MOVIMENTOS SOCIAIS E ONGS CONTRA CONFRONTO NO RIO
“A concepção de segurança pública implementada no Rio de Janeiro é de grandes operações sem efeitos práticos. A gente vê que os índices de violência têm aumentado de modo geral”, afirmou Rafael Dias, pesquisador da ONG Justiça Global, hoje, dia 5, em manifestação realizada pelos Movimentos Sociais e ONGs, na frente da Secretaria de Segurança, contra a posição de confronto policial adotado pelo governo do Rio de Janeiro para combater o tráfico de drogas e a violência nos morros e comunidades pobres cariocas. Faixas com dizeres sobre a violência policial contra as comunidades pobres, e cruzes representando os mortos inocentes, como resultado das operações policiais, foram exibidas como protesto em frente à Secretaria de Segurança.
Para Rafael Dias, os governos devem investir em outras práticas que não possibilitem o confronto. As práticas podem ser: a inteligência policial, interceptação de drogas e ramas antes que elas cheguem nas favelas, a desmilitarização da segurança e a criação de ouvidorias independentes.
“Apesar da princesa Isabel ter nos libertado, essa política de extermínio ainda quer nos colocar prisioneiros. Presos na dor de perder nossos filhos, na insegurança. Quando descemos para trabalhar não sabemos se vamos voltar. Quando meus netos vão para a escola, a gente não sabe se uma bala os vai ‘achar’”, afirmou a manifestante Márcia Jacinto, que teve em 2002, no Morro do Gambá, na zona norte, seu filho Hanry Silva Gomes da Siqueira, de 16 anos, assassinado inocentemente por policiais militares que registraram sua morte como enfrentamento com a força policial.
Uma comissão representando os manifestantes foi atendida pelo secretário interino, Rivaldo Barbosa, pedindo que a Secretaria de Segurança apresente os números de vítimas e suas identidades desde o dia 17 de outubro, quando da invasão do Morro dos Macacos por traficantes e as reações militares. Segundo a Secretaria, até o momento já morreram 40 pessoas, entre elas 4 inocentes e 2 policiais.
Por seu lado, a Secretaria de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, quando procurada pelos jornalistas para comentar sobre a manifestação, negou-se o comentário.







