Tuesday, October 6, 2009

O DITADOR MICHELETTI AGORA QUER VINGAR ZELAYA?

Quando lemos a notícia, pareceu até uma daquelas anedotas de humor reto; ou seja, sem humor. Mas qual o quê? Embora chame o ditador Micheletti de “presidente interino”, tal qual a mídia sequelada direitista do mundo inteiro, a BBC não é dada a esses humores, mesmo desse rasteiro, curto e grosso. Mas é que a notícia em manchete chama a atenção: “Responsáveis por expulsão de Zelaya serão castigados, diz Micheletti”.

A verborragia ditatorial soou na entrevista coletiva dada ontem na qual, entre outras medidas, Micheletti revogou o estado de sítio que tinha instalado desde que o presidente Zelaya conseguira adentrar em Honduras e instalar-se na embaixada brasileira. “Cometeu-se um erro. Definitivamente, é uma decisão que foi tomada por alguns setores, que serão castigados conforme a lei”, afirmou Zelaya.

Mas tal assertiva tem diversas mensagens liminares. Entre elas, primeiro que se tornou insuportável para Micheletti manter-se, com o apoio da mídia sequelada mundial e da direita norte-americana (mas não só esta), a fraude da expressão “presidente interino”. Segundo, é preciso admitir, mas só até certo ponto; por exemplo, jamais usar a palavra “golpe”, mas “destituição”, “expulsão” e até “crise”. (A mídia-maioria e Micheletti estão de pleno acordo nesse ponto.) Assim como os poderes presidenciais de Zelaya serão restituídos, com a ressalva de alguns pontos que não o deixem movimentar-se para a esquerda sul-americana, como já afirmara antes (aqui no Leitura Global): “Tiramos Zelaya por seu esquerdismo e corrupção. Ele foi presidente, liberal, como eu. Mas se tornou amigo de Chávez, Correa e Evo Morales”.

E aí já entramos na terceira mensagem (palavra de ordem), de interesse dos Estados Unidos, detratar essa esquerda latina, principalmente Chávez. O que se liga imediatamente a uma quarta mensagem, que é justamente de desviar as luzes das câmeras e microfones o máximo possível para longe do presidente Lula, devido ao atual grau de autoridade deste no cenário mundial.

E assim, o ditador Micheletti não pretende vingar Zelaya, já que para isso ele precisaria aplicar-se uma autopunição. Ao contrário, da mesma forma que se utilizou de um estado de sítio para prender, torturar, matar, agora ele lança uma armadilha linguística para, se der certo, continuar com os seus (militares e extrema liberal, e vice-versa) no poder.

Ademais, como disse Heloisa Villela, em entrevista a Conceição Lemes (no Vi o Mundo) chocada diante da patacoada da trupe parlamentar brasileira banqueteando-se com o ditador Micheletti , há a “provável transferência dos camponeses para um presídio de segurança máxima, onde some muita gente”.

Os milicos foram espertos em colocar um ditador civil, percebendo que na atual conjuntura não seria possível manter-se uma ditadura militar nas Américas. Agora Micheletti terá de sacrificar um dos seus, para que fique tudo em paz.

Tudo que Zelaya, os presidentes sul-americanos envolvidos e, principalmente, o povo hondurenho não quer — uma falsa paz, um invólucro de pomba branca com o interior putrefato —, mas sim uma democracia, uma alegria. A potência de um povo. Honduras.

Posted by AFIN in 05:05:57
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