Wednesday, July 1, 2009

LANÇAMENTO DO CD “ALESSANDRO DE OGUM CANTA AOS ORIXÁS” E OUTROS EVENTOS LIGADOS À CULTURA E RELIGIÕES AFRO


CD Orixás 01 por você.
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Além da importância político-cultural-religiosa do lançamento do CD Alessandro de Ogum Canta aos Orixás por ser a primeira gravação musical dos cultos afro no Amazonas, o evento, organizado numa parceria da Federação Brasileira de Umbanda, Cultos Afro-Brasileiros e Ameríndios (Abucabam) e a Federação de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros do Amazonas (Fucabeam), realizou-se como uma confraternização e fortalecimento dos laços afetivos entre as diversas vertentes dos cultos afro existentes em Manaus.

CD Orixás 12 por você.

Nochê Hunjaí Emília de Toy Lissá/Agbê Manjá (presidente da Fucabeam), Babalorixá Alessandro de Ogum e Pai Lairton da Oxum.

O evento ocorreu na sede da Fucabeam, e quem falou a este bloguinho foi Pai Lairton de Oxum, presidente da Abucabam:


Hoje é um momento importante pra nós, porque estamos lançando, em parceria com a Fucabeam, o primeiro CD da religião, um CD com rezas da nação Ketu. O CD é do babalorixá Alessandro de Ogum. E hoje é especial também porque nós estamos aqui reunidos não somente a nação Ketu, estamos fazendo a reunião de várias nações: Angola, o Tambor de Mina, Mina Jêjo Nagô, babalorixás, yalorixás de várias nações estão se juntando hoje aqui nesse lançamento. Todas as religiões já gravaram CD’s com louvações, com rezas, orações; nós estamos lançando o primeiro hoje no estado do Amazonas. Hoje, no lançamento, a gente aproveita para mostrar um pouco da cultura afro-brasileira. Está sendo apresentada uma exposição do tambor de Mina, uma exposição de livros da coleção da editora Pallas, com livros referentes às religiões afro-brasileiras, e haverá ainda a apresentação do balé afro Mutalembê e de uma roda de capoeira. Tudo isso vai fazer parte desse evento em torno do lançamento do CD.

CD Orixás 14 por você.

Na alegria de ter realizado um feito singular e de fundamental importância para as religiões afro do Amazonas, o jovem babalorixá Alessandro falou-nos que desde pequenino vive na religião afro, cultuando-a sempre com devoção e responsabilidade, e nos disse dos motivos que o levaram a realizar este trabalho:

É o primeiro CD que tá sendo gravado aqui do Amazonas. A gente tá colocando aí para as pessoas ouvir e gostar da música dos orixás. De Exua a Oxalá, e um xirê completo. Foi um trabalho muito grande pra mim e pros meus irmãos que fazem parte do CD, mas graças a Deus, a Ogum e todos os orixás estamos aí de bom axé. O povo vai gostar…

CD Orixás 10 por você.

Para quem desejar ouvir o CD:

Alessandro Canta aos Orixás

Fones: (92)3645-9161 // 8133-7392 (Entrega a domicílio)

Disponível também em diversas cabanas de produtos afro.

alessandro_capa

O povo gosta de tudo que auxilia na afirmação da cultura afro, e não apenas os filhos e pais de santo estão gostando, mas também os simpatizantes e todos que são contrários à intolerância religiosa, a qualquer forma de intolerância.

Com essa espiritualidade, saímos para dar uma olhada nas belas exposições presentes no amplo terreiro.

EXPOSIÇÃO TAMBOR-DE-MINA

CD Orixás 03 por você.
Roupa de Oxalá e Rosários (fios de contas, guias), acima alguns instrumentos musicais, como o gã (ferro) e o xequerê (cabaça)


Roupas das Tobossis (Princesas meninas do Daomé) e bengalas dos Voduns e Nagô Gentil

CD Orixás 06 por você.

E o Boi dos Encantados; aqui o Estrela do Oriente, que você já ouviu mugir aqui neste bloguinho.

CD Orixás 08 por você.

EXPOSIÇÃO DE LIVROS AFRO-RELIGIOSOS

CD Orixás 32 por você.

Havia ainda uma exposição/stand de obras da Pallas Editora, que tem um projeto desde 1980 de publicar livros privilegiando temas ligados às nossas origens étnicas e culturais, inclusive com linha infanto-juvenil, escritos por estudiosos e autoridades religiosas afrodescendentes.

APRESENTAÇÃO DE CAPOEIRA: LEGIÃO BRASILEIRA

CD Orixás 15 por você.

E quando entrou Mestre Cristiano e a moçada da Legião Brasileira o terreiro foi preenchido de toda a musicalidade, movimentos e dança da capoeira. Sentindo o axé, o Mestre passou a envolver todos os presentes e aquilo que seria uma demonstração passou a ser um ritual coletivo.

CD Orixás 18 por você.

É no embalo do meu berimbau

É no embalo do meu berimbau

Eu quero ver você bailar

No meu berimbau

E todo mundo é do embalo

Do meu berimbau

CD Orixás 19 por você.

Essa menina é danada

Do meu berimbau

Eu quero ver você tocar

No meu berimbau

É no embalo do meu berimbau

É no embalo do meu berimbau

CD Orixás 16 por você.

Foi então a hora de mostrar as habilidades com o cacetinho, em uma das mais vigorosas modalidades da capoeira: o Maculelê, que Mestre Cristiano, inicialmente explicou não se confundir com a popular Dança do Cacetinho, e falou de sua origem com o Mestre Popó, na Rua da Linha, há tantos passados lá em Salvador.

CD Orixás 21 por você.

Certo dia na cabana um guerreiro

Certo dia na cabana um guerreiro

Foi atacado por uma tribo pra valer

Pegou dois paus, saiu de salto mortal

E gritou pula menino, que eu sou Maculelê

CD Orixás 22 por você.

Então um pandeiro pulou pra roda, e não somente as garotas da Legião Brasileira caíram no samba, muitas das que estavam na platéia foram convidadas e não titubearam.

CD Orixás 24 por você.

Mulher bonita

Do cabelo enrolado

Da boca pequena

O nariz afilado

CD Orixás 25 por você.
Aqui, Flor, representando a Fucabeam.

CD Orixás 26 por você.

Homem para ser livre

Domina sua mente

E jamais será escravo

CD Orixás 17 por você.

DOCUMENTÁRIO SOBRE JORGE BABALAÔ

Na sequência, foi feita a reprodução de um documentário sobre o Babalaô Jorge da Fé em Deus (São Luís do Maranhão), pai de santo de Mãe Emília e um dos mais conhecidos e importantes babalorixás do Tabor-de-Mina do Brasil.

CD Orixás 27 por você.

Falecido em 2003, Pai Jorge era respeitado não apenas pelos conhecimentos das religiões afro, mas também pelo engajamento na luta pela preservação de todos os cultos afro no Maranhão, e assim, por suas atitudes, contribuiu, e contribui, com a resistência das religiões de matrizes africanas em todo o Brasil.

CD Orixás 31 por você.

BALÉ AFRO “MUTALEMBÊ”

CD Orixás 28 por você.

Eis que vieram as garotas do Balé Afro “Mutalembê”, formado em 2005 a partir dos movimentos da negritude em Manaus, com o objetivo de difundir através da dança a beleza, conhecimentos e posições da cultura afro para a comunidade de Manaus. Nesse evento, fizeram alguns números com músicas do cancioneiro popular ligadas à cultura e à religião de matrizes africanas, como a maravilhosa composição de Paulo César Pinheiro e João Nogueira, Guerreira, conhecida na voz da guerreira Clara Nunes.

CD Orixás 29 por você.

Se vocês querem saber quem eu sou

Eu sou a tal mineira

Filha de Angola, de Ketu e Nagô

Não sou de brincadeira

Canto pelos sete cantos

Não temo quebrantos

Porque eu sou guerreira

Dentro do samba eu nasci,

Me criei, me converti

E ninguém vai tombar a minha bandeira.

CD Orixás 30 por você.

Com certeza esse evento foi fundamental para aproximações democráticas dentro dos diversos cultos afro e manifestações afro em Manaus. Uma verdadeira confraternização de todos aqueles que comungam a possibilidade de um mundo sem intolerância, onde todos possam compartilhar sua beleza cultural de forma plena e livre. Axé!

CD Orixás 33 por você.
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Tuesday, July 29, 2008

DONA MARIANA NO TERREIRO DO PAI SIDNEY DE OBALUAÊ

Olhei pro céu, vi uma estrela

Olhei pra terra, vi uma candeia

Olhei pro mar, eu vi maresia

Olhei pras matas, eu vi encantaria

Pai Batman de Dona Mariana 01 por você.

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Foi lá na rua São Carlos I, no bairro do Monte Sião, Zona Leste de Manaus, no simples e autêntico terreiro de Pai Sidney, que os convidados se aconchegaram para aguardar a chegada de Dona Mariana. Conversamos com Pai Sidney, conhecido popularmente como Pai Batman de Dona Mariana, que nos falou do seu longo caminho partilhado na Umbanda.

Sou Pai Sidney de Obaluaê. Sou amazonense. Tenho 37 anos de idade. De religião tenho 27 anos. Pra eu entrar nessas coisas, eu não gostava, mas eu caí muito doente, aí minha mãe não acreditava, porque minha família a maioria era crente. Eu entrei por causa de um sacrifício mesmo, por necessidade, eu já tinha passado por vários médicos, por São Paulo, Rio, pra me curar, e eu não ficava bom. Um dia, uma tia minha viu que não era coisa de médico e mandou minha mãe me levar. Ela não acreditava. Quando eu cheguei lá eu encontrei a Dona Padilha na cabeça de uma senhora, que já vai pra dezessete anos que ela rufou. Se chamava Dona Maria do Seu Jacaúna. O pessoal só me conhece mais pelo apelido. Não tem problema nenhum. Todo mundo aqui no Amazonas me conhece como Pai Batman de Dona Mariana, desde pequeno. Mas o primeiro caboco que baixou em mim foi o Seu Sibamba, em 1981, por causa que o meu pai tava dando uma surra na minha mãe. Ela tava com oito dias de resguardo. Eu dormia numa rede e eu tinha uns nove anos de idade. Ele chegou embriagado tamanha 2h da manhã e queria que ela fosse fazer uma comida pra ele. Ela disse que não ia fazer, porque ela tava naquelas condições. Ele pegou e deu umas tapas nela. Ela disse que eu arrastei ele na mão, como se fosse um boneco, e joguei lá de cima. Desde lá, ela ficou querendo acreditar, mas não gostava desse tipo de religião…

Pai Batman de Dona Mariana 05 por você.

Pai Batman de Dona Mariana 06 por você.

E não demorou para que a dona da festa, caboca Mariana, baixasse e trouxesse sua alegria e seu axé para compartilhar com todos que vieram para receber suas bênçãos, saudando a todos:

Hoje é pra nós todos um arraiar que eu faço de ano em ano. As pessoas que vieram me prestigiar, muito agradecida. Aqui ninguém tem empregados; nós somos empregados. A casa é nossa. Podem se servir. Fiquem à vontade. Participem da louvação e da brincadeira. Vamos brincar até a hora que quisermos. Que seja assim sempre, sempre, sempre…

No Rio Negro, mururés viraram flores

Na mata virgem, sabiá cantou

Eu sou a caboca Mariana

A bela turca que aqui raiou

Pai Batman de Dona Mariana 08 por você.

A esta altura o terreiro já estava preenchido de filhos e convidados, adeptos das religiões afro e simpatizantes, que vieram participar do arraial de Dona Mariana.

Pai Batman de Dona Mariana 12 por você.

Pai Batman de Dona Mariana 13 por você.

E também outros cabocos vinham compartilhar seus pontos e compartilhar sua sabedoria com os presentes, como Seu Constantino, baiano grande, com seu chapéu de couro:

Tô vendo ele por essa mata escura

Trazendo sua boiada

Ele se chama Constantino

Baiano grande, chapéu de couro

Pai Batman de Dona Mariana 19 por você.

Sou baiano, mas não sou da Bahia; sou do Maranhão. Quando eu canto baía, não canto Bahia, de Salvador, canto baía do Maranhão. Sou de Codó, do maranhão. Lá vivi, matei, esfolei, tive muitos filhos, meus parentes. Hoje, num me convidaram, mas estou aqui de enxerido (risos!)…

Enquanto a fila de pessoas crescia para conversar com Dona Mariana, entramos na fila e conversamos com o zelador de santo, Pai de Pai Sidney, Josué de Oxalufan:

Eu sou Pai de Santo do Sidney de Obaluaê. Ele é abiã, já oborizado, e se preparando pra fazer o santo dele. Daqui a três anos ele vai fazer a iniciação dele no Candomblé. Ele faz parte da família de Oxalá, é neto de Frank de Obaluaê. Por enquanto ele é zelador de Umbanda, trabalha há bastante tempo, trabalhando com esta Dona Mariana, uma caboca de tambor de Mina. A Mariana foi uma das fundadoras do tambor de Mina, pouco difundida aqui em Manaus. Cultua-se muito a Umbanda mesmo, alguns Umolocô, apenas uns raros cultuam tambor de Mina. Ele trabalha com as entidades de esquerda: Maria Molambo, Seu Zé Malandro, Maria Padilha das Almas; mas não por serem de esquerda são diabos. São entidades com uma outra carga energética. O nosso coração está do lado esquerdo. (…) Caboca Mariana está em muitas cabeças, em todos os lugares. A Mariana do Sidney, essa que está aqui, ela vem na linha de marinheira. Porque a Mariana é uma entidade que vem como turca, como marinheira, como cigana e como índia. Mariana é um espírito encantado, ela não morreu, antes de ela provar da morte, ela sofreu a experiência do encante, foi morar no invisível. Vez ou outra ela vem. Ela era chefe das adoradoras de Maria, por isso é que ela se chama Mariana. Uma moça portuguesa que foi adotada por um turco, que se encantou também na batalha de Alcácer-Quibir, uma batalha que teve entre os cristãos e os muçulmanos. Nessa batalha, Dom João de Marabaia, encantou-se, e sultão de Atalã, que é o rei chefe dos turcos encantados, deu ordem para Dom João de Marabaia recolhesse essas entidades. Dentre essas entidades, estava Mariana, e ela se encantou com Dom João de Marabaia. Ela ensinou a ele as leis do Cristianismo, e ele, por sua vez, deu a ela riquezas e o sobrenome da Turquia. Por isso ela se chama Mariana de Alexandria. Na tribo dela tem muitas outras entidades nobres, fidalgas, baronesas, condessas, que vem á terra para praticar caridade, curar, jogar conversa fora, beber. Mariana é essa: é amor, é esperança, é caridade. Para quem precisa de ajuda, Mariana está sempre disposta a ajudar…

Pai Batman de Dona Mariana 18 por você.

Caboca linda é a caboca Mariana

Ela é a caboca mais formosa do lugar

É no luar que ela sai a passear

Ela flutua numa pedra que tem lá no alto mar

Pai Batman de Dona Mariana 16 por você.

Pai Batman de Dona Mariana 09 por você.

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Thursday, July 17, 2008

FESTA DE OXÓSSI E OBRIGAÇÕES NO BARRACÃO DO PAI GILMAR


 

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O barracão estava ornamentado com diversas ramas de palmeiras silvestres, um altar no centro composto de variadas frutas regionais, principalmente milho, tudo isso porque era a festa de Oxóssi, o orixá caçador. Por isso “tenta-se reproduzir uma pequena mata dentro do barracão”, explica-nos Pai Gilmar.

A festa de Oxóssi é uma obrigação que a gente faz todos os anos, que é pra louvar o deus da nação Ketu, sempre ao final de junho ou começo de julho, aqui nessa casa, por ser um calendário litúrgico. Em Salvador, por exemplo, é festejado geralmente no dia de Corpus Christi.

 

E quando os jovens e crianças fizeram soar os atabaques, a potente e melodiosa voz de Pai Gilmar faz movimentar a roda de mais um magnífico xirê que se iniciava no abençoado barracão.

 

A prestigiada festa conta com a presença de vários babalorixás renomados na cidade de Manaus e em outros estados do Brasil. Todos logo participaram, incorporando seus orixás no salão.

Pai Ribamar de Xangô ———— Pai James de Oxóssi

Mãe Valkíria e Mãe Jô de Iansã ———– Pai Júlio de Oxóssi

Pai Antônio de Oxóssi e do Caboco Risca

Os convidados assistem a tudo com alegria e devoção, enquanto os adeptos da autêntica religião do Candomblé rezam e dançam para seus orixás, que sempre lhes ajudam, abençoando-os por toda a vida.

Pai Gilmar nos relata que esse ano a festa de Oxóssi foi mais complexa, pois aproveitando-a, filhos e netos fizeram com respeito e responsabilidade suas obrigações.

Primeiro foram dois netos fazendo sua primeira obrigação:

Mário de Iemanjá

Léa de Oxaguiã

E enquanto seus netos iam progredindo no culto da religião, os atabaques continuavam a impulsionar os rituais de crença que predominavam nos adeptos e na admiração dos simpatizantes presentes no barracão.

E então Pai Ribamar trouxe Oxóssi ao salão para demonstrar ao povo presente que no barracão de Pai Gilmar ele sempre come bem e em abundância. E Oxóssi compartilhou com os presentes sua comida e abençoou o milho distribuído aos presentes.

Oxóssi veio primeiro para o ritual de distribuição da carne (erã), da caça que ele comeu, que foi um coelho, um cabrito e um porco. E o milho (abadô), que é um ritual que Oxóssi distribui o milho, que as pessoas levam e penduram na porta, e serve contra qualquer influência negativa, ou colocam dentro de uma panela de alimento, pra assegurar fartura o ano inteiro. E tinham também outros tipos de frutas, que são alimentos muito preferidos por Oxóssi. Menos tangerina. A quizila de Oxóssi é tangerina. Não entra tangerina em casa de orixá.

Em seguida Oxóssi retornou, agora portando suas paramentas de caçador, inclusive trazendo uma ave como demonstração de seu poder de caçador, abençoando seus filhos na sobrevivência necessária de todo dia.

Foi assim que ele trouxe seus dois ogans e suas duas ekédis que também cumpriram suas obrigações no decorrer da festa.

Os ogans Jobson e Sérgio, ambos de Oxóssi, fazendo, respectivamente, obrigações de um e três anos.

E as ekédis Nilda e Elen, ambas de Oxóssi e fazendo obrigação de três anos.

É um ciclo. É bom que eles façam suas obrigações, cumprindo o ciclo, porque aí não fica uma coisa morosa nem pra pessoa, nem pra casa, porque aí o santo não fica cobrando aquela etapa na vida espiritual da pessoa, que ela tem que passar.

E Pai Ribamar trouxe ao salão Pai Miguel, que foi o homenageado da festa. E todos o saldaram com alegria e amizade do culto comum.

Na conversa que tivemos com Pai Gilmar, aproveitamos ainda para pedir suas palavras enquanto cidadão a respeito das eleições que se aproximam. O respeitado babalorixá mostrou todo seu entendimento lúcido, analisando os fatos ocorridos durante a campanha e a distância que tomam da população quando eleitos.

Que eles [os políticos] realmente cumpram o que prometem. Eles falam muito. “Quem tem boca vai a Roma”, como diz o ditado. Mas isso serve para as pessoas que perguntam o que querem saber. Não serve para as pessoas que falam o que querem, mas não cumprem o que prometem, que as pessoas precisam e ficam esperando, principalmente as pessoas humildes, que precisam de asfalto nas ruas, de coleta de lixo, de água encanada, de esgoto, pra não ficar a céu aberto, como é do lado da minha casa. A gente reivindica isso há muito tempo, e eles só prometem e não fazem, como seu Gilmar Nascimento, que na eleição passada era candidato, hoje é vereador, prometeu, prometeu, prometeu e até hoje não voltou aqui na rua. Eu estava viajando, e soube que o prefeito veio aí inaugurar o poço de água, fogos e mais fogos, carro de som, aplausos e vaias, prometeu que vai canalizar o esgoto e fazer rip-rap. Vamos ver!

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Friday, July 11, 2008

A FUCABEAM CONVOCA…

A FUCABEAM — Federação de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros do Estado do Amazonas, em nome de sua presidente, Maria Emilia Borges, e a O.E.A.B — Ordem das Entidades Afro-Brasileiras convocam todos os senhores sacerdotes para uma reunião de cunho extraordinário na sede da Federação.

Rua Pintassilgo, nº 100, Quadra 2, Núcleo 2 — Cidade Nova (Manaus-AM)

Data: Amanhã (12 de julho) …… Horário: 18:30h

Fone: (92)3088-1254 // 3645-8722

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Wednesday, July 2, 2008

NOITE DE CURA COM SEU ZÉ PELINTRA NO TERREIRO DE MÃE GRAÇA DE XANGÔ

Eu vou falar pra vocês

Quem chegou no congá

É Zé Pelintra das Almas

Que veio de longe para trabalhar…

 

Segunda-feira à noite fomos até o terreiro de Mãe Graça de Xangô, que fica lá na rua Visconde de Utinga, no Parque das Laranjeiras, em frente ao Conj. São Judas Tadeu. Era mais uma noite de cura. Mãe Graça e os filhos da casa haviam trabalhado muito, os banhos estavam preparados, as comidas para os ebós estavam prontas e arrumadas. E logo bem mais de uma dezena de pessoas já se faziam presentes para pedir e receber as bênçãos de Seu Zé Pelintra, que baixou no terreiro alegre, cantando e dançando, para ajudar todos que buscavam o seu auxílio. E vieram também outros cabocos, como Seu Boiadeiro, que baixa em um dos filhos de Mãe Graça.

 

E como a noite já ia alta, Seu Zé Pelintra começou os trabalhos. Primeiro, ajudado por um de seus filhos, ele preparava um banho para cada uma das pessoas que iam ter com ele. Após o banho, ele ouvia atenciosamente a pessoa, aconselhava, apontando caminhos ou advertindo de passos falsos que a pessoa anda cometendo, depois rezava e finalmente mandava que a pessoa fosse com Deus, dando a ela um banho ou recomendando outros trabalhos.

 

E aproveitamos um dos poucos momentos possíveis, enquanto os últimos preparativos dos ebós estavam sendo realizados, para ouvir as sábias palavras de Seu Zé Pelintra, sobre sua história na cabeça de Mãe Graça, sobre seu trabalho e sobre as curas que ali estavam sendo efetivadas:

Eu sou um caboco, nasci pequenininho na África, vim pro Brasil, me criei em Pernambuco. Em Pernambuco eu fui um homem muito mau, fui malandro, fui pilantra, cachaceiro, mas fui médico, e hoje em dia na cabeça dessa filha eu sou advogado. E sou médico, médico do catimbó. Rei do catimbó. Pelintra quer dizer “malandro”, por causa da minha malandragem. Na cabeça de Dona Graça eu vou fazer, dia 10 de dezembro, 49 anos que eu trabalho na coroa dela.

Hoje eu estou nesta casa atendendo, você viu a quantia de gente que eu já atendi, só fazendo o bem, não peço dinheiro. Peço só o material, porque eu não posso tirar… Eu sei que a Dona Graça é uma médica, mas eu não posso tirar o dinheiro dela pra dar o material; dou trabalho de graça, mas o material a pessoa tem que assumir.

Hoje eu estou fazendo dois ebós importantes: um é de um homem que tem mais de 20 anos que não arranja emprego, e eu estou abrindo os caminhos dele para arranjar um emprego. Com o ebó que eu estou fazendo hoje, com o poder de Nosso Senhor do Bonfim, o poder das minhas almas, porque eu sou um espírito que já morri. Sou um anjo decaído, não sou salvo. Ando atrás, buscando a minha salvação, porque eu fiz muita coisa errada. Hoje em dia, quando eu estou em cima da cabeça de uma sacerdotisa, eu peço a ela que reze, reze e procure fazer o bem, pra mim evoluir e ela também; porque se uma mãe de santo faz o bem, ela só tem a ganhar de Deus. Agora, se faz o mal, tanto vai destruindo o meu espírito e a pouca luz que eu tenho, e destruindo também as outras pessoas.

Aqui nessa casa de Xangô, Obá Tundegi, minha filha é filha de Xangô, com Oxum, feita no Candomblé, na nação Keto. Eu venho na Umbanda, que foi dada pelo babalorixá que fez ela. Ela já foi batizada na Umbanda, Umolocô, Mina Nagô, e hoje em dia ela é raspada no Candomblé. Ela está fazendo no dia 10 de dezembro 49 anos de santo raspado e que eu abaixo na coroa dela. Eu sou na vida de Dona Graça um guardião, o chefe da coroa dela é José Rei Tupinambá. Ela foi raspada com 7 anos de idade na África, e morava em Fortaleza, lá ela teve um terreiro, em Santarém ela teve um terreiro, todo mundo conhece ela como Graça de Xangô. Em Santarém ela curou muita gente, tem prova, tem jornal meu, eu já tive em várias televisão, já passei até pelo Fantástico. Já dei muitas entrevistas. Agora, é como eu digo, quem sou eu pra falar de mim a não ser meus clientes. Faço tudo pra agradar todo mundo, já curei paraplégico, já curei cego, e tenho prova disso. Hoje eu tô tirando a chave de uma pessoa que tem todos esses anos sem trabalhar. Você já pensou o que é um ser humano ficar tantos anos sem trabalhar? E daqui a 21 dias o senhor pode passar aqui que o senhor vai receber a notícia de que esse moço arranjou um emprego. Vou hoje abrir os caminhos dele, porque essa casa não faz o mal, só faz o bem. Quem vier aqui pedir pra eu fazer o mal, eu mando se levantar da minha mesa…

Com a mesa dos ebós já completamente preparadas, não havia mais tempo para conversa.

 

Logo os chumaços de pólvora foram acesos, as três linhas dadas ao cliente e as comidas despejadas em seu corpo para abrir seus caminhos, trazer emprego e tudo mais necessário a lhe trazer uma vida melhor.

E depois dos ebós os banhos e rezas continuaram, como no caso de M. P. S., que há mais de 10 anos recebe bênçãos de Seu Zé, resolvendo seus problemas conjugais curando de doenças que estavam destruindo seu corpo, arrumando trabalho, melhorando sua situação financeira, tanto que ela entrou para a religião e hoje, com um novo marido, que também é da religião, vive feliz com a ajuda de Seu Zé Pelintra.

E a madrugada já ia embora quando ele atendeu Ana Cláudia, uma jovem e bonita moça que havia ido a primeira vez no terreiro, apenas para acompanhar uma amiga, mas admirada com a sabedoria de Seu Zé, também resolveu ouvir suas palavras. Ele esclareceu algumas situações amorosas, familiares, financeiras e outras mais que andam atordoando a moça, que, vendo a força e a verdade de suas palavras, agora também irá ser tratada com seus trabalhos.

 

Saímos do terreiro gratificados de ver a autenticidade da religião e Seu Zé Pelintra, esse caboco festeiro, alegre e curandeiro, continuava, incansável, a distribuir suas bênçãos, como ele mesmo diz, até a última pessoa que acredite e necessite de seus serviços…

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Wednesday, June 11, 2008

A FUCABEAM CONVIDA…

A Federação de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros do Estado do Amazonas – FUCABEAM, em nome de sua presidente, Mãe Emília de Souza Borges, convida todos os sacerdotes de Umbanda, Candomblé e demais cultos afro-brasileiros e todos os adeptos de forma geral para uma conferência que ocorrerá na sede da FUCABEAM, e que tratará sobre “OS DIREITOS DOS SACERDOTES E DOS ADEPTOS DOS CULTOS AFRO-BRASILEIROS PERANTE A SOCIEDADE”. No decorrer do encontro ocorrerá ainda um cocktail para todos os presentes.

!!! A FUCABEAM aguarda o comparecimento de todos e agradece desde já a participação nesta conferência de importância religiosa, política e social para todos que comungam ou simpatizam com as religiões afro-brasileiras.

ENDEREÇO: Rua Pintassilgo, nº 100, quadra 2, II Cidade Nova (Manaus-AM)

PONTO DE REFERÊNCIA: Próximo ao Cruzeiro

DATA:15 de junho (próximo domingo)HORÁRIO:18:30h

CONTATOS: (92)3645-8722 // 3088-1254 // 8119-9398

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Monday, May 12, 2008

CABOCO TUPINAMBÁ E CABOCA IRACEMA NO TERREIRO DE MÃE TÂNIA

Era seis horas da tarde

Quando Iracema saía a passear

Veio uma onda e levou Iracema

Levou para as ondas do mar

Rufa tambor, maracá e pena

Salve a chegada da caboca Iracema

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Foi no sábado passado, lá na rua 7, casa 216, loteamento Vitória, núcleo 16 da Cidade Nova 3, onde a Mãe Tânia da Oxum recebeu os convidados para um toque em homenagem ao caboco Tupinambá e à caboca Iracema. Antes do início, ela nos falou a respeito desse toque:

Eu sou Tânia da Oxum, faz vinte e dois anos que eu cultuo a Umbanda. Eu sou uma mistura de peruano com amazonense, cearense, mas posso dizer que sou amazonense, moro há vinte e três anos em Manaus. Hoje vai ser um toque em homenagem a seu Tupinambá e à caboca Iracema. Seu Tupinambá vem dos índios tupinambás, uma tribo conhecida, lá das bandas de Parintins. Dona Iracema é uma índia encantada, que veio da parte do Uruguai, se encantou em Fortaleza, se apaixonou por um português, teve um filho na terra. É o que eu posso falar. Tem coisas que faz parte do santo e a gente não pode falar.

O toque começou, puxado pelo Pai Rafael, pai pequeno de Mãe Tânia, e não demorou para o caboco Tupinambá baixar no terreiro para fumar seu charuto, beber sua espumosa e cantar seus pontos. Pegamos algumas palavras de Pai Rafael, quando ele saudou aos convidados:

Essa é uma homenagem a seu Tupinambá e uma comemoração de dona Iracema na cabeça da irmã Tânia. Como ele é o dono da casa, ele tem de vir primeiro. Muito axé pra todos, muita saúde. Que nossos orixás nos abençoem, a todos os nossos amigos, nossos parentes. Aqui a gente veio na paz e assim a gente vai voltar na paz.

Então o adjá passou para a mão de Pai João, e foi a vez da alegre Dona Mariana tomar conta e preencher o terreiro com sua graciosidade. Aproveitamos e, sendo do povo das águas, pedimos suas sábias palavras sobre o acontecimento do naufrágio ocorrido recentemente no Solimões:

O risco que tem de o navegador não saber caminhar, ele bate nas pedras, aí o rebujo das ondas vem e afunda os barcos, também pela lotação, morre pessoas inocentes, morre quem não é inocente. Eu acho que os governadores têm de tomar conta disso aí, porque se não tiver a Marinha junto, sempre vão afundar os barcos, porque sempre há uma tripulação maior do que o barco. Então eu deixo nas mãos dos encantados, que tomem conta, prestem conta, porque se eles não tiverem lá morre todo mundo. Se eles tiverem lá, alguns se salvam…

E então chegou Pai Válter, que, com seu vozeirão, preencheu o espaço, animando ainda mais o toque, enquanto todos os presentes cantavam, bebiam, comiam nas bênçãos dos cabocos e cabocas da Umbanda.

Eu sou caboca, filha de mamãe Oxum

Sou Iracema, que vim pra saravá

Ah!, eu vim lá de tão longe

(Ela veio lá de tão longe

Pra seus filhos abençoar)

Finalmente chegou Dona Iracema. Com a graciosidade no canto dos pontos e no volteio da dança. Gravamos no momento em que ela saldou, abençoando todos os presentes:

Boa-noite pra quem é da noite. Eu sou Iracema, dona desse cumiê. Dentro dessa terra, só tem a minha casa. Dentro do Amazonas tem só essa casa minha na cabeça de Tânia de Oxum. Eu sou da mata. Tô vestida assim porque sou uma caboca de Oxum. Seu Rafael, que tá encorporado, responde como pai pequeno da casa. Eu sou uma caboca encantada na Fortaleza. Vim encantada de outras terra. Hoje nós estamos fazendo essa pequena louvação, feita de coração, pra acolher aqueles que têm fé dentro da religião, e amanhã, quem é mãe, fica aqui meus parabéns. Espero que todos os rabos-de-saia sejam felizes como mãe. Pra mim é assim: viva a simplicidade…

Então baixaram no terreiro vários outros cabocos: seu Roxo e seu ritmo nos pontos… O festeiro Sibamba…

O amigável e divertido Zé Raimundo, que não deixou ninguém quieto, contagiando a todos com suas tiradas e sua sabedoria.

E assim o formoso toque continuou até o sol raiar…

Eu, Iracema, quando vim da aldeia

Eu, Iracema, quando vim da aldeia

Ela traz na cinta uma cobra coral

Aê… uma cobra coral

Aê… uma cobra coral

Seu Zé Raimundo quando veio da aldeia…

Dona Jarina quando veio da aldeia…

Seu Flexeiro quando veio da aldeia…

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Tuesday, April 29, 2008

TOQUE PRA OGUM BEIRA-MAR NO TERREIRO DO PAI JOEL

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E novamente o terreiro de Pai Joel estava arrumado para mais um toque pra senhor Ogum Beira-Mar, o guerreiro, o abridor de caminhos. Enquanto os rapazes esquentavam os tambores, Pai Joel e Pai Francisco nos falaram sobre várias questões envolvendo as religiões afro, que estão distribuídas adiante. Começando com Pai Joel, a respeito desse toque, ocorrido no sábado passado.

Hoje vai ser um toque em louvor a Ogum Beira-Mar, que é o meu orixá da frente dessa casa, que vem sempre me proporcionando muitas coisas boas nesse ano. E há de se louvar ele no dia dele. Foi arriada obrigação agora no dia 23, que é o dia dele, com a presença de Pai Francisco, que é o meu pai de santo, que eu passei pra linha dele agora. Eu vim do Candomblé, e agora estou passando, já estou no fundamento dele. Vamos fazer um toque simples, humildemente, como a Umbanda, a Umolocô é, para as pessoas daqui de casa e outras próximas daqui.

Pai Francisco, então, falou sobre algumas especificidades de Ogum e das relações das religiões afro-brasileiras.

Esse toque pra Ogum Beira-Mar, que reina nas águas, é também pra todos os oguns, Ogum de Ronda, Ogum Humaitá, Ogum Sete Ondas. O toque é pra Ogum Beira-Mar, mas ele não vai virar; quem vai virar é o escravo que responde a ele. Seu Ogum só vira quando se vai fazer um bori, a saída do filho de santo. A gente aqui vai louvar a ele, e quem vem é a entidade que presta serviço a ele. É diferente do Candomblé, mas é o mesmo Ogum, só o que muda pra Umbanda são as catulações. No Candomblé ele já vai virar diferente, porque é uma nação. Mas onde tem Umbanda tem Ogum, porque ele é caminho, é ele que abre os caminhos. Todas as entidades tratam as pessoas muito bem, elas são do além, elas vêm pra suprir as necessidades do ser humano aqui na terra tá com maldição, tá com problema. Elas vêm trazer um pouco de alegria, tirando o peso de cima das pessoas. E é como Joel disse, ele passou pra minha linha, onde é tudo bonito, tudo formoso. A gente tá lutando pra ver se endireita as linhas, porque as linhas estão muito cruzadas, pra ver se as pessoas acreditam mais na nossa Umbanda. A nossa Umbanda está muito desacreditada por causa das pessoas que passam trote, enganam. Eu não aceito essas coisas, porque o santo é verdadeiro.

 

O senhor Cardoso, com seu vozeirão, falou, então ao público presente, puxando um Pai Nosso, para começar o toque.

Muito boa noite a todos. Peço primeiramente que todos nós façamos uma reflexão sobre tudo aquilo que nós passamos no dia-a-dia, as nossas atitudes, certo ou errado, que possamos fazer um exame de consciência, procurando corrigir, agindo melhor em todas as circunstâncias, para que nós possamos evoluir, aperfeiçoando-se numa harmonia em qualquer lugar que nós formos.

 

Caboca Brava Caboca Ita

Dando continuidade à conversa com Pai Joel, ele falou também sobre os trabalhos realizados por senhor Ogum Beira-Mar.

Seu Beira-Mar, ele tem estrada, ele é caminho, abertura de caminho. As pessoas que têm os caminhos presos, que não prosperam, Ogum está aí pra responder, pra abrir os caminhos e não deixar nenhum filho desesperado, não. Ele veio aqui pra terra por tudo isso aí. Ele veio abrir os caminhos de todos os filhos dele, com muita fé, com carinho, com toda a força que a Umbanda tem, e todas as outras linhas também, acima de tudo Deus e a nossa fé em conseguir prosperar com a vida. Eu estou engatinhando ainda, e pretendo melhorar cada vez mais com a energia que a Umbanda tem.

 

Caboca Jacira

E olha quem é o escravo de Ogum que viraria, conforme Pai Francisco falou, nada menos do que o alegre e festeiro Zé Malandro, que este bloguinho já conhece da festa passada no terreiro de Pai Joel.

 

Dona Mariana

Depois, Pai Joel passou a analisar e sugerir propostas para organização para que as religiões afro venham, na prática, a participar como religiões autênticas, uma vez que existe a liberdade religiosa e a pluralidade cultural garantidas constitucionalmente.

Mas não só eu, mas todo o pessoal, organizar mais a federação, procurar visitar os barracões. Quanto mais a gente se unir, mais as coisas vão dar certo, o próprio governo vai ter de dar uma orientação boa no respeito à religião. Aqui em Manaus você é discriminado, muito discriminado. A gente respeita todos, católicos, os evangélicos, eles também têm de respeitar a gente. Nós somos seres humanos igual a eles, somos diferentes apenas pela opção da nossa religião. A federação tem de agir nisso: o que tá errado? O que a federação pode fazer pra melhorar? Tem outros estados onde tem curso de fundamentos, como no Maranhão, Piauí, tem escolas de Umbanda no Rio de Janeiro, escolas de Candomblé, cursos sobre a língua yorubá, sobre folhas, pra ti aprender as qualidades de folhas. É uma faculdade, para as pessoas terem uma melhor formação, está faltando em Manaus uma escola tanto para o Candomblé quanto para a Umbanda. Até mesmo para se defender. Vem os evangélicos e, para ofender, chamam a gente de “macumbeiro”. Você sabe o que é macumba. “Venha cá, você sabe o que é ‘macumba’?” Ele não conhece, parece que eles chegam na igreja, dão uma lavagem cerebral neles, aí saem querendo ofender as crenças dos outros. Como é tudo desorganizado, cada um por si, vem gente, como aquela mulher que deu um golpe de quase um milhão, que saiu na televisão, aí a religião fica desacreditada. A gente tem que se reunir, se organizar mais — federação, terreiro; terreiro, federação — pra poder evoluir numa corrente só.

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Tuesday, April 22, 2008

UM XIRÊ NO ILÉ AŞÉ DO PAI FRANK DE OBALUAÊ

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No sábado passado, as folhas de acocô estavam no centro do barracão de Pai Frank de Obaluaê, situado à rua 26, n°66 II etapa do São José II, para a saída do yaô Adriano da Oxum e a obrigação do ogan Gladison de Obaluaê.

O convidado para puxar o xirê foi nada menos do que o renomado Pai Ribamar de Xangô, do centenário Seringal Mirim, o qual, com seus conhecimentos, é sempre impecável nas rezas e danças para louvação dos orixás.

Nos aproximamos de Pai Ribamar para perguntar sobre o Seringal Mirim, pois ouvimos falar que fora tombado como patrimônio histórico, o que já conversamos na entrevista que publicamos aqui no bloguinho, haja vista a importância histórica desse barracão. Infelizmente ele não confirmou, e ainda acrescentou o que todos os adeptos e simpatizantes das religiões afro-brasileiras sabem: que um preconceito muito grande para com estas religiões. Pai Ribamar nos falou que vai construindo como pode, praticamente sozinho, e que estaremos convidados para a reinauguração da casa, assim que estiver pronta. Com certeza estaremos lá!

E logo vieram as quatro saídas do Dofono de Oxum Adriano. A primeira, a saída de Oxalá:

 

A segunda, a saída de ocodidé:

 

A terceira, a saída do oruncó, o nome, o nascimento do orixá. Para padrinho de santo Pai Frank convidou seu sobrinho de santo, Fábio de Oxalufan:

 

E a quarta, a saída de luxo, quando o orixá sai para dançar no salão, com suas roupas e suas paramentas:

 

Juntamente com Oxum saiu Logun Edé. Pai Frank é quem explicou-nos que esta saída ocorre porque Logun é filho de Oxum. Quem saiu foi seu neto de santo, André de Logun Edé, que é filho do babalorixá Bosco.

 

Em seguida baixaram Obaluaê e Ogun respectivamente em Pai Frank e Pai Bosco. Pai Bosco veio trazer o ogan Gladison de Ogun, para pagar as obrigações dele de um ano.

Quando Obaluaê já chegava na Terra, segundo a explicação de Pai Frank, saiu Jonas de Oxumaré com o deliciosíssimo lelê, a comida sagrada dele; mas depois retornou ao quarto de santo pra poder Obaluaê sair com Ogan e Ogun.

 

Depois que Obaluaê já havia dançado e comido, ele trouxe Oxumaré novamente para o salão.

 

E Obaluaê ainda voltou no final para suspender a ekédi Wilmara de Iansã.

Para confirmar o preconceito e a perseguição que as religiões afro sofrem, talvez impressionado com o vigor da música dos atabaques, as rezas autênticas do Candomblé da casa de Pai Frank, ainda apareceu um rapaz de uma denominação cristã para distribuir um panfleto e tentar provocar os presentes, mas saiu mais que apressado frente aos argumentos de Pai Gilmar.

Mas a festa continuou bela e calorosa no culto aos orixás. E finalmente saiu Oxalufan, completando o magnífico xirê na casa de Pai Frank de Obaluaê.

 

Ao final Pai Frank conversou conosco, falou da festa e da forma como sente e vivencia o Candomblé e sobre o ocorrido com o rapaz pentecostal:

Sempre ocorre isso, até porque a minha casa está situada no meio deles, atrás, na frente, de um lado e do outro, todos são evangélicos. A casa já recebeu ataques, como pedradas, já foi denunciada na Sedema, já vieram até fiscais aqui querendo levar os atabaques, mas não pode levar. Nós somos respaldados pela Constituição. Nós somo livres, estamos num país livre. A maioria dos barracões sofre ataque dos evangélicos. Mas, independente disso, a gente vive em função do santo, a gente não pode deixar cair a bandeira dos orixás. Eles não entendem que os orixás são partículas de Deus. Eles querem monopolizar a palavra de Deus. Eu digo sempre pros meus filhos que o Candomblé e as outras religiões são os braços dos rios. Eu não acredito que Deus seja egoísta. Eu comparo Deus ao mar. Por que ao mar? Porque ele abrange todo o planeta, de lugar pra lugar ele muda de nome, mas é uma água só, e todos os rios correm para o mar. Eu comparo os rios às religiões e Deus, ao mar, todas as religiões que estão realmente vinculadas a um culto de amor porque o culto dos orixás é um culto de amor, principalmente a Natureza. Então, todos os rios correm para o mar. Só que os evangélicos não entendem isso, eles não entendem que Deus não seria egoísta de deixar um só caminho pra tanta gente no mundo todo. Ele deixou vários caminhos para chegar a Ele, porque Ele é um Deus de amor. E o Deus deles é o mesmo nosso Deus aqui, só que a gente muda de nome porque nós somos afro-descendentes. O nosso Olorun é o mesmo Deus dos católicos, o Jeová dos evangélicos. Tudo acaba sendo uma coisa só. Entenderam?

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Thursday, April 10, 2008

A FESTA DOS ORIXÁS NO ILÉ AŞÉ DO PAI GEOVAŅO DE AJAGÙNNỌN

Aconteceu no sábado passado, 05 de abril de 2008, no barracão de Pai Geovano, uma das mais belas festas públicas de Candomblé já realizadas em Manaus. É a “Festa dos Orixás”, na qual todos os orixás vestem suas roupas no salão, usam suas paramentas, dançam ao som dos atabaques, comem e compartilham com todos os presentes algumas de suas deliciosas comidas.

E Pai Geovano nos fala da importância para si, para seus filhos e para todos da comunidade do Candomblé desta festa dos orixás, uma festa que em Manaus só é realizada até então em sua casa, sendo já o quarto ano consecutivo que ela acontece.

Essa festa é uma confraternização, tanto dos terreiros que vem prestigiar a casa, como com os filhos de santo da casa, e com o próprio orixá. Uma confraternização que você faz com o seu orixá. Uma festa como essa todo mundo brinca, todo mundo louva, todo mundo veste seu orixá, todo mundo se satisfaz vendo beleza, vendo humildade, vendo prosperidade pra todo mundo. Não tem um número específico de rezas. Pra se rezar pra santo, eu tenho uma coisa comigo, conforme a empolgação, a gente canta mais. Tem santos que têm muitas rezas e tem santo que tem pouca reza, no caso de Nanã, Obá, Euá, porque o culto já está sendo esquecido no Brasil, e até mesmo na África. Então, conforme a vontade do santo e a sabedoria do Pai de Santo, toca-se até mais horas, enquanto o santo está dançando. Tem certos santos que o som é mais frenético, como Xangô, Iansã, que o povo ajuda mais a cantar, porque está acostumado a cantar, acostumado a ouvir. Canta-se mais também pra Oxalá, pra Oxum. Estes são santos que contagiam muito quando estão em terra, todo mundo quer cantar, todo mundo quer dançar. É um som muito empolgante. Logun também, apesar de ser um santo difícil, é um santo que empolga bastante pelo movimento da dança, a mesma coisa de Xangô, que é um santo muito envolvente, a gente se envolve com o ritmo, porque é um ritmo gostoso de ouvir, cantar, dançar e tudo o mais…

E vários babalorixás conhecidos e respeitados de Manaus, assim como yaôs e pessoas de outros cargos de várias casas foram convidadas e compareceram com seu axé para incorporar o orixá de suas cabeças. Aqui enumeramos com a ajuda de Pai Geovano os nomes destas pessoas, os orixás e algumas particularidades de suas comidas.

EXU

Pai Geovano explicou que a Exu dá-se de comer cedo. Na sua nação não se raspa Exu, quando aparece alguém de Exu, raspa-se pra Ogum Xoroquê, o Exu que come com Ogum, metametá, explicou.

PAI BOSCO DE OGUM

Comida votiva: pasta de feijão preto, com camarão, cebola, azeite de dendê e os temperos (limo da costa, pimenta da costa). Frutas votivas: variadas.

YAÔ JONAS DE OSSAIN

Comida votiva: pasta de amendoim com milho de galinha, fumo de rolo e batata-doce com mel. Frutas variadas.

PAI EMERSON DE OXÓSSI E YAÔ DAVID DE OXÓSSI

Comida votiva: pasta de milho vermelho (milho de galinha) com coco cortado em fatias, milho-verde cozido. Frutas variadas, menos tangerina.

YAÔ JOÃO DE OBALUAÊ

Comida votiva: pipoca estourada na areia com coco cortado em fatias ou pasta de feijão preto com camarão, cebola, azeite português.

YAÔ RAURY DE OXUMARÊ

Comida votiva: banana pacovã frita, cortada em fatias compridas ou lelê de Oxumarê (mingau de milharina ou milho com bastante coco, cravo da Índia e canela). Frutas variadas.

OSI BABÁ MORÔ AFONSO DE XANGÔ

Comida votiva: acarajé, amalá, aberém, vatapá, acassá branco. Frutas variadas.

PAI FRANK DE IANSÃ

Comida votiva: acarajé, abará, caruru, vatapá. Frutas votivas: manga-rosa e melancia.

OBÁ

Comida votiva: acarajé, abará, amalá. Frutas votivas: manga-rosa e melancia.

EUÁ

Comida votiva: banana comprida cortada em rodelas, fritas, milho de galinha cozido, batata-doce cozida, coco cozido e cortado em cubo. Depois que está tudo pronto, mistura todos esses ingredientes. Temperada com camarão, cebola e azeite português, semelhante ao pirarucu à casaca. Fruta votiva: uva verde.

YAÔ MAURÍCIO DE OXUM E YAÔ LENIRES DE OXUM

Comida votiva: molocum, ovos recheados com vatapá, ipeté, sopa de ovos com legumes, temperado com azeite português ou dendê, dependendo da qualidade da Oxum. Frutas votivas: melão amarelo, uva, maçã.

BABÁ EFUN JOSUÉ DE LOGUN E YAÔ ANDRÉ DE LOGUN

Comida votiva: mesmas comidas de Oxum. Mudam somente as frutas: melão, quiuí, uva preta e verde, maçã verde e vermelha.

PAI ALEXANDRE DE IEMANJÁ

Comida votiva: manjá com mamão papaya, acassá branco, ovos cozido. Frutas variadas, menos melão, melancia e abacaxi.

YAÔ PATRÍCIA DE NANÃ

Comida votiva: efó; pasta de feijão preto, cebola, limo da costa e camarão. Fruta: melão roxo.

PAI GEOVANO DE OXAGUIÃ

Comida votiva: pasta de inhame temperado com camarão e azeite português ou somente com mel de abelha; ovos branco cozido; acassá branco; melão com casca, com açúcar, inhame cozido inteiro. Frutas: maçã verde, quiuí, banana com a casca verde.

YAÔ EWERTON DE OXALUFAN

Comida votiva: canjica de milho branco, ovos cozido, manjá, pescada frita em azeite português, acompanhado com farofa de farinha branca com camarão e cebola.

Bebida de todos os santos: aluá, suco de milho torrado com gengibre e açúcar queimado, tudo em efusão de três a quatro dias. Pode se feito também de abacaxi, tanto os dois misturados quanto separados.

EKÉDIS SUSPENSAS

Houve ainda duas ekédis suspensas, Dayse de Iemanjá e Cris, que já participam do barracão de Pai Geovano e agora vão dando os passos necessários para adentrar na religião do Candomblé.

Perguntamos ainda a Pai Geovano sobre estas especialidades culinárias concernentes a um barracão, se há alguém que se especializa em preparar todas estas saborosíssimas comidas:

Tem sim. É um cargo que há dentro do barracão, mas todo mundo que faz parte da religião deveria saber, tem que saber, porque um dia ela vai precisar dessa sabedoria pra arrear comida pra santo, pra ajudar alguém. Então, todas as pessoas, do abiã ao Pai de Santo, dentro do axé tem de saber todas estas e mais ainda, porque estas são apenas o básico do básico. Metade dos ingredientes, dos temperos, como o limo da costa, a banha do ori, o efun, tudo tem que ser africano, porque não serve a pemba, que a gente usa pra riscar, mas não serve, porque já é um outro tipo, não é igual. Hoje vende nas lojas especializadas, nas cabanas, é um pouco caro, mas a gente encontra. Antigamente era pior, a gente não encontrava nada disto. A gente tinha que fazer muitas coisas sem os ingredientes necessários, porque a gente não encontrava. Hoje em dia, é um pouco caro, mas pelo menos a gente encontra. O importante é isso: encontrar.


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