisa falar sobre este espécime herdeiro de Ademar de Barros: “Rouba, mas faz”. Lógica aplicada no Brasil, e também aqui no Amazonas. Maluf é candidato a prefeito de São Paulo pelo seu partido PP-SP, por sua trajetória, é provável que seu livro não seja lido por seus semelhantes do legislativo e executivo, já que estes, em suas práticas, afirmam com sucesso a aprendizagem na escola malufista.

Me foque!

Isto é rock!

Beijos e Abraços Vertebrais!

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Monday, June 9, 2008

COLUNA VERTEBRAL

Se a Vertebral não analisou nada se realizou

Coluna Vertebral

# As investigações e os resultados apresentados pela Polícia Federal (também conhecida no governo Lula como Republicana) à opinião pública brasileira sobre a perversa apropriação do dinheiro público pelos acusados, prefeito de Coari, Adail, e seus comparsas composto de secretários, parlamentares, auxiliares, juízes, entre alguns outros, mostra duas faces reais. Uma, que a Polícia Federal tem cumprido o seu precípuo objetivo de justiça: atuar como instituição protetora do organismo do Estado, onde todas instâncias sociais devem agir com os interesses coletivos. Duas, certos personagens dos dois poderes legislativo e judiciário ainda tem do poder estatal o entendimento que é o caminho mais curto para se tornar poderoso pela representação que o dinheiro oferece. É claro que não precisa nem ser psicanalista como a Salô para se perceber o delírio de grandeza impulsionado por um forte sentimento de inferioridade, mesclado com a dor da inveja: “tu tens, porque também não posso ter!”. Em outra linguagem: medo por estar imobilizado em sua indiferença individualista. Aí a ilusão de que com dinheiro maior segurança. Ironia: a Polícia Republicana chegou e acabou com a segurança fantasiosa, mostrando o real.

O Cleoberto, lendo as notícias, atônito, perguntou: “Será que estes cara não sabem que os tempos são outros? E que qualquer indivíduo que em suas relações sociais apresente uma postura diferente da que lhe confere seus signos, principalmente econômico, é um evidente sinal a ser interpretado? Será que não sabem das novas tecnologias que a Polícia está usando? Só sendo muito estúpido!, tirou a peruca para tomar banho. A Deboá, gargalhando, psiquiatrizou: “Não está vendo que se trata de alucinação! O cara acredita na sua invisibilidade: ninguém vai vê-lo e ouvi-lo. Enquanto isso, a Polícia no real-social, só gravando e filmando os fantasmas alucinatórios deles”.

E o pior, é que tem gente até do PCdoB!”, exclamou um indignado Fadel. “A maior parte dos partidos, e amigos de governantes. Esta eleição vai ser o bicho. O ‘Dizes-me com quem andas’ vai ser a bola-moral da vez”, sentenciou a Clio, empurrando uma macia. “E o barato é que tem gente de outros carnavais. De outras operações executadas pela PF. E tome delírio-monetário. “Estes meninos não aprendem!”, diriam nossos pais. “Não, é necessidade freudiana de ser punido. Auto-flagelação. O dinheiro não é uma religião?”, teceu suas flutuações a Doraty. “E estes humanos demasiados humanos, ofensa aos primatas, ainda usam os nomes Deus, democracia, ética, família, todos os termos que acreditam servir de escudos contra suas perversões”, sentenciou a Lauda, partindo em sua super-moto. Mas ainda em distância de ouvir a Salô: “Freud já dizia: a compulsão religiosa e a perversão são irmãs”.

Hein, Waldemar, ter que escrever sobre este doloroso tema em uma segundona TDPM Transtorno Disfórico Pré Menstrual, dói, meu. Mas não dói muito porque informamos e, às vezes, até examinamos o produto da sordidez dita política desta terrinha que não está à mercê dos filhos que a entulham.

# Escrever sobre assunto bom. A Greta e a Marlene me perguntaram se eu ia escrever sobre a Primeira Conferência GLBT. Respondi que não, pois já estava tudo e mais algumas cores na coluna “O Mundo é Gay”, o mundo onde o jogo dos signos nas ondulações das aparências se deslocam como sedução das indistinções dos sexos, o poder incapturável do Mundo Gay. E aí, filósofa Filó? Aprendi e apreendi, o filósofo Baudrillard?

Cansei do Rock

Quero xote!

Tem São João

Santo Antônio

E São Pedro,

Três estrelinhas

A brilhar no céu!”

(Papete)

Beijos e abraços Vertebrais!

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Monday, June 2, 2008

COLUNA VERTEBRAL

Se a Vertebral não analisou nada se realizou

Coluna Vertebral

# “200 ANOS DE IMPRENSA BRASILEIRA SEGUNDO QORPO-SANTO”, título da palestra da filósofa Filó em uma escola de ensino fundamental na Zona Leste de Manaus. Vertebralmente, fui. Por que não iria? Adoro os subúrbios. Adoro crianças e jovens, pelo menos ainda não foram, de todo, capturados pelo buraco negro dos adultos reativos, como diz a própria Filó. Foi uma verdadeira borbulhança comunicacional, política, ética e social.

Filó começou comentando a importância revolucionária de Gutemberg, criador da imprensa, linguagem literária. O fundamento histórico do homem poder imprimir suas idéias e fazê-las veicularem pelo mundo afora. Mostrou os tipos de folhetins que corriam a Europa dos séculos XVII e XVIII com notícias cotidianas, algumas fortemente mistificadas. Algumas histórias que se tornaram casos jurídicos-psiquiátricos, sempre com auxílio da platéia participativa e atuante. Comentou a Aldeia Global de Mc Luhan, como teoria da comunicação de uma sociedade de consumo. Discorreu sobre o aparecimento das primeiras agências de notícias, e sua comercialização, o que tornou o jornalismo capitalista uma verdadeira batalha competitiva pelo privilégio das notícias. Fez uma agradável e inteligível exposição histórica para chegar ao personagem de sua palestra: O Decálogo aos Jornalistas, de Qorpo-Santo.

Entregou, para agitadíssima galera, folhas de papel contendo breve notas sobre Qorpo-Santo, onde se encontrava o seu Decálogo. Pediu que fosse lida, e depois pediu que alguém lesse em voz alta as notas. Uma linda pré-adolescente leu em uma voz segura e com o rosto feliz. Leu que ele era de origem gaúcha, vivera entre 1829 e 1883, foi crítico ferrenho de sua época, várias vezes internado com diagnóstico de distúrbios mentais, escrevera uma Ortografia, foi tido como o criador do teatro do absurdo, dadaísta, surrealista, escrevera várias peças de teatro, como: Hoje Eu Sou Um; e Amanhã Outro; Eu sou Vida eu não sou Morte; Lanterna de Fogo, entre outras.

Filó interferiu felicíssima, e pediu que a jovem só lesse, do Decálogo, somente as proposições sexta, sétima e nona. A jovem leu o título que Qorpo-Santo colocara em sua enunciação: “O que é; ou como deve ser um verdadeiro redator de jornal”. Então, foi lendo as proposições.

Sexta “Conservar sempre certa firmeza de caráter, brio e dignidade.”

Ambrósio, parecia que tinham jogado um coquetel Molotov de gargalhadas irônicas, no recinto. Ouviu-se até alguns, “Tá, Santa!”. A jovem segurou a parada hilariante e continuou.

Sétima “Que seja homem dotado de probidade e honra.”

Quase a casa cai. Algaravia total. Piração! Desencontro de vozes carregadas por gargalhadas efusivas. Novamente a jovem segurou a parada e anunciou a nona.

Nona “Que tenha sempre diante dos olhos mais o interesse público que o particular, não vendendo por isso mesmo as colunas do seu jornal a miseráveis, ou malignos especuladores.”

A casa caiu! Manifestação geral! Estudantes em cima de cadeiras, dançando, individual, em grupo, balançando as folhas com o Decálogo, eu me rasgando de rir, a Filó, unida à direção e ao corpo docente, todos gargalhando e se movimentando em ondulações dionisíacas, um verdadeiro louvor ao saber que conduz a ética comunalidade. Frases rolando aos cântaros (gostou dos cântaros, Senhorinha Felipe, nesta segundona TDPM Transtorno Disfórico Pré Menstrual?): “A Globo tem dignidade! O casal BonnerSimpson tem interesse pelo público, não é Lula?! A Veja tem um verdadeiro redator! Tudo comprado pelo capital. A Folha de São Paulo, Estadão, Globo, todos têm “firmeza de caráter”! Não vamos esquecer os nossos, principalmente em tempo de eleição, que escolhem o “bom candidato”! E sempre mais sentenças juízos sobre a imprensa brasileira. A Filó chegou perto de mim, me abraçou, e disse: “Cacete, Vertebral, que loucura maravilhosa! E ainda dizem que essa moçada é alienada!” E acrescentou: “O filósofo Baudrillard tem razão: é a voz silenciosa das massas. Tudo que as ditas ‘ortoridades’ não vêem”.

De repente, como se tivessem ensaiado, ouviu-se um coro uníssono:

200 ANOS DE QUÊ!?”

Depois deste toque

Não cansarei do Rock.

Beijos e abraços Vertebrais!

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Monday, May 26, 2008

COLUNA VERTEBRAL

Se a Vertebral não analisou nada se realizou

Coluna Vertebral

# Está nas ruas tecendo a dromografia lisa do viver é habitar nos olhos, no pensamento e na língua. “Homofobia Mata! Por um Estado Laico de Fato!”. É uma ocorrência política/ética das pluralidades (do grego: pletos) nas semelhanças democráticas: cada um em seus afazeres atuando como consenso social. Eis o heterogenia da décima segunda Parada Gay versão 2008 que dromografou mais de três milhões de participantes, sem contar, os curiosos distantes/próximos, afastados e aproximados por suas defesas afetivas. No popular: dificuldade de lidar com sua sexualidade. Lourdhet nos informou diretamente de São Paulo muitas das performances e dizeres da policrômica manifestação. Tudo que assevera que o Mundo é Gay. A Caosmose cintilante com suas alegres declinações, que impedem o mundo de tornar-se congelado pelo frio do medo e, conseqüentemente, da dor.

A filósofa Filó, que tinha programado ir, não foi: não conseguiu resolver questões pessoais. Fica pra próxima, Filó. Parada Gay é como imortalidade, enquanto houver um, haverá sempre uma parada. E como o Mundo é Gay, parada é que não faltará.

Um gay, em plena Eduardo Ribeiro, principal avenida do centro de Manaus, gritou convicto e feliz:

Eu sou gay!

Uma velhinha, que passava levando a netinha para escola, parou e disse, ao Coridon:

E quem não é, meu filho?

E seguiram as três em animada conversa.

# A ocorrência fundamental biográfica do senador Jefferson Péres, alcunhada pelo vulgo, mistificamente, de morte, visibilizou dois enunciados. Um, o medo individualista daqueles que estão em dívida com a existência, e que viram na ocorrência fundamental um agouro para si próprios. A certeza que acontecerá consigo. Nisso, a visível manifestação de que não havia tanto pesar pela ocorrência fundamental do senador. No poetar de Fernando Pessoa: “Temo, Lídia, o destino. Nada é certo. Em qualquer hora pode suceder-nos o que nos tudo mude”.

Outro, a disputa, nas exéquias, pelo privilégio de ser uma espécie de Deus ou psicanalista, que dá no mesmo, do senador, aí ser o que mais lhe conhecia. E tome qualidades. Só que todas as qualidades atribuídas por um era a mesma que os outros. Pela cantilena, observou-se que o esmero moral empacou na interrogativa: “Quem eles queriam funebremente homenagear, eles próprios ou o senador? Romualdo, imagina como vai ser na missa de sétimo dia. Vai ter nego que se sentiu lesado por não realizar sua falação, que vai à forra. Ainda mais que vai ser na casa de Deus. Aí que nego vai querer mostrar serviço. Fico imaginando o sofrimento do padre, jogado para segundo plano pelas doutas autoridades.

Não deixaram nem o cadáver esfriar e já caíram de boca. Entre tantos, o vereador Brás Silva, na Câmara dos Vereadores, falou que todos deveriam seguir o bom exemplo político do senador. Da parte dele, seguiria a moral do senador Péres.

# Cremilda, me diz uma coisa. Tu não tens percebido que desde o dia 20 do mês corrente (gostou do corrente?) o nosso amigo Prática Radical nunca mais foi atualizado. O que terá acontecido, Cremilda? Nós Sem Mídias não podemos sofrer baixa, que é alegria da mídia seqüelada. Cada blog parado é um ponto pros globo/arthur/agripinados. E aí, Tadeia? Manda notícias, companheiro!

Não cansei do Rock!

Nem mesmo do quero quero

Se a vida é um lero

Traço valsa, tango até bolero.

Beijos e abraços Vertebrais!

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Tuesday, May 20, 2008

COLUNA VERTEBRAL

Se a Vertebral não analisou nada se realizou

Coluna Vertebral

# Hoje não tem TDPM – Transtorno Disfórico Pré-Menstrual que me deprima. Ainda mais depois que cientistas descobriram que o sangue menstrual serve para tratar cardiopatias. Agora que quero agito. A escolha do Praciano para concorrer às eleições para prefeito de Manaus me lançou no turbilhão democrático. Saindo de um baixo astral auto-imposto, os rebeldes do PT a Afins, mostraram que um partido político constituído pelo desejo-povo não pode se dar a ignorância de escusar este desejo. O que seria a servilidade diante desta ignorância.

# Os supersticiosos dualistas dizem que a alegria de uns, tristeza de outros. Com superstição ou não, o certo é que a escolha do Praça estremeceu as certezas de velhos candidatos com pretensões prefeituráveis. Já que o quadro definido era este: o candidato DT: direita tradicional; os candidatos DD: direita da direita; e os candidatos ED: esquerda da direita (esquerda Oh, My Darling!). Agora com o Praça aparece o candidato E: Esquerda. Que tristeza estão sentindo. Faz parte, Romualdo!

# Aproveitando sua estada pela terra de Ajuricaba o Praça visitou seu antigo palco democrático: a Câmara do Vereadores. Lá abraçou e foi muito abraçado, principalmente por edis visivelmente da direitaça. Então saltaram em mim duas coceirentas interrogativas: Será que estes abraços e reconhecimentos efusivos são premonitórios? Será que esta gente já está procurando se garantir com Praça como novo prefeito. Se for, deste jeito a direitaça nos importa?

# Nas aulas que tive sobre Freud com a filósofa Filó aprendi que muitas vezes as pessoas dizem o que não querem dizer. Em meio a presença do Praça, o vereador Brás Silva, líder do prefeito, foi à tribuna e teceu elogios ao arigó. Disse que sua escolha como candidato do PT para prefeitura era vista como um grande acontecimento democrático. Chegou quase a dizer que ele seria o melhor candidato para Manaus, todavia ao terminar sua fala se revelou freudiano: “Praciano, nosso eterno vereador.”

# Então senti a coceira abaixo do ventre, seguida de uma gostosa satisfação política: “Praciano não é mais vereador, é deputado federal. Assim já escapou do ‘eterno’, então… o vereador Brás, latentemente, confessou dois desejos: um, ele próprio quer ser um eterno vereador, pois se ele afirma o eterno da instituição é porque estará sempre presente nesta instituição como vereador. Dois, ele quer que o Praça ganhe, mas não pode revelar publicamente, só através de desvios psíquicos. Como fazemos em sonhos. Walderlina , com Freud ou sem Freud, a direita já está trabalhando pró Praça.

# Brincando com a memória. Em abril do ano passado, quando este bloguinho intempestivo lançou a candidatura do Praça, um acessador destas nossas vias virtuais-inatuais-atuais-irreais-reais mandou um comentário meio que aceitando a candidatura do arigó, entretanto fazia uma observação: “Ele não tem experiência executiva”. Pois bem, amigo, a experiência é o percurso que uma pessoa faz quando está deixando um antigo estado de coisa para emergir em outro, mas como novo. O resto é só lembrança. Que tal esperarmos este percurso a ser feito, possivelmente, pelo arigó?

É xote, baioque, fox trote,

Muito frevo e muito rock.

Pois o que conta é nosso enfoque!

Beijos e abraços Vertebrais!

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Monday, May 12, 2008

COLUNA VERTEBRAL

Se a Vertebral não analisou nada se realizou

Coluna Vertebral

# Há vertebrados e invertebrados. Há vertebrados pela própria natureza e VERTEBRADOS QUE ASSIM SE FIZERAM; são homens. Há invertebrados pela própria natureza e INVERTEBRADOS QUE ASSIM SE FIZERAM; portanto, não são homens.

# Luana, quando se quer ser Deus, a terra desaparece. O tele-disangelista (segundo os gregos, a voz que traz a má notícia; mas, para os capitalísticos, a boa) Raul Gil diz que o JOGADOR RONALDO PRECISA DE JESUS. Pergunta-se: Jesus discriminava os gays? Jesus andava com vários homens. Eram iguais. No campo de batalha a maior parte dos combatentes é homem. Qual é o Jesus do tele-disangelista Raul Gil? O de Paulo, o fundador do ressentimento e da culpa, ou o filho de Maria, o devir do Amor? Raul Gil, em sua passividade televisiva, não aprendeu com o antipsiquiatra africano David Cooper que no sexo o importante é o orgasmo que aumenta a potência de agir. Não é, Tucão?

# A Lógica da indiferença na sociedade burguesa mesmo querendo se ocultar se manifesta. O estado do Amazonas, historicamente, sofre de uma profunda anemia intelectual. Quase sempre em sociedade, quando indivíduos isolados não se manifestam como analisadores das condições desta sociedade, sempre é a universidade que se manifesta. Amazonas é a contradição deste aforisma. Nunca constituiu grupos engajados nesta realidade. Pelo contrário, sempre se diluiu neste estado de coisas. AGORA ESTES INTELECTUAIS INDIFERENTES se posicionam para condenar a miserável situação em que se encontra o estado quanto a sua alienação artística-intelectual. Triste glamour, hein, Valquíria. Lizardo, e o Rui Brito por onde anda para mostrar que a arte sempre foi povão?

# Aderbal, a música canta assim: “Pois é, falaram tanto que desta vez a morena foi embora”. Pois é, Aderbal. A Tininha está meia xotiada com o Valdivia. O cara-gato entrou direitinho na da mídia e jogadores do antifutebol. O VALDIVIA FICOU TRISTE! Logo ele que afirmou que entrava em campo PARA SER FELIZ. Não faz mais aquelas jogadas garrinchianas, não mais maradoniza os breques e as corridas em fileiras. Tá sério. E agora jogando tecnocraticamente, com os cabelos castrados, não se diferencia de seus iguais. Tininha, meu amor, não fica tristinha não. Por enquanto tem o Michel.

# Duas senhoras conversavam na parada de ônibus:

Deu na televisão que as compras dos dias das mães é a segunda maior depois do Natal.

A outra:

EU ACHO QUE TEM A VER COM O CASO ISABELLA.

Uma terceira senhora, encostada em um poste, falou:

É culpa no cartório! É que pelos presentes filhos e mães querem dizer que jamais jogariam nenhuma criança pela janela.

A outra:

Se não jogaram e não têm intenção de jogar, não precisam dar presente.

A terceira finalizou:

O presente quase sempre é chantagem.

# A estupidez é patriarca da falha de discernimento. TOM CAVALCANTE SE NEGA A FAZER PIADA COM RONALDO. Entretanto, é homofóbico em outros quadros.

De todos toques

Quero também o Rock!

Beijos e abraços Vertebrais!

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Monday, May 5, 2008

COLUNA VERTEBRAL

Se a Vertebral não analisou nada se realizou

Coluna Vertebral

Apresenta

ENTREVISTA COM KARL MARX EM SEU 5 DE MAIO

Há universos. Há matérias. Há cintilações. Há Vida. Não há morte. As composições fazem os seres como contínuos diversificados. Quando o homem é engendrado, a Vida já se dizia. Na Vida não há Cronos, só Aion. O tempo Vida sem divisão. O filósofo Karl Marx estudou a matéria em todas as suas formas e demonstrações. Tem tese sobre os dois filósofos antigos que mostraram a matéria como força produtiva: Demócrito e Epicuro. Ao estudá-la, entendeu que a Vida é um movimento do qual jamais sairemos, pois não há morte. Nisso, ser possível conversar com o filósofo de O Capital neste 5 de maio de 2008, mesmo com seu registro de nascimento de 1818.

Esse, o presente do bloguinho intempestivo aos seus leitores nas festas do filósofo da pré e da possível História. Já que filósofo não aniversaria, é aniversariante. É o pensamento se fazendo no antes, no agora e no depois.

COLUNA VERTEBRAL Tu começaste na jurisprudência, enveredaste pela história, economia e te abraçaste com a filosofia. O que tens a dizer sobre estes que confundem teólogos como professores de filosofia com reais filósofos?

MARX Os filósofos não brotam da terra como cogumelos, eles são frutos da sua época, do seu povo, cujas energias, tanto as mais sutis e preciosas como as menos visíveis, se exprimem nas idéias filosóficas. A filosofia não é exterior ao mundo.

CV E sobre estes que se dizem filósofos, perdendo tempo interpretando o mundo…

M O filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras; o que importa é transformá-lo.

CV O que é o dinheiro?

M O dinheiro não é só um objeto da paixão de enriquecer; ele é o próprio objeto. Essencialmente, esta paixão é a auri sacra fames (a maldita sede do ouro).

CV Daí extrai-se a avareza. O que é a avareza?

M A avareza mantém o tesouro aprisionado, não permitindo ao dinheiro tornar-se meio de circulação, mas a sede do ouro mantém a alma de dinheiro do tesouro, a constante atração que exerce sobre ele a circulação.

O dinheiro não é só um objeto da paixão de enriquecer, ele é o próprio objeto.”

CV O que é isto, a relação dinheiro e poder?

M O poder do dinheiro é meu próprio poder. As propriedades do dinheiro são as minhas do possuidor próprias propriedades e faculdades. Aquilo que sou e posso não é, pois, de modo algum determinado pela minha própria individualidade.

CV Então, com o dinheiro posso mudar toda minha condição que considero inferior?

M Sou feio, mas posso comprar para mim a mais bela mulher. Conseqüentemente, não sou feio, porque o efeito da fealdade, o seu poder de repulsa, é anulado pelo dinheiro. Como indivíduo sou manco, mas o dinheiro fornece-me vinte e quatro pernas; portanto, não sou manco, sou um homem detestável, indigno, sem escrúpulos e estúpido, mas o dinheiro é objeto de honra, por conseguinte, também o seu possuidor. O dinheiro é o bem supremo, e deste modo também o seu possuidor é bom.

CV É um poder patológico?

M O poder de perversão e inversão de todas as qualidades humanas naturais, a capacidade de entre coisas incompatíveis estabelecer a fraternidade, a força divina do dinheiro reside no seu caráter como ser genérico alienado e auto-alienante do homem. Ele é o poder alienado da humanidade.

CV Uma das tuas teses básicas é a relação de produção, como chegaste a esta realidade social?

M A conclusão geral a que cheguei e que, uma vez adquirida, serviu de fio condutor dos meus estudos, pode formular-se resumidamente assim: na produção social da sua existência, os homens estabelecem relações determinadas, necessárias, independentes da sua vontade, relações de produção que correspondem a um determinado grau de desenvolvimento das forças produtivas materiais.

O modo de produção da vida material condiciona o desenvolvimento da sociedade, a base concreta sobre a qual se eleva uma superestrutura jurídica e política…”

CV O conjunto destas relações são o quê?

M O conjunto destas relações de produção constitui a estrutura econômica da sociedade, a base concreta sobre a qual se eleva uma superestrutura jurídica e política e a qual correspondem determinadas formas de consciência social.

CV Assim…

M O modo de produção da vida material condiciona o desenvolvimento da vida social, política e intelectual em geral. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser; é o seu ser social que, inversamente, determina a sua consciência.

CV E quando uma organização social desaparece para dar lugar a outra de acordo com suas contradições?

M Uma organização social nunca desaparece antes que se desenvolvam todas as forças produtivas que ela é capaz de conter; nunca relações de produção novas e superiores se lhe substituem antes que as condições materiais de existência destas relações se produzam no próprio seio da velha sociedade. É por isso que a humanidade só levanta os problemas que é capaz de resolver e assim, numa observação atenta, descobrir-se-á que o próprio problema só surgiu quando as condições materiais para o resolver já existiam ou estavam, pelo menos, em vias de aparecer.

CV Pós-modernamente, os partidos que se dizem teus seguidores demonstram à opinião pública risíveis contradições. No caso do Amazonas, apresentam-se comprometidos com governos reacionários. Eles perderam o senso distintivo do privado e das lutas históricas?

M Assim como distinguimos na vida privada aquilo que um homem pensa e diz de si próprio, e aquilo que, na realidade, ele é e faz, do mesmo modo se deve também, e com maior rigor, fazer nas lutas históricas, a distinção entre a fraseologia e as pretensões do partido, e a sua organização, os seus interesses reais, entre aquilo que eles julgam ser e aquilo que são.

CV Hoje, no Brasil, existe uma imensa quantidade de igrejas diretamente ligadas ao mercado capitalista. A cruel venda da religião. O que é a religião?

M A religião é a consciência e o sentimento do homem que ainda não se encontrou ou que já se voltou a perder. A religião não é só o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração, como também é o espírito de uma época sem espírito. Ela é o ópio do povo.

CV E qual a relação da religião com o capitalismo?

M Na religião, o homem é dominado por uma criação de seu cérebro; na produção capitalista ele é dominado pelo produto das suas próprias mãos.

CV E qual o propósito da crítica da religião?

M A crítica da religião leva à doutrina de que o homem é o ser supremo para o homem e ao imperativo categórico de destruir todas as relações sociais em que o homem é um ser degradado, escravizado, abandonado, desprezível…

CV O que é o trabalhador besta de carga?

M Um homem que não possa dispor de nenhum tempo livre, cuja vida inteira, à exceção das simples interrupções físicas do sono, das refeições é monopolizado pelo seu trabalho para o capitalista, é menos do que uma besta de carga.

As idéias nada mais são do que as coisas materiais transpostas e traduzidas na cabeça do homem.”

CV Já que tu tens pressa em movimentar teus enunciados políticos, vamos sintetizar umas perguntas. Da Arte…

M Na arte, sabemos que determinados períodos de florescimento não estão de modo algum em relação com o desenvolvimento geral da sociedade, nem, por conseguinte, com a base material, com o esqueleto, por assim dizer, da organização social. Por exemplo, os Gregos comparados com o moderno Shakespeare. (…) A atração que a sua arte (dos Gregos) exerce sobre nós não está em contradição com o fraco desenvolvimento da sociedade em que se produziu. É, pelo contrário, o seu resultado, está indissoluvelmente ligada ao fato de as condições sociais inacabadas em que esta arte nasceu e nas quais apenas ela podia nascer, jamais retornarem.

CV Da Dialética…

M Esta tem como objeto apropriar-se da matéria em pormenor, analisar as diversas formas de desenvolvimento e descobrir todos seus elos internos. É só depois deste trabalho realizado que o movimento real pode ser exposto. Quando se consegue isto, quando a vida da matéria se reflete nas idéias, podemos julgar que estamos perante uma construção ‘a priori’. (…) As idéias nada mais são do que as coisas materiais transpostas e traduzidas nas cabeça do homem.

CV Do Reino da Liberdade…

M O reino da liberdade começa no ponto em que termina o trabalho determinado pela necessidade e os fins exteriores: ele é, pela própria natureza das coisas, exterior à esfera da produção material. (…) A redução do número de horas de trabalho diário é a condição fundamental.

Nota não financeira: Todas as respostas são do próprio filósofo barbudão. E não de nenhum de seus apropriadores, para não dizer seus plagiadores. Inclusive nós.

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Monday, April 28, 2008

COLUNA VERTEBRAL

Se a Vertebral não analisou nada se realizou

Coluna Vertebral

Apresenta

A MAIS-VALIA DA MÍDIA NA IMAGEM DE ISABELLA

Começou outro frisson tanático/fúnebre na mídia. Com a reconstituição dos percursos e desfecho simulado pela polícia sobre o fato infanticídio da meiga criança, a mídia atrofiada entrou em despudorado (a essencialidade de seu corpo corrompido) encarniçamento: Quer saber quem era a boneca usada pela polícia usada na reconstituição? Qual o nome dela? Se era batizada, crismada e se fez a primeira comunhão? Qual o time que torcia? Se gostava da Xuxa, Eliana, Angélica e Malhação? Se tomava Coca-Cola? Todas as notas imprescindíveis para a produção venal do humano-mercadoria. A ilusão fundamental de que tudo se troca (Baudrillard). A ilusão produtora da sociedade/voracidade pervertida. Se nada pode ser trocado, porque nada tem equivalente, que a mídia construa o mundo dos conceitos com seus objetos equivalentes. A mais-valia da avareza imagética.

O GRANDE SAQUE DA GLOBO

Enquanto as outras mídias ficaram presas às questões pessoais da boneca reconstituidora, a Globo, como sempre lhe ocorre, saiu na frente, procurou um furo metafísico: Procurou saber se a boneca arriada do sexto andar do edifício já estava morta quando chegou ao solo. Ou se haveria nela algum sinal que pudesse incriminar seus autores.

Admoestada pelas autoridades de que se tratava apenas de um recurso policial-jurídico para auxiliar na conclusão do crime, ela, viciada em transformar o irreal no real em nome do lucro, em sua onipotência, sentenciou que, no mundo da troca, mesmo qualquer encenação é verdadeira. A boneca tinha vida. Se não tivesse não teria sido usada na reconstituição para assemelhar com o real, e não teria atraído tantas pessoas perto do local e diante dos aparelhos televisivos. E asseverou, contundente: “As pessoas me assistem porque sabem que tudo que apresento é verdadeiro. Logo, o telespectador quer saber qual o estado da boneca depois da queda. E se possível quem a socorreu. E se ela tinha plano de saúde.

Indagada se não se sentia envergonhada com sua atitude sórdida, respondeu: “Nem um pingo. A vida é um espetáculo, e eu vivo do Show que sou: Vida e morte, tudo é igual. Tudo faz parte do Show. E em nome do sucesso, o Show não pode parar!”. E para sustentar mais ainda sua voracidade tanática, avisou que as outras emissoras iam ter que ficar consoladas em suas insignificâncias, pois já estava muito à frente de todas no caso da boneca: Comprara uma entrevista exclusiva com os fabricantes da boneca.

Para a mídia, um fato/mercadoria só não serve mais ao lucro quando deixa de emitir qualquer signo mais-valia de consumo.

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Monday, April 21, 2008

COLUNA VERTEBRAL

Se a Vertebral não analisou nada se realizou

Coluna Vertebral

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OS ASSASSINOS DA IMAGO DA MEIGA ISABELLA

Há mais de mil anos, o patrono de Constantinopla, Nicéfaro, em altercações iconoclastas, afirmou que “se suprimirmos a imagem, desaparece não somente Cristo, mas o universo inteiro”. Premonição imagética da desrealização do mundo pós-moderno. O universo tornou-se uma homogeneidade virtual, onde a imagem auto-referente saída da experiência direta do sujeito com a matéria, o suporte-fenomenológico da cognição (consciência: representação mental), foi desrealizada para dar lugar à ambliopia: o olho vê, mas a consciência expulsa a imagem. A cegueira. Ou seja, a consciência que se orienta pela ilusão-hipnótica do vazio da imagem.

No início era a bela, meiga, faceira Isabella. A linha criativa: devir-criança. Movimentando-se como produção ontológica, a meiga Isabella escapava da força molar que pretende a captura de sua potência produtiva. Eis que então a força reativa, a má consciência e o ideal ascético interditam-na: matam-na. Destituída de seus corpos material e imaterial (sensível/inteligível), restou-lhe a imagem auto-referente. Passados poucos minutos, sua imagem auto-referente caiu na voragem da superexposição-midiática e, então, foi dissipado o suporte imago-ontológico de seu devir-criança. Tornou-se mercadoria oferecida ao preço do mercado sórdido da patologia do lucro no invólucro bem untado da dor mística. Perverso calculismo: desrealizada a imago, desapareceu também, junto com a imagem auto-referente Isabella, Cristo. Daí a publicidade da imagem virtual (sem auto-referente) de Isabella, embalada na dor cristã, não atingir os propósitos mercadológicos das mídias. As Carpias-Midiáticas choram o malogro de suas intenções funestas. Assim, a bela, meiga e faceira Isabella escapa juntamente com Cristo, o produtor da Vida.

Hoje, no crepuscular carrossel midiático, as imagens-virtuais, sem rastros de Isabella, obnubilam seus pervertidos criadores. Exauridas, elas ecoam os fantasmas assassinos: Globo, SBT, Record, Band, Folha de São Paulo, Estadão, Globo, Veja, Época, Isto-É………………. Realização da maldição de Nicéfaro.

Distante, observando a dança espectral dos assassinos, a bela, meiga e faceira Isabella sorri devir-criança.

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