Sunday, July 12, 2009

!!!!! O MUNDO É GAY !!!!!

COMPANHEIRA DOROTY, PROTAGONISTA DO AMOR COMUNITÁRIO

A companheira Doroty, nascida e batizada Carlos Adriano Barbosa, 28 anos, morava no conjunto Nova Cidade, na zona norte de Manaus. Líder comunitária, Doroty sabia que é impossível viver em comunidade sem as condições mínimas para uma existência digna: água, luz, emprego, segurança, transporte. Sabia igualmente que a inteligência não coaduna com a estupidez. O conjunto Nova Cidade, vendido como a solução para os problemas históricos da miséria social espremida nas margens dos igarapés de Manaus, não escondia que a miséria social foi movida de lugar, mas não resolvida. Os mesmos sintomas, sem o fedor do igarapé – que não obstante, continua – acompanharam as pessoas que foram morar no conjunto que também abriga funcionários públicos concursados.

Doroty era líder comunitária e lutava contra um silêncio reacionário. Aquele que é fruto do medo, da resignação e da inoperância dos governos em promover a cidadania efetiva. Ela foi morta covardemente, à queima-roupa, com quatro tiros, por um motociclista. Doroty, que não é a Stang, a conhecida mundialmente por denunciar e evidenciar o envolvimento dos chamados poderes com a grilagem de terras e massacres de camponeses no interior do Pará, era, no entanto, movida pela mesma linha intensiva: a da impossibilidade de viver num mundo de injustiças e desigualdades.

Doroty fazia barulho em meio ao silêncio gerado pelo medo. Denunciava o tráfico de drogas na área, talvez sem desconfiar que partes da força policial sabiam mais sobre o tráfico do que ela. Foi assassinada no erro de seus assassinos, que crêem ser possível calar a polivocidade maquínica de um enunciado libertador, matando uma de suas vozes. Deram mais amplitude ao grito.

Numa cidade onde uma liderança LGBT com projeção internacional, como Adamor Guedes, foi assassinado e o crime, esquecido, é de se esperar que os assassinos de Doroty também fiquem impunes. No entanto, o grito continua ecoando, e Doroty, mostrando o caminho. Para ser livre e deixar passar os fluxos comunitários, é preciso falar. E se expor.

Doroty, neste sentido, talvez tenha uma importância maior ainda, se é que interessa a alguém realizar tais graduações: ela não se fechou no âmbito das segmentaridades. Não lutava por uma ‘causa’, ou ‘movimento’: era por todos, e por ela mesma, por uma necessidade de liberdade no plano comunitário que não vinha de causas externas, mas de si mesma. A verdadeira eticidade.

Ui! E agora vamos ver outros sopros gays (ou não) que passaram no nosso Mundico! A Lôca!

Φ SERVIDORES DO STF PODERÃO INCLUIR COMPANHEIR@S NO PLANO DE SAÚDE.Nem só de tramas antidemocráticas vive o Supremo Tribunal Federal. Esta parte, nociva à democracia, e por isto mesmo, ao movimento LGBT, fica por conta daqueles que não têm coragem de ir às ruas. No mais, o STF tem mostrado que é favorável à interpretações que ampliem os direitos civis. Agora foi a vez de seus servidores. Quem trabalha no STF poderá, mediante comprovação de união civil, e de que não possui outros vínculos matrimoniais, incluir o parceiro no plano de saúde. A decisão vale desde a última quarta-feira, e foi aprovada pelo conselho deliberativo do STFMed. Os cônjuges devem viver sob o mesmo teto há pelo menos três anos. Embora isolada, a iniciativa do STF pode – e deve! – contaminar outros órgãos e até mesmo empresas do chamado mundo privado. Mais que uma lei que obrigue, são essas pequenas mudanças que efetivamente aceleram o processual de transformação do social. Sentiu a brisa, Neném?

Φ BRASIL E OUTROS PAÍSES FARÃO CAMPANHA ANTI-AIDS PELOS CORREIOS. “Quando o carteiro chegou / E o meu nome gritou / Com uma carta na mão / Ante surpresa tão rude / Nem sei como pude / Chegar ao portão”. Ih, maninha, agora é a vingança material. É que a campanha mundial de combate à proliferação da AIDS, no Brasil, Burkina Faso, Camarões, China, Nigéria, Estônia e Mali vai começar pelos correios! Que legal! Até quem nunca foi a uma parada gay ou ambiente onde seja comum a panfletagem e informação sobre como evitar o contágio vai receber o folhetinho. E como a gente já conversou aqui que a AIDS é uma doença que se prolifera menos pela biologia que pela moralidade de classe, é uma jogada porretíssima! Considerando que os correios são um dos poucos serviços nacionais que funcionam com eficiência, na caixa de correio da maioria das pessoas no país vaia aparecer um panfleto informativo. Agora, se as pessoas vão ler, é outra coisa. De qualquer sorte, pelo menos se fazer presente na existência de pessoas que se acham “intocáveis” a este tipo de doença (a armadilha, o canto da sereia da moral de classe), já vai causar um abalo. Abalou, correios! Tamos esperando a nossa cartinha! Sentiu a brisa, Neném?

Φ UMA DENTRO E UMA FORA DA JUSTIÇA BRASILEIRA.Enquanto o STF libera, a justiça brasileira, no plano estadual, ainda expressa a desuniformidade em relação à aplicação das leis para a garantia dos direitos civis LGBT. Em São Paulo, por exemplo, o Tribunal de Justiça não reconhece em decisão no mês passado, mas tornada pública somente agora. Um cônjuge, que viveu durante 21 anos em regime de união na prática, e perdeu o companheiro, requereu na justiça o direito à herança, e foi negadopela turma do tribunal, alegando que o casamento homoerótico não se admite “no atual estágio do ordenamento jurídico do país”. Pegando um avião e descendo em Goiânia, o entendimento é outro. Lá, a justiça (embora federal, mas em Goiás), concedeudireito de cidadania brasileira ao companheiro estadunidense de um cabeleireiro. Christopher Bohlander, 48, vive há 11 anos com Zemir Magalhães, 38, e necessitava ter reconhecida a união para permanecer no Brasil. No entendimento do advogado do casal, a justiça brasileira, com a decisão, demonstrou “maturidade”, adequando a norma à realidade social. Por que será que no estado considerado a reserva moral, econômica, política e intelectual do Brasil os juízes se sentem impotentes diante do atual estágio do ordenamento jurídico brasileiro, enquanto que em Goiás, há maturidade jurídica para adequar a lei à realidade social? Tratar-se-ão de dois países diferentes? Onde vivem os juízes do Tribunal Paulista? Em época de comemoração da “revolução constitucionalista”, não é de se estranhar que a justiça paulista não coadune com a justiça federal. Nós, pessoalmente, preferimos os ares goianos, que nos deram o Papai Noelson, que a frieza da São Paulo retrógrada. E tu? Sentiu a brisa, Neném?

Beijucas, até a próxima, e lembrem-se, menin@s:

FAÇA O MUNDO GAY!

Posted by AFIN in 15:34:55
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